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"Ela Mandou a Dona Sair de Perto da Moto" Capítulo 5 — A Mulher que Voltou ao Clube

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Capítulo 5 — A Mulher que Voltou ao Clube

Jonas atendeu no terceiro toque.

"Preciso falar com o proprietário da moto preta", disse Lívia. "A última da fila, com adesivo branco no tanque."

"Renata não quer que eu passe ligações aos convidados."

"Então passe a mensagem. Diga que observei uma peça no suporte esquerdo e que ele deve pedir uma inspeção antes de sair."

"Vou tentar."

Lívia guardou o celular. Bia dirigia, desviando do trânsito lento que se acumulava perto do clube.

"Não vamos conseguir chegar antes da apresentação", disse.

"Talvez Jonas consiga segurar um minuto."

Um minuto era pouco. Lívia sabia. Também sabia que invadir o pátio depois de receber uma proibição por e-mail permitiria a Renata transformar uma advertência técnica em outra cena sobre sua suposta falta de controle.

Por isso, telefonou para Patrícia.

"Você ainda tem o convite de proprietária?"

"Tenho."

"Pode nos encontrar na entrada?"

"Estou a duas ruas daí."

Quando chegaram, a música já saía pelo portão aberto. Os convidados cercavam as seis motos, alinhadas sob luzes brancas. A rosa de Lívia não estava entre elas; a fotografia usada na divulgação permanecia no painel montado atrás da fila.

Patrícia esperava do lado de fora. Entrou primeiro, acompanhada de Lívia e Bia. Jonas as viu passar e se aproximou antes que outro funcionário o fizesse.

"Avisei o dono da preta", disse em voz baixa. "Ele pediu para olharem. Renata falou que era um acessório da apresentação."

"Ele aceitou pilotar?", perguntou Lívia.

"Vai decidir depois da foto."

Lívia viu o homem junto à moto. Parecia ter cerca de quarenta anos e discutia com uma integrante da equipe. Ela se apresentou a ele como proprietária de uma das motos alteradas, mostrou uma fotografia da peça retirada da sua e perguntou se podia examinar o suporte da moto preta sem tocá-lo.

"Fui informado de que a senhora está causando problemas", ele respondeu.

"Pode achar isso depois de olhar."

Ele se inclinou. A peça brilhante estava visível entre o retrovisor e o suporte original.

"Trouxe a moto assim de casa?", perguntou Lívia.

"Não. Entreguei ontem para limparem e prepararem a exposição."

"Tem uma foto de quando entregou?"

O homem procurou no celular. Havia uma, feita na garagem antes de sair. No enquadramento ampliado, o retrovisor estava preso diretamente ao suporte.

"Isso é novo", admitiu.

"Peça que removam e verifiquem a montagem antes de pilotar."

Renata surgiu ao lado deles.

"Eu pedi expressamente que você não viesse."

"Vim com Patrícia. Ela é convidada", respondeu Lívia. "E o proprietário pediu para olhar a moto."

"Não pedi que você olhasse", corrigiu o homem. "Ela só me mostrou uma diferença."

Renata aproveitou a frase.

"Exatamente. Nossa equipe instalou acessórios para as fotografias. Tudo será removido depois."

"Depois da volta de demonstração?", perguntou Lívia.

Renata olhou para a moto preta. Em seguida, sorriu para o proprietário.

"Se preferir não participar, ninguém vai obrigá-lo."

"Prefiro que removam antes", disse ele.

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Um funcionário da montagem trouxe uma ferramenta. Lívia se afastou para que o dono acompanhasse o serviço. Não precisava tocar em nada para que ele visse a peça sair da própria moto.

O fotógrafo contratado para a apresentação continuou registrando a cena. Caio, mais distante, filmava os convidados. Quando seus olhos encontraram os de Lívia, ele fez um gesto discreto indicando que havia visto.

Renata chamou Murilo Braga, que estava perto da entrada de serviço. Era o homem de camisa cinza das imagens de Caio. Ele veio até elas carregando a mesma bolsa pequena.

"Explique o acessório", ordenou Renata.

Murilo mostrou o adaptador retirado da moto preta.

"É uma peça de ajuste para exposição. Não oferece problema se estiver bem instalada."

"Foi você quem instalou na minha moto ontem?", perguntou Lívia.

"Qual é a sua moto?"

"A rosa que você viu no pátio."

Murilo passou a peça de uma mão para a outra.

"Instalei em vários veículos. Não lembro de cada um."

"Os donos autorizaram?"

"Essa parte é com a organização."

Renata interveio antes que Lívia repetisse a pergunta.

"Os participantes assinaram termos. Não vou discutir documentos no meio do evento."

"Não precisa mostrar nada para mim", disse Lívia. "Mostre a cada proprietário o que foi autorizado na moto dele."

A conversa começava a atrair gente. Renata percebeu e mudou de tom.

"Lívia, você quer resolver isso ou quer outra plateia?"

"Quero que a volta aconteça só com as motos verificadas."

"Ela não vai acontecer com a preta", disse o proprietário. "Não enquanto eu não falar com meu mecânico."

Ele pegou o adaptador da mão de Murilo e o guardou em um guardanapo. Renata acompanhou o movimento com os olhos, contrariada.

Outros dois proprietários se aproximaram para perguntar o que estava acontecendo. Lívia mostrou as fotos e repetiu apenas os fatos que podia demonstrar. Um deles decidiu retirar a moto da fila. O outro quis verificar o suporte com Murilo presente.

A volta de demonstração começou meia hora atrasada e com três motos a menos. Nenhum incidente aconteceu. Lívia sentiu alívio ao vê-las retornar, mas não confundiu isso com a questão resolvida.

Quando os convidados começaram a sair, Caio encontrou Lívia perto do portão.

"Renata mandou a equipe parar de filmar a inspeção", disse ele. "Eu já tinha registrado a conversa com Murilo."

"Você ouviu ele dizer que instalou as peças?"

"Ouvi e gravei."

"Guarde o arquivo original."

"Já guardei."

Ele percebeu que ela olhava para o celular. Era uma mensagem de um dos proprietários que Patrícia contatara naquela tarde. Renata lhe enviara uma cópia do termo de participação, com uma cláusula sobre acessórios de apresentação.

"Pode ser que esteja lá", disse Caio.

"Pode." Lívia ampliou o documento. "Mas o termo não diz quais peças foram instaladas nem que seriam mantidas durante a pilotagem."

Na saída, o homem da moto preta parou para lhe agradecer pelo aviso. Deu seu nome, Augusto, e deixou um número de contato. Lívia pediu que guardasse a peça e as fotos originais. Ele prometeu fazê-lo.

Bia esperava na caminhonete. Antes de entrar, Lívia recebeu uma ligação de número desconhecido.

Uma voz masculina disse:

"Se continuar mexendo nisso, a oficina Duarte perde o contrato que ainda resta."

"Quem está falando?"

"Alguém que sabe quanto custa manter aquela porta aberta."

A chamada caiu.

Lívia ficou com o telefone junto ao ouvido por um instante. Depois anotou o número e a hora, sem tentar ligar de volta.

Na caminhonete, Bia viu seu rosto.

"Foi a loja de equipamentos?"

"Não sei quem foi."

Lívia contou a ameaça exatamente como ouvira. Bia respirou fundo e olhou para a fachada iluminada do clube.

"Você ainda pode sair disso."

"Eu avisei os donos. Agora alguém quer que eu pare antes de descobrir por que instalaram as peças."

"Estou falando da oficina", disse Bia. "E do meu trabalho também."

Lívia sabia que Bia tinha razão de cobrar uma decisão. Esperou até chegarem à rua mais calma antes de responder.

"Não vou usar o dinheiro da oficina para bancar uma briga sem fim. Amanhã apresento a você todas as contas e o que pretendo fazer. Se eu não conseguir sustentar seu salário, você vai saber primeiro."

Bia assentiu, ainda tensa.

O celular de Lívia vibrou outra vez. Era uma mensagem de Caio, acompanhada de uma fotografia antiga da página do clube. A moto rosa aparecia em destaque num anúncio publicado quatro dias antes de Lívia receber o convite.

A legenda a chamava de

peça exclusiva da coleção Vilar

.

Lívia ampliou a estrela prateada no tanque.

A fotografia tinha sido tirada dentro da oficina Duarte.

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