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"A Empregada Viu o Pé do Chefe da Máfia Paralisado Se Mover… E Ele Mandou Trancar a Porta" Capítulo 4 — A Noite Sem Remédio

正文开头

Às nove da noite, Teresa entrou no quarto de Dante carregando o copo de porcelana.

Isabela estava trocando as fronhas.

“Seu remédio.”

Dante pegou o copo.

Teresa não saiu.

Ele olhou para ela.

“Mais alguma coisa?”

“Vou esperar.”

Isabela sentiu o corpo inteiro ficar tenso.

Dante levou as cápsulas à boca.

Bebeu água.

Teresa recolheu o recipiente.

“Boa noite.”

“Boa noite.”

Ela saiu.

Isabela esperou os passos desaparecerem.

Então correu para a porta e trancou.

Dante abriu a boca.

As cápsulas caíram em sua mão.

Isabela soltou o ar.

“Quase achei que tinha engolido.”

“Eu também sei atuar.”

“Percebi.”

Ele colocou as cápsulas dentro de um saco plástico.

Isabela havia preparado substitutos seguros apenas para preservar a encenação, mas preferiram que ele não tomasse nada novo naquela noite sem necessidade.

“Se você piorar, paramos.”

“Certo.”

“Se tiver dor diferente, tontura forte ou qualquer sintoma estranho, me chama.”

“Sim, doutora.”

Ela apontou para ele.

“Não me chama assim.”

“Por quê?”

“Porque não sou.”

A brincadeira morreu.

Dante percebeu.

“Você vai recuperar seu nome.”

Isabela baixou os olhos.

“Primeiro recupere suas pernas.”

Na manhã seguinte, ela entrou no quarto às 5h30.

Dante já estava acordado.

“Você está diferente.”

“Também senti.”

“Como?”

“Mais alerta.”

Isabela iniciou os testes.

Sensibilidade.

Contração.

Movimento do tornozelo.

“Direito.”

Dante moveu.

“De novo.”

Moveu.

“Agora o esquerdo.”

Nada.

Ele tentou novamente.

O pé esquerdo se mexeu.

Isabela recuou.

Dante ficou olhando.

“Eu fiz isso?”

“Fez.”

“Tem certeza?”

“Faça outra vez.”

Ele conseguiu.

Dante cobriu a boca com a mão.

Isabela sentiu os olhos arderem.

Não era prova definitiva de envenenamento.

Não era diagnóstico.

Mas era uma diferença grande demais para ignorar.

“Uma noite”, Dante murmurou.

“Não tire conclusões ainda.”

“Uma noite sem aquilo.”

“Dante.”

“Quatro meses tentando mover a esquerda.”

A voz dele ficou rouca.

“Quatro meses.”

Isabela se ajoelhou diante dele.

“Então vamos descobrir o que está acontecendo.”

Nos dois dias seguintes, repetiram o teste com cautela.

Dante manteve contato com um médico independente usando Bruno como intermediário, sem revelar seu nome inicialmente.

As cápsulas foram separadas para análise.

E a força continuou melhorando.

Na terceira manhã, Dante conseguiu levantar o joelho direito vários centímetros.

Isabela não conseguiu esconder o sorriso.

“Outra vez.”

“Você está gostando disso demais.”

“Outra.”

“Isabela.”

“Dante.”

Ele tentou.

O joelho subiu.

“Meu Deus”, ele sussurrou.

Ela colocou a mão sobre a coxa dele e sentiu o músculo contrair.

“Está aí.”

Dante olhou para ela.

“O quê?”

“Seu corpo.”

Os olhos dele ficaram úmidos.

“Ele nunca foi embora.”

Dante desviou o rosto.

Isabela fingiu não perceber.

Depois do treino, ela saiu.

Dante ficou sozinho olhando para as próprias pernas.

Pela primeira vez em quatorze meses, permitiu-se imaginar algo que tinha proibido dentro da própria cabeça.

Ficar de pé.

Dois andares abaixo, Teresa abriu o armário onde guardava os medicamentos.

Contou os comprimidos.

Uma vez.

Depois novamente.

Seu rosto perdeu a cor.

Pegou o celular e saiu pela porta dos fundos.

正文1

Isabela a viu pela janela da cozinha.

Algo em seu comportamento pareceu errado.

Seguiu-a à distância.

Teresa entrou na pequena garagem de serviço.

Isabela ficou atrás da parede.

“Temos um problema”, Teresa disse ao telefone.

Pausa.

“Ele não está tomando.”

Isabela sentiu o coração bater mais forte.

Não conseguia ouvir a outra pessoa.

Teresa respondeu:

“Sim. Tenho certeza.”

Outra pausa.

“Não sei quanto ele recuperou.”

Isabela cobriu a boca.

Teresa continuou:

“A empregada está envolvida.”

Silêncio.

“Não. Ainda não faça nada.”

Isabela recuou antes que fosse vista.

Subiu correndo.

Entrou no escritório de Dante e fechou a porta.

“Teresa sabe.”

Dante levantou os olhos.

“O quê?”

“Ela sabe que você parou de tomar os remédios. Estava falando com alguém.”

Dante ficou imóvel.

“Quem?”

“Não ouvi.”

Ele chamou Bruno imediatamente.

Enquanto isso, do outro lado de São Paulo, o Dr. Henrique Valença entrou em seu consultório particular.

Uma secretária entregou um pequeno envelope que acabara de chegar por motoboy.

Henrique abriu.

Dentro havia uma das cápsulas que Dante deveria ter tomado.

Junto dela, um papel.

**ELE PAROU.**

Henrique fechou a porta.

Pegou outro celular, guardado numa gaveta trancada.

Ligou.

“Temos um problema.”

A voz do outro lado perguntou:

“Ele descobriu?”

Henrique olhou para a cápsula.

“Ainda não.”

“Então qual é o problema?”

Henrique permaneceu alguns segundos em silêncio.

“Se ele parou de tomar, precisamos assumir que já consegue se mexer.”

A pessoa do outro lado não respondeu imediatamente.

Quando respondeu, a voz estava calma.

“Quanto tempo até ele ficar de pé?”

Henrique fechou os olhos.

“Não sei.”

“Descubra.”

A ligação terminou.

Na Mansão Montenegro, Dante estava diante das barras paralelas de sua sala particular de reabilitação.

Isabela segurava a cadeira atrás dele.

“Não faça isso.”

“Preciso saber.”

“Você ainda não está pronto.”

“Você acabou de dizer que meus músculos estão respondendo.”

“Responder não significa sustentar seu peso.”

Dante agarrou as barras.

“Então me diga quando.”

“Quando for seguro.”

“Há quatorze meses me dizem para esperar.”

Ele apertou as mãos no metal.

“Não vou esperar mais.”

“Dante.”

Ele empurrou o corpo para cima.

Os braços tremeram.

Os pés tocaram o chão.

Os joelhos começaram a ceder imediatamente.

Isabela segurou sua cintura.

“Pare!”

Dante respirava com dificuldade.

“Não.”

“Você vai cair.”

“Então não me solte.”

Por uma fração de segundo, o peso dele deixou a cadeira.

Isabela sentiu.

Dante também.

Os dois se olharam.

Então as pernas falharam.

Ele caiu de volta.

Silêncio.

Isabela ainda mantinha as mãos em seus ombros.

Dante olhou para os próprios pés.

“Você sentiu?”

Ela sorriu, apesar do medo.

“Senti.”

Ele ergueu os olhos.

“Eu quase fiquei de pé.”

“Quase.”

Dante apertou as barras novamente.

Dessa vez, havia algo diferente em seu rosto.

Não era medo.

Era certeza.

“Então amanhã eu fico.”

Do lado de fora da porta, alguém levantou discretamente um celular.

A câmera registrou Dante segurando as barras.

Registrou Isabela ao lado dele.

E registrou seus dois pés apoiados no chão.

A gravação foi enviada para um número sem nome.

A resposta chegou segundos depois.

Agora temos certeza.

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