localização atual: Novela Mágica A Empregada Viu o Pé do Chefe da Máfia Paralisado Se Mover… E Ele Mandou Trancar a Porta Capítulo 1 — O Pé Que Não Deveria Se Mover
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"A Empregada Viu o Pé do Chefe da Máfia Paralisado Se Mover… E Ele Mandou Trancar a Porta" Capítulo 1 — O Pé Que Não Deveria Se Mover

正文开头

A água estava quente o bastante para queimar a pele de Dante Montenegro.

Mesmo assim, ele não se mexeu.

Isabela Oliveira Martins percebeu isso no instante em que entrou no banheiro do terceiro andar carregando seis toalhas brancas contra o peito.

O vapor cobria os espelhos e subia pelas paredes de mármore. Dante estava dentro da banheira terapêutica, com os braços apoiados nas laterais e o corpo imóvel da cintura para baixo.

“Deixe as toalhas e saia.”

A voz dele não precisou subir de tom.

Na Mansão Montenegro, ninguém obrigava Dante a repetir uma ordem.

Isabela estava ali havia apenas seis dias e já conhecia as regras.

Não entrar nos quartos sem autorização.

Não tocar nos documentos.

Não fazer perguntas sobre as visitas que chegavam depois da meia-noite.

E, acima de tudo, nunca subir ao terceiro andar sem ser chamada.

Teresa Albuquerque, a governanta, tinha sido clara.

“A curiosidade é o jeito mais rápido de perder este emprego.”

Isabela precisava daquele emprego.

Precisava do salário.

Precisava do quarto simples que alugava na Vila Mariana.

Precisava, principalmente, de uma vida em que ninguém perguntasse por que uma mulher com seis anos de experiência em cuidados de reabilitação agora limpava pisos e trocava lençóis.

Por isso, deveria ter obedecido.

Mas seus olhos voltaram para a água.

“Senhor Montenegro...”

Dante virou o rosto.

“Eu mandei sair.”

“Essa água está muito quente.”

“Eu sei.”

Isabela franziu a testa.

Não.

Ele não sabia.

Ela conhecia aquele tipo de banheira. Conhecia pacientes com perda de sensibilidade. Conhecia queimaduras que começavam sem dor porque o corpo simplesmente não conseguia avisar que estava sendo machucado.

Colocou as toalhas sobre um banco.

Dante acompanhou cada movimento.

“O que está fazendo?”

Isabela se ajoelhou.

Mergulhou a parte interna do pulso na água.

A dor veio imediatamente.

Ela puxou o braço.

“Meu Deus.”

Dante permaneceu imóvel.

“Eu avisei que não precisava de ajuda.”

“Isso pode queimar sua pele.”

“Eu não sinto.”

Isabela ergueu os olhos.

“É justamente por isso.”

O silêncio ficou pesado.

Dante Montenegro tinha trinta e dois anos e controlava um império que aparecia nos jornais como Grupo Montenegro.

Transportadoras.

Galpões.

Terminais de carga.

Empreendimentos imobiliários.

Operações no Porto de Santos.

O resto nunca aparecia no balanço anual.

Os empregados falavam baixo sobre homens que entravam na mansão sem passar pela recepção. Sobre caminhões que circulavam de madrugada. Sobre empresários que chegavam arrogantes e saíam pálidos.

Isabela não sabia quanto era verdade.

Sabia apenas que, quatorze meses antes, o carro de Dante saíra da pista na Rodovia dos Imigrantes durante uma tempestade.

O motorista morreu.

Dante sobreviveu.

Desde então, ninguém o tinha visto fora da cadeira de rodas.

“Isabela.”

Ela voltou a encará-lo.

“Saia.”

Deveria sair.

Em vez disso, estendeu a mão para a torneira de água fria.

Dante percebeu.

“Não toque nisso.”

Tarde demais.

Isabela abriu.

Um jato frio entrou na banheira e atingiu a perna direita dele.

正文1

O pé de Dante se moveu.

Isabela congelou.

Não foi um espasmo discreto.

O tornozelo recuou.

Os dedos se contraíram.

O pé se afastou claramente da água fria.

Então parou.

Isabela ficou olhando para a perna.

Depois para Dante.

“Seu pé...”

“Foi um reflexo.”

“Não.”

A resposta saiu antes que ela pudesse pensar.

Os olhos de Dante ficaram estreitos.

“Como disse?”

“Eu disse que não foi um reflexo.”

“Você é médica?”

“Não.”

“Então acabou.”

Isabela continuou olhando para ele.

Havia algo ainda mais estranho do que o movimento.

Dante não parecia surpreso.

Parecia assustado.

Ela conhecia aquele olhar.

Era o olhar de alguém cujo segredo acabara de ser descoberto.

“Isso já aconteceu antes.”

Dante não respondeu.

“Quantas vezes?”

“Chega.”

“Você consegue mover a perna?”

A mão dele apertou a borda da banheira.

“Isabela.”

“Todo mundo acha que o senhor está completamente paralisado.”

“E vai continuar achando.”

Ela parou.

Foi a primeira vez que sentiu medo de verdade.

Não dele.

Da frase.

Passos soaram no corredor.

Dante virou o rosto para a porta.

Três batidas.

“Dante?”

Teresa.

A mudança nele foi instantânea.

A vulnerabilidade desapareceu.

Quando tornou a olhar para Isabela, o chefe frio havia voltado.

Só que sua voz saiu quase num sussurro.

“Tranque a porta.”

Isabela arregalou os olhos.

“O quê?”

“Tranque.”

“Mas Teresa está—”

“Agora.”

Isabela levantou e girou a chave.

“Dante?”, Teresa chamou novamente.

Ele apontou para o roupão.

“Me ajude.”

Isabela aproximou a cadeira da banheira.

Dante usou os braços para levantar o próprio corpo. Quando ela passou a mão sob a perna direita para ajudá-lo, percebeu outra coisa.

A musculatura estava enfraquecida.

Mas não tanto quanto esperaria depois de quatorze meses de paralisia total.

Seu coração acelerou.

“Há quanto tempo?”

Dante parou.

“Não faça essa pergunta.”

“Há quanto tempo sua perna se mexe?”

Batidas mais fortes.

“Está tudo bem aí?”

Dante encarou Isabela.

“Se você quiser continuar viva, não fale sobre o que viu.”

Ela empalideceu.

“Isso é uma ameaça?”

“Não.”

Dante olhou para a porta.

“É um aviso.”

Ele ajeitou o roupão.

“Abra.”

Isabela destrancou.

Teresa estava do outro lado.

Elegante, cabelo preso, vestido escuro, expressão controlada.

Seus olhos foram primeiro para Dante.

Depois para Isabela.

Depois para a torneira de água fria.

Por menos de um segundo, alguma coisa atravessou seu rosto.

Medo.

“Algum problema?”, perguntou Teresa.

Dante respondeu sem hesitar.

“Sua empregada não sabe cumprir uma ordem simples.”

Isabela o encarou.

“Desculpe, senhor.”

“Leve-a daqui.”

Teresa fez um gesto.

Isabela a seguiu até o andar térreo.

No corredor de serviço, Teresa fechou a porta.

“O que aconteceu?”

“Nada.”

“Você ficou quatorze minutos lá dentro.”

Isabela sentiu um arrepio.

Teresa tinha contado.

“Ajudei o senhor Montenegro a sair da banheira.”

“Você tocou nas pernas dele?”

Isabela ficou imóvel.

“Por que está perguntando isso?”

Teresa aproximou-se.

“Porque existem coisas nesta casa que não dizem respeito a você.”

“Eu só estava fazendo meu trabalho.”

“Então continue fazendo apenas isso.”

Teresa sorriu sem qualquer gentileza.

“Pessoas curiosas não duram muito tempo perto dos Montenegro.”

Naquela noite, Isabela abriu um e-mail de demissão.

Ficou olhando para a tela por quase uma hora.

Sua vida já havia sido destruída uma vez por causa de um paciente e de um medicamento que jurava nunca ter administrado.

Não precisava acontecer de novo.

Quando finalmente colocou o dedo sobre “Enviar”, o celular vibrou.

Número desconhecido.

Uma mensagem.

**Amanhã. 5h30. Entrada de serviço oeste. Não conte a ninguém.**

Isabela sentiu o estômago apertar.

Outra mensagem apareceu.

**— D.M.**

Ela não enviou a demissão.

Na manhã seguinte, às 5h28, atravessou a entrada oeste.

Dante a esperava sozinho na biblioteca.

“Feche a porta.”

Isabela obedeceu.

Ele colocou a mão sobre a coxa direita.

“Olhe.”

Dez segundos.

Nada.

Vinte.

Então o joelho direito se moveu.

Pouco.

Mas deliberadamente.

Isabela prendeu a respiração.

Dante ergueu os olhos.

“Agora você entende por que ninguém pode saber.”

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