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"Ninguém Pulou por Ele" Capítulo 6 — A Última Pessoa a Sair

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Capítulo 6 — A Última Pessoa a Sair

O depósito antigo da Valença Logística ficava atrás de uma oficina desativada, numa estrada estreita que margeava o reservatório.

Às 20h42, deixei meu telefone sobre o banco do carro de Caio e atravessei o portão a pé.

A mensagem dizia para eu ir sozinha. Na estrada, Beatriz mantinha sua equipe fora de vista. Caio conhecia outra entrada, mas não a usaria até receber meu sinal. Dante ficara na casa, onde Vitória reunira os conselheiros para uma reunião extraordinária.

Eu não sabia se minha mãe estava no depósito. Sabia que quem me chamara tinha os medicamentos dela.

Uma lâmpada acendeu acima da porta.

"Mostre as mãos", uma voz masculina ordenou.

Levantei os braços.

Um homem saiu da sombra usando o mesmo uniforme cinza da equipe de manutenção. Segurava uma arma baixa, perto da perna. Não reconheci seu rosto.

"Helena está aqui?"

"Primeiro, o que ela deixou no quarto?"

Ele sabia do gravador.

"Entreguei à polícia."

O homem soltou um palavrão.

"Ela disse que você não tinha encontrado nada."

"Então ela está viva."

Ele não respondeu. Dei um passo em direção à porta e ele ergueu a arma.

"Fique onde está."

"Preciso vê-la. Depois conversamos."

"Você acha que pode negociar?"

"Não. Acho que se ela morrer, você vai ter de explicar a quem pagou por esta noite por que perdeu a única pessoa que sabe quem estava naquele carro."

Ele olhou, por um segundo, para a janela lateral do depósito.

Foi o bastante.

"Helena!", gritei.

Uma batida veio de dentro. Depois outra.

O homem avançou, mas a porta lateral se abriu antes que alcançasse meu braço. Uma caixa de ferramentas atravessou o espaço e bateu em sua perna. Ele perdeu o equilíbrio; o tiro atingiu a lâmpada acima de nós.

O pátio mergulhou na escuridão.

Corri na direção da porta. Encontrei minha mãe apoiada numa mulher que eu não conhecia. Helena estava pálida, com uma faixa no braço esquerdo, mas mantinha os olhos fixos em mim.

"Lívia."

Segurei sua mão por um instante. Depois a puxei para trás de uma parede de concreto.

"Consegue andar?"

"Consigo."

A outra mulher apontou para a saída de serviço.

"Eu dirijo. O carro está atrás."

"Quem é você?", perguntei.

"Ela me ajudou a sair", Helena respondeu. "Pergunte depois."

O homem armado gritava no pátio. Um carro acelerou na estrada e freou junto ao portão. Ouvi Beatriz se identificar. Vozes deram ordens, uma arma caiu sobre o concreto e Caio apareceu na saída de serviço.

"Por aqui."

Ele não tocou em Helena até perguntar se precisava de apoio. Minha mãe aceitou. Quando chegamos ao carro, vi que a mulher desconhecida usava um crachá de técnica de enfermagem preso ao bolso.

"Eu cuidei dela na casa", disse. "Hoje me mandaram acompanhá-la."

"Quem mandou?", Beatriz perguntou, aproximando-se.

A mulher olhou para o depósito.

"Vitória Valença."

Beatriz pediu que as duas fossem examinadas e identificadas formalmente. Não consegui soltar a mão da minha mãe enquanto a conduziam à ambulância.

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"Você gravou uma mensagem para mim", falei.

"Não podia contar tudo naquele quarto."

"Quem estava no carro com Dante?"

Helena olhou para os policiais ao redor.

"Não aqui."

A reunião na casa começaria às nove. Era para lá que Vitória esperava que eu não voltasse. Helena percebeu para onde eu olhava.

"Ela vai dizer que Dante me manteve presa", disse. "E terá documentos para mostrar."

"Eu encontrei uma autorização com data falsa."

"Não é a única."

Beatriz se aproximou antes que eu pudesse perguntar mais. Helena precisava ser avaliada; seu depoimento viria depois. Pedi que preservassem a declaração da enfermeira e as imagens da estrada. Minha mãe apertou meus dedos.

"Volte para aquela casa, Lívia."

"Acabei de encontrar você."

"E foi por isso que fiquei viva tempo suficiente para contar o que sei."

Caio me levou de volta. Durante o trajeto, falei com Beatriz por telefone e recebi a cópia de uma parte do depoimento inicial da enfermeira. Ela vira Vitória no quarto naquela manhã. Também ouvira instruções para sair pela garagem quando os guardas fossem chamados ao jardim.

"Ela sabia da queda", Caio disse.

"Ou ajudou a marcar a hora."

"Isso ainda precisa ser provado."

"Eu sei."

No salão, Vitória estava de pé diante dos conselheiros. Dante ocupava a ponta da mesa, sozinho. À sua frente havia uma pasta aberta.

Cheguei a tempo de ouvi-la dizer:

"Meu irmão trouxe Helena Duarte para esta propriedade contra a vontade dela. Escondeu sua presença dos funcionários e usou recursos da empresa para pagar uma equipe médica particular."

Ela ergueu uma folha.

"Temos as autorizações com a assinatura de Helena e os pagamentos aprovados pela conta de Dante. Diante disso, proponho que ele seja afastado da administração até o fim da investigação."

Dante viu minha entrada, mas não se moveu.

Vitória também me viu. A surpresa durou menos de um segundo.

"Encontrou sua mãe?"

"Encontrei."

Os conselheiros começaram a falar ao mesmo tempo. Vitória bateu a mão na mesa.

"Então ela poderá confirmar onde passou os últimos dezessete dias."

"Poderá", respondi. "Depois do atendimento médico e diante da delegada."

Mostrei no telefone a declaração da enfermeira. Não entreguei o aparelho a Vitória.

"Ela também poderá dizer quem a levou pela garagem durante a festa."

O advogado de Vitória estendeu a mão.

"Precisamos verificar a origem disso."

"Podem pedir uma cópia à polícia."

Dante fechou a pasta diante dele. Vitória ainda tinha os documentos da internação, a conta usada para pagar a van e uma maioria possível naquela mesa. Salvar minha mãe não bastava para derrubar a história que ela preparara.

Eu havia deixado o gravador com Beatriz. Antes de sair do depósito, a delegada me permitira ouvir a gravação completa. Minha mãe registrara mais do que a mensagem escondida sob o colchão. O aparelho continuara ligado quando alguém entrara no quarto para avisar que Dante estava a caminho do jardim.

Caio conectou o áudio ao sistema do salão.

"Este arquivo foi recolhido no quarto de Helena", falei. "A polícia tem o original. Há uma ordem nele que todos aqui parecem conhecer."

Vitória apoiou as palmas na mesa.

"Não vou participar de uma encenação."

"Você pode sair", Dante disse. "Os portões estão abertos para a polícia."

Caio apertou o botão.

Primeiro veio a respiração de Helena. Depois, passos e uma porta abrindo. Uma voz perguntou se os convidados já estavam no terraço.

A resposta foi abafada.

Então outra voz, clara e firme, deu a ordem:

"Quando a cadeira chegar à água, ninguém se move."

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