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"Ninguém Pulou por Ele" Capítulo 2 — O Nome Que Ela Escondeu

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Capítulo 2 — O Nome Que Ela Escondeu

"Tragam a cadeira do reservatório", Dante ordenou.

Caio enviou dois homens. Enquanto eles desciam para buscar o equipamento, o médico cobriu os ombros de Dante com uma manta e insistiu em examiná-lo dentro da casa.

"Pode haver água nos pulmões. Você precisa ir ao hospital."

"Depois."

"Não é uma sugestão."

Dante apoiou a mão no braço da cadeira emprestada.

"Então anote sua objeção."

Eu conhecia aquele tom. Durante meus onze dias como sua secretária, tinha visto empresários saírem de reuniões com contratos assinados sem perceber em que momento haviam perdido a negociação.

Mas Dante ainda respirava com dificuldade. A manta escondia o tremor de seus ombros.

Caio voltou com os seguranças. A cadeira retirada do reservatório deixou um rastro de água sobre a pedra.

Ele se agachou ao lado da roda direita, moveu uma peça sob o assento e parou.

"Quem fez a manutenção ontem?"

Um dos guardas consultou o rádio.

"Ninguém, chefe. A revisão estava marcada para amanhã."

Caio ergueu um cabo fino. A extremidade pendia solta.

"O direcionamento foi cortado."

Um murmúrio atravessou o jardim. Pela primeira vez desde a queda, os convidados pareciam capazes de fazer barulho.

Vitória cruzou os braços.

"Você vai acusar cada pessoa nesta festa?"

"Ainda não acusei ninguém", Dante respondeu.

"Ainda."

Eu observava o cabo. A ponta não se parecia com uma peça desgastada. Havia uma marca limpa onde o metal terminava.

Caio cobriu a extremidade com um lenço antes de guardá-la.

"Preservem a cadeira e as imagens das câmeras", eu disse.

Ele me olhou como se só então se lembrasse de que eu estava ali.

"Eu sei fazer meu trabalho."

"Ótimo. Então peça também os registros de acesso à garagem. A cadeira ficou lá durante a preparação da festa."

Caio não respondeu, mas falou ao rádio.

Dante voltou-se para mim.

"Qual é o seu nome?"

"Claire Bennett."

Eu o havia dito na entrevista. Estava no crachá que me deram na primeira manhã. Mesmo assim, a pergunta fez meu estômago se contrair.

Dante esperou.

"Esse é o nome no meu contrato."

"Não foi o que perguntei."

Os homens mais próximos de nós se calaram. Vi uma mão se aproximar da abertura de um paletó e compreendi quanto meu silêncio podia custar.

Durante onze dias, eu entrara em escritórios onde outros funcionários não podiam entrar. Organizara reuniões, recebera envelopes fechados e aprendera os horários de Dante. Se ele acreditasse que eu fora contratada para ajudar quem cortou aquele cabo, eu não sairia pelo portão principal.

"Lívia", respondi. "Lívia Duarte."

Vitória soltou uma risada breve.

"Duarte."

Ela se aproximou até ficar diante de mim. Tentei não recuar quando sua mão levantou uma mecha molhada do meu rosto.

"Helena sempre prendeu o cabelo assim depois de nadar."

Dante perdeu a cor.

"Vitória."

"Olhe bem para ela."

Eu me afastei da mão de Vitória.

"Não fale da minha mãe como se a conhecesse."

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"Eu a conheci."

"Então sabe que ela passou vinte e nove anos tentando manter você longe de mim."

A expressão de Vitória não mudou. Dante, porém, apertou o braço da cadeira com tanta força que os nós dos dedos embranqueceram.

Eu descobrira a fotografia três noites antes. Estava numa pasta de documentos antigos no escritório de Dante: minha mãe, muito jovem, à entrada daquela mesma propriedade. A data no verso era anterior ao meu nascimento.

Eu ainda não tivera coragem de perguntar por que ele a guardava.

Um estampido veio de dentro da casa.

Todos se abaixaram, menos Dante.

Caio já falava ao rádio enquanto corria para a porta. Eu me movi atrás dele. Sabia onde ficava o escritório, e tinha visto um segurança conduzir uma mulher pelo corredor de serviço uma hora antes da queda.

Na ocasião, achei que fosse uma funcionária da cozinha. Agora lembrei que ela usava sapatos fechados de hospital.

"Fique aqui", Caio mandou.

Eu não fiquei.

No corredor, encontramos um guarda caído junto à escada do subsolo. Estava consciente e pressionava a mão contra o braço ensanguentado.

"Quantos?", Caio perguntou.

"Dois. Uniformes da equipe de manutenção. Um deles tinha cartão de acesso."

Caio acionou os homens pelo rádio. Eu passei por ele e desci três degraus.

"Lívia!"

Parei ao ouvir meu nome verdadeiro.

Dante estava na entrada do corredor. Dois seguranças empurravam sua cadeira, mas ele fez sinal para que parassem.

"Você sabia que havia alguém lá embaixo?", perguntou.

"Vi uma mulher ser levada pelo corredor de serviço. Você não me disse que havia uma paciente na casa."

Seus olhos se fixaram nos meus.

"Eu não queria que soubesse."

A resposta veio antes que ele pudesse medir o que tinha revelado.

O rádio de Caio estalou.

"A sala foi aberta. A porta dos fundos está destrancada. Levaram a pessoa que estava lá."

Não houve pergunta sobre dinheiro ou documentos. Dante sabia imediatamente a quem a voz se referia.

Eu desci mais um degrau.

"Quem era?"

Ele não respondeu.

Vitória surgiu atrás da cadeira, tranquila demais para alguém que acabara de ouvir um tiro dentro da própria casa.

"Talvez agora seja uma boa hora para contar a ela", disse.

Dante virou o rosto.

"Afaste-se de Lívia."

Foi a primeira vez que o ouvi pronunciar meu nome verdadeiro. Na voz dele, soou menos como uma descoberta do que como algo que vinha evitando havia anos.

Caio recebeu outra mensagem pelo rádio e olhou para mim.

"Encontramos um quarto preparado para internação. A pessoa foi retirada há menos de cinco minutos."

Eu já corria escada abaixo antes que ele terminasse.

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