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"Pedi Para Um Estranho Fingir Que Me Amava… Sem Saber Que Ele Era o Chefe da Máfia" Capítulo 6 — Minha Mãe Conhecia os Montenegro

正文开头

“Por que você tinha uma pasta da minha mãe?”

Dante não respondeu imediatamente.

Isabela estava no meio do escritório.

O cofre aberto atrás dele.

Bruno e Teresa permaneciam em silêncio.

“Eu fiz uma pergunta.”

“Eu sei.”

“Então responde.”

“Porque a pasta estava entre documentos antigos do meu pai.”

“Seu pai?”

“Sim.”

“Minha mãe morreu há dezenove anos.”

“Eu sei.”

Isabela sentiu a raiva explodir.

“Você sabe?”

Dante não recuou.

“Sei agora.”

“Agora?”

“Eu nunca abri aquela pasta.”

Ela riu.

“Claro.”

“Isabela.”

“Você investigou meu ex em duas horas, mas nunca abriu uma pasta guardada no seu próprio cofre?”

“Era parte de um arquivo lacrado do meu pai.”

“E eu deveria acreditar?”

“Não.”

A resposta só a deixou mais furiosa.

“Para de fazer isso.”

“O quê?”

“Responder que eu não preciso confiar em você como se isso tornasse tudo melhor.”

Dante respirou fundo.

“Meu pai morreu quando eu tinha quinze anos.”

A raiva dela vacilou.

“Depois da morte dele, Ricardo assumiu boa parte dos negócios até eu ter idade para assumir.”

“Seu tio.”

“Sim.”

“E essa pasta?”

“Veio de um cofre particular que pertencia ao meu pai.”

“Por que estava na sua casa?”

“Porque há documentos que nunca deveriam ter ido para a sede do grupo.”

Isabela sentiu frio.

“Que tipo de documentos?”

Dante olhou para Bruno.

“Encontre Ricardo.”

***

Ricardo Vasconcelos Montenegro chegou uma hora depois.

Tinha cinquenta e oito anos, cabelos grisalhos e a tranquilidade de um homem acostumado a entrar em qualquer ambiente acreditando que era o mais poderoso dali.

Até ver Isabela.

Ele parou.

A expressão mudou.

“Meu Deus.”

Isabela se levantou.

Ricardo continuou olhando.

“Você tem os olhos dela.”

Dante deu um passo à frente.

“Você conhecia Helena Martins.”

Ricardo desviou os olhos para o sobrinho.

“Quem mexeu no arquivo?”

“Roubaram a pasta.”

Pela primeira vez, Ricardo perdeu a compostura.

“Roubaram?”

“Esta noite.”

“Dante, você não entende…”

“Então me faça entender.”

Ricardo olhou para Isabela.

“Você deveria ir embora.”

Ela riu.

“Da minha própria história?”

“Isso não diz respeito a você.”

“Minha mãe está morta e alguém invadiu uma casa para roubar uma pasta com o nome dela.”

Isabela se aproximou.

“Então acho que diz respeito a mim.”

Ricardo ficou calado.

Dante falou:

“Conta.”

O tio caminhou até a janela.

“Helena trabalhou para o Grupo Montenegro.”

Isabela sentiu o peito apertar.

“Não.”

“Trabalhou.”

“Minha mãe era auxiliar administrativa.”

“Na documentação oficial.”

Ricardo virou-se.

“Na prática, ela trabalhava no financeiro.”

“Por quanto tempo?”

“Quase quatro anos.”

“Por que ela nunca me contou?”

“Porque descobriu coisas que não deveria ter descoberto.”

Dante estreitou os olhos.

“Que coisas?”

Ricardo demorou a responder.

“Empresas fantasmas. Contas paralelas. Contratos falsos.”

“Lavagem de dinheiro?”, Isabela perguntou.

Ricardo olhou para ela.

“Entre outras coisas.”

O silêncio pesou.

“Minha mãe denunciou?”

“Ela tentou.”

“Para quem?”

Ricardo olhou para Dante.

“Para o pai dele.”

Dante ficou imóvel.

“Meu pai sabia?”

“Augusto Montenegro começou a investigar.”

Dante avançou um passo.

“Você nunca me contou.”

“Você tinha quinze anos quando ele morreu.”

“E depois?”

“Depois você tinha inimigos suficientes.”

Isabela sentiu as pernas fraquejarem.

“Minha mãe morreu num acidente.”

Ricardo não respondeu.

“Foi um acidente?”

“Isabela…”

“Foi?”

Ricardo fechou os olhos.

“Eu não sei.”

A resposta doeu mais do que um sim.

“Ela morreu numa estrada molhada. Disseram que perdeu o controle.”

“Foi o que a polícia concluiu.”

“E o pai do Dante?”

Ricardo olhou para o sobrinho.

“Também morreu naquele ano.”

Isabela virou-se para Dante.

“Como?”

“Acidente de carro”, ele respondeu.

Ela sentiu o sangue gelar.

“Quantos meses de diferença?”

“Quatro.”

Ninguém falou.

Isabela sentou.

Durante toda a vida, aceitara a morte da mãe como uma tragédia sem culpados.

Uma curva.

Chuva.

Azar.

Agora alguém estava desmontando aquela versão peça por peça.

Bruno entrou rapidamente.

“Encontramos Larissa.”

Dante virou-se.

“Onde?”

“Uma clínica particular na Zona Sul. Foi deixada na entrada.”

“Está machucada?”

“Assustada. Sedada. Mas viva.”

“Ela falou alguma coisa?”

“Uma coisa.”

Bruno olhou para Isabela.

“Disse que Marcelo nunca quis o dinheiro.”

Isabela ficou de pé.

“O quê?”

“Ela repetiu isso três vezes.”

“Então o que ele queria?”

Bruno hesitou.

“Aquilo que Helena Martins escondeu antes de morrer.”

Isabela sentiu o ar faltar.

Marcelo estivera com ela durante três anos e meio.

Entrara em sua casa.

Dormira ao seu lado.

Conhecera sua irmã.

Abrira caixas com fotografias da mãe.

E, de repente, cada lembrança tinha outro significado.

Dante observou seu rosto.

“Isabela.”

Ela recuou.

“Não.”

“Olha para mim.”

“Não.”

A voz dela quebrou.

“Ele nunca me amou.”

Ninguém conseguiu responder.

Porque naquele momento todos estavam pensando a mesma coisa.

Talvez Marcelo Ferraz nunca tivesse escolhido Isabela por acaso.

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