"Pedi Para Um Estranho Fingir Que Me Amava… Sem Saber Que Ele Era o Chefe da Máfia" Capítulo 5 — A Mulher Que Usou Meu Rosto
A ligação caiu.
Isabela olhou para a tela do celular.
Sem sinal.
“Dante?”
Nada.
Dentro do apartamento, alguma coisa caiu.
Ela recuou pelo corredor.
A porta permanecia aberta.
A luz da rua entrava pela janela quebrada e desenhava sombras sobre os móveis destruídos.
Então uma silhueta apareceu na sala.
Isabela parou de respirar.
“Quem está aí?”
Nenhuma resposta.
A sombra se moveu.
Ela correu.
Desceu dois degraus de cada vez, quase tropeçando no primeiro lance da escada.
Atrás dela, ouviu passos.
“Isabela!”
Ela gritou.
Uma porta se abriu no andar de baixo.
Antes que pudesse pedir ajuda, um homem surgiu no hall.
Terno escuro.
Bruno.
“Senhora Isabela!”
Ela praticamente caiu contra ele.
“Tem alguém lá dentro.”
Bruno a colocou atrás de si.
“Fica aqui.”
Dois outros seguranças entraram no prédio.
Bruno subiu.
Isabela ficou junto à entrada, abraçando o próprio corpo.
Menos de dois minutos depois, uma SUV preta parou diante do prédio.
Dante saiu antes mesmo de o motorista abrir a porta.
Ele atravessou a calçada.
“Você está machucada?”
“Não.”
Dante olhou seu rosto, braços e mãos.
“Ele tocou em você?”
“Não vi quem era.”
“Tem certeza de que está bem?”
“Dante.”
“Tem certeza?”
“Estou.”
Só então os ombros dele relaxaram minimamente.
Isabela olhou para a SUV.
“Como chegou tão rápido?”
“Eu estava vindo.”
“De onde?”
“Do hotel.”
“Você estava me seguindo também?”
“Não.”
“Então por que estava vindo?”
Dante sustentou o olhar dela.
“Porque sua voz mudou quando você ligou.”
Ela quase corrigiu: fora ele quem havia ligado.
Mas entendeu.
Ele tinha ouvido medo.
E simplesmente viera.
Bruno reapareceu.
“Fugiu pela janela dos fundos.”
Dante virou-se.
“Câmeras?”
“Estamos pegando as imagens.”
“Encontraram alguma coisa?”
Bruno hesitou.
“Encontramos o que ele estava procurando.”
“Como?”
“Não encontrou.”
Isabela franziu a testa.
Bruno apontou para o apartamento.
“Quase todas as gavetas foram abertas. Caixas antigas, documentos, armários. Mas joias baratas, notebook e dinheiro ficaram lá.”
Dante olhou para Isabela.
“Não foi roubo.”
Ela sentiu um arrepio.
“Então o que ele queria?”
Ninguém respondeu.
***
Quarenta minutos depois, Isabela estava dentro da SUV de Dante.
“Não vou para um hotel Montenegro.”
“Não sugeri um hotel.”
“Então para onde estamos indo?”
“Minha casa.”
Ela virou o rosto lentamente.
“Nem pensar.”
“Seu apartamento foi invadido.”
“Eu tenho amigas.”
“Marcelo conhece suas amigas?”
Provavelmente.
“Minha irmã.”
“Ele conhece Camila.”
Isabela fechou a boca.
Dante continuou:
“Minha casa tem segurança vinte e quatro horas.”
“E provavelmente cinquenta homens armados.”
“Não cinquenta.”
“Isso deveria me tranquilizar?”
“Quarenta e dois.”
Isabela olhou para ele.
Dante permaneceu sério por dois segundos.
Então ela percebeu.
“Você está brincando?”
“Um pouco.”
Apesar de tudo, uma risada escapou.
Durou pouco.
“Dante, eu não quero virar prisioneira.”
“Não vai.”
“Então temos regras.”
“Fala.”
“Eu posso sair quando quiser.”
“Sim.”
“Meu quarto tranca por dentro.”
“Sim.”
“Você não entra sem minha autorização.”
“Sim.”
“Nem manda ninguém mexer nas minhas coisas.”
“Sim.”
Ela estreitou os olhos.
“Você concordou rápido demais.”
“São pedidos razoáveis.”
Isabela olhou pela janela.
“Marcelo teria discutido cada um.”
Dante não respondeu.
Isso, de algum modo, disse mais do que qualquer frase.
***
A casa dos Montenegro ficava no Jardim Europa.
Não parecia uma casa.
Parecia uma fortaleza que alguém havia ensinado a fingir ser uma mansão elegante.
Muros altos.
Jardim impecável.
Vidros enormes.
Seguranças discretos.
Teresa esperava na entrada.
“Preparei o quarto de hóspedes.”
Isabela olhou para Dante.
“Você já tinha mandado preparar?”
“Enquanto vinha buscar você.”
“Convencido.”
“Prático.”
Teresa disfarçou um sorriso.
Isabela recebeu a chave do quarto.
Uma chave de verdade.
Não cartão eletrônico.
Não código que Dante pudesse alterar à distância.
Ela percebeu o detalhe.
Ele também percebeu que ela havia percebido.
Nenhum dos dois comentou.
Na manhã seguinte, Bruno apareceu durante o café.
“Encontramos a mulher.”
Isabela largou a xícara.
“Que mulher?”
Bruno colocou uma fotografia sobre a mesa.
A mulher do vídeo.
Aquela que usara seu rosto.
“Larissa Prado”, disse Bruno. “Vinte e sete anos. Trabalhou como promotora de eventos. Tem dívidas em três bancos e um irmão envolvido com apostas.”
“Ela conhece Marcelo?”
“Conhece.”
Dante entrou na sala.
“Ela aceitou falar?”
“Depois de alguma insistência.”
Isabela olhou para Bruno.
“Que tipo de insistência?”
Dante respondeu:
“Dinheiro.”
Ela respirou aliviada.
“Ela está vindo?”
“Já chegou.”
***
Larissa parecia ainda mais com Isabela pessoalmente.
Não o suficiente para enganar alguém próximo.
Mas com maquiagem, iluminação ruim e cabelo semelhante, a fraude fazia sentido.
A mulher tremia.
“Eu não sabia que iam fazer empréstimos.”
Isabela ficou diante dela.
“Você fingiu ser eu.”
“Disseram que era só para uma validação.”
“Usando meu CPF?”
Larissa abaixou os olhos.
“Quanto Marcelo pagou?”
“Cinco mil.”
Isabela riu, incrédula.
“Cinco mil reais.”
“Eu precisava.”
“E eu precisava da minha vida.”
Larissa começou a chorar.
Dante permaneceu perto da porta.
Não interferiu.
Isabela respirou fundo.
“Quem fez os documentos?”
“Não sei o nome.”
“Mentira.”
“Eu juro.”
“Você encontrou essa pessoa onde?”
“Num escritório.”
“Qual?”
Larissa olhou para Dante.
O medo aumentou.
“Fala”, disse Isabela.
“Era do Grupo Montenegro.”
Silêncio.
Dante deu um passo à frente.
“Qual setor?”
“Eu não sei.”
“Quem levou você?”
“Marcelo.”
“Quem recebeu vocês?”
Larissa apertou as mãos.
“Um homem mais velho.”
“Nome.”
“Eu não…”
As luzes apagaram.
A casa inteira mergulhou na escuridão.
Isabela ouviu Teresa gritar no corredor.
Bruno falou imediatamente:
“Ninguém se move.”
Dante estava ao lado de Isabela em segundos.
“Estou aqui.”
“Gerador?”, ela sussurrou.
“Deveria ter ligado.”
Não ligou.
Alguma coisa bateu no corredor.
Bruno saiu.
“Segurança!”
Um estrondo veio do andar superior.
Dante segurou a mão de Isabela.
Dessa vez, ela não recuou.
Quase um minuto depois, as luzes de emergência acenderam.
A cadeira diante deles estava vazia.
“Larissa?”
Isabela olhou ao redor.
A janela lateral estava aberta.
Dante soltou sua mão.
“Bruno!”
O segurança voltou correndo.
“Sumiu.”
“Fechem a propriedade.”
“Já fecharam.”
Teresa apareceu na porta.
Pálida.
“Dante.”
Ele olhou para ela.
“O escritório.”
Todos subiram.
A porta do escritório particular de Dante estava aberta.
O cofre embutido atrás de um painel também.
Dante entrou.
Verificou as pastas.
“Dinheiro?”
Bruno perguntou.
“Está aqui.”
“Documentos corporativos?”
“Aqui.”
Dante parou.
Havia um espaço vazio na última prateleira.
Teresa levou a mão à boca.
“Não.”
Isabela observou.
“O que sumiu?”
Dante não respondeu.
“Dante.”
Ele fechou os olhos por um segundo.
“Uma pasta antiga.”
“De quem?”
Silêncio.
“De quem?”
Dante finalmente olhou para ela.
“Helena Martins.”
O mundo pareceu inclinar.
Isabela sentiu o rosto perder a cor.
“Não.”
Dante ficou imóvel.
“Isabela…”
“Helena Martins era minha mãe.”
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