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"Pedi Para Um Estranho Fingir Que Me Amava… Sem Saber Que Ele Era o Chefe da Máfia" Capítulo 3 — O Inimigo Estava Dentro da Casa

正文开头

“Não vou entrar nesse carro.”

Isabela cruzou os braços.

Dante estava diante dela na calçada.

Bruno permanecia alguns passos atrás, ainda examinando os dados do veículo.

“Não pedi que entrasse.”

“Pediu há dois minutos.”

“Você recusou.”

“E agora descobrimos que o carro que estava me seguindo pertence à sua empresa.”

“Correto.”

“Você entende como isso parece?”

“Entendo.”

“Então diga alguma coisa.”

Dante olhou para Bruno.

“Quem autorizou a retirada do veículo?”

“Estou verificando.”

“Agora.”

Bruno fez uma ligação.

Isabela observou Dante.

Ele não parecia constrangido.

Parecia furioso.

Era pior.

“Talvez eu devesse chamar a polícia.”

“Deve.”

A resposta veio rápido.

Ela piscou.

“Você não vai tentar impedir?”

“Por que impediria?”

“Não sei. Você é o homem cheio de segredos.”

“E você é a mulher que decidiu quem eu sou depois de quarenta e oito horas.”

“Todo mundo sabe quem você é.”

“Todo mundo acha que sabe.”

Bruno desligou.

“O carro fazia parte da frota administrativa.”

“Fazia?”, Dante perguntou.

“Foi retirado do estacionamento interno há quase três meses.”

“Por quem?”

“A autorização foi feita com uma credencial executiva.”

Dante ficou em silêncio.

“De quem?”

Bruno respirou fundo.

“A credencial aparece como desativada no sistema.”

“Isso não responde.”

“Não consigo confirmar aqui. Alguém apagou o histórico.”

Isabela olhou de um para o outro.

“Então alguém dentro do Grupo Montenegro roubou um carro, apagou o registro e hoje usou esse carro para me seguir?”

Bruno respondeu:

“É o que parece.”

“Maravilha.”

Ela passou a mão pelos cabelos.

“Ontem meu problema era um ex-namorado ladrão.”

Dante a encarou.

“Seu problema nunca foi apenas Marcelo.”

“E como você sabe?”

“Porque homens como ele não conseguem falsificar esse tipo de operação sozinhos.”

Isabela lembrou-se do vídeo.

Da mulher usando seu rosto.

Dos contratos.

“Você acha que alguém dentro da sua empresa está ajudando Marcelo?”

“Agora eu acho.”

“E eu deveria confiar em você?”

Dante aproximou-se apenas um passo.

“Não.”

A resposta a surpreendeu novamente.

“Não?”

“Confiança não se exige.”

Ele apontou para Bruno.

“Ele vai chamar uma viatura. Você registra o ocorrido. Depois escolhe para onde quer ir.”

“Meu apartamento.”

“É uma péssima ideia.”

“Mas é minha decisão.”

Dante sustentou o olhar dela.

“É.”

***

Na manhã seguinte, Isabela recebeu uma ligação de Augusto.

Ela seria temporariamente transferida.

“Transferida para onde?”

“Área administrativa do hotel.”

“Por quê?”

“Senhor Montenegro pediu.”

“Claro que pediu.”

Isabela desligou e foi procurar Dante.

Encontrou-o no vigésimo terceiro andar do Hotel Imperial, diante de uma janela com vista para São Paulo.

“Você me tirou do cassino.”

“Transferi.”

“Sem perguntar.”

“Sim.”

“Você tem algum problema em ouvir a palavra não?”

“Tenho problemas maiores hoje.”

“Eu também.”

Dante virou-se.

“Marcelo entrou no cassino usando convite emitido por uma conta corporativa.”

Isabela parou.

“O quê?”

“Não deveria ter acesso.”

“Quem convidou?”

“Ainda estamos descobrindo.”

A raiva dela perdeu força.

“Então ele não apareceu por acaso.”

“Provavelmente não.”

Dante apontou para uma cadeira.

Dessa vez, Isabela sentou sem discutir.

正文1

“Por que me transferiu?”

“Porque no administrativo há controle de acesso.”

“Proteção.”

“Sim.”

“Eu não pedi.”

“Não.”

Ela respirou fundo.

“Isso é exatamente o que eu disse que não queria.”

Dante permaneceu em silêncio por alguns segundos.

“Tem razão.”

Isabela esperava discussão.

Não aquilo.

“Tenho?”

“Deveria ter perguntado.”

“Você está pedindo desculpas?”

“Não se acostume.”

Ela soltou uma risada involuntária.

Dante olhou para ela.

Por um instante, o clima mudou.

Isabela percebeu e imediatamente desviou o olhar.

“Quero continuar trabalhando.”

“Continue.”

“E quero acesso às informações sobre meu caso.”

“Você terá.”

“Todas.”

“Todas que disserem respeito a você.”

“E se disserem respeito aos Montenegro?”

O rosto dele fechou.

“Então conversamos.”

“Isso significa não.”

“Significa que não vou prometer algo que talvez coloque outras pessoas em risco.”

“Pelo menos você admite.”

“Eu disse que não gosto de mentir.”

***

Os dias seguintes foram estranhamente tranquilos.

Isabela passou a trabalhar na administração de eventos.

Dante aparecia mais do que ela gostaria.

Ou talvez exatamente o quanto ela gostaria, e isso era o problema.

Ele nunca tocava nela sem necessidade.

Depois da reação dela na primeira noite, tornou-se quase excessivamente cuidadoso.

Certa tarde, Isabela estava diante de um arquivo quando ouviu:

“Vou passar atrás de você.”

Ela virou-se.

Dante esperava.

“Você está me avisando que vai passar?”

“Sim.”

“Por quê?”

“Porque da última vez que toquei em você sem avisar, você se assustou.”

Isabela não soube o que responder.

“Pode passar.”

Ele passou.

Nada aconteceu.

E, justamente por nada acontecer, alguma coisa dentro dela doeu.

Marcelo costumava dizer que ela exagerava.

Que era sensível demais.

Que precisava parar de dramatizar.

Dante simplesmente havia percebido.

E ajustado seu comportamento.

Sem fazê-la implorar.

“Dante.”

Ele parou.

Era a primeira vez que ela usava seu nome.

Ele percebeu.

“Obrigada.”

“Por quê?”

“Você sabe.”

Dante sustentou o olhar dela.

“Não precisa agradecer pelo mínimo.”

Isabela sentiu alguma coisa perigosa se mover dentro do peito.

Antes que pudesse responder, Teresa entrou.

“Tem uma mulher pedindo para falar com Isabela.”

“Quem?”

Teresa pareceu desconfortável.

“Valentina Albuquerque.”

***

Valentina estava esperando em uma sala reservada.

Sem Marcelo.

Sem joias exageradas.

Sem a arrogância da primeira noite.

Quando Isabela entrou, ela se levantou.

“Se veio me dizer para ficar longe do seu namorado, pode economizar tempo.”

“Eu não vim por isso.”

“Então por quê?”

Valentina abriu a bolsa.

“Porque acho que Marcelo está me roubando também.”

Isabela ficou imóvel.

Valentina colocou alguns papéis sobre a mesa.

“Eu encontrei isso.”

Eram extratos.

Transferências.

Valores altos.

Contas diferentes.

“Ele disse que eram investimentos.”

“E você acreditou?”

“Você acreditou nele durante três anos.”

O golpe acertou.

Valentina imediatamente abaixou a voz.

“Desculpa.”

Isabela olhou novamente para os papéis.

“Por que trazer isso para mim?”

“Porque encontrei seu nome.”

Isabela ergueu os olhos.

Valentina apontou.

Uma transferência de R$ 38 mil.

Outra de R$ 61 mil.

Outra de R$ 90 mil.

“Marcelo movimentou dinheiro usando contas de várias mulheres.”

“Quem são elas?”

“Não sei todas.”

Valentina tirou outra folha.

“Mas sei para onde parte do dinheiro foi.”

Isabela leu o nome da empresa.

Não reconheceu.

“RMA Consultoria Patrimonial.”

“E?”

“Procurei o quadro societário antigo.”

Valentina colocou o celular diante dela.

Isabela leu.

Seu coração parou.

**Ricardo Vasconcelos Montenegro.**

Ela ergueu a cabeça.

“O tio do Dante?”

Valentina assentiu.

“A empresa foi encerrada anos atrás, mas as contas continuaram recebendo dinheiro.”

Isabela pegou os documentos.

“Marcelo trabalha para Ricardo?”

“Não sei.”

A porta abriu.

Dante entrou.

Seu olhar foi primeiro para Valentina.

Depois para os papéis.

“Isabela?”

Ela não respondeu.

Apenas entregou a folha.

Dante leu.

O rosto dele ficou completamente imóvel.

“Você conhece essa empresa?”, Isabela perguntou.

Silêncio.

“Dante.”

Ele levantou os olhos.

“Conheço.”

“Pertence ao seu tio?”

“Pertenceu.”

“E por que Marcelo está mandando dinheiro para ela?”

Dante não respondeu.

Isabela sentiu um arrepio.

“Você sabia?”

“Não.”

“Tem certeza?”

A mandíbula dele se contraiu.

“Isabela.”

“Tem certeza?”

Dante colocou a folha sobre a mesa.

“Se Ricardo está envolvido nisso, Marcelo não entrou na sua vida por acaso.”

O ar pareceu desaparecer da sala.

“Como assim?”

Dante olhou para ela.

“Talvez ele não tenha começado a roubar você quando terminou o relacionamento.”

Uma pausa.

“Talvez tenha se aproximado de você para isso.”

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