"Pedi Para Um Estranho Fingir Que Me Amava… Sem Saber Que Ele Era o Chefe da Máfia" Capítulo 1 — O Estranho Mais Perigoso do Cassino
“Finge que me ama, por favor.”
As palavras escaparam da boca de Isabela Oliveira Martins antes que o bom senso pudesse impedi-la.
Seus dedos apertaram a manga do paletó do desconhecido parado ao lado da mesa de roleta.
O homem baixou os olhos para a mão dela.
Depois, lentamente, encarou seu rosto.
“E por que eu faria isso?”
A voz era baixa. Calma demais para alguém que acabara de ser agarrado por uma garçonete desesperada.
Isabela engoliu em seco.
Do outro lado do salão do Cassino Imperial Montenegro, Marcelo Ferraz vinha em sua direção.
E não estava sozinho.
Valentina Albuquerque caminhava agarrada ao braço dele, coberta por um vestido dourado e joias suficientes para pagar vários anos do aluguel atrasado de Isabela.
“Porque meu ex está vindo para cá.”
O desconhecido ergueu levemente uma sobrancelha.
“Esse é o problema?”
“Você não conhece o Marcelo.”
“Não.”
O homem olhou por cima do ombro dela.
“Mas aparentemente vou conhecer.”
Isabela deveria soltá-lo.
Deveria pedir desculpas, pegar sua bandeja e desaparecer entre as mesas.
Então Marcelo a viu.
O sorriso dele apareceu imediatamente.
Aquele sorriso.
Isabela conhecia muito bem.
Era o mesmo que surgia antes de uma frase cruel, de uma humilhação disfarçada de brincadeira ou de uma ameaça dita baixo demais para qualquer outra pessoa ouvir.
“Droga.”
Ela tentou recuar.
O estranho, porém, olhou para seu pulso.
A manga preta do uniforme havia subido alguns centímetros.
Sob uma camada malfeita de corretivo, ainda apareciam marcas arroxeadas.
Os olhos dele mudaram.
“Foi ele?”
Isabela puxou a manga para baixo.
“Não importa.”
“Não foi o que perguntei.”
“Por favor.”
Marcelo estava a poucos metros.
Isabela apertou os dentes.
“Se ele me vir sozinha, usando esse uniforme, vai fazer questão de lembrar para todo mundo que eu não tenho nada.”
O desconhecido permaneceu em silêncio.
“Só por um minuto”, ela insistiu.
Marcelo estava quase chegando.
Então o homem tirou a bandeja das mãos de Isabela e a colocou sobre a mesa de roleta.
Antes que ela pudesse perguntar o que estava fazendo, ele passou um braço por sua cintura.
Isabela congelou.
“Olha para mim.”
Ela obedeceu.
“Sorria.”
“Como?”
“Você me pediu para fingir.”
Ele a trouxe suavemente para mais perto.
Não apertou.
Não a prendeu.
Apenas deixou claro para qualquer pessoa que olhasse que ela estava com ele.
Marcelo parou.
Pela primeira vez em três anos e meio, Isabela viu o sorriso desaparecer do rosto dele.
“Isa.”
O apelido fez seu estômago revirar.
Valentina olhou para ela de cima a baixo.
“Você conhece a garçonete?”
“Conheço muito bem.”
Marcelo fez questão de enfatizar as últimas palavras.
O braço do desconhecido continuou ao redor da cintura de Isabela.
“E você é?”
Marcelo soltou uma risada curta.
“Marcelo Ferraz.”
Nenhuma reação.
O desconhecido claramente não parecia impressionado.
Aquilo irritou Marcelo.
“Eu fui namorado da Isabela.”
O homem ao lado dela baixou os olhos.
“Isabela.”
A maneira como pronunciou seu nome fez parecer que ele estava experimentando cada sílaba.
Marcelo percebeu.
“E você?”, perguntou. “Quem é?”
Passos rápidos interromperam a conversa.
Augusto Nogueira, gerente-geral do cassino, atravessava o salão.
Isabela nunca o tinha visto correr.
Naquela noite, ele praticamente corria.
“Senhor Montenegro.”
Marcelo empalideceu.
Isabela franziu a testa.
Augusto parou diante do desconhecido.
“Está tudo satisfatório, senhor?”
Montenegro.
O sobrenome atingiu Isabela primeiro.
O nome completo veio logo depois.
Dante Vasconcelos Montenegro.
Seu coração pareceu cair dentro do peito.
Ela conhecia as histórias.
Todo mundo em São Paulo conhecia.
O Grupo Montenegro possuía hotéis, restaurantes, casas noturnas, imóveis de luxo e clubes privados.
O Cassino Imperial funcionava atrás de portas que não se abriam para qualquer pessoa.
E Dante Montenegro era o homem por trás de tudo.
Nos jornais de negócios, ele era empresário.
Nas conversas sussurradas, era outra coisa.
Havia histórias sobre políticos que lhe deviam favores, empresários que desistiam de processos de uma hora para outra e homens que jamais repetiam uma ameaça depois de receber uma visita dos Montenegro.
Nada era comprovado.
Nada precisava ser.
Isabela percebeu, horrorizada, que acabara de agarrar o homem mais perigoso do salão.
Talvez da cidade.
Marcelo olhou para ela.
“Você está com Dante Montenegro?”
Isabela abriu a boca.
Dante respondeu primeiro.
“Ela está comigo.”
Quatro palavras.
Foi suficiente.
Marcelo perdeu parte da cor do rosto.
Valentina puxou discretamente seu braço.
“Marcelo, vamos.”
Mas Marcelo nunca soubera a hora de parar.
Olhou para o uniforme de Isabela.
“Interessante.”
Ela conhecia aquele tom.
“Dois meses atrás, ela não conseguia nem pagar a parte dela do aluguel.”
Isabela sentiu o sangue subir ao rosto.
“Minha parte?”
Marcelo sorriu.
“Aí está ela.”
“Você esvaziou nossa conta.”
“Minha conta.”
“Tinha setenta e oito mil reais meus lá.”
Algumas pessoas próximas à roleta começaram a prestar atenção.
Marcelo inclinou o rosto.
“Você quer mesmo fazer isso aqui?”
“Quero.”
A resposta não veio de Isabela.
Veio de Dante.
Marcelo o encarou.
Dante não levantou a voz.
“Gostaria de ouvir o restante.”
“Isso é particular.”
“Então não deveria ter trazido o assunto para dentro do meu cassino.”
Meu cassino.
Isabela fechou os olhos por meio segundo.
Perfeito.
Além de tudo, ela havia agarrado o dono.
Marcelo ajeitou o paletó.
“Acho que terminamos.”
Virou-se.
“Senhor Ferraz.”
Marcelo parou.
Dante ainda mantinha o braço ao redor de Isabela.
“Esqueceu uma coisa.”
“O quê?”
“Um pedido de desculpas.”
Marcelo soltou uma risada incrédula.
“Para ela?”
“Sim.”
“Você não sabe como ela é.”
O rosto de Dante ficou mais frio.
“Sei que ela pediu proteção a um desconhecido no instante em que viu você se aproximando.”
Silêncio.
“Por enquanto, isso é suficiente.”
Marcelo olhou diretamente para Isabela.
E ela viu.
O aviso.
A mesma expressão que já tinha visto na cozinha do antigo apartamento.
No estacionamento.
No corredor quando foi buscar suas coisas.
Você vai pagar por isso.
O braço de Dante ficou ligeiramente mais firme.
Isabela percebeu que ele também tinha visto.
“Isa”, Marcelo disse. “Você está cometendo um erro sério.”
Dante deu meio passo à frente.
“Ela já cometeu.”
Marcelo franziu a testa.
Dante indicou-o com os olhos.
“Você, aparentemente.”
Alguém perto da roleta abafou uma risada.
Marcelo ficou vermelho.
Valentina finalmente o puxou.
“Chega.”
Dessa vez, ele foi.
Isabela esperou até os dois desaparecerem entre as mesas.
Então se afastou imediatamente de Dante.
“Desculpa.”
“Pelo quê?”
“Por tocar em você. Por colocar você no meio disso. E provavelmente por perder meu emprego.”
“Você não perdeu seu emprego.”
“Você é dono do cassino.”
“Sou.”
“Isso deixa tudo pior.”
Pela primeira vez, alguma coisa quase parecida com diversão apareceu nos olhos dele.
Isabela estendeu a mão para a bandeja.
Dante segurou seu pulso.
Muito de leve.
Ainda assim, ela se encolheu.
Ele soltou no mesmo instante.
Os olhos dele desceram para a marca roxa.
“Marcelo fez isso?”
“Não.”
Dante esperou.
Isabela desviou o olhar.
“Foi um acidente.”
Ele continuou em silêncio.
Ela odiou aquele silêncio.
“Ele me segurou quando fui ao apartamento dele pedir meu dinheiro.”
“Quando?”
“Seis dias atrás.”
“Você foi à polícia?”
Isabela soltou uma risada amarga.
“Marcelo conhece gente.”
Dante inclinou a cabeça.
“Eu também.”
“É exatamente isso que me preocupa.”
Algo mudou na expressão dele.
“Ótimo.”
“O quê?”
“Você entende que homens perigosos são perigosos.”
Isabela o encarou.
“Estou ao lado de um.”
“Sim.”
“E admite?”
“Não costumo mentir quando a verdade funciona melhor.”
Ela pegou a bandeja.
“Preciso voltar ao trabalho.”
“Isabela.”
Ela parou.
“Seu turno termina daqui a duas horas?”
“Como sabe?”
“Você falou enquanto estava em pânico.”
Ela realmente tinha falado.
“Quando terminar, suba até meu escritório.”
O coração dela acelerou.
Dante percebeu.
“Augusto estará lá. A porta ficará aberta.”
Aquilo a surpreendeu.
“Por quê?”
“Porque Marcelo Ferraz pegou setenta e oito mil reais seus.”
“E?”
“Eu não gosto de ladrões.”
“Você mal me conhece.”
Dante olhou na direção em que Marcelo havia desaparecido.
“Pelo visto, ele também mal me conhece.”
Seu olhar voltou para o pulso dela.
“Isso pode se tornar um problema para ele.”
***
Duas horas depois, Isabela estava diante da porta do escritório de Dante Montenegro.
Quase foi embora três vezes.
Teresa Almeida, assistente executiva de Dante, abriu a porta.
“Pode entrar.”
Isabela entrou.
Augusto estava sentado em uma das cadeiras.
Dante estava atrás de uma enorme mesa escura.
Entre os dois havia uma pasta.
Na capa estava escrito:
**ISABELA OLIVEIRA MARTINS.**
Ela parou.
“Por que vocês têm uma pasta com meu nome?”
Dante tocou a capa.
“Temos um problema.”
O estômago dela afundou.
“Que problema?”
Ele abriu a pasta.
“Marcelo Ferraz não roubou apenas setenta e oito mil reais de você.”
Empurrou vários documentos para o outro lado da mesa.
Isabela viu seu nome.
Seu CPF.
Sua assinatura.
Um contrato bancário.
O valor.
**R$ 420.000,00.**
Ela ficou sem ar.
“Isso não é meu.”
“Eu sei.”
“Eu nunca pedi esse dinheiro.”
“Eu sei.”
“Então por que meu nome está aí?”
Dante levantou os olhos.
“Porque alguém usou sua identidade.”
Isabela olhou novamente para o contrato.
No canto da página havia uma fotografia dela.
Ou de alguém que parecia assustadoramente com ela.
Dante fechou a pasta.
“Marcelo não roubou apenas seu dinheiro, Isabela.”
A voz dele ficou ainda mais baixa.
“Ele roubou você.”
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