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"Jogaram a Garçonete na Piscina… Sem Saber Que Ela Era Dona do Hotel" Capítulo 5 — O Dinheiro dos Invisíveis

正文开头

As chamas apareceram nas câmeras antes que o alarme soasse no hotel.

O fogo começou no arquivo de Santos, exatamente onde permaneciam os livros originais de ponto e pagamento. Camila viu a fumaça pela tela do celular de Maria e correu para o corredor.

“Evacuem o subsolo.”

Rafael já falava com os bombeiros. Antônio ordenou que os hóspedes fossem retirados sem pânico, mas o gerente hesitou, preocupado com a repercussão.

“Se alguém se ferir porque você quis proteger a reputação do hotel, eu mesmo fecho este prédio”, disse Antônio.

O homem obedeceu.

Camila queria descer, mas Rafael bloqueou a escada. A fumaça ocupava o corredor e o sistema de sprinklers não havia sido acionado.

“Alguém fechou a água”, concluiu ele.

Os bombeiros chegaram sete minutos depois. Encontraram combustível espalhado entre as estantes e o registro hidráulico travado com uma corrente. Não fora acidente elétrico.

Era destruição de prova.

Na calçada, hóspedes ainda de pijama gravavam a fumaça com os celulares. Uma criança perguntava à mãe se o hotel explodiria. Camila reconheceu dois funcionários da manutenção tentando atravessar o bloqueio para buscar colegas e mandou que permanecessem fora. Não aceitaria transformar trabalhadores em bombeiros improvisados só porque os donos haviam falhado em protegê-los.

Rafael se aproximou do chefe da brigada interna.

“Quando foi o último teste dos sprinklers?”

“Na semana passada. Funcionavam.”

“Quem tinha a chave do registro?”

O homem hesitou antes de responder.

“A diretoria regional e a manutenção.”

Camila pediu a lista completa de acessos. Descobriram que o cartão usado para entrar no subsolo pertencia a Paulo, um eletricista afastado havia dois meses depois de sofrer um acidente de trabalho. Alguém mantivera sua credencial ativa.

“É assim que eles operam”, disse Maria. “Usam o nome de quem já não está aqui para esconder quem manda.”

Paulo foi localizado em Cubatão. Ao telefone, jurou que entregara o cartão ao supervisor no dia da demissão. A informação transformava uma falha administrativa em parte do crime.

Maria observava da calçada, abraçada às duas caixas de cópias.

“Os livros originais tinham assinaturas”, disse. “As cópias não mostram a pressão da caneta nem as correções feitas depois.”

“Ainda temos os arquivos digitais”, respondeu Camila.

“Se não apagarem.”

Rafael recebeu a confirmação de que a polícia copiara parte dos servidores antes do incêndio. Porém, o módulo financeiro do Projeto Horizonte estava criptografado.

Ao amanhecer, o fogo foi controlado. Uma estante metálica caíra sobre o armário principal, protegendo três livros de ponto. As bordas estavam queimadas, mas as páginas centrais sobreviveram.

O perito proibiu que qualquer pessoa tocasse nos volumes antes do registro fotográfico. Camila permaneceu ao lado dele, acompanhando cada página retirada. Em uma delas, a escala original mostrava doze horas trabalhadas por Júlia. Uma fita corretiva cobrira o número e, por cima, alguém escrevera oito.

Maria apontou outros nomes.

“Este pediu demissão quando a filha nasceu. Esta desmaiou duas vezes na lavanderia. Este morreu esperando receber uma rescisão corrigida.”

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Para o conselho, os valores apareciam como linhas contábeis. Ali, cobertos de fuligem, tinham nomes, dores nas costas, filhos e contas vencidas.

Antônio fechou os olhos quando encontrou a assinatura de um gerente que promovera pessoalmente.

“Eu passei por este arquivo dezenas de vezes.”

“Passar não é olhar”, respondeu Maria.

Ele não discutiu.

Camila abriu um deles com luvas.

Ao lado dos horários corrigidos, havia iniciais escritas à mão: M.V. e E.L.

Marcos Valente e Eduardo Lemos.

Antônio encarou as páginas.

“Quero os dois presos.”

“Primeiro precisamos provar quem ordenou o incêndio”, alertou Rafael.

Eduardo não apareceu no escritório naquela manhã. Seu advogado informou que ele sofrera uma crise de ansiedade e se afastaria por motivos médicos.

Marcos também desaparecera.

O celular dele fora desligado perto de Campinas, onde a holding usada para receber o dinheiro estava registrada.

Camila convocou uma reunião com o conselho Ferraz. Em vez de demonstrar preocupação com os empregados, três conselheiros insistiram para que ela retomasse o contrato.

“A investigação pode continuar depois da assinatura”, disse um deles.

“Depois da assinatura, eu financiaria a empresa investigada.”

“Você está permitindo que uma agressão pessoal contamine uma decisão econômica.”

Camila colocou sobre a mesa uma fotografia da porta bloqueada do arquivo.

“Isto não é pessoal.”

O vídeo da piscina continuava crescendo nas redes. Marcas cancelavam eventos, influenciadores publicavam montagens e jornalistas cercavam a Casa das Palmeiras.

Vitória recebia ameaças de morte.

Camila divulgou novo comunicado condenando o assédio. A decisão irritou pessoas que esperavam vê-la destruir publicamente a mulher que a empurrara.

“Você está perdendo a narrativa”, avisou Helena.

“Não estou em uma narrativa. Estou numa investigação.”

Enquanto isso, Júlia voltou ao escritório da auditoria. Trazia um pen drive preso dentro do forro da bolsa.

“Copiei isso na festa.”

O arquivo continha mensagens do supervisor com uma pessoa identificada apenas como MV. Pouco antes de Camila ser empurrada, Marcos ordenara:

“Se a infiltrada provocar algum incidente, preserve as imagens e me envie primeiro.”

Camila releu a frase.

“Ele sabia que eu estava infiltrada.”

Rafael confirmou o horário. A mensagem fora enviada quarenta minutos antes da queda na piscina.

“Então o gesto de Vitória pode ter sido incentivado.”

Júlia contou que o supervisor aproximara Vitória da área onde Camila servia. Também pedira que o vinho tinto fosse levado justamente para aquele lado da piscina.

Vitória foi chamada.

“Marcos falou com você antes de me empurrar?” perguntou Camila.

Ela se lembrou de uma conversa perto do bar. Marcos comentara que uma garçonete estava observando demais e talvez tivesse fotografado convidados.

“Ele disse que você podia estar tentando vender informações.”

“E isso fez você me empurrar?”

“Não. Eu fiz porque quis.”

A resposta surpreendeu Camila.

Vitória não tentava mais transferir a culpa.

“Mas ele sabia que eu perderia o controle”, continuou. “Ele sabia exatamente quem eu era.”

O incêndio, o vazamento do vídeo e a provocação na festa formavam um mesmo plano. Marcos queria transformar a auditoria numa vingança entre duas herdeiras e esconder o dinheiro dos funcionários.

Rafael conseguiu abrir parte do módulo criptografado. O Projeto Horizonte recebera sete milhões e oitocentos mil reais em quatro anos.

Menos de trezentos mil tinham sido usados em treinamento real.

O restante passara pelas empresas ligadas a Marcos e Eduardo.

Cada transferência exigia duas autorizações. As credenciais de Antônio apareciam em todas.

“Minha senha ficava apenas no meu escritório”, disse ele.

Vitória olhou para o pai.

“Quem entrava lá?”

“Marcos. Eduardo. Minha secretária.”

“E eu”, admitiu Vitória.

O silêncio mudou.

Rafael verificou os registros de acesso. Em três datas de transferência, o cartão de Vitória fora usado no andar da presidência.

“Eu visitava meu pai.”

“Seu pai estava fora do país nas três datas”, informou Helena.

Vitória empalideceu.

Antes que pudesse explicar, a polícia encontrou em seu antigo apartamento corporativo uma pasta com extratos do Projeto Horizonte e um token de autorização bancária.

Antônio encarou a filha.

“Diga que isso não é seu.”

“Eu nunca vi essa pasta.”

O delegado colocou o token num saco de evidências.

Camila queria acreditar nela, mas a prova estava dentro de um imóvel usado apenas por Vitória.

O celular de Rafael tocou.

Júlia não estava mais na sala protegida.

Sobre a cadeira, encontraram uma mensagem impressa:

RETIREM A AUDITORIA OU A GARÇONETE NÃO VOLTA.

O aviso provava que, para Marcos, pessoas eram apenas documentos que podiam desaparecer.

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