"Jogaram a Garçonete na Piscina… Sem Saber Que Ela Era Dona do Hotel" Capítulo 1 — A Garçonete na Piscina
Vitória Ferraz empurrou a garçonete por causa de uma única gota de vinho.
O gesto foi tão rápido que Camila Azevedo ainda segurava a bandeja quando perdeu o equilíbrio. Duas taças se partiram no mármore, seu salto escorregou e o corpo desapareceu na piscina de borda infinita.
A primeira pessoa a rir foi Vitória.
A segunda levantou o celular.
Em poucos segundos, os convidados da Casa das Palmeiras estavam voltados para a água. Empresários, influenciadores, herdeiros e investidores assistiam como se a humilhação de uma funcionária fosse parte da festa.
A mansão ficava sobre uma encosta da Praia de Pernambuco, no Guarujá. Abaixo dela, o Atlântico refletia as luzes dos condomínios de luxo. Dentro dos portões, cento e oitenta convidados esperavam a assinatura do maior acordo hoteleiro do ano.
O Grupo Ferraz administraria três hotéis pertencentes à Azevedo Patrimônio. O contrato, estimado em quatrocentos milhões de reais, deveria ser assinado antes da meia-noite.
Ninguém imaginava que a mulher dentro da piscina tinha poder para impedir tudo.
Camila permaneceu submersa por três segundos.
Não porque estivesse apavorada. Precisava dominar a própria raiva.
Sua mãe costumava dizer que uma decisão tomada para castigar alguém quase sempre acabava castigando a pessoa errada. Camila odiara aquela frase aos dezessete anos. Aos vinte e oito, compreendia cada palavra.
Ela voltou à superfície.
O uniforme vinho estava encharcado. A camisa branca grudava nos braços, e um corte fino atravessava a palma de sua mão. Na borda, Vitória a observava com os braços cruzados.
“É isso que acontece quando alguém não conhece o próprio lugar.”
Algumas pessoas riram outra vez.
Júlia Santos, uma das garçonetes temporárias, tentou se aproximar com uma toalha. O supervisor segurou seu pulso.
“Não se meta”, murmurou.
Camila viu.
Durante dois dias, ela observara empregados aceitando insultos, jornadas alteradas e ordens particulares por medo de não serem chamados para o próximo evento. Aquele gesto do supervisor dizia mais do que qualquer relatório.
Camila se apoiou na borda e saiu da piscina. Água escorria de seus cabelos escuros e formava uma trilha sobre a pedra clara.
Vitória arqueou uma sobrancelha.
“Vai reclamar com quem? Com o gerente?”
Camila parou a dois metros dela.
“Você deveria parar de sorrir.”
“Por quê?”
Camila retirou do bolso interno do colete um telefone protegido por uma capa impermeável. Discou apenas um número.
A ligação foi atendida no primeiro toque.
“Sou eu.”
Ela olhou para o portão de ferro no fim da alameda.
“Abram o portão.”
Desligou.
Vitória soltou uma risada curta.
“Isso deveria me assustar?”
Camila não respondeu.
Os seguranças responderam por ela. Dois homens em ternos cinza se endireitaram. Um levou a mão ao ponto eletrônico. Outro olhou para Camila e, imediatamente, desviou os olhos com respeito.
Faróis apareceram além das palmeiras.
Uma berlina preta atravessou o portão. Depois outra. Dois utilitários blindados vieram atrás, seguidos por mais três carros.
As conversas cessaram.
Antônio Ferraz abandonou o grupo de banqueiros junto ao bar. Aos sessenta e dois anos, o fundador do Grupo Ferraz estava acostumado a entrar em qualquer salão como a pessoa mais importante. Naquela noite, bastou olhar para o comboio para seu rosto perder a cor.
Então ele viu Camila molhada.
“Vitória.”
A filha se virou.
“O que foi, pai?”
Ele observou os cacos, a piscina e o uniforme encharcado.
“O que você fez?”
“Nada. Ela derrubou vinho.”
Camila apontou para a pedra. Uma única gota vermelha secava perto do sapato dourado de Vitória.
“E você a empurrou por isso?”
Vitória perdeu a paciência.
“Ela me irritou.”
Antônio fechou os olhos por um instante. Quando tornou a olhar para Camila, sua voz mudou.
“Doutora Azevedo…”
O silêncio se tornou absoluto.
Vitória franziu a testa.
“Doutora?”
Camila retirou o crachá de garçonete e o colocou sobre a bandeja caída.
“Senhor Ferraz.”
Vitória conhecia aquele sobrenome. Azevedo Patrimônio aparecia em todas as pastas que o pai carregava havia meses. Era dona da Casa das Palmeiras, dos três hotéis e dos terrenos onde o Grupo Ferraz planejava expandir seus negócios.
“Não”, sussurrou Vitória.
As portas dos carros se abriram. Helena Azevedo saiu do primeiro veículo acompanhada por advogados, auditores e Rafael Nogueira, responsável pela área de riscos trabalhistas.
Rafael tirou o paletó e o estendeu para Camila. Antes de aceitá-lo, ela apontou para Júlia.
“Primeiro, solte o braço dela.”
O supervisor obedeceu imediatamente.
Júlia recuou, assustada. Camila cobriu os ombros com o paletó e se dirigiu a Antônio.
“Nós assinaríamos às onze e meia.”
Ele consultou o relógio. Onze e doze.
“Ainda podemos conversar”, disse ele. “O que aconteceu foi inaceitável, mas o acordo não pode depender de um ato impensado.”
“Não depende apenas disso.”
A resposta o assustou mais do que o comboio.
Camila olhou para os funcionários. Alguns mantinham a cabeça baixa. Outros finalmente a encaravam.
“Estou trabalhando entre suas equipes há dois dias.”
Vitória soltou uma exclamação indignada.
“Você se fantasiou de garçonete?”
Camila virou o rosto para ela.
“Carreguei caixas, limpei mesas, servi convidados e saí daqui às duas da manhã. As pessoas que fazem isso todos os dias não chamariam esse uniforme de fantasia.”
Antônio passou a mão pela testa.
Quatro meses antes, a Azevedo Patrimônio recebera denúncias de horas apagadas, queimaduras escondidas, humilhações e ameaças contra funcionários temporários. O Grupo Ferraz apresentara um relatório interno dizendo que não havia irregularidades relevantes.
Camila não acreditara.
Agora tinha visto uma funcionária ser impedida de ajudá-la até que todos descobrissem seu sobrenome.
“Preservem todas as gravações”, ordenou a Rafael. “Ninguém apaga mensagens, registros de ponto ou imagens das câmeras.”
“Já solicitei o bloqueio dos servidores”, respondeu ele.
Ela acrescentou:
“E ninguém publica o vídeo da piscina pela nossa equipe. Isto não é espetáculo.”
Vitória pareceu confusa. Esperava vingança pública. Em vez disso, a mulher que ela humilhara protegia uma fronteira que ninguém protegera para ela.
Antônio se aproximou.
“Camila, podemos corrigir o que for necessário sem destruir uma negociação de quatrocentos milhões.”
“Foi por isso que vim escondida. Para descobrir se o problema podia ser corrigido.”
“E pode?”
Camila olhou para Júlia. A jovem tinha uma faixa mal colocada sob a manga. Uma mancha avermelhada surgia perto do punho.
“O que aconteceu no seu braço?”
Júlia congelou.
O supervisor respondeu por ela.
“Um acidente pequeno na cozinha.”
“Eu perguntei a ela.”
Júlia respirou fundo.
“Óleo quente. Ontem.”
“Foi registrado?”
Ela olhou para o supervisor.
“Não.”
“Por quê?”
“Disseram que, se eu saísse antes do fim do evento, não seria chamada para o verão.”
Antônio empalideceu.
Rafael anotou o nome do supervisor. Helena pediu atendimento médico para Júlia.
Camila pegou o próprio crachá encharcado e o entregou a Antônio.
“A assinatura está cancelada esta noite.”
“Cancelada ou adiada?”
“Isso depende do que encontrarmos.”
Ela começou a caminhar em direção à casa.
Antônio a seguiu.
“O que acontece agora?”
Camila parou diante das portas abertas do salão.
“Agora descobriremos quanto vale o nome Ferraz quando ele não puder silenciar ninguém.”
Rafael recebeu uma notificação no celular. Seu olhar endureceu.
“Camila.”
Ele mostrou a tela. Um arquivo acabara de ser excluído do servidor central do Grupo Ferraz.
O nome da pasta era LISTA DE NÃO RECONTRATAÇÃO.
E alguém dentro da mansão ainda tentava apagar as provas.
Camila voltou os olhos para a varanda. Entre os poucos funcionários que permaneciam ali, um homem de uniforme cinza guardou depressa um tablet dentro de uma bolsa térmica. Rafael percebeu o movimento e foi atrás dele, mas encontrou apenas a bolsa abandonada junto à cozinha.
O tablet havia sido restaurado para as configurações de fábrica cinco minutos antes.
Não era pânico. Era uma operação.
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 10 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4