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"As Batidas Debaixo do Chão" Capítulo 8 — Sofia Viu Tudo

正文开头

O sangue no carro era de Eduardo.

A confirmação chegou na manhã seguinte.

Mas não havia corpo.

Nem sinal suficiente para determinar quanto ele havia sangrado.

A polícia analisou câmeras da rodoviária.

Às 23h18, o SUV entrou no estacionamento.

Um homem dirigia.

Boné.

Máscara.

A câmera não mostrava o rosto.

Às 23h26, ele saiu a pé.

Eduardo não aparecia.

“O motorista não era ele”, Rafael disse.

“Provavelmente não.”

“Então alguém levou o carro.”

“Sim.”

“Augusto.”

Camila suspirou.

“Rafael.”

“Eu conheço a voz dele no áudio.”

“Isso liga Augusto ao esquema.”

“E a frase sobre família?”

“É preocupante.”

“Preocupante?”

“Mas não prova que ele estava no carro.”

Rafael andava de um lado para outro.

Mariana entrou.

“Para.”

Ele olhou.

“Como?”

“Você não dorme há três dias.”

“Meu tio está ameaçando nossa filha.”

“Então Sofia precisa de um pai pensando direito.”

Rafael parou.

A frase atingiu.

Mariana sentou.

“Camila quer conversar com Sofia.”

“Não.”

“Com uma psicóloga infantil.”

“Ela já passou por demais.”

“Eu sei.”

“Então não.”

Mariana sustentou o olhar.

“E se ela lembrar de algo que proteja ela?”

Rafael não respondeu.

A conversa aconteceu de forma cuidadosa.

Sem pressionar.

Sofia ficou numa sala com brinquedos.

Mariana permaneceu perto.

A psicóloga não perguntou:

“O que Eduardo fez?”

Perguntou:

“Você lembra de alguma vez em que adultos estavam falando e você achou estranho?”

Sofia brincou com blocos.

“Eduardo brigou com Vanessa.”

“Você já contou isso.”

“Sim.”

“Lembra de mais alguma coisa?”

Sofia colocou uma peça azul sobre outra.

“Ele falou do vovô.”

Rafael, atrás do vidro, ficou imóvel.

Seu pai morrera quando Sofia ainda era bebê.

A psicóloga perguntou:

“Qual vovô?”

“O pai do meu pai.”

“Você conheceu ele?”

“Não lembro.”

“O que Eduardo falou?”

Sofia franziu a testa.

“Falou que ele devia ter contado.”

“Contado o quê?”

“Não sei.”

“E Vanessa?”

“Mandou ele parar.”

“Por quê?”

Sofia derrubou uma torre.

“Porque meu pai podia ouvir.”

Rafael olhou para Camila.

Ela anotou.

A psicóloga mudou de assunto.

Não queria forçar.

Depois de alguns minutos, Sofia disse espontaneamente:

“Tem um homem da foto.”

“Que foto?”

“A que estava na casa.”

Rafael franziu a testa.

A psicóloga perguntou:

“Você consegue explicar?”

“Vanessa tinha uma caixa.”

“Que caixa?”

“Bonita. Azul.”

“Você abriu?”

“Não podia.”

“Como viu a foto?”

“Ela caiu.”

“Quem estava nela?”

“Tio Eduardo.”

“Mais alguém?”

“Vanessa.”

“Mais alguém?”

Sofia assentiu.

“Um homem velho.”

Rafael sentiu o coração bater mais forte.

Camila colocou diante da psicóloga algumas fotografias autorizadas para reconhecimento, misturadas a outras.

Uma mostrava Augusto.

A psicóloga não perguntou diretamente.

“Algum desses parece o homem que você lembra?”

Sofia observou.

Passou por duas.

Três.

Então colocou o dedo sobre Augusto.

“Esse.”

Rafael fechou os olhos.

Camila continuou assistindo.

Ainda não era suficiente para acusar Augusto de tudo.

Mas agora ele estava conectado a Vanessa.

Muito antes de Rafael conhecê-la.

Horas depois, a perícia conseguiu recuperar arquivos apagados do pendrive.

Um deles era uma fotografia digitalizada.

正文1

Augusto.

Eduardo.

Vanessa.

A mesma imagem.

No verso havia uma data.

**17 de março de 2022.**

Rafael conhecera Vanessa em novembro daquele ano.

O relacionamento inteiro começara com uma mentira.

Mariana segurou seu braço.

“Rafael.”

Ele afastou-se.

“Eu levei ela para dentro da vida da Sofia.”

“Você não sabia.”

“Eu casei com ela.”

“Porque você não sabia.”

“Eu deixei ela buscar minha filha na escola.”

“Rafael.”

“Mariana ficou trancada debaixo da minha casa.”

Ele bateu a mão na mesa.

“Porque eu não vi!”

Sofia apareceu na porta.

Rafael congelou.

Ela tinha ouvido.

Ele se abaixou imediatamente.

“Pequena...”

“Você está bravo comigo?”

“Não.”

“Porque eu não contei do tio Eduardo?”

“Não.”

Rafael foi até ela.

“Nada disso é culpa sua.”

Sofia olhou para o pendrive sobre a mesa.

“Eu achei ele?”

“Você lembrou onde estava.”

“Então ajudei?”

“Sim.”

Ela pensou.

“Minha mãe também ajudou quando bateu no chão.”

Rafael sentiu os olhos arderem.

“Também.”

Sofia levantou a mão.

Bateu três vezes na mesa.

Pausa.

Duas.

Mariana respondeu do outro lado.

Três.

Pausa.

Duas.

Pela primeira vez desde o porão, Sofia sorriu.

O celular de Camila tocou.

Ela saiu para atender.

Voltou menos de um minuto depois.

“Rafael.”

Ele reconheceu o tom.

“O quê?”

“Eduardo apareceu.”

“Vivo?”

“Sim.”

“Onde?”

“Num pronto atendimento na Zona Norte.”

“Ele falou?”

“Pouco.”

“Sobre Augusto?”

Camila hesitou.

“Ele pediu para falar com você.”

“Comigo?”

“Disse que não vai contar o que sabe para mais ninguém antes de olhar para você.”

Rafael levantou.

“Então vamos.”

“Tem outra coisa.”

Camila fechou a porta para Sofia não ouvir.

“O médico encontrou marcas de contenção nos pulsos dele.”

“Ele foi sequestrado?”

“É o que parece.”

“Por Augusto?”

“Ainda não sabemos.”

Rafael olhou para Mariana.

“Eu vou.”

No hospital, Eduardo estava sob escolta.

O rosto tinha cortes.

Um braço estava enfaixado.

Quando Rafael entrou, Eduardo soltou uma risada amarga.

“Finalmente.”

“Quem fez isso?”

“Você continua fazendo a pergunta errada.”

“Foi Augusto?”

Eduardo olhou para Camila.

“Quero falar com Rafael.”

“Ela fica.”

“Então não falo.”

Rafael se aproximou.

“Você não está em posição de exigir nada.”

Eduardo sorriu.

“É exatamente isso que vocês ainda não entenderam.”

“Quem atacou você?”

“Augusto não trabalha sozinho.”

“Quem?”

Eduardo encarou Rafael.

“Você acha que seu tio começou tudo porque viu o nome dele nos primeiros documentos.”

“Ele começou?”

Eduardo respirou com dificuldade.

“Não.”

“Então quem?”

“Você realmente nunca se perguntou por que Augusto continuava falando do seu pai?”

Rafael ficou imóvel.

“Meu pai morreu.”

“Eu sei.”

“Há cinco anos.”

“Eu sei.”

“Então fala.”

Eduardo olhou diretamente para ele.

“Antes de morrer, seu pai descobriu tudo.”

Rafael perdeu a expressão.

“Mentira.”

“Ele descobriu as contas. Descobriu Augusto. Descobriu quem estava usando a empresa.”

“Meu pai teria me contado.”

Eduardo sorriu tristemente.

“Ele tentou.”

“Quando?”

“Na semana em que morreu.”

Rafael deu um passo para trás.

Eduardo continuou:

“Mas alguém chegou nele antes.”

Camila imediatamente interveio.

“Está dizendo que a morte de Antônio Almeida não foi natural?”

Eduardo virou o rosto.

“Estou dizendo que Rafael nunca soube a história inteira.”

Rafael apertou a grade da cama.

“Quem começou isso?”

Eduardo voltou a olhar para ele.

“Quer mesmo saber?”

“Fala.”

Eduardo abriu a boca.

Antes que pronunciasse o nome, um alarme disparou no corredor.

Dois policiais se viraram.

Uma enfermeira correu.

As luzes piscaram uma vez.

Depois outra.

E, no mesmo instante, Eduardo olhou para a porta.

O medo em seu rosto mudou completamente.

“Ele está aqui.”

Rafael se virou.

“Quem?”

Eduardo tentou arrancar o acesso do braço.

“Fecha a porta!”

“Eduardo!”

“Fecha essa porta agora!”

Passos correram pelo corredor.

Camila levou a mão à cintura.

Rafael encarou o vidro estreito da porta.

Uma sombra passou do outro lado.

Eduardo agarrou seu braço.

E sussurrou:

“Se ele me encontrar, você nunca vai descobrir quem mandou colocar Vanessa dentro da sua família.”

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