localização atual: Novela Mágica As Batidas Debaixo do Chão Capítulo 4 — O Carro na Chuva
标题上

"As Batidas Debaixo do Chão" Capítulo 4 — O Carro na Chuva

正文开头

Na segunda-feira, Rafael entrou na Almeida Engenharia sem avisar ninguém.

Eduardo Ferraz foi o primeiro a encontrá-lo.

“Você deveria estar em casa.”

Rafael parou.

Eduardo era seu amigo havia onze anos.

Tinham construído a empresa juntos.

Ele fora padrinho no casamento de Rafael e Mariana.

Estivera no hospital quando Sofia nasceu.

Depois do divórcio, continuara amigo dos dois.

“Mariana está melhor”, Rafael respondeu.

“E Sofia?”

“Com Lúcia.”

Eduardo colocou a mão em seu ombro.

“Eu soube da Vanessa. Não consigo acreditar.”

Rafael observou o rosto dele.

“Nem eu.”

“Se precisar de qualquer coisa...”

“Preciso.”

Eduardo esperou.

“Quem esteve aqui sexta à noite?”

“Como?”

“Quero a lista de quem entrou.”

“Rafael, isso é coisa da polícia.”

“Eu sei.”

“Então deixa eles—”

“Quem esteve aqui?”

Eduardo soltou lentamente o braço.

“Não sei de cabeça.”

“Você estava?”

“Saí umas sete.”

“Para onde?”

Eduardo sorriu sem humor.

“Você está me interrogando?”

“Estou fazendo uma pergunta.”

“Fui jantar.”

“Com quem?”

“Com ninguém.”

Rafael sustentou o olhar.

Eduardo pegou o telefone interno.

“Vou pedir os registros.”

“Não precisa.”

Camila entrou pela recepção acompanhada de outro investigador.

Eduardo ficou imóvel.

“Delegada.”

“Senhor Ferraz.”

“Eu estava justamente dizendo ao Rafael que ajudaria.”

“Ótimo.”

Camila mostrou uma autorização.

“Precisamos de acesso às câmeras e registros de entrada.”

Eduardo assentiu.

“Claro.”

Enquanto os policiais trabalhavam, Rafael entrou na própria sala.

Tudo parecia igual.

Fotos.

Projetos.

Prêmios.

Uma fotografia antiga mostrava ele e Eduardo cobertos de poeira diante da primeira obra da empresa.

Rafael virou a moldura para baixo.

Seu celular tocou.

Dona Célia.

A vizinha.

“Rafael?”

“Oi, dona Célia.”

“Desculpa incomodar.”

“Não incomoda.”

“Eu falei com aquela policial.”

Rafael ficou atento.

“Sobre o quê?”

“Minha câmera.”

“Que câmera?”

“A do portão.”

Dona Célia instalara uma câmera depois de tentarem roubar sua bicicleta elétrica.

“Ela pega um pedaço da sua entrada.”

Rafael levantou.

“E?”

“Eu vi a notícia da Vanessa sendo levada.”

“Dona Célia...”

“Na sexta-feira teve um carro lá.”

O sangue dele gelou.

“Que horas?”

“Depois das oito.”

“Tem gravação?”

“Tenho.”

Vinte minutos depois, Camila assistia ao vídeo no computador da vizinha.

Chovia forte.

Às 20h14, Mariana aparecia chegando.

Às 20h31, um SUV preto parava alguns metros antes da casa.

Os faróis apagavam.

Um homem descia.

Capuz.

Guarda-chuva.

Não dava para ver o rosto.

Mas a câmera captou a traseira do carro.

Camila ampliou.

A placa estava parcialmente coberta pela chuva.

Mesmo assim, quatro caracteres eram legíveis.

Rafael aproximou-se.

Sentiu o estômago afundar.

“Eu conheço esse carro.”

Camila olhou para ele.

“De quem é?”

Rafael não respondeu imediatamente.

Não precisava.

Conhecia aquela placa porque viajara naquele carro dezenas de vezes.

Reuniões.

Aeroportos.

Obras.

Almoços.

Eduardo.

Camila pediu confirmação ao sistema.

Minutos depois veio a resposta.

**Veículo registrado em nome de Eduardo Henrique Ferraz.**

Rafael fechou os olhos.

“Ele disse que estava jantando.”

“Pode ter emprestado o carro”, Camila respondeu.

“Eduardo não empresta aquele carro.”

Voltaram à empresa.

Eduardo continuava na sala de reuniões.

正文1

Camila entrou primeiro.

Colocou uma fotografia impressa sobre a mesa.

“O senhor reconhece?”

Eduardo olhou.

Nenhuma reação imediata.

“Parece meu carro.”

“É seu carro.”

“Então é.”

“O que ele fazia na casa de Rafael na sexta às oito e meia?”

Eduardo ergueu os olhos.

“Não sei.”

“Quem dirigia?”

“Não sei.”

Rafael perdeu a paciência.

“Você acabou de dizer que foi jantar.”

“E fui.”

“Sem seu carro?”

Eduardo olhou para ele.

“Sim.”

“Com quem?”

“Isso não interessa.”

“Mariana foi encontrada trancada no meu porão!”

“Eu sei.”

“E seu carro estava lá!”

Camila ergueu a mão.

“Rafael.”

Ele recuou.

Eduardo respirou fundo.

“Vanessa pegou meu carro.”

Silêncio.

Rafael quase riu.

“Vanessa?”

“Sim.”

“Por quê?”

“Ela pediu.”

“Quando?”

“Na sexta.”

“E você nunca achou importante contar isso?”

“Eu não sabia que tinha relação.”

Camila perguntou:

“Por que ela precisava do seu carro?”

Eduardo demorou.

“Disse que o dela estava na oficina.”

Rafael balançou a cabeça.

“O carro dela estava na garagem quando cheguei.”

Eduardo não respondeu.

Camila inclinou-se.

“Senhor Ferraz, acho melhor reconsiderar sua versão.”

Nesse momento, o telefone de Rafael tocou.

Era Lúcia.

Ele atendeu imediatamente.

“Aconteceu alguma coisa com Sofia?”

“Não.”

“Então?”

“Ela lembrou de uma coisa.”

Rafael olhou para Eduardo.

“O quê?”

“Sofia viu o vídeo do carro quando a policial mostrou.”

“E?”

Lúcia baixou a voz.

“Ela disse que conhece aquele carro.”

Rafael não tirou os olhos do amigo.

“Claro. É do Eduardo.”

“Não é só isso.”

“Como assim?”

“Sofia disse que ele já esteve na sua casa.”

Rafael sentiu a garganta secar.

“Ele esteve várias vezes.”

“Não com você.”

O escritório pareceu ficar menor.

Lúcia continuou:

“Ela disse que viu o tio Eduardo entrar pela cozinha enquanto você estava viajando.”

Rafael ficou imóvel.

“Quando?”

“Ela não sabe.”

Eduardo já observava seu rosto.

Rafael desligou.

“Ela viu você.”

Eduardo franziu a testa.

“Quem?”

“Sofia.”

Silêncio.

“Na minha casa.”

Eduardo se levantou.

“Rafael—”

“Quando eu não estava.”

Camila aproximou-se.

“Senhor Ferraz, sente-se.”

Eduardo não sentou.

Pela primeira vez desde que Rafael o conhecia, o homem parecia genuinamente assustado.

Não irritado.

Não ofendido.

Assustado.

“Você precisa entender uma coisa”, Eduardo disse.

“Então explica.”

“Vanessa não entrou na sua vida por acaso.”

Rafael parou de respirar por um segundo.

Eduardo olhou para Camila.

Depois novamente para Rafael.

“E se você continuar procurando respostas do jeito que está procurando...”

“Termina.”

Eduardo apertou a mandíbula.

“Vai descobrir que Mariana não foi trancada naquele porão porque brigou com sua esposa.”

Rafael avançou.

“Por que ela foi trancada?”

Eduardo respondeu quase num sussurro:

“Porque ela encontrou uma coisa que nunca deveria ter encontrado.”

“Que coisa?”

Eduardo olhou para a porta fechada da sala.

Então disse:

“Uma conta.”

Rafael congelou.

A mesma conta que Mariana mencionara no hospital.

Eduardo continuou:

“E essa conta não começou com Vanessa.”

“Começou dentro da sua empresa.”

下一张上
下一章下

você pode gostar

Compartilhar Link

Copie o link abaixo para compartilhar com seus amigos:

页面底部