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"As Batidas Debaixo do Chão" Capítulo 2 — Mamãe Está Lá Embaixo

正文开头

“Afasta da porta.”

Vanessa pronunciou cada palavra lentamente.

Sofia balançou a cabeça.

“Não.”

“Sofia, não vou repetir.”

“Minha mãe está aí.”

“Não está.”

“Então abre.”

Vanessa ficou imóvel.

A pergunta simples pareceu atravessá-la.

“Seu pai deixou ferramentas lá embaixo.”

“Abre.”

“Tem fios expostos.”

“Abre.”

“Sofia!”

A menina bateu novamente.

Três.

Pausa.

Duas.

A resposta veio quase imediatamente.

Vanessa avançou e puxou Sofia pelo braço.

“Chega.”

“Solta!”

“Você está se assustando.”

“Eu ouvi minha mãe!”

Vanessa levou Sofia para a sala e aumentou o volume da televisão.

“Fica aqui.”

“Quero meu pai.”

“Ele está vindo.”

“Vou contar.”

“Pode contar.”

Mas Vanessa falou rápido demais.

Sofia percebeu.

Enquanto isso, debaixo da casa, Mariana Ribeiro estava sentada no último degrau da escada.

A boca estava seca.

Havia uma dor pulsante atrás da orelha direita.

Ela acordara horas antes em um pequeno depósito do porão, sem telefone e sem chaves.

Conseguira forçar a porta interna usando uma peça metálica arrancada de uma prateleira.

Mas a porta que levava ao andar superior permanecia trancada.

Mariana gritara até perder a voz.

Ninguém respondera.

Então ouvira os passos pequenos.

E as batidas.

Três.

Pausa.

Duas.

O código começara quando Sofia tinha três anos e inventara que ninguém podia entrar no quarto sem saber a “senha secreta”.

Mariana nunca deixou de usá-lo.

Quando ouviu Sofia responder, quase chorou.

Agora precisava mantê-la longe de Vanessa.

Lá em cima, Vanessa telefonava para alguém.

Sofia ficou atrás da parede.

“Ela ouviu.”

Silêncio.

“Não sei.”

Outra pausa.

“Rafael está voltando.”

Sofia aproximou-se.

Vanessa baixou ainda mais a voz.

“Eu disse que ele está voltando!”

Sofia recuou.

Vanessa desligou.

Pouco depois, Rafael telefonou.

“Estou chegando a São Paulo.”

Vanessa tentou parecer normal.

“Sofia está muito nervosa.”

“Passa para ela.”

“Ela acha que está ouvindo Mariana dentro da casa.”

Silêncio.

“Passa para minha filha.”

Vanessa entregou o aparelho.

“Pai.”

“Estou aqui.”

“Minha mãe está no porão.”

Rafael não respondeu imediatamente.

“Você ouviu uma voz?”

“Ela falou meu nome.”

“Vanessa abriu a porta?”

“Não.”

Rafael respirou fundo.

“Não chega perto da porta sozinha. Estou indo.”

“Mas a mamãe está lá.”

“Eu ouvi você.”

Essa frase mudou tudo.

Não era “você imaginou”.

Não era “são os canos”.

Era:

**Eu ouvi você.**

“Fica onde eu possa te encontrar quando chegar.”

Vanessa tomou o celular.

“Rafael, você está incentivando—”

“Não.”

A voz dele endureceu.

“Estou ouvindo minha filha.”

“Ela está assustada.”

“Então não impeça ela de falar.”

A ligação terminou.

Vanessa ficou olhando para Sofia.

A menina abraçou o coelho de pelúcia.

Vinte minutos depois, Vanessa foi para a cozinha.

Sofia esperou.

Quando ouviu água correndo, escapou.

Correu para a porta do porão.

Encostou o rosto na madeira.

“Mamãe?”

Uma batida.

Depois outra.

“Sofia?”

“Sou eu.”

“Sua mãe está aqui.”

Sofia começou a chorar.

“Papai está vindo.”

“Escuta.”

Mariana respirava com dificuldade.

“Não desce.”

“Quero te buscar.”

“Não. Você vai esperar seu pai.”

“Vanessa falou que você não está aí.”

正文1

Houve silêncio.

Então Mariana disse:

“Não saia desta casa com ela.”

Passos surgiram atrás de Sofia.

Vanessa apareceu.

Dessa vez não havia sorriso.

“Eu mandei você ficar na sala.”

“Minha mãe disse para eu não ir com você.”

Vanessa agarrou seu braço.

“Vamos subir.”

“Não!”

“Sofia!”

“Solta!”

“Você está fazendo uma confusão que não entende!”

Uma pancada forte veio do porão.

Vanessa se assustou.

Sofia viu.

“Mamãe!”

“Sofia, fica aí!”

Era Mariana.

Claro.

Humano.

Inconfundível.

Vanessa puxou Sofia.

“Vamos!”

“Foi você!”

“Cala a boca!”

“Você trancou minha mãe!”

Vanessa perdeu o controle.

O tapa foi rápido.

Sofia caiu de joelhos perto da caixa de ferramentas que Rafael deixara junto à moldura.

Vanessa ficou paralisada.

Sofia levou a mão ao rosto.

Nenhuma das duas falou.

Vanessa tentou se aproximar.

“Eu...”

Sofia recuou.

“Não encosta em mim.”

A menina viu o pequeno banquinho da despensa.

Arrastou-o.

Subiu.

Vanessa percebeu.

“Desce daí.”

Sofia alcançou a trava.

Não conseguia movê-la.

A placa estava presa à parte da moldura que Rafael havia começado a substituir.

Sofia pegou o martelo pequeno da caixa.

“Sofia!”

Bateu na madeira.

Vanessa correu.

Outra pancada.

A moldura rachou.

Vanessa agarrou o banquinho.

Sofia saltou.

Empurrou a porta com o ombro.

A madeira cedeu.

A trava arrancou parte da moldura.

A porta abriu.

“Mamãe!”

Mariana estava sentada na escada.

Cabelos desgrenhados.

Rosto pálido.

Um hematoma perto da testa.

Sofia tentou descer.

“Não!”

Mariana levantou a mão.

“Fica aí.”

“Mas—”

“Espera seu pai.”

Nesse instante, a porta da frente se abriu.

“Sofia?”

Rafael.

“Pai!”

Ele ouviu o choro e correu.

Chegou ao corredor.

Primeiro viu o rosto vermelho da filha.

Depois Vanessa.

Depois a porta quebrada.

E finalmente Mariana.

“Meu Deus.”

Desceu imediatamente.

“Mariana.”

“Não tenta me levantar rápido.”

“O que aconteceu?”

Ela segurou o braço dele.

“Vanessa pegou meu telefone.”

Rafael olhou para cima.

Vanessa começou:

“Não foi assim.”

Mariana continuou:

“Ela me trancou aqui.”

“Rafael, ela caiu!”

Ele pegou o celular.

“Estou chamando a polícia.”

“Escuta primeiro!”

“Não.”

Rafael ligou para o 190 e pediu também uma ambulância.

Vanessa falava sem parar.

“Ela apareceu agressiva.”

“Ela veio discutir.”

“Ela caiu.”

“Eu entrei em pânico.”

Rafael não respondeu.

Quando encerrou a ligação, Mariana disse:

“Meu telefone.”

“O quê?”

“Ela pegou.”

Vanessa empalideceu.

Rafael abriu o contato de Mariana.

Apertou chamar.

O telefone dele começou a tocar.

Uma vez.

Duas.

Então outro toque surgiu no corredor.

Abafado.

Sofia virou a cabeça.

Rafael também.

O som vinha do casaco de Vanessa.

Ela levou a mão ao bolso.

Tarde demais.

Rafael subiu lentamente.

“Coloca o telefone no chão.”

“Rafael...”

“Agora.”

Vanessa retirou o aparelho.

A tela mostrava:

**RAFAEL LIGANDO.**

Ela deixou o celular cair.

Rafael olhou para a mulher com quem dividira a própria casa.

“Por quê?”

Vanessa abriu a boca.

Mas antes que respondesse, Mariana falou do porão:

“Rafael...”

Ele olhou para baixo.

Mariana estava encarando Vanessa.

“Pergunta quem estava aqui com ela ontem.”

O silêncio caiu.

Rafael virou novamente.

“Quem?”

Vanessa não respondeu.

Mariana fechou os olhos por um instante.

“Ela não estava sozinha.”

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