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"O Homem no Carro Preto Reconheceu Meu Colar" Capítulo 5 — O Preço do Silêncio

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Capítulo 5 — O Preço do Silêncio

Dante atendeu na segunda chamada.

"Alguém da sua empresa pediu informações sobre minha filha à escola dela", Helena disse.

Não houve saudação. Ele pareceu compreender que não havia espaço para uma.

"Quando?"

"Onze dias atrás."

"Vou descobrir quem foi."

"Você vai preservar os registros. Descobrir, nós vamos com ajuda de uma advogada independente."

"Você já contratou uma?"

"Já."

Dante ficou alguns segundos em silêncio.

"A profissional que indiquei?"

"Ela explicou que trabalhou para o seu grupo e me indicou outra."

"Fez bem."

"Preciso que você peça à empresa, por escrito, que não apague registros dessa consulta."

"Faço hoje."

"E quero uma cópia da sua solicitação."

"Também envio."

Helena apertou o telefone contra a orelha enquanto observava Lia procurar Dona Célia no portão da escola.

"Mais uma coisa. Se algum funcionário seu tentar falar com a minha filha, comigo ou com a escola, quero saber antes."

"Não autorizei ninguém a procurá-la."

"Isso ainda não responde ao que aconteceu."

"Eu sei."

Foi a primeira frase de Dante que ela acreditou sem esforço.

À noite, ele enviou a cópia de uma comunicação interna pedindo a preservação de registros de acesso, mensagens e solicitações externas referentes a Helena e Lia. Camila leu antes que Helena respondesse.

"É útil", disse a advogada. "Não resolve o vínculo dele com a investigação. Continue guardando tudo fora dos canais da empresa."

No dia seguinte, o vídeo do prédio chegou. A primeira visita de Bruno era clara. Na segunda, ele entrava quando outro morador saía e subia pela escada. A câmera do corredor do terceiro andar estava voltada para o elevador; não mostrava a porta de Helena.

Quase quatro minutos depois, Bruno descia com a sacola plástica. No vídeo, parecia colocar alguma coisa pequena no bolso.

Helena pausou a imagem.

"O que ele pegou?", perguntou a Camila.

"Não dá para afirmar que pegou algo. Mas dá para situá-lo dentro do prédio."

A advogada ajudou Helena a organizar os arquivos em uma pasta digital com datas e origem identificadas. Helena manteve também uma cópia com Dona Célia. Quando voltou ao apartamento, examinou com calma a pasta de Marina e o lugar onde a guardava.

O bilhete indicava que Bruno sabia do parentesco de Lia. A visita ao apartamento sugeria que procurara provas. Faltava saber quem lhe contara.

Na sexta-feira, Helena recebeu uma mensagem do patrão:

Preciso que fique uns dias sem vir. Até essa situação se acalmar.

Ela ligou.

"Você viu o vídeo", disse.

"Vi. Sinto muito pelo que aconteceu."

"Então por que estou sem escala?"

"Bruno passou aqui de manhã. Falou alto na porta. Os clientes ouviram."

"Ele me agrediu, voltou para ameaçar você e a consequência é eu perder trabalho?"

"Não falei que está demitida."

"Mas também não vou receber pelos turnos que você tirou."

O patrão suspirou. "Helena, eu tenho contas."

"Eu também."

Ele prometeu ligar quando a situação melhorasse. Ela pediu que confirmasse a alteração da escala por mensagem e desligou antes de começar a implorar.

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Sentada à mesa da cozinha, abriu o aplicativo do banco. Havia dinheiro para o aluguel, a alimentação da semana e pouco mais. Bruno sempre soubera escolher o ponto em que uma ameaça deixava de ser apenas medo.

Dante ligou duas horas depois.

"Soube que você está sem trabalho."

"Como?"

"Perguntei ao dono do restaurante se guardou as imagens."

"Eu não pedi que falasse com ele."

"Queria garantir que não as apagasse."

"Camila já fez isso. Agora ele sabe que você está envolvido, e eu descubro que meu trabalho virou assunto seu."

"Tem razão. Devia ter falado com você antes."

Helena olhou pela janela. Um entregador de bicicleta parou para ajustar a mochila sob a marquise do prédio.

"Você pode me oferecer dinheiro agora", ela disse. "Também pode oferecer um emprego. Nenhuma dessas coisas responde à consulta na escola."

"Não ia oferecer um emprego."

"Ótimo."

"Ia perguntar do que você precisa."

Ela quase riu. A pergunta era melhor, mas ainda vinha do mesmo homem que podia mandar funcionários procurarem respostas enquanto ela precisava preencher formulários para conseguir uma gravação.

"Três coisas", disse. "A fechadura do prédio precisa ser consertada. A administradora está demorando; se uma empresa sua tiver alguma ligação com ela, declare isso antes de intervir. Preciso saber quem pediu dados de Lia. E ninguém da sua família se aproxima dela sem meu consentimento."

"Posso aceitar as três."

"Não basta aceitar. Quero por escrito."

"Você terá."

Helena desligou. Dez minutos depois, enviou a Camila um resumo da conversa.

A advogada respondeu com outra pergunta:

Marina deixou o nome de alguém fora da família que soubesse por que ela se escondia?

Helena voltou às três cartas.

Eram fragmentos de uma vida curta demais. Marina escrevera sobre o quarto do hospital, sobre o medo de não reconhecer a própria filha se demorasse a abraçá-la, sobre a maneira como Helena cantava enquanto dobrava lençóis.

Na última página de uma carta, havia um nome que Helena nunca investigara:

Teresa Vidal

.

Se algum dia eu não puder explicar, Teresa sabe por que saí. Ela guarda o que não posso levar comigo.

Helena procurou o número anotado no verso. Sete anos eram tempo suficiente para uma linha ser cancelada. Mesmo assim, ligou.

Uma mulher atendeu na quarta tentativa.

"Alô?"

"Procuro Teresa Vidal. Meu nome é Helena Duarte. Conheci Marina Ferraz."

A respiração do outro lado mudou.

"Marina está viva?"

"Não."

A mulher demorou a responder.

"Ela teve o bebê?"

"Teve. A menina está bem."

Houve um som abafado, como se Teresa tivesse pousado o telefone sobre uma mesa. Quando voltou, a voz estava mais firme.

"Não diga o nome da criança por esta ligação."

Helena se endireitou.

"Por quê?"

"Porque eu não sei quem mais ouviu você perguntar por mim nos últimos dias."

"Não procurei você antes de agora."

"Um homem procurou. Disse que era advogado da família."

"Qual homem?"

"Não deu nome. Sabia onde Marina se escondeu antes do hospital e disse que precisava de uma cópia das cartas."

Helena olhou para a pasta aberta.

"Você entregou?"

"Não. Marina deixou uma instrução. Se alguém perguntasse pela criança, eu devia primeiro ouvir a pessoa contar como a conheceu."

"Eu trabalhava na limpeza do hospital. Encontrei Marina chorando num depósito. Dei a ela bolachas salgadas porque fazia horas que não comia."

Teresa começou a chorar em silêncio.

"Ela me contou isso", disse.

As duas combinaram de se encontrar no escritório de Camila. Teresa não aceitou ir à casa de Helena, e Helena não pediu.

Antes de desligar, Teresa fez mais uma pergunta:

"O irmão de Marina já apareceu?"

"Sim."

"Então peça a ele que lhe mostre a carta que devolveu."

Helena segurou o celular com mais força.

"Que carta?"

"Aquela em que Marina escreveu que alguém dentro da família estava entregando os lugares onde ela dormia."

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