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"O Homem no Carro Preto Reconheceu Meu Colar" Capítulo 2 — O Nome Que Marina Proibiu

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Capítulo 2 — O Nome Que Marina Proibiu

A porta permaneceu destrancada.

Helena percebeu isso antes de Dante dizer qualquer coisa. Seus dedos tocavam o mecanismo; bastava o carro parar.

"Nivaldo", ele disse, "encoste na farmácia."

O motorista obedeceu.

Pela vitrine iluminada, Helena viu uma atendente atrás do balcão e dois clientes junto às prateleiras. Havia uma câmera apontada para a entrada.

"Marina era minha irmã", disse Dante.

Helena não respondeu.

"Eu a procuro há sete anos."

"Ela morreu há sete anos."

Dante virou o rosto para ela. A frase pareceu tê-lo atingido fisicamente.

"Como?"

Helena pensou no que podia dizer sem entregar Lia. "Uma infecção. No hospital."

Ele passou a mão pela boca.

"Em qual hospital?"

"Isso importa agora?"

"Para mim, importa."

Helena empurrou a porta. O ar úmido da madrugada entrou no carro.

"Ela pediu que eu fugisse se algum Ferraz aparecesse. Você entende por que não vou lhe contar mais nada?"

"Entendo o que ela disse. Não entendo por quê."

"Então essa é uma pergunta para você investigar dentro da sua família."

Ela saiu. O joelho cedeu quando pisou na calçada, e precisou se apoiar na porta para não cair. Dante se moveu, mas ela ergueu a mão.

"Não encosta em mim."

Ele parou.

Helena entrou na farmácia. Pediu gaze, antisséptico e um pacote de lenços. Enquanto a atendente buscava os produtos, ligou para Dona Célia de novo.

"Vou precisar que você fique com Lia mais um pouco. Estou indo para casa, mas talvez passe numa unidade de atendimento antes."

"Eu fico. Só me diz uma coisa: você está sozinha?"

Helena observou pelo vidro. Dante continuava ao lado do carro; Nivaldo permanecia ao volante.

"Não estou. Ainda não sei se isso é bom."

"Quer que eu vá buscar você?"

Dona Célia tinha setenta anos e uma dor persistente no quadril. Mesmo assim, apareceria com um guarda-chuva e uma sacola de compras usada como arma.

"Não. Mas me mande uma foto da porta do prédio. Quero ver se Bruno fez alguma coisa."

"Já mando."

Helena desligou. A atendente apontou discretamente para seu lábio.

"Temos um banheiro, se precisar se limpar."

"Obrigada. E você poderia me dizer se as câmeras da entrada gravam?"

"Gravam, sim."

Helena pagou com o cartão. Antes de ir ao banheiro, enviou a Dona Célia a localização da farmácia e uma mensagem:

Se eu não ligar em vinte minutos, me telefone. O homem do carro se chama Dante Ferraz.

Lavou o sangue do rosto com água fria. O corte no lábio não era profundo. O joelho, porém, tinha aberto sobre uma área larga, e o tecido da calça grudara na ferida.

Quando saiu, Dante estava dentro da farmácia, a vários passos de distância.

"Você não precisa ficar aqui", Helena disse.

"Precisamos conversar sobre minha irmã."

"Você precisa ouvir uma resposta primeiro."

"Qual?"

"Não vou lhe dizer onde Lia está. Não vou mostrar documento nenhum esta noite. E não vou entrar de novo naquele carro enquanto você achar que pode me dar ordens."

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Dante olhou para a caixa de gaze nas mãos dela.

"Não sabia que havia uma criança até você mencionar sua filha."

"Agora sabe. É tudo que vai saber por enquanto."

"Lia é filha de Marina?"

Helena não respondeu. Seu silêncio bastou.

Dante apoiou a mão na borda de uma prateleira, sem tocar em nada. Seus dedos ficaram brancos.

"Minha irmã teve uma filha", murmurou.

"A minha filha teve uma mãe que a amou antes de conhecê-la", Helena disse. "E outra que a criou. Pense nisso antes de decidir que descobriu alguma coisa que lhe pertence."

Ele a encarou. Ela esperou uma resposta ríspida, talvez uma ameaça velada. Dante apenas tirou a mão da prateleira.

"Você tem razão."

"Não sei se tenho. Mas Lia não pode pagar pelo que vocês fizeram com Marina."

A atendente colocou o recibo sobre o balcão. Helena o guardou junto dos produtos.

"Marina contou o que eu fiz?", Dante perguntou.

"Não contou nomes."

"Então como sabe que fui eu?"

"Porque você reconheceu o aviso."

Dante deixou escapar uma respiração curta. "Ela queria sair de casa. Nosso pai estava doente. Havia gente vigiando os negócios e esperando que a família se dividisse. Eu achei que mantê-la por perto fosse protegê-la."

"E ela?"

"Achou que eu estava tentando prendê-la."

"Ela estava errada?"

"Não."

A honestidade a surpreendeu, mas não mudou o que precisava fazer.

Helena abriu o aplicativo de transporte. A primeira corrida disponível levaria dezesseis minutos para chegar. Ela solicitou o carro e mostrou a tela a Dante.

"Vou embora por conta própria."

"Seu ex esteve no prédio onde Lia está."

"Estou cuidando disso."

"Posso ajudar com a segurança."

"Pode me dar o telefone de um advogado independente que conheça casos de violência doméstica? Sem ser funcionário seu."

"Posso."

"Então mande o contato. Só isso."

Dante tirou um cartão do bolso e escreveu um número atrás dele. Helena fotografou os dois lados, mas não pegou o cartão.

"Vou conferir antes de ligar", disse.

"Faça isso."

O celular de Helena recebeu uma imagem de Dona Célia. A porta de vidro do prédio tinha um arranhão junto à fechadura. Uma segunda foto mostrava uma folha dobrada sob o capacho do apartamento.

Achei isto na sua porta. Não abri.

Helena ampliou a imagem. Reconheceu a letra de Bruno na parte exposta do papel.

O carro solicitado ainda estava a catorze minutos dali.

Ela telefonou à vizinha.

"Não toque no bilhete. Fotografe onde está e guarde Lia longe da porta. Vou chamar ajuda para verificar a entrada."

"Você quer que eu ligue para a polícia?"

"Sim. Diga que ele me agrediu no trabalho e apareceu aí depois. Eu também vou ligar."

Dante ouviu a última frase.

"Posso levar você. Nivaldo deixa o carro na frente do prédio, e eu não entro."

Helena examinou o homem diante dela. Havia uma diferença entre confiar nele e usar um recurso disponível sob condições que ela controlava.

"Vou enviar sua placa e seu nome para Dona Célia", disse. "E minha localização vai ficar compartilhada com ela."

"Está bem."

"Se eu mandar parar, Nivaldo para."

"Sim."

"E você não fala com Lia sem eu permitir."

Dante demorou um instante.

"Não falarei."

Helena cancelou a corrida. Enquanto voltavam ao carro, fotografou a placa, enviou a imagem à vizinha e ativou o compartilhamento de localização.

Dessa vez se sentou perto da porta, sem pedir desculpas pela água no banco.

No caminho, ligou para a polícia e relatou a agressão e a presença de Bruno no prédio. Recebeu orientação para preservar imagens e procurar atendimento para documentar os ferimentos. Anotou tudo no celular.

Dante permaneceu em silêncio até Nivaldo parar numa rua próxima ao edifício.

"Você guardou alguma coisa de Marina?", perguntou.

Helena pensou na pasta parda no alto do armário, na certidão, nas cartas que Marina nunca terminara e na autorização que permitira a Helena cuidar de Lia nos primeiros meses.

"Guardei o que era importante para minha filha."

"Eu gostaria de ver uma fotografia dela."

"Um dia, talvez."

Do outro lado da rua, a luz do apartamento de Dona Célia estava acesa. Helena abriu a porta do carro.

Seu celular tocou.

Dona Célia.

"Helena", disse a vizinha, antes mesmo que ela respondesse. "A polícia ainda não chegou. Bruno voltou."

Helena ergueu os olhos para o prédio.

Uma figura saiu da sombra ao lado da entrada e levantou o rosto na direção dela.

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