"Engravidei do Chefe da Máfia… Mas Ele Não Sabia Quem Eu Realmente Era" Capítulo 5 — O Homem Que Matou Meus Pais
Helena não percebeu que estava apertando a chave do cofre até sentir o metal marcar sua palma.
“Repete.”
Dante permaneceu diante dela.
“O pagamento saiu de uma empresa ligada ao Grupo Montenegro.”
Lucas soltou uma risada curta, sem humor.
“Que surpresa.”
Dante virou o rosto para ele.
“Não comece.”
“Não preciso começar nada. Sua família acabou de aparecer no meio da investigação sobre a morte dos pais dela.”
“Lucas.”
Helena falou baixo.
Ele se calou.
Ela encarou Dante.
“Qual empresa?”
“Montenegro Participações.”
“Do seu pai?”
“Do grupo.”
“Não foi o que perguntei.”
Dante sustentou o olhar dela.
“Meu pai é o presidente.”
Aquilo bastou.
Helena pegou a bolsa.
“Vamos.”
Dante bloqueou o caminho.
“Você não vai embora.”
“Saia.”
“Helena, escuta.”
“Não me chama assim.”
“Você acabou de me contar que um homem ligado a Marcelo Ferraz encontrou você depois de quatro anos. Agora descobrimos uma ligação com a minha família. Você acha mesmo que vou deixar você sair andando por São Paulo?”
“Eu prefiro andar sozinha do que ficar trancada na casa de um homem que talvez soubesse por que meus pais morreram.”
Dante ficou imóvel.
“Meu pai não matou seus pais.”
“Como sabe?”
Ele abriu a boca.
Nenhuma resposta saiu.
Helena riu amargamente.
“Exatamente.”
Ela passou por ele.
Dante não tentou impedi-la.
Dessa vez, apenas disse:
“Vou descobrir.”
Helena parou.
“Eu já ouvi isso antes.”
Ele franziu a testa.
“Meu pai dizia que ia descobrir a verdade.”
Ela olhou por cima do ombro.
“Três dias depois, enterraram ele.”
***
Naquela tarde, Dante entrou no escritório do pai sem bater.
Augusto Montenegro estava diante da janela, falando ao telefone.
Desligou quando viu o filho.
“Algum problema?”
“Marcelo Ferraz.”
Augusto não reagiu.
Essa ausência de reação incomodou Dante mais do que qualquer surpresa teria incomodado.
“Que tem ele?”
“Você me diz.”
Augusto caminhou até a mesa.
“Não tenho tempo para jogos.”
“Quatro anos atrás, Eduardo Duarte investigou empresas ligadas a Marcelo.”
A mão de Augusto parou sobre uma pasta.
Um movimento pequeno.
Dante viu.
“Você conhecia Eduardo.”
“Conheci centenas de consultores.”
“Ele morreu na Bandeirantes.”
“Eu sei.”
“Como?”
Augusto ergueu os olhos.
“Foi notícia.”
“Não foi grande notícia.”
“Qual é o seu ponto?”
Dante colocou sobre a mesa o registro do pagamento.
“Um homem entrou na nossa propriedade carregando uma fotografia de Helena Duarte.”
Augusto olhou para o documento.
“Helena?”
Dante percebeu.
“Você conhece o nome.”
Augusto se levantou.
“Pare com isso.”
“Isabela é Helena Duarte.”
O rosto do pai finalmente mudou.
“Não.”
“É.”
Augusto ficou em silêncio.
Depois falou algo que Dante não esperava.
“Afaste essa mulher desta família.”
Dante se aproximou.
“Por quê?”
“Porque você não sabe onde está se metendo.”
“Então me explique.”
“Não.”
“Ela está grávida do meu filho.”
Augusto fechou os olhos por um segundo.
Quando abriu, parecia mais velho.
“Então você já se meteu fundo demais.”
Dante agarrou a borda da mesa.
“Você sabia o que Eduardo estava investigando?”
Augusto não respondeu.
“Pai.”
“Deixe Marcelo Ferraz em paz.”
“Por quê?”
“Porque algumas portas permanecem fechadas por um motivo.”
“Isso é uma ameaça?”
“É um conselho.”
Dante deu uma risada fria.
“Você nunca me deu conselhos. Sempre deu ordens.”
Virou para sair.
“Dante.”
Ele parou.
Augusto falou sem olhar para o filho.
“Se escolher aquela mulher, não existe volta.”
Dante respondeu:
“Talvez seja você quem tenha que escolher.”
***
No dia seguinte, Helena e Lucas foram à agência bancária no Centro.
O cofre 317 era menor do que imaginavam.
Dentro havia uma pasta.
Um pen drive.
E um gravador antigo.
Helena sentiu as pernas enfraquecerem.
“É dele.”
Lucas olhou para ela.
“Tem certeza?”
Ela tocou o aparelho.
“Meu pai gravava reuniões nele.”
Sentaram numa sala privada.
Helena apertou o botão.
Chiado.
Depois a voz de Eduardo Duarte.
“Helena.”
Ela levou a mão à boca.
Quatro anos.
Quatro anos sem ouvir aquela voz.
“Se você estiver ouvindo isso, significa que eu não consegui voltar para casa.”
Os olhos dela se encheram.
Lucas segurou sua mão.
“Eu encontrei provas de que Marcelo Ferraz está usando contratos de construção para movimentar dinheiro de origem criminosa.”
Helena fechou os olhos.
“Mas Marcelo não está sozinho.”
Ela parou de respirar.
“Existe alguém dentro do Grupo Montenegro que sabe.”
Lucas olhou para ela.
A gravação continuou.
“Eu não sei até onde vai o envolvimento dele. Não sei se está tentando me ajudar ou me controlar.”
Um ruído.
Eduardo respirou fundo.
“Se alguma coisa acontecer comigo, procure…”
O áudio falhou.
“Não.”
Helena apertou o aparelho.
“Não, pai.”
Chiado.
Então a voz voltou por dois segundos.
“…Augusto Montenegro.”
A gravação terminou.
Helena ficou imóvel.
Lucas foi o primeiro a falar.
“Ele sabia.”
Ela não respondeu.
“Helena.”
“Ele sabia.”
A voz dela saiu quebrada.
“Augusto sabia que meu pai estava em perigo.”
Pegou o celular.
Ligou para Dante.
Ele atendeu no primeiro toque.
“Helena?”
“Seu pai sabia.”
Silêncio.
“O quê?”
“Meu pai deixou uma gravação.”
Ela sentiu as lágrimas descendo.
“Ele disse o nome de Augusto Montenegro.”
Dante respirou do outro lado.
“Volte para casa.”
“Não.”
“Helena—”
“Eu quero olhar para o rosto dele.”
“Não faça isso sozinha.”
“Por quê?”
Sua voz ficou dura.
“Está com medo do que ele vai dizer?”
Dante não respondeu.
Helena desligou.
Guardou o gravador.
E naquele momento tomou uma decisão.
Augusto Montenegro passara quatro anos em silêncio.
Agora ele iria falar.
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