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"Engravidei do Chefe da Máfia… Mas Ele Não Sabia Quem Eu Realmente Era" Capítulo 4 — Isabela Oliveira Não Existe

正文开头

Às nove e vinte da manhã, Isabela saiu da mansão Montenegro.

Disse ao segurança do portão que iria à farmácia.

Não foi.

Pegou um carro por aplicativo até Pinheiros, trocou de carro e seguiu para um pequeno café perto da Rua dos Pinheiros.

Lucas já esperava.

“Você demorou.”

“Estou morando numa fortaleza.”

“Você não está morando lá.”

“Explique isso para a mãe dele. Ela colocou três vestidos no meu armário ontem.”

Lucas quase riu.

Depois colocou uma pequena chave sobre a mesa.

O sorriso desapareceu.

“Era do seu pai.”

Isabela tocou o metal.

Uma etiqueta antiga estava presa ao chaveiro.

**317.**

“Qual banco?”

“Uma agência antiga no Centro. O nome está na caixa.”

“Precisamos ir.”

“Não hoje.”

“Por quê?”

“Porque eu passei a manhã pesquisando Helena Duarte.”

Ela ergueu os olhos.

“Lucas…”

“Escuta.”

Ele se inclinou.

“Alguém pesquisou seu nome antigo nos últimos dias.”

“Como você sabe?”

“Um amigo conseguiu verificar consultas em bases privadas.”

“Quem?”

“Não importa.”

“Importa para mim.”

“Isabela…”

“Helena.”

Lucas parou.

Ela respirou fundo.

“Quando estamos sozinhos, pode me chamar de Helena.”

Ele olhou para ela com tristeza.

“Faz tempo que não ouço você dizer isso.”

“Talvez seja hora de lembrar quem eu era.”

Do lado de fora, dentro de um carro preto, Dante observava o café.

Bruno estava ao volante.

“Quer que eu entre?”

“Não.”

“Então por que viemos?”

“Porque ela mentiu.”

Bruno olhou para ele.

“Sobre qual parte?”

Dante não respondeu.

Na noite anterior, ele havia pedido uma investigação completa.

O resultado chegara às seis da manhã.

Isabela Oliveira Martins tinha CPF.

Carteira de trabalho.

Conta bancária.

Endereço.

Tudo parecia normal.

Até quatro anos atrás.

Antes disso, nada.

Nenhuma escola.

Nenhum registro médico.

Nenhum emprego.

Nenhuma fotografia.

Era como se Isabela Oliveira tivesse nascido aos vinte e quatro anos.

Bruno colocou uma pasta no colo de Dante.

“Tem certeza de que quer continuar?”

“Já continuamos.”

Dante abriu.

Primeira página.

**HELENA DUARTE.**

A fotografia era antiga.

Mas não havia dúvida.

Era ela.

No café, Lucas segurou a mão de Helena.

“Se encontrarmos o que seu pai deixou, isso termina.”

“Não.”

“Como não?”

“Se for prova contra Marcelo, começa.”

“Você pode entregar para a polícia.”

“Meu pai tentou.”

Lucas não respondeu.

“Ele morreu três dias depois.”

“Então entregamos para alguém de fora de São Paulo.”

“Marcelo tem dinheiro em todo lugar.”

“E Dante?”

Helena puxou a mão.

“Não.”

“Ele tem recursos.”

“Ele é um Montenegro.”

“Isso não significa que esteja envolvido.”

“Também não significa que não esteja.”

Lucas suspirou.

“Você está carregando o filho dele.”

“Eu sei.”

“Vai precisar confiar nele em algum momento.”

“Confiar foi o que matou meu pai.”

Uma voz surgiu atrás dela.

“Então finalmente chegamos à verdade.”

Helena congelou.

Lucas levantou primeiro.

Dante estava a poucos passos da mesa.

Sem segurança aparente.

Sem sorriso.

“Você me seguiu?”, ela perguntou.

“Sim.”

“Isso é doentio.”

“Provavelmente.”

“Vai embora.”

“Helena.”

Ela parou.

O nome verdadeiro, na voz dele, doeu mais do que deveria.

正文1

Lucas se colocou ao lado dela.

“Não faça isso aqui.”

Dante tirou uma pasta do casaco.

Colocou sobre a mesa.

Helena não precisou abrir.

Seu rosto estava na primeira página.

Aos vinte e três anos.

Cabelo castanho-claro.

Outro endereço.

Outra vida.

“Isabela Oliveira Martins não existia antes de quatro anos atrás”, Dante disse.

Ela olhou ao redor.

“Fala baixo.”

“Então é verdade.”

“Dante…”

“Seu nome é Helena Duarte.”

Ela fechou os olhos.

Não havia mais para onde correr.

“É.”

Uma única palavra.

Dante ficou em silêncio.

Talvez tivesse preparado dezenas de perguntas.

Mas, diante da confirmação, nenhuma saiu imediatamente.

Helena pegou a bolsa.

“Vamos embora, Lucas.”

Dante segurou delicadamente seu pulso.

Ela olhou para a mão.

Ele soltou na mesma hora.

“Eu mereço uma explicação.”

“Não.”

“Você está grávida do meu filho.”

“Isso não dá direito à minha vida inteira.”

“Não. Mas alguém está tentando encontrar você. Isso me dá direito de saber contra o que estou protegendo vocês.”

Helena ficou imóvel.

“Você quer saber?”

“Quero.”

“Então senta.”

Dante sentou.

Pela primeira vez em quatro anos, Helena contou a história inteira para alguém além de Lucas.

Eduardo Duarte.

Os documentos.

As construtoras.

As empresas fantasmas.

Marcelo Ferraz.

A decisão de procurar autoridades.

A ligação da polícia.

A rodovia.

O carro destruído.

O enterro.

A sensação de estar sendo observada.

A mudança de nome.

Quatro anos vivendo como Isabela.

Quando terminou, Dante não disse nada.

O café continuava cheio ao redor deles.

Pessoas riam.

Xícaras batiam.

Uma máquina de espresso chiava.

Helena sentia como se estivessem sozinhos.

“Agora entende por que menti?”

Dante passou a mão pelo maxilar.

“Entendo por que mudou de nome.”

“Não foi o que perguntei.”

“Não.”

Ela endureceu.

“Não entendo por que não me contou.”

“Porque você é você.”

“Isso deveria significar alguma coisa?”

“Montenegro.”

Ele recostou.

“Você acha que minha família trabalha com Marcelo.”

“Trabalha?”

Dante não respondeu imediatamente.

A hesitação foi suficiente.

Helena levantou.

“Eu sabia.”

“Helena.”

“Não me chama assim.”

“É seu nome.”

“Você não ganhou o direito de usar.”

Ela pegou a chave do cofre.

Dante olhou.

“O que é isso?”

“Nada.”

“Você realmente vai continuar mentindo?”

“Enquanto for necessário.”

Dante levantou.

“Marcelo Ferraz tem contratos com empresas ligadas ao meu pai.”

Helena parou.

Lucas também.

Dante continuou:

“Conheço Marcelo desde criança.”

O estômago dela virou.

“Então talvez eu tenha cometido o maior erro da minha vida.”

Dante franziu a testa.

“Qual?”

“Ter entrado naquele hotel.”

Ela olhou para o próprio ventre.

Dante entendeu.

A dor apareceu em seu rosto antes que conseguisse esconder.

Helena se arrependeu imediatamente.

Mas não retirou as palavras.

O celular de Dante tocou.

Bruno.

Ele atendeu.

“Fala.”

A expressão dele mudou.

“Quando?”

Silêncio.

“Tem certeza?”

Helena sentiu o medo retornar.

Dante desligou.

“O que aconteceu?”

Ele olhou para Lucas.

Depois para ela.

“Bruno encontrou o registro de pagamentos do homem que invadiu minha casa.”

“E?”

“Ele recebeu dinheiro de uma empresa de segurança.”

Helena perdeu a paciência.

“Que empresa?”

Dante respirou fundo.

“Uma subsidiária do Grupo Ferraz.”

O coração dela bateu forte.

Então ele acrescentou:

“Mas o pagamento não foi autorizado por Marcelo.”

Helena franziu a testa.

“Por quem foi?”

Dante demorou apenas um segundo.

“Por uma empresa que pertence ao Grupo Montenegro.”

Ninguém falou.

Helena sentiu a chave do cofre apertada entre os dedos.

Quatro anos procurando o homem que havia destruído sua família.

E agora descobria que talvez o assassino nunca tivesse estado sozinho.

Talvez a família do pai de seu filho estivesse ligada à morte dos pais dela.

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