"Engravidei do Chefe da Máfia… Mas Ele Não Sabia Quem Eu Realmente Era" Capítulo 3 — Quem É Helena Duarte?
“Quem é Helena Duarte?”
A pergunta de Dante atravessou a garagem.
Isabela olhou para a fotografia.
Quatro anos desapareceram em um segundo.
Ela voltou a sentir o cheiro do apartamento dos pais.
A voz do pai.
O telefone tocando naquela madrugada.
O policial dizendo que havia acontecido um acidente.
“Isabela.”
Ela ergueu os olhos.
“Não conheço.”
Dante ficou imóvel.
“Tem certeza?”
“Tenho.”
Bruno olhou para ela.
Isabela sabia que mentira mal.
Dante também sabia.
Ele virou para o homem capturado.
“Quem mandou você?”
O homem não respondeu.
Dante se aproximou.
Isabela segurou seu braço.
“Não.”
Ele olhou para a mão dela.
“Não o quê?”
“Não faça nada na minha frente.”
Dante sustentou seu olhar.
Depois falou para Bruno:
“Tire ele daqui.”
Bruno assentiu.
Quando ficaram sozinhos, Dante ergueu a fotografia.
“Você ficou branca quando viu isso.”
“Estou cansada.”
“Você mente mal.”
“Então pare de fazer perguntas.”
“Alguém invadiu minha propriedade carregando a foto de uma mulher morta.”
O coração dela tropeçou.
“Morta?”
Dante percebeu.
“Você não sabia?”
Isabela tentou recuperar o controle.
“Como eu saberia se não conheço?”
Ele se aproximou.
“Helena Duarte desapareceu há quatro anos. Os pais morreram num acidente pouco antes.”
Cada palavra parecia escolhida para observar sua reação.
“Você pesquisou rápido.”
“É uma das coisas que Bruno faz bem.”
“Parabéns para ele.”
Dante baixou a foto.
“Não vou obrigar você a falar.”
Ela não esperava aquilo.
“Não?”
“Não.”
“Por quê?”
“Porque você está com medo.”
Isabela ficou em silêncio.
“E alguém com medo não precisa de mais uma pessoa encurralando.”
Por um instante, ela não soube o que fazer com aquela gentileza.
Então Dante completou:
“Mas quando esse segredo colocar você ou meu filho em perigo, eu vou descobrir sozinho.”
Ele saiu.
Na manhã seguinte, Isabela ligou para Lucas.
“Ele tem uma foto.”
“De quem?”
“Minha.”
Silêncio.
“Como Helena?”
“Sim.”
Lucas soltou um palavrão.
“Vai embora daí.”
“Para onde?”
“Eu não sei.”
“Esse é o problema.”
Ela olhou pela janela.
Seguranças circulavam pelo jardim.
Pela primeira vez em quatro anos, a casa de um Montenegro parecia mais segura que qualquer lugar onde pudesse fugir.
“Lucas, procura as coisas do meu pai.”
“Já procuramos.”
“Procura de novo.”
“O quê?”
“Qualquer coisa. Caderno, documento, chave. Ele sabia que estava em perigo. Deve ter deixado alguma coisa.”
“E você?”
“Vou tentar descobrir quem encontrou aquela foto.”
Quando desligou, Dante estava na porta.
“Vai sair.”
Não era uma pergunta.
“Vou trabalhar.”
“Não.”
Isabela riu de incredulidade.
“De novo isso?”
“Você tem consulta.”
Ela congelou.
“Que consulta?”
“Obstetra.”
“Eu não marquei consulta.”
“Minha mãe marcou.”
“Claro que marcou.”
“Se não quiser ir, não vai.”
Ela esperou uma ordem.
Não veio.
“Você vem?”
“Se deixar.”
Aquilo a surpreendeu ainda mais.
Duas horas depois, estavam no Hospital São Gabriel.
Isabela sentou na maca enquanto a médica preparava o aparelho.
Dante permaneceu perto da parede.
Incomodado.
Tenso.
Quase deslocado.
“Primeira gravidez?”, perguntou a médica.
“Sim.”
“Algum sangramento?”
“Não.”
“Dor?”
“Não.”
A médica sorriu.
“Vamos ver.”
A sala ficou silenciosa.
Então surgiu um som rápido.
Tum-tum-tum-tum-tum.
Isabela parou de respirar.
“Esse é…”
“O coração”, disse a médica.
Ela levou a mão à boca.
Dante não se mexeu.
Isabela olhou para ele.
A máscara que aquele homem usava diante do mundo havia desaparecido.
Os olhos estavam fixos no monitor.
“Está tudo bem?”, ele perguntou.
A médica sorriu.
“Até aqui, perfeitamente.”
Dante assentiu.
Uma vez.
Como se tivesse acabado de receber a notícia mais importante da vida.
No corredor, ele ficou calado.
Isabela também.
Até que ele falou:
“Eu ouvi.”
Ela sorriu involuntariamente.
“Eu também.”
Dante olhou para ela.
Durante alguns segundos, não existiam Marcelo Ferraz, Montenegro, mentiras ou homens seguindo carros.
Só os dois.
E um coração minúsculo.
Então uma enfermeira apareceu no corredor segurando uma pasta.
“Senhora Duarte?”
Isabela virou imediatamente.
“Sim?”
O mundo parou.
A enfermeira olhou para a ficha.
“Desculpe. Quarto errado.”
Isabela percebeu o que havia feito.
Devagar, virou para Dante.
Ele não disse nada.
Mas estava olhando diretamente para ela.
No carro, o silêncio ficou insuportável.
Isabela esperou a pergunta.
Ela não veio.
“Você não vai falar?”
Dante olhou pela janela.
“Sobre o quê?”
“Você sabe.”
“Se eu perguntar, você vai responder?”
Ela permaneceu calada.
“Então não vou desperdiçar a pergunta.”
Aquilo era pior.
Quando chegaram à mansão, Bruno esperava no escritório.
“Consegui identificar o homem da garagem.”
Dante entrou.
Isabela permaneceu perto da porta.
“Nome?”
“Fábio Nunes. Trabalhou como segurança terceirizado para três empresas.”
Bruno colocou documentos sobre a mesa.
“A última delas pertence a um grupo de Marcelo Ferraz.”
Isabela perdeu o ar.
Dante percebeu.
“Você conhece Marcelo?”
“Todo mundo conhece.”
“Não foi isso que perguntei.”
Ela não respondeu.
O celular tocou.
Lucas.
Isabela atendeu imediatamente.
“Oi.”
A voz dele estava ofegante.
“Encontrei uma coisa.”
“O quê?”
“Uma caixa do seu pai.”
Ela virou de costas para Dante.
“O que tem dentro?”
“Documentos velhos. Fotos. E uma chave.”
“Que chave?”
“Banco.”
O coração dela disparou.
“Lucas, não mexe em nada.”
“Tem uma etiqueta.”
“O que está escrito?”
Lucas ficou em silêncio por um segundo.
“Cofre 317.”
Isabela fechou os olhos.
Finalmente.
Talvez o pai realmente tivesse deixado alguma coisa.
Quando desligou, Dante ainda observava.
“Problema?”
“Não.”
“Outra mentira.”
Ela saiu do escritório.
Naquela noite, recebeu uma mensagem de Lucas.
**Amanhã. 10h. Mesmo café. Venha sozinha.**
Isabela apagou.
Mas não percebeu o homem parado no corredor do andar superior.
Dante tinha visto seu rosto ao ler a mensagem.
E, naquele momento, tomou uma decisão.
Se Isabela não contaria a verdade…
ele descobriria sozinho.
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