"Engravidei do Chefe da Máfia… Mas Ele Não Sabia Quem Eu Realmente Era" Capítulo 1 — Duas Linhas
As mãos de Isabela Oliveira Martins tremiam tanto que o teste de gravidez quase caiu no chão do banheiro.
Duas linhas cor-de-rosa.
Ela olhou para elas uma vez.
Depois outra.
E outra.
Como se, em algum momento, uma das linhas pudesse desaparecer.
Não desapareceu.
“Não.”
Isabela apertou os olhos.
“Não, não, não…”
A pequena janela do banheiro estava aberta, deixando entrar o barulho dos ônibus passando pela Vila Mariana. Lá fora, São Paulo continuava acordada como se nada tivesse acontecido.
Mas, dentro daquele banheiro, a vida dela acabara de mudar.
Seis semanas antes, Dante Vasconcelos Montenegro era apenas um homem de terno escuro parado sozinho perto de uma janela do Hotel Imperial Paulista.
Um desconhecido.
Um erro.
Agora ela carregava o filho dele.
E Dante Montenegro não era apenas um empresário.
O sobrenome Montenegro era conhecido em São Paulo de uma maneira que não aparecia nos jornais.
Empresários sorriam quando Dante entrava numa sala.
Políticos apertavam sua mão.
E homens perigosos baixavam a voz quando diziam seu nome.
Três batidas soaram na porta.
“Isabela?”
Ela fechou os dedos ao redor do teste.
Lucas.
“Estou bem.”
“Você vomitou três manhãs seguidas.”
“Foi o café.”
Houve silêncio.
Então Lucas respondeu:
“Meu café é excelente.”
Apesar do medo, ela quase riu.
“Vai embora, Lucas.”
A maçaneta girou.
Isabela arregalou os olhos.
Tinha esquecido de trancar.
Lucas Almeida entrou usando calça de moletom cinza e uma camiseta velha. O cabelo estava bagunçado e havia uma caneca na mão.
Ele olhou para o rosto dela.
Depois para a mão escondida atrás do quadril.
Um pedaço branco do teste aparecia entre seus dedos.
A expressão dele morreu.
“Ah, não.”
“Lucas…”
“Isso é o que eu estou pensando?”
“Não começa.”
“Você está grávida?”
Ela fechou os olhos.
“Estou.”
Lucas colocou a caneca sobre a pia.
“É dele?”
Isabela não respondeu.
Ele passou as duas mãos pelo cabelo.
“Dante Montenegro?”
“Sim.”
“Meu Deus.”
“Fala baixo.”
“Ele sabe?”
“Não.”
“Ótimo.”
Os olhos dela se abriram.
“Ótimo?”
“Sim. E vai continuar assim.”
Isabela se levantou.
“Você não decide isso.”
“Você sabe quem ele é?”
“Sei.”
“Não, Isabela. Você sabe o que os jornais dizem que ele é. Eu estou falando do que ninguém escreve.”
“Eu sei exatamente com quem dormi.”
Lucas ficou em silêncio por um instante.
Então falou:
“Elizabeth…”
O sangue desapareceu do rosto dela.
Isabela agarrou o pulso dele.
“Nunca mais diga esse nome.”
“Desculpa.”
“Nunca.”
“Eu sei.”
“Não sabe.”
Ela aproximou o rosto do dele.
“Não diga perto de janela. Não diga perto de telefone. Não diga nem dormindo.”
Lucas respirou fundo.
“Você é Isabela há quase quatro anos.”
“E eu gostaria de continuar viva no quinto.”
Aquilo o silenciou.
Durante quatro anos, Lucas fora a única pessoa que conhecia a verdade.
Isabela Oliveira Martins não existia.
Ou, pelo menos, não existira antes de Helena Duarte precisar morrer.
Quatro anos atrás, ela ainda atendia por esse nome.
Helena Duarte.
Filha de Eduardo e Marta Duarte.
Seu pai trabalhava como consultor financeiro para grandes construtoras de São Paulo.
Até descobrir números que não deveriam existir.
Empresas fantasmas.
Contratos superfaturados.
Transferências internacionais.
Milhões passando por empreendimentos ligados ao poderoso empresário Marcelo Ferraz.
Eduardo contou à filha que entregaria tudo às autoridades.
Três dias depois, o carro dos pais saiu da Rodovia dos Bandeirantes.
A polícia chamou de acidente.
Helena nunca acreditou.
Lucas também não.
Ela mudou o cabelo.
Abandonou o apartamento.
Desapareceu das redes sociais.
Enterrou o próprio nome.
E virou Isabela Oliveira.
Mas nunca parou de procurar Marcelo Ferraz.
Foi assim que acabou no Hotel Imperial Paulista seis semanas antes.
Ela descobrira que Marcelo compareceria a um jantar beneficente.
Conseguiu um turno temporário na equipe de serviço.
Foi atrás de um assassino.
Encontrou Dante Montenegro.
Lucas encostou na pia.
“Você entrou naquele hotel para procurar Ferraz.”
“Sim.”
“Não para conhecer um Montenegro.”
“Não planejei aquilo.”
“Mas aconteceu.”
Ela desviou os olhos.
“Eu sei.”
“E agora você está grávida.”
“Eu sei!”
A voz dela estourou dentro do banheiro.
Lucas imediatamente se acalmou.
“Tudo bem.”
“Não, não está tudo bem.”
Isabela sentou na borda da banheira.
A mão foi instintivamente até o ventre.
Ainda não havia nada para sentir.
Mas agora ela sabia.
Havia alguém ali.
“Eu preciso contar para ele.”
Lucas a encarou.
“Qual parte?”
“O bebê.”
“E Helena Duarte?”
“Não.”
“Então você vai começar contando uma mentira.”
“Estou tentando sobreviver.”
“E quando Dante descobrir sozinho?”
Isabela levantou o rosto.
Antes que respondesse, três batidas lentas ecoaram no apartamento.
TOC.
TOC.
TOC.
Os dois congelaram.
Lucas olhou para o corredor.
“Está esperando alguém?”
“Não.”
Ele saiu do banheiro.
Isabela foi atrás.
Outra batida.
Lucas se aproximou da porta e olhou pelo olho mágico.
Seu corpo ficou rígido.
Ele recuou.
“Não acredito.”
“Quem é?”
Lucas virou lentamente para ela.
“O pai do seu filho.”
O coração de Isabela pareceu parar.
Uma voz masculina atravessou a porta.
“Isabela?”
Dante.
“Abra a porta.”
Lucas sussurrou:
“Como ele encontrou você?”
“Eu não sei.”
“Isabela.”
A voz continuava calma.
“Eu sei que você está aí.”
Ela colocou rapidamente o teste no bolso do uniforme do restaurante.
Lucas segurou seu braço.
“Não abre.”
Isabela olhou para a mão dele.
“Se Dante Montenegro quisesse entrar à força, Lucas, a gente não estaria discutindo na frente de uma porta inteira.”
Ela destrancou.
Dante estava sozinho na varanda.
Terno grafite.
Sobretudo preto.
Cabelo escuro perfeitamente penteado para trás.
O rosto bonito demais para combinar com a fama que carregava.
Dois homens aguardavam perto de uma SUV preta estacionada na rua.
Mas Dante viera até a porta sozinho.
Os olhos castanho-âmbar percorreram o rosto dela.
“Você desapareceu.”
“Eu fui para casa.”
“Você deixou um número inexistente no hotel.”
“Não achei que fosse ligar.”
“Eu liguei.”
“Esse foi seu erro.”
Por um segundo, quase surgiu um sorriso no rosto dele.
Então Dante viu Lucas.
O sorriso desapareceu.
“Quem é ele?”
“Meu amigo.”
Lucas cruzou os braços.
“Amigo de infância.”
Dante voltou a atenção para Isabela.
“Podemos conversar?”
“Não.”
Ele ergueu uma sobrancelha.
“Foi rápido.”
“Tenho trabalho.”
“Às onze da noite?”
“Turno noturno.”
Os olhos dele desceram para o uniforme simples.
Depois voltaram ao rosto pálido dela.
“Você está doente.”
“Estou bem.”
“Está tremendo.”
“Estou com frio.”
Dante deu um passo.
Isabela recuou imediatamente.
Ele parou.
Algo mudou em sua expressão.
Não era raiva.
Era preocupação.
“Isabela.”
“Eu disse que estou bem.”
Então aconteceu.
O teste escorregou do bolso do uniforme.
Caiu no chão.
O pequeno objeto branco ficou exatamente entre os dois.
Ninguém se mexeu.
Dante olhou para baixo.
Depois para ela.
Seu rosto ficou completamente ilegível.
“Quantas semanas?”
Isabela não conseguiu responder.
Lucas avançou.
“Acho melhor você ir embora.”
Dante nem olhou para ele.
“Quantas semanas, Isabela?”
Ela engoliu em seco.
“Seis.”
Silêncio.
Dante calculou.
Ela viu o instante exato em que ele chegou à conclusão.
“É meu?”
Isabela fechou os olhos por um segundo.
Quando abriu, assentiu.
“É.”
Dante ficou imóvel.
Ela esperava raiva.
Acusação.
Talvez desconfiança.
Ele apenas disse:
“Faça uma mala.”
Isabela franziu a testa.
“O quê?”
“Você não vai ficar aqui.”
Lucas entrou entre os dois.
“Ela não vai a lugar nenhum com você.”
Dante finalmente olhou para ele.
“Saia da frente.”
“Não.”
“Lucas”, Isabela advertiu.
Dante voltou os olhos para ela.
“Alguém me seguiu até aqui.”
Isabela congelou.
“O quê?”
“Uma caminhonete preta. Vidros escuros.”
“Pode ter sido qualquer pessoa.”
“Não.”
A certeza na voz dele fez o estômago dela apertar.
“Percebi o carro perto da Avenida Paulista. Bruno conseguiu despistá-lo três quarteirões antes daqui.”
“Então estavam seguindo você.”
Dante demorou um segundo para responder.
“Foi o que pensei.”
“E agora?”
“Agora não tenho tanta certeza.”
Isabela sentiu os dedos gelarem.
Dante olhou para a rua.
Depois novamente para ela.
“Porque aquele carro já estava parado perto deste prédio quando passei aqui ontem.”
Ela perdeu o ar.
“Você veio aqui ontem?”
“Vim procurar você.”
Lucas olhou para Isabela.
Dante continuou:
“Hoje ele estava aqui de novo.”
“Não…”
“Isabela.”
Ele se aproximou, desta vez lentamente.
“Eu acho que eles estavam seguindo você antes de começarem a me seguir.”
O silêncio pareceu engolir o apartamento.
Isabela olhou para a janela.
Quatro anos.
Quatro anos escondida.
Quatro anos sendo outra pessoa.
Então um pensamento atravessou sua mente.
Talvez alguém finalmente tivesse descoberto que Helena Duarte ainda estava viva.
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