"Minha Irmã Riu do Meu Marido Pobre… Sem Saber Que Ele Era o Chefe da Máfia" Capítulo 5 — Minha Irmã Bateu na Minha Porta
“Essa foto foi tirada hoje.”
Isabela segurava a imagem pelas bordas.
Bruno não respondeu.
Não precisava.
Ela reconhecia a janela atrás de si.
Reconhecia a cortina.
Reconhecia até a blusa que vestira naquela manhã.
Alguém a fotografara dentro da propriedade dos Montenegro.
A casa que Dante chamava de segura.
“Como?”
Bruno pegou a fotografia.
“Vamos descobrir.”
“Isso não é resposta.”
“É a única que tenho agora.”
Ele chamou dois seguranças.
“Quero todas as câmeras externas das últimas seis horas. Portão, fundos, casas vizinhas, rua lateral. Tudo.”
Os homens saíram.
Isabela continuou imóvel.
Teresa tocou seu braço.
“Venha comigo.”
“Não.”
“Isabela…”
“Eu não quero ir para outro quarto enquanto todo mundo decide o que posso ou não saber.”
Teresa soltou a mão.
Bruno olhou para ela.
“Tudo bem.”
Foi a primeira vez que alguém naquela casa respondeu assim.
Isabela apontou para a fotografia de Augusto.
“Quem matou o pai de Dante?”
Bruno ficou em silêncio.
“Você estava com ele naquela época?”
“Estava.”
“Então sabe.”
“Se eu soubesse quem matou Augusto Montenegro, essa pessoa não estaria solta há quatorze anos.”
A resposta foi fria.
Mas sincera.
“Dante achava que sabia?”
“Achávamos que era consequência de uma disputa.”
“E agora?”
Bruno olhou para o bilhete.
“Agora parece que alguém queria que acreditássemos nisso.”
O som de um motor atravessou o pátio.
Todos se viraram.
Bruno levou a mão ao ponto eletrônico.
“Quem autorizou?”
Uma voz respondeu.
Ele franziu a testa.
“É dona Valentina.”
Isabela fechou os olhos.
“Deixa entrar.”
“Dante mandou…”
“É minha irmã.”
Bruno não gostou.
Mesmo assim, autorizou.
Valentina entrou na mansão cinco minutos depois.
Desta vez não olhou para os lustres.
Nem para as obras de arte.
Estava chorando.
“Marcelo não voltou.”
Isabela se aproximou.
“Eu sei que ele falou com Dante.”
“Quando?”
“Hoje.”
“Você viu?”
“Não.”
“Então como sabe?”
“Dante me contou que ele estava sendo investigado.”
Valentina olhou para Bruno.
“Ele está aqui?”
“Não.”
“Você sabe onde está?”
“Não.”
Valentina respirou fundo.
“Mentira.”
Bruno não reagiu.
Ela apontou para ele.
“Todos vocês mentem.”
“Valentina.”
“Não.”
Ela virou-se para Isabela.
“Seu marido suspendeu Marcelo. Depois ele desaparece. E você quer que eu acredite que não tem nada a ver?”
“Dante não fez Marcelo desaparecer.”
“Como sabe?”
A pergunta atingiu Isabela de um jeito inesperado.
Como sabia?
Na noite anterior, teria respondido sem hesitar.
Porque conheço meu marido.
Agora aquela frase parecia muito mais complicada.
Valentina percebeu.
“Você não sabe.”
Isabela endureceu.
“Sei que Dante não faria isso.”
“Você descobriu ontem quem ele é!”
“E você descobriu ontem que seu marido estava sendo investigado por onze milhões.”
Valentina ficou branca.
“O quê?”
Isabela percebeu tarde demais.
Bruno fechou os olhos.
“Onze milhões?”
Valentina se aproximou.
“Do que você está falando?”
“Pergunta ao Marcelo.”
“Eu perguntaria se soubesse onde ele está!”
A voz dela quebrou.
Pela primeira vez, a raiva desapareceu.
“Eu acordei e ele tinha ido embora.”
Isabela viu medo verdadeiro.
“Val…”
“Eu liguei dezessete vezes.”
As lágrimas começaram a cair.
“Ele nunca faz isso.”
Isabela aproximou-se.
Valentina recuou.
“Não.”
“Eu quero ajudar.”
“Você?”
“Sim.”
Valentina riu entre lágrimas.
“Você dorme na casa do homem que pode destruir meu marido com uma ligação.”
“Isso não significa…”
“Você ganhou.”
Isabela franziu a testa.
“Ganhei o quê?”
“Tudo.”
“Não estou competindo com você.”
“Claro que está.”
“Valentina…”
“Você sempre faz isso.”
Isabela ficou imóvel.
“Faço o quê?”
“Fica aí com essa cara de santa como se nunca tivesse querido nada.”
Valentina enxugou o rosto com raiva.
“Quando éramos crianças, eu precisava tirar dez. Você tirava oito e mamãe dizia que você era sensível.”
“Isso não é verdade.”
“Quando eu consegui meu primeiro emprego bom, você nem ligava para carreira.”
“Eu fiquei feliz por você.”
“Exatamente!”
Valentina quase gritou.
“Você nunca precisava ganhar porque nunca parecia estar jogando.”
Isabela a encarou.
“E isso te incomodava?”
“Sim!”
A resposta saiu antes que Valentina pudesse impedir.
Silêncio.
Até Bruno desviou os olhos.
Valentina respirou fundo.
“Eu trabalhei a vida inteira para entrar em lugares como aquela festa.”
“E eu nunca tentei tirar isso de você.”
“Mas ontem…”
Ela olhou ao redor.
“Ontem eu descobri que você entrou em um lugar muito maior sem nem tentar.”
Isabela finalmente entendeu.
Não era Dante.
Nunca fora.
“Foi por isso.”
Valentina não respondeu.
“Foi por isso que você pegou aquele microfone.”
“Eu estava bêbada.”
“Não.”
Isabela aproximou-se.
“Você precisava que aquelas pessoas olhassem para mim e pensassem que eu tinha fracassado.”
Valentina apertou os lábios.
“Porque, se eu tivesse fracassado, você tinha vencido.”
“Eu não sabia quem Dante era!”
“Mas você parecia feliz!”
A frase explodiu no salão.
Valentina começou a chorar de verdade.
“Você estava naquele vestido simples, com aquele marido que ninguém conhecia, e parecia feliz.”
Isabela sentiu a própria raiva mudar.
Não desaparecer.
Mudar.
“E isso era insuportável para você?”
Valentina cobriu a boca.
Isabela balançou a cabeça.
“Você não riu do Dante porque achava que ele era pobre.”
A voz dela saiu baixa.
“Você riu de mim porque precisava que eu fosse menor que você.”
Valentina fechou os olhos.
Nenhuma das duas falou por alguns segundos.
Então o celular de Valentina tocou.
Ela praticamente arrancou o aparelho da bolsa.
“Marcelo?”
Número desconhecido.
Atendeu.
“Alô?”
Silêncio.
“Marcelo?”
Uma voz masculina falou algo.
A cor desapareceu do rosto dela.
“Quem é?”
Isabela se aproximou.
Valentina colocou no viva-voz.
“Senhora Ferraz?”
“Sim.”
“Seu marido deixou um carro no estacionamento da Alameda Santos.”
“Onde ele está?”
“Não sabemos. Encontramos seus documentos dentro.”
Valentina quase deixou o celular cair.
Isabela segurou seu braço.
“Respira.”
“Não me manda respirar!”
Bruno já falava com a equipe.
“Endereço completo.”
Valentina encerrou a chamada.
“Leva-me até lá.”
Bruno respondeu:
“Não.”
“Meu marido…”
“Minha equipe vai.”
“Eu vou!”
“Valentina.”
Isabela segurou os ombros da irmã.
“Deixa eles verificarem.”
“Você está do lado deles agora?”
“Estou tentando impedir que você corra para um lugar sem saber o que aconteceu.”
Valentina começou a chorar novamente.
Desta vez deixou Isabela abraçá-la.
Por poucos segundos.
O celular de Bruno tocou.
Era Dante.
“Encontramos alguma coisa?”
Bruno perguntou.
Isabela observou seu rosto mudar.
“Onde?”
Silêncio.
“Entendi.”
Desligou.
“Que foi?”
Bruno olhou para as duas irmãs.
“Encontraram o carro de Marcelo.”
“Eu sei.”
“Tem sangue no banco do motorista.”
Valentina perdeu as forças.
Isabela a segurou antes que caísse.
---
Dante chegou quarenta minutos depois.
Valentina estava sentada no sofá.
Teresa lhe dera água.
Ela não tocara.
Quando Dante entrou, Valentina levantou.
“Foi você?”
Bruno tentou intervir.
Dante ergueu a mão.
“Não.”
“Jura?”
“Sim.”
“Pela sua esposa?”
Isabela olhou para ele.
Dante respondeu sem hesitar.
“Pela minha esposa.”
Valentina começou a chorar.
“Então encontra ele.”
Dante permaneceu imóvel.
“Por favor.”
Era a primeira vez que Valentina falava com ele sem arrogância.
Sem performance.
Sem microfone.
“Encontra meu marido.”
Dante olhou para Bruno.
“Vamos encontrar.”
Valentina saiu com Lúcia pouco depois.
Isabela ficou no salão.
“Você acredita que Ricardo pegou Marcelo?”
“É possível.”
“Por quê?”
“Porque Marcelo falou.”
“Falou o quê?”
Dante entregou uma cópia das transações.
Isabela passou os olhos pelos números.
“Ricardo estava roubando?”
“Ricardo e Marcelo.”
Ela levantou os olhos.
“Então Marcelo…”
“Participou.”
“Valentina não sabe.”
“Provavelmente não.”
Isabela colocou os papéis sobre a mesa.
“E seu pai?”
Dante ficou quieto.
“Eu vi a foto.”
Ele fechou a mandíbula.
“Não queria que você visse.”
“Outra coisa que eu não podia saber?”
“Outra coisa que eu não sei explicar ainda.”
Ela percebeu o cansaço nele.
Dante não parecia o homem poderoso do casamento.
Parecia alguém que acabara de abrir uma porta para um passado que passara quatorze anos tentando fechar.
“Você acha que Ricardo matou seu pai?”
“Não sei.”
“Mas acha possível.”
“Agora, sim.”
Isabela respirou fundo.
“E a foto que tiraram de mim?”
Dante olhou para a janela.
“Foi feita da propriedade vizinha.”
“Quem mora lá?”
“A casa está vazia há meses.”
“Então alguém entrou.”
“Sim.”
“Por causa de Ricardo?”
“Talvez.”
“Para me assustar?”
Dante olhou para ela.
“Para me assustar.”
A diferença ficou clara.
Ela era a mensagem.
Dante era o destinatário.
“Eu não quero ser sua fraqueza.”
Ele se aproximou.
“Você não é.”
“Foi exatamente assim que me usaram.”
“Você é a pessoa que eu amo. Isso não é fraqueza.”
“Para homens como Ricardo, é.”
Dante não respondeu.
O telefone de Bruno tocou novamente.
Ele ouviu por alguns segundos.
Depois entrou no salão.
“Temos imagens.”
Dante aproximou-se.
Bruno abriu o tablet.
Uma câmera de rua mostrava Marcelo entrando no estacionamento.
Quatro minutos depois, outra SUV entrou.
O motorista desceu.
Mesmo de longe, Dante reconheceu.
“Ricardo.”
Isabela olhou para ele.
Bruno avançou o vídeo.
Duas horas depois, a SUV saiu.
Marcelo não.
Dante ficou em silêncio.
“Rastreia o carro.”
“Já estamos.”
Bruno mudou de tela.
“Mas tem outra coisa.”
Mostrou uma imagem de câmera da noite anterior.
Ricardo saindo de um restaurante.
Com ele havia um homem que Dante não via havia muitos anos.
Dante aproximou o rosto.
“Quem é?”
Isabela perguntou.
Ele não respondeu imediatamente.
Bruno respondeu por ele.
“Um dos homens que estava com Augusto Montenegro na noite em que ele morreu.”
Dante continuou olhando para a tela.
O passado não estava enterrado.
Estava andando pelas ruas de São Paulo.
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