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"Minha Irmã Riu do Meu Marido Pobre… Sem Saber Que Ele Era o Chefe da Máfia" Capítulo 4 — A Mansão Que Isabela Nunca Tinha Visto

正文开头

Isabela acordou às nove e encontrou roupas novas dentro do armário.

Ficou olhando para elas por quase um minuto.

Vestidos.

Calças.

Blusas.

Sapatos.

Tudo do tamanho dela.

Aquilo não podia ter sido comprado durante a madrugada.

Abriu outra porta.

Mais roupas.

Saiu do quarto e encontrou Teresa colocando flores em um vaso no corredor.

“Teresa.”

“Bom dia.”

“Essas roupas.”

A mulher entendeu imediatamente.

“Já estavam aqui.”

“Há quanto tempo?”

Teresa hesitou.

“Desde pouco depois do casamento.”

Isabela respirou fundo.

“Ele preparou um quarto para mim?”

“Não exatamente.”

“Então?”

Teresa indicou o corredor.

“O quarto do senhor Dante é no final.”

Isabela caminhou até lá.

A porta estava aberta.

Entrou.

Era amplo, mas surpreendentemente sóbrio.

Cama escura.

Livros.

Uma poltrona.

Poucas fotografias.

Abriu o closet.

Metade era masculina.

A outra metade estava cheia de roupas femininas.

Para ela.

Dante havia preparado espaço para uma esposa que nunca trouxera até ali.

Sobre uma prateleira, Isabela encontrou uma caixa.

Dentro havia pequenos objetos.

O ingresso do cinema do terceiro encontro.

Um guardanapo do restaurante da Vila Mariana.

Uma fotografia instantânea dos dois.

O bilhete que ela deixara na geladeira na primeira vez que dormira no apartamento dele:

**Compre café decente. Isso que você bebe é petróleo.**

Isabela sentou-se.

A raiva não desapareceu.

Isso tornava tudo pior.

Seria mais fácil se Dante fosse apenas um mentiroso frio.

Mas ele guardara um guardanapo.

“Ele não sabia como contar.”

A voz de Teresa veio da porta.

Isabela levantou os olhos.

“Isso não justifica.”

“Não.”

A resposta surpreendeu.

Teresa entrou.

“Eu conheço Dante desde menino. Posso amar alguém e ainda saber quando ele errou.”

Isabela fechou a caixa.

“Por que ele é assim?”

Teresa permaneceu alguns segundos em silêncio.

“Porque aprendeu cedo que afeto e interesse podem usar o mesmo rosto.”

“Isso tem a ver com o pai?”

Teresa olhou para ela.

“Dante contou?”

“Não. Vi fotografias.”

A mulher sentou na poltrona.

“Augusto Montenegro morreu quando Dante tinha vinte e dois anos.”

“Como?”

“Disseram que foi uma disputa entre famílias.”

“Disseram?”

Teresa percebeu a própria palavra.

“Foi o que todos aceitaram.”

Isabela ficou atenta.

“E Dante?”

“Dante não teve tempo de aceitar nada. Num dia era filho do chefe. No outro, dezenas de homens olhavam para ele esperando uma ordem.”

“Ele tinha vinte e dois anos?”

“Sim.”

Isabela tentou imaginar.

Dante aos vinte e dois.

Assumindo aquilo.

“E a mãe?”

“Foi morar fora do Brasil depois.”

“Eles não se falam?”

“Pouco.”

Teresa levantou.

“Não estou contando isso para pedir que perdoe.”

“Então por quê?”

“Porque ele provavelmente vai tentar explicar tudo como empresário.”

Um sorriso triste apareceu.

“Dante é péssimo falando como homem.”

Isabela olhou novamente para a caixa.

“Ele mentiu para mim como homem.”

“Sim.”

Teresa saiu.

Poucos minutos depois, Isabela ouviu um carro entrar no pátio.

Desceu.

Esperava encontrar Dante.

Era Valentina.

A irmã entrou como uma tempestade.

“Eu preciso falar com você.”

Bruno vinha atrás.

正文1

“Ela insistiu.”

Isabela cruzou os braços.

“Tudo bem.”

Valentina olhou ao redor da mansão.

O choque foi imediato.

Tentou esconder.

Não conseguiu.

“Então é verdade.”

“Qual parte?”

“Tudo isso.”

Isabela não respondeu.

Valentina girou lentamente.

“Você sabia?”

A pergunta fez Isabela rir.

“Você estava no mesmo casamento que eu?”

“Talvez soubesse de alguma coisa.”

“E deixasse você me humilhar?”

Valentina fechou a boca.

Bruno afastou-se.

“Marcelo sumiu.”

A raiva de Isabela diminuiu.

“Como assim?”

“Ele saiu cedo. Não atende.”

“Você chamou a polícia?”

“Ele não está desaparecido há tempo suficiente.”

“E veio aqui por quê?”

Valentina respirou fundo.

“Porque Dante suspendeu o acesso dele.”

“Isso eu sei.”

“Então manda seu marido devolver.”

Isabela ficou olhando.

“Você veio pedir ajuda ou dar ordem?”

“Isabela, por favor.”

“Não parece um pedido.”

Valentina passou as mãos pelo cabelo.

“Meu marido pode perder a carreira.”

“Talvez devesse perguntar por quê.”

“Porque você ficou ofendida!”

Isabela congelou.

“Você acha que Dante suspendeu Marcelo porque você me humilhou?”

“Que outra explicação existe?”

“Uma investigação.”

Valentina parou.

“Que investigação?”

Isabela percebeu que falara demais.

“Pergunta ao Marcelo.”

“Ele não atende!”

“Então espera.”

“Fácil para você.”

Valentina apontou para a sala.

“Olha onde você está!”

Isabela sentiu a velha dinâmica voltar.

A mesma de infância.

Valentina machucava.

Depois encontrava um motivo para ser a vítima.

“Você quer saber o que é fácil?”

A voz de Isabela permaneceu baixa.

“Fácil foi pegar um microfone quando eu estava sozinha e transformar meu casamento em piada.”

“Era brincadeira.”

“Não.”

“Você sempre leva tudo…”

“Não era sobre Dante.”

Valentina calou-se.

Isabela aproximou-se.

“Você não riu dele porque achava que ele era pobre.”

“Claro que…”

“Você riu de mim.”

O rosto de Valentina endureceu.

“Porque precisava que eu fosse a irmã que fez a escolha errada.”

“Isso é ridículo.”

“Você passou anos fazendo isso.”

“Eu passei anos trabalhando para ter alguma coisa!”

“E eu nunca critiquei.”

“Porque você nunca quis nada!”

Isabela sentiu a frase.

Valentina continuou:

“Você sempre foi feliz com pouco. Apartamento pequeno. Trabalho comum. Restaurante barato. Marido sem dinheiro.”

Ela riu amargamente e olhou ao redor.

“Pelo visto, só a última parte estava errada.”

Isabela respirou.

“Você sabe qual é a diferença entre nós?”

“Qual?”

“Eu não precisava que você tivesse menos para me sentir bem com o que eu tinha.”

Valentina ficou em silêncio.

Os olhos ficaram úmidos.

Por um instante, Isabela viu a irmã.

Não a noiva arrogante.

Não a mulher do microfone.

A menina que precisava ganhar tudo.

Mas o instante passou.

Valentina pegou a bolsa.

“Fala com Dante.”

“Sobre o quê?”

“Marcelo.”

“Não vou interferir em investigação nenhuma.”

“Claro.”

Valentina caminhou até a porta.

“Agora que descobriu que é Senhora Montenegro, já aprendeu rápido.”

Isabela fechou os olhos.

“Valentina.”

A irmã parou.

“Se Marcelo estiver em perigo, eu ajudo.”

Valentina não se virou.

“Ontem você era minha irmã.”

Ela abriu a porta.

“Hoje eu nem sei quem você é.”

正文2

Foi embora.

Isabela permaneceu parada.

“Ela está com medo.”

Bruno disse atrás dela.

“Eu também.”

Ele não respondeu.

“Dante está onde?”

“No escritório.”

“Qual?”

Bruno quase sorriu.

“Boa pergunta.”

Isabela não achou graça.

“Faria Lima.”

---

No quadragésimo primeiro andar do Grupo Montenegro, Dante observava onze páginas de transações.

Marcelo estava sentado diante dele.

Tinha chegado vinte minutos antes.

“Eu não roubei.”

Dante folheou outra página.

“Eu não perguntei.”

“Onze milhões passaram pelas minhas credenciais.”

“Eu sei.”

“Então por que estou aqui?”

Dante levantou os olhos.

“Para me dizer quem usou.”

Marcelo ficou quieto.

“Não sei.”

Dante fechou a pasta.

“Errado.”

“Eu juro.”

“Você não sabe tudo.”

Dante se inclinou.

“Mas sabe alguma coisa.”

Marcelo respirou fundo.

“Se eu falar…”

“Termina.”

“Minha esposa pode ficar no meio.”

Dante ficou imóvel.

“Valentina já está no meio.”

“Não por escolha.”

“Nem Isabela.”

Marcelo baixou os olhos.

A frase pesou.

“Ricardo.”

Dante não se mexeu.

“Ricardo Sampaio?”

Marcelo assentiu.

“Ele me pediu para liberar alguns processos sem auditoria.”

“E você liberou.”

“Sim.”

“Por dinheiro?”

Marcelo fechou os olhos.

“Sim.”

Dante se levantou.

Marcelo também.

“Eu posso devolver.”

“Você acha que o problema é dinheiro?”

“Dante…”

“Senhor Montenegro.”

Marcelo parou.

Dante caminhou até a janela.

São Paulo se estendia abaixo.

“Há quanto tempo Ricardo faz isso?”

“Não sei.”

“Mentira.”

“Eu só entrei há oito meses.”

“Onze milhões em oito meses.”

“Sim.”

“Para onde?”

“Empresas de fachada.”

“Quais?”

“Eu tenho os nomes.”

Dante virou-se.

“Entrega.”

Marcelo pegou um pen drive.

Colocou sobre a mesa.

“Tem mais.”

“Fala.”

“Ricardo perguntou por Isabela.”

O rosto de Dante mudou.

Não muito.

Mas Marcelo viu.

“Quando?”

“Hoje.”

“Por quê?”

“Quando contei que você era casado.”

“Você contou?”

“Ele já sabia que alguma coisa tinha acontecido no casamento. Eu entrei em pânico.”

Dante aproximou-se.

“Exatamente o que você disse?”

Marcelo engoliu em seco.

“Que você se casou com a irmã da Valentina.”

Dante pegou o telefone.

“Bruno.”

A resposta veio imediatamente.

“Estou na mansão.”

“Isabela?”

“Comigo.”

Dante fechou os olhos por um segundo.

“Não deixa ela sair.”

Do outro lado, silêncio.

“Dante…”

“Fala.”

“Ela não vai gostar dessa ordem.”

“Eu sei.”

“Quer que eu explique?”

“Não.”

Dante olhou para Marcelo.

“Eu explico.”

Desligou.

“E Ricardo?”

Marcelo respirou.

“Ele pediu o endereço dela.”

Dante ficou imóvel.

“Você deu?”

“Não.”

“Tem certeza?”

“Tenho.”

Dante olhou para o pen drive.

“Vai para casa.”

Marcelo arregalou os olhos.

“Só isso?”

“Não.”

Dante voltou a sentar.

“Isso é só o começo.”

Marcelo saiu.

Dante conectou o pen drive.

Pastas apareceram.

Notas.

Transferências.

Planilhas.

Empresas.

Uma delas chamou atenção.

**AS Participações.**

Dante conhecia aquelas iniciais.

Augusto Sampaio.

O pai de Ricardo.

Um nome que não via havia dez anos.

Abriu a pasta.

Havia arquivos antigos digitalizados.

Um deles era de quatorze anos antes.

Dante franziu a testa.

Abriu.

Era uma relação de veículos do Grupo Montenegro.

Datas.

Horários.

Rotas.

Seu sangue esfriou.

Reconheceu uma data imediatamente.

正文3

A data em que seu pai morreu.

Dante aproximou o rosto da tela.

A rota usada por Augusto Montenegro naquele dia estava marcada.

Ao lado havia uma anotação:

**Alteração confirmada — R.S.**

Dante ficou sem respirar.

Pegou o telefone.

“Bruno.”

“Fala.”

“Tranca os portões.”

“Algum problema?”

“Ricardo.”

Bruno ficou em silêncio.

“Que tem ele?”

Dante continuou olhando para o arquivo.

“Ele não começou a roubar de mim oito meses atrás.”

“Quanto tempo?”

Dante abriu outro documento.

Uma fotografia antiga apareceu.

Ricardo.

Seu pai.

E um terceiro homem.

No verso digitalizado, uma data.

Três dias antes da morte de Augusto Montenegro.

Dante sentiu a mão fechar ao redor do telefone.

“Quatorze anos.”

Na mansão, Bruno olhou para Isabela.

Ela percebeu imediatamente.

“O que aconteceu?”

Bruno não respondeu.

“Bruno.”

A voz de Dante veio pelo telefone:

“Não deixa ninguém entrar.”

Isabela ficou imóvel.

“E ninguém sai.”

Ela encarou Bruno.

“Ele está falando de mim?”

Bruno não teve tempo de responder.

Um dos monitores de segurança na parede acendeu.

Um carro havia parado diante do portão externo.

Teresa apareceu no corredor.

“Estamos esperando alguém?”

“Não.”

Bruno aproximou-se da tela.

O motorista saiu.

Colocou uma pequena caixa preta diante do portão.

Voltou para o carro.

Foi embora.

Bruno chamou dois homens.

“Não toca até verificarem.”

Isabela sentiu o coração acelerar.

Quinze minutos depois, a caixa foi levada para uma sala lateral.

Não havia explosivo.

Bruno abriu.

Dentro estava apenas uma fotografia.

Isabela se aproximou.

“Não.”

Bruno tentou impedir.

Ela já tinha visto.

Era uma fotografia antiga de Dante aos vinte e dois anos, ao lado do pai.

O rosto de Augusto Montenegro estava marcado com um X vermelho.

O de Dante, circulado.

E abaixo havia uma frase escrita à mão:

**O pai caiu primeiro. O filho só demorou mais.**

Isabela sentiu o sangue sumir do rosto.

Então percebeu que havia outra fotografia embaixo.

Puxou.

Era dela.

Tirada naquela manhã.

Na janela do quarto da mansão.

Isabela levantou os olhos lentamente.

Quem quer que tivesse feito aquilo sabia exatamente onde ela estava.

E, pela primeira vez, ela entendeu que os muros da casa de Dante talvez não estivessem ali para manter o mundo do lado de fora.

Talvez estivessem ali porque alguém já estava perto demais.

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