"Minha Irmã Riu do Meu Marido Pobre… Sem Saber Que Ele Era o Chefe da Máfia" Capítulo 3 — A Verdade Dentro do Carro Preto
“Eu quero ver.”
Dante segurou o celular.
“Isabela.”
“Me mostra.”
“Você já viu.”
“Quero ver de novo.”
Ele hesitou antes de entregar.
A fotografia mostrava Isabela perto de uma mesa da festa.
Ela estava olhando para Valentina.
A imagem fora feita antes da chegada de Dante.
Quem fotografara já estava ali.
Entre os convidados.
Ou entre os funcionários.
Isabela ampliou.
Nada.
Rostos desfocados.
Flores.
Garçons.
Convidados.
“Quem mandou?”
“Não sabemos.”
“E como conseguiu seu número?”
“Também vamos descobrir.”
Ela devolveu o aparelho.
“Isso acontece sempre?”
Dante não respondeu.
“Com você?”
“Às vezes.”
“Com suas namoradas?”
O maxilar dele endureceu.
“Você não é uma namorada.”
“Não muda a pergunta.”
“Não.”
“Não o quê?”
“Eu nunca tive uma esposa antes.”
Isabela soltou o ar.
“Eu preciso pensar.”
“Pode pensar onde estiver segura.”
“E quem decide onde é seguro?”
“Hoje? Eu.”
Ela olhou para ele.
Dante percebeu o erro tarde demais.
“É exatamente disso que estou falando.”
“Existe uma ameaça.”
“E você acha que isso dá a você o direito de decidir tudo por mim.”
“Eu acho que dá a mim a obrigação de manter você viva.”
“Eu estava viva antes de conhecer você.”
A frase o atingiu.
“E talvez estivesse mais segura.”
O silêncio foi imediato.
Bruno desviou o olhar.
Dante ficou imóvel.
Isabela se arrependeu por um segundo.
Mas não retirou.
Porque era verdade.
Ele abriu a porta do carro.
“Vamos.”
“Para onde?”
“Jardim Europa.”
“Eu não moro no Jardim Europa.”
“Eu moro.”
Ela franziu a testa.
“Você mora comigo.”
Dante olhou para ela.
“Também.”
Isabela quase riu.
“Também.”
Era uma palavra pequena para uma mentira enorme.
Ela entrou novamente no carro.
Desta vez não discutiu.
Queria ver.
Queria descobrir quantas partes do marido existiam sem que ela soubesse.
Quando os carros chegaram a São Paulo, já passava da meia-noite.
As ruas estavam mais vazias.
O comboio atravessou os Jardins e entrou em uma região que Isabela conhecia apenas de passagem.
Jardim Europa.
Muros altos.
Árvores antigas.
Casas escondidas.
O primeiro portão de ferro se abriu antes que o carro parasse.
Depois veio outro.
Câmeras acompanharam o veículo.
Dois homens armados estavam próximos à guarita.
Isabela olhou para Dante.
Ele não tentou explicar.
O carro percorreu uma alameda cercada por jardins e parou diante de uma mansão de pedra clara.
Isabela não conseguiu falar.
Não era apenas grande.
Era antiga.
Imponente.
Janelas altas.
Varandas.
Uma fonte no pátio.
Luzes acesas em vários cômodos apesar do horário.
A porta principal se abriu.
Uma mulher de cabelos grisalhos presos em coque apareceu.
Quando Isabela desceu, ela sorriu.
“Finalmente.”
Isabela franziu a testa.
A mulher percebeu a tensão.
Seu sorriso desapareceu.
“Dona Isabela.”
“Você me conhece?”
“Sou Teresa Nogueira.”
Ela olhou para Dante.
“Trabalho com a família desde que ele tinha oito anos.”
Isabela quase respondeu que isso não explicava nada.
Teresa continuou:
“E sim. Eu sei quem a senhora é.”
Outra pessoa.
Mais uma.
Isabela entrou.
O salão principal tinha pé-direito alto, escada dupla, obras de arte e um piano preto perto das janelas.
Sobre um aparador havia fotografias.
Dante criança.
Dante adolescente.
Um homem mais velho que devia ser seu pai.
Uma mulher elegante que Isabela não conhecia.
E, entre elas, uma fotografia que fez seu corpo parar.
Era do casamento civil.
Dela e Dante.
Isabela pegou o porta-retrato.
“Como isso veio parar aqui?”
Dante estava atrás dela.
“Eu trouxe.”
“Quando?”
“No dia em que casamos.”
Ela encarou a fotografia.
“Então este lugar sabia que eu existia.”
“Sim.”
“Teresa sabia.”
“Sim.”
“Bruno sabia.”
“Sim.”
“Marcelo não.”
“Não.”
“Minha família não.”
“Não.”
“E eu não sabia que este lugar existia.”
Dante fechou os olhos por um instante.
“Não.”
Isabela colocou o porta-retrato de volta.
“Impressionante.”
“Isa…”
“Não me chama assim agora.”
Ele assentiu.
Teresa observou os dois.
“Talvez eu prepare alguma coisa para…”
“Não estou com fome.”
Isabela respondeu.
“Claro.”
Teresa se afastou.
Isabela caminhou pelo salão.
Havia uma porta aberta para uma biblioteca.
Outra para uma sala de jantar enorme.
“Quantos funcionários?”
“Na casa?”
“Sim.”
“Dezoito durante o dia. Menos à noite.”
Ela soltou uma risada incrédula.
“E você lavava louça no nosso apartamento.”
Dante quase sorriu.
“Você cozinhava. Parecia justo.”
“Não faz piada.”
“Não estou fazendo.”
Isso era o pior.
Ele realmente lavava louça.
Aquele Dante era real.
A mentira não era que o homem simples não existia.
Era que ele existia junto com tudo aquilo.
“Por que casar comigo?”
A pergunta fez Dante ficar imóvel.
“Porque eu amo você.”
“Não.”
“É a verdade.”
“Não é a pergunta inteira.”
Isabela se virou.
“Você podia ter qualquer mulher desse mundo.”
“Não quero qualquer mulher.”
“Dante.”
Ele se aproximou um pouco.
“Antes de você, quase toda pessoa que entrava na minha vida sabia meu sobrenome antes de saber meu nome.”
“E?”
“Eu nunca sabia o que elas queriam.”
“Então me testou.”
“Não.”
“Mandou Bruno investigar minha vida.”
“Por segurança.”
“Escondeu dinheiro.”
“Sim.”
“Escondeu sua casa.”
“Sim.”
“Escondeu seu trabalho.”
“Parte dele.”
“Escondeu que é chefe de uma máfia.”
Dante ficou quieto.
“E ainda quer dizer que não me testou?”
Ele não respondeu.
Isabela balançou a cabeça.
“Você queria saber se eu amaria um homem pobre.”
“Eu queria saber se você amaria Dante.”
“Dante pobre.”
“Dante sem Montenegro.”
“Isso não existe!”
A voz dela ecoou pelo salão.
“Você é tudo isso.”
Ela apontou ao redor.
“É essa casa. É aquela empresa. São aqueles homens no portão. São as coisas que você faz e não quer me contar.”
Os olhos dela encheram de lágrimas.
“Eu me apaixonei por uma versão editada de você.”
Dante não tentou se defender.
“Tem razão.”
A resposta a desarmou por um instante.
“Eu devia ter contado.”
“Antes do casamento.”
“Sim.”
“Antes de me pedir para confiar em você.”
“Sim.”
“E agora?”
Ele olhou para ela.
“Agora eu conto tudo que puder.”
“Que puder?”
“Existem coisas que colocariam você em mais risco se soubesse.”
Isabela riu.
“Você ainda não entendeu.”
Virou-se e começou a subir a escada.
“Quero um quarto.”
“Nosso quarto fica…”
Ela parou.
“Meu quarto.”
Dante não discutiu.
“Teresa vai mostrar.”
Antes que Isabela chegasse ao topo, a campainha interna tocou.
Bruno apareceu na entrada da biblioteca.
“Dante.”
“Agora não.”
“É sobre Marcelo.”
Isabela parou.
Dante percebeu.
“Fala.”
Bruno entregou uma pasta.
“O acesso dele foi suspenso. Como você pediu.”
Isabela virou-se.
“Você fez isso por causa do casamento?”
“Não.”
“Então por quê?”
Dante abriu a pasta.
“Marcelo já estava sendo investigado.”
“Por quê?”
Bruno respondeu:
“Movimentações internas.”
Dante lançou um olhar para ele.
Bruno calou-se.
Isabela desceu um degrau.
“Que movimentações?”
Dante fechou a pasta.
“Isso é assunto da empresa.”
“Ele é marido da minha irmã.”
“E é exatamente por isso que não vou envolver você.”
Ela ficou olhando.
Então soltou uma risada curta.
“Boa noite, Dante.”
Subiu.
Dessa vez ele não chamou.
---
No quarto de hóspedes, Isabela não dormiu.
Às três e vinte da manhã, levantou.
Abriu a porta.
O corredor estava silencioso.
Desceu para buscar água.
Ao passar pela biblioteca, ouviu vozes.
Dante e Bruno.
“Quanto?”
Dante perguntou.
“Até agora, onze milhões.”
Isabela parou.
“Em quanto tempo?”
“Oito meses.”
“E ninguém viu?”
“Alguém viu. O problema é que apagaram os alertas.”
“Marcelo não tem acesso para isso.”
“Eu sei.”
Silêncio.
Depois Dante:
“Então tem alguém acima dele.”
“Ou alguém usando as credenciais dele.”
“Ricardo?”
“É cedo.”
“Não para de olhar.”
Isabela recuou.
O assoalho rangeu.
As vozes pararam.
Dante apareceu na porta.
Os olhos dos dois se encontraram.
“Não estava ouvindo.”
“Eu sei.”
“Só queria água.”
Ele saiu da biblioteca.
“Eu pego.”
“Eu sei pegar água.”
Por algum motivo, aquilo quase o fez sorrir.
Mas não sorriu.
Na cozinha, Dante colocou um copo diante dela.
Isabela bebeu.
“Onze milhões?”
Ele se apoiou na bancada.
“Você ouviu.”
“Marcelo roubou?”
“Não sei.”
“Valentina sabe?”
“Duvido.”
Isabela colocou o copo na pia.
“Ela pode ser insuportável.”
“Eu percebi.”
Isabela lançou um olhar.
Dante levantou as mãos.
“Desculpa.”
Ela quase sorriu.
Quase.
“Mas ela é minha irmã.”
“Eu sei.”
“Se estiver em perigo…”
“Vou avisar.”
“Promete?”
Dante demorou apenas um segundo.
“Prometo.”
Isabela observou seu rosto.
“Como vou saber quando você está falando a verdade?”
Dessa vez ele não teve resposta.
Ela voltou para o quarto.
---
Na manhã seguinte, Valentina acordou sozinha no hotel da fazenda.
Marcelo não estava.
Havia uma mensagem.
**Preciso resolver isso. Não saia daqui.**
Ela ligou.
Caixa postal.
Ligou novamente.
Nada.
Na terceira tentativa, o telefone dele estava desligado.
Valentina abriu as redes sociais.
Um vídeo do casamento já circulava em grupos privados.
Ela no microfone.
Isabela constrangida.
Dante entrando.
A expressão de Marcelo.
Alguém havia escrito:
**Quando você descobre tarde demais quem é o cunhado.**
Valentina jogou o celular na cama.
Minutos depois, Marcelo estava em uma estrada rumo a São Paulo.
Mas não seguia para o Grupo Montenegro.
Ele dirigiu até um estacionamento subterrâneo nos Jardins.
Parou no terceiro subsolo.
Um homem o esperava ao lado de uma SUV cinza.
Quarenta e poucos anos.
Terno azul-marinho.
Cabelos grisalhos nas têmporas.
Ricardo Sampaio.
“Você está louco?”
Marcelo saiu do carro.
“Ele suspendeu meu acesso.”
Ricardo permaneceu calmo.
“Era esperado.”
“Esperado?”
Marcelo aproximou-se.
“Dante começou a investigar.”
“Ele já investigava.”
Marcelo congelou.
“Você sabia?”
Ricardo sorriu discretamente.
“É por isso que precisamos acelerar.”
“Não.”
Marcelo balançou a cabeça.
“Acabou.”
“Acabou?”
“Eu saio.”
Ricardo deu um passo na direção dele.
“Você não sai.”
“Ele é meu cunhado agora.”
Pela primeira vez, Ricardo perdeu o sorriso.
“Repete.”
“Dante.”
Marcelo respirou fundo.
“Ele se casou com a irmã da Valentina.”
Ricardo ficou imóvel.
“Quando?”
“Quatro meses atrás.”
“E você só descobriu ontem?”
“Ele escondeu.”
Ricardo olhou para o chão.
Depois sorriu novamente.
Mas dessa vez havia algo diferente.
“Interessante.”
Marcelo sentiu um arrepio.
“Não chega perto dela.”
Ricardo ergueu os olhos.
“Eu não disse nada.”
“Eu conheço você.”
“Não.”
Ricardo abriu a porta da SUV.
“Se conhecesse, não estaria aqui.”
Entrou no veículo.
Antes de fechar a porta, olhou novamente para Marcelo.
“Descubra onde ela mora.”
Marcelo empalideceu.
“Não.”
Ricardo sorriu.
“Então eu descubro sozinho.”
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