"Minha Irmã Riu do Meu Marido Pobre… Sem Saber Que Ele Era o Chefe da Máfia" Capítulo 2 — O Homem Que Todos Chamavam de Pobre
“Chefe de quê?”
Valentina fez a pergunta que Isabela não conseguia formular.
Marcelo olhou ao redor.
Dezenas de convidados fingiam não prestar atenção.
Ninguém estava conseguindo.
“Marcelo.”
Valentina agarrou a manga do marido.
“Você disse que ele é seu chefe. Chefe de quê?”
“Não aqui.”
“Foi você quem falou.”
“Eu disse para parar.”
“Parar com quê?”
Marcelo apontou discretamente para Isabela.
“Com isso.”
Valentina ficou vermelha.
“Agora a culpa é minha porque você resolveu transformar uma brincadeira em drama?”
Dante deu um passo na direção de Isabela.
“Vamos.”
Ela recuou.
“Não.”
Ele parou imediatamente.
“Isabela.”
“Eu não vou entrar em carro nenhum até alguém me explicar por que meu marido chegou ao casamento e metade dos homens ricos daqui começou a se levantar.”
Dante permaneceu quieto.
“Por que Marcelo chama você de chefe?”
“Porque eu sou.”
“Da empresa?”
“Sim.”
“Qual empresa?”
O silêncio respondeu antes dele.
Isabela sentiu um frio subir pelos braços.
“Dante.”
“Grupo Montenegro.”
Ela riu.
Não porque fosse engraçado.
Porque era absurdo demais.
“O Grupo Montenegro?”
“Sim.”
“Da Faria Lima?”
“Sim.”
“Dos hotéis Montenegro?”
“Também.”
Valentina soltou o braço de Marcelo.
“Não.”
Dante não olhou para ela.
Isabela continuou:
“Você trabalha para eles?”
“Não.”
“Então o quê?”
“Eu controlo o grupo.”
As palavras pareceram não caber no jardim.
Isabela olhou para ele.
Seu marido continuava igual.
Mesmo cabelo escuro.
Mesmos olhos castanhos quase negros.
A pequena cicatriz perto da sobrancelha esquerda.
O homem que deixava a toalha molhada sobre uma cadeira mesmo depois de ela reclamar.
O homem que sabia que ela odiava coentro.
O homem que fazia café forte demais.
Nada havia mudado.
E, ao mesmo tempo, tudo havia mudado.
“Você controla?”
“Sim.”
Valentina soltou uma gargalhada.
“Isso é ridículo.”
Marcelo virou-se.
“Não é.”
Ela olhou para o marido.
“Você está me dizendo que esse homem…”
Apontou para Dante.
“…é dono da empresa em que você trabalha?”
“Ele é o acionista controlador.”
“Mas você disse que respondia ao conselho.”
“E respondo.”
“Então?”
Marcelo passou a mão pela testa.
“O conselho responde a ele.”
O microfone escorregou dos dedos de Valentina.
Desta vez não houve risada.
O equipamento caiu sobre uma cadeira e produziu um ruído agudo nas caixas de som.
Isabela mal ouviu.
“Por que você mentiu para mim?”
Dante respirou lentamente.
“Eu não menti sobre tudo.”
“Não faça isso.”
“Isabela…”
“Você disse que tinha uma empresa pequena.”
“Eu disse que trabalhava com segurança.”
“Você me mostrou um escritório com seis funcionários.”
“Era um escritório meu.”
“Um dos quantos?”
Dante ficou calado.
Ela riu sem humor.
“Claro.”
Lúcia finalmente se aproximou.
“Filha…”
“Agora não, mãe.”
Lúcia parou.
Isabela raramente falava assim com ela.
Bruno continuava alguns passos atrás, observando tudo sem interferir.
Isabela olhou para ele.
“Você trabalha para Dante?”
“Sim, senhora.”
“Não me chama de senhora.”
Bruno hesitou.
“Desculpe.”
“Há quanto tempo?”
“Onze anos.”
Onze.
Ela estava casada havia quatro meses.
Namorara Dante por pouco mais de um ano.
Aquele homem sabia mais sobre seu marido do que ela provavelmente descobriria em uma década.
“E você sabia de mim?”
Bruno olhou para Dante.
“Responde.”
Dante autorizou com um gesto.
“Sabia.”
“Desde quando?”
“Desde o primeiro encontro de vocês.”
Isabela perdeu o ar por um instante.
“Como?”
Bruno não respondeu.
Ela entendeu.
“Ele mandou investigar minha vida?”
“Isabela.”
Dante tentou se aproximar.
“Não toca em mim.”
Ele parou.
Aquilo pareceu atingi-lo mais do que qualquer coisa dita no casamento.
“Você me investigou?”
“Eu precisava saber quem estava perto de mim.”
“Eu era uma mulher que aceitou tomar café com você.”
“Na minha vida, isso é estar perto.”
Ela balançou a cabeça.
“Eu não sei o que isso significa.”
Dante olhou para os convidados.
“E eu não vou explicar aqui.”
Isabela seguiu seu olhar.
Celulares começavam a aparecer discretamente.
A humilhação inicial havia sido substituída por curiosidade.
Agora ela era outro tipo de espetáculo.
“Ótimo.”
Isabela pegou a bolsa.
“Então eu vou embora sozinha.”
“Não.”
Ela congelou.
Dante percebeu imediatamente o peso da palavra.
Corrigiu:
“Não é seguro.”
“Por quê?”
Outra pausa.
“Por que não é seguro, Dante?”
Ele não respondeu.
Isabela soltou uma risada amarga.
“Mais um segredo.”
Virou-se.
Dante não tentou segurá-la.
“Bruno.”
O segurança se aproximou.
“Leva a dona Lúcia.”
“Eu não preciso…”
Lúcia começou.
“Por favor.”
O tom de Dante não era agressivo.
Mas ninguém discutiu.
Isabela caminhou para a saída.
Dante foi atrás.
Quando passaram pelo arco de flores, ela ouviu Valentina chamar Marcelo.
“Você sabia que sua empresa pertencia a ele e deixou que eu…”
“Eu tentei parar você.”
“Você devia ter me contado!”
“Contado o quê? Que o homem de quem você ria era Dante Montenegro? Eu nem sabia que era marido dela!”
A voz desapareceu conforme Isabela se afastava.
Do lado de fora, uma fileira de carros pretos aguardava.
Não um.
Cinco.
Dois homens abriram espaço quando Dante apareceu.
Isabela parou.
“São seus?”
“Sim.”
“Todos?”
“São da equipe.”
Ela olhou para o sedã preto em que ele costumava buscá-la.
Não estava ali.
“Você escolhia o carro mais barato para me encontrar?”
“Não.”
“Não?”
“Eu escolhia o menos chamativo.”
Aquilo era pior.
“Desde o começo?”
“Sim.”
“Você decidiu representar um personagem para mim desde o começo.”
“Não era personagem.”
“Então o que era?”
Dante aproximou-se lentamente.
“Era a única parte da minha vida que eu conseguia te mostrar sem que meu sobrenome entrasse na sala antes de mim.”
Isabela desviou os olhos.
Por um segundo, doeu porque parecia sincero.
Mas sinceridade atrasada continuava sendo atraso.
“Eu vou para casa.”
“Eu levo você.”
“Para o nosso apartamento.”
Dante ficou imóvel.
Nosso apartamento.
Ela percebeu.
“Não é nosso?”
“É.”
“Está no seu nome?”
“Sim.”
“Quanto custou?”
“Isso importa?”
“Hoje importa.”
Dante não respondeu.
Isabela assentiu.
“Claro.”
Entrou no carro.
Ele sentou ao lado dela.
Bruno foi no veículo da frente.
Durante quase vinte minutos, nenhum dos dois falou.
As luzes da estrada cortavam o interior escuro.
Até que Isabela percebeu que não estavam seguindo para Vila Mariana.
“Esse não é o caminho.”
“Eu sei.”
“Para onde estamos indo?”
“Para um lugar seguro.”
“Eu mandei me levar para casa.”
“Precisamos conversar.”
“Então conversa.”
Dante olhou para o motorista.
Depois apertou um botão.
Um vidro escuro subiu entre os bancos.
Isabela ficou ainda mais incomodada.
“Isso também sempre esteve no carro?”
“Sim.”
“Claro.”
Ele passou a mão pelo rosto.
“Isabela, eu devia ter contado.”
“Quando?”
“Antes de casar.”
“Mas não contou.”
“Não.”
“Por quê?”
Dante demorou.
“Porque você foi a primeira pessoa em muitos anos que não sabia quem eu era.”
“Isso não responde.”
“Responde para mim.”
“Eu não sou você.”
Ele assentiu.
“Eu sei.”
Isabela olhou pela janela.
“Marcelo tem medo de você.”
Dante ficou quieto.
“Não respeito. Medo.”
“Marcelo tem motivos próprios para ficar nervoso.”
“Que motivos?”
“Isso não tem relação com nosso casamento.”
“Tudo hoje parece ter relação com coisas que eu não sei.”
Ele fechou os olhos por um instante.
“Eu tenho negócios que não aparecem nos relatórios do Grupo Montenegro.”
Isabela virou lentamente o rosto.
“Que tipo de negócios?”
Dante não respondeu imediatamente.
O silêncio mudou.
Ela sentiu.
Era diferente do silêncio sobre dinheiro.
“Dante.”
“Minha família existe em São Paulo há muito tempo.”
“Eu sei.”
“Você conhece a parte que aparece nos jornais de economia.”
“E qual parte eu não conheço?”
Ele a encarou.
“Uma que começou muito antes de eu nascer.”
“Não fala em enigmas.”
“Há pessoas que trabalham para mim sem contrato. Há acordos que não passam por conselho administrativo. Há bairros, empresas e homens que procuram meu sobrenome quando existe um problema que eles não querem levar à polícia.”
Isabela sentiu os dedos esfriarem.
“Você está me dizendo…”
“Estou dizendo que o Grupo Montenegro não é tudo.”
Ela ficou em silêncio.
Depois soltou apenas uma palavra:
“Máfia?”
Dante não negou.
Isso bastou.
Isabela abriu a boca, mas nenhum som saiu.
Seu marido.
O homem que fazia café.
Que assistia futebol sem entender por que ela torcia contra o time dele só para irritá-lo.
O homem que dormia com uma mão sobre a cintura dela.
Chefe da Máfia.
“Para o carro.”
“Isabela…”
“Para o carro!”
O motorista olhou pelo retrovisor.
Dante apertou o botão.
“Encosta.”
O veículo parou em uma área segura.
Isabela abriu a porta.
Dante saiu atrás.
“Não chega perto.”
Ele obedeceu.
“Você se casou comigo sabendo que eu não sabia nada disso.”
“Sim.”
“Você olhou para mim no cartório e deixou que eu assinasse.”
A voz dela falhou.
“Sim.”
“Você me tirou a escolha.”
Dante ficou pálido.
Aquela frase encontrou um lugar que as outras não haviam encontrado.
“Eu achei que estava protegendo você.”
“Não.”
Isabela balançou a cabeça.
“Você estava protegendo a chance de eu continuar amando você.”
Ele não conseguiu responder.
“Se tivesse me contado no primeiro encontro, eu teria ido embora.”
“Eu sei.”
“Então você esperou até eu amar você.”
Dante baixou os olhos.
Aquilo foi uma resposta.
Isabela sentiu lágrimas queimarem novamente.
“Isso é cruel.”
“Eu sei.”
“Não, você não sabe.”
Um carro preto parou atrás deles.
Bruno desceu.
Não se aproximou.
Dante respirou fundo.
“Eu não vou pedir que você me perdoe hoje.”
“Ótimo.”
“Mas você não pode voltar para o apartamento.”
“Por quê?”
“Porque agora que nossa relação foi exposta…”
Ele parou.
“Agora o quê?”
Dante olhou para Bruno.
Bruno confirmou algo silenciosamente.
Então Dante voltou a encará-la.
“Agora as pessoas que me odeiam sabem exatamente quem você é.”
---
A festa em Atibaia já não parecia um casamento.
Valentina estava trancada na suíte da noiva.
Marcelo andava de um lado para outro.
“Para de andar!”
Ele parou.
“Você mentiu para mim.”
Valentina chorava de raiva.
“Sobre o quê?”
“Você sempre disse que era um dos homens mais importantes do Grupo Montenegro.”
“Eu sou diretor de operações.”
“Mas ele manda em você.”
Marcelo soltou uma risada amarga.
“Dante Montenegro manda em todo mundo naquele prédio.”
“Então por que nunca falou dele?”
“Porque gente inteligente não sai falando de Dante Montenegro.”
Valentina ficou em silêncio.
Marcelo pegou o paletó.
“Precisamos voltar para São Paulo.”
“Na nossa lua de mel?”
“Esquece a lua de mel.”
“Você ficou louco?”
Ele se virou.
“Você humilhou a esposa de Dante Montenegro na frente de duzentas pessoas.”
“Ela é minha irmã!”
“Isso não melhora!”
Valentina empalideceu.
“Ele vai fazer alguma coisa comigo?”
Marcelo olhou para ela.
“Não é você que me preocupa.”
“Então quem?”
“Eu.”
O celular dele vibrou.
Marcelo olhou a tela.
Uma notificação corporativa.
Ele abriu.
Ficou imóvel.
“Que foi?”
Valentina levantou.
Marcelo atualizou a tela.
Depois de novo.
Seu acesso ao sistema executivo do Grupo Montenegro havia sido suspenso.
“Marcelo?”
Ele ergueu os olhos.
“Ele já começou.”
---
No carro, Isabela ainda encarava Dante.
“Quem me odeia?”
Ele respondeu sem desviar o olhar.
“Pessoas que não precisam odiar você.”
“Isso não faz sentido.”
“Precisam apenas saber que eu amo você.”
O coração dela apertou.
Não pela declaração.
Pelo medo nos olhos dele ao dizê-la.
Era a primeira vez naquela noite que Dante Montenegro parecia realmente assustado.
Não por Marcelo.
Não pelos convidados.
Por ela.
Bruno se aproximou.
“Dante.”
O tratamento havia mudado.
Não senhor Montenegro.
Dante.
“Fala.”
“Temos um problema.”
Bruno entregou o celular.
Na tela havia uma fotografia tirada naquela mesma noite.
Isabela na festa.
Sozinha.
Um círculo vermelho havia sido desenhado ao redor dela.
Abaixo, uma mensagem de número desconhecido:
**Então essa é a Senhora Montenegro.**
Isabela sentiu o sangue gelar.
Dante bloqueou a tela.
Quando levantou os olhos, sua voz estava baixa.
“Agora você entende por que não pode voltar para casa.”
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 10 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4