"Minha Irmã Riu do Meu Marido Pobre… Sem Saber Que Ele Era o Chefe da Máfia" Capítulo 1 — “Esse é o meu chefe.”
“Essa é minha irmã.”
A voz de Valentina Oliveira Martins atravessou o jardim iluminado da Fazenda Santa Helena, em Atibaia, e fez quase duzentas pessoas virarem o rosto ao mesmo tempo.
Isabela sentiu o estômago apertar.
A irmã estava no centro da pista de mármore, ainda com o buquê de rosas brancas em uma das mãos e um microfone dourado na outra.
O casamento parecia uma fotografia de revista.
Luzes amareladas pendiam sobre as mesas. Taças de champanhe brilhavam. Arranjos de rosas cobriam o altar, e garçons de luvas brancas circulavam entre empresários, médicos, advogados e famílias conhecidas de São Paulo.
Valentina estava exatamente onde sempre quis estar.
No centro de tudo.
“Valentina, não.”
Isabela falou baixo, mas a irmã ouviu.
E sorriu.
“Ela sempre foi a romântica da família.”
Algumas pessoas riram.
Isabela apertou a pequena bolsa contra o corpo.
Seu vestido branco era simples. Bonito, mas sem grife. Custara menos que um dos arranjos de flores daquela festa.
Valentina olhou para Marcelo Ferraz, seu recém-marido.
Ele ergueu a taça, desconfortável.
“Amor, talvez seja melhor…”
“Ah, deixa.”
Valentina riu.
O champanhe já havia deixado suas bochechas rosadas.
“Todo mundo conhece a história da irmã mais velha bem-sucedida. Mas ninguém conhece a melhor parte da nossa família.”
Ela apontou para Isabela.
“Minha irmã se casou com um homem sem dinheiro.”
A risada foi maior dessa vez.
Não veio de todos.
Mas veio de gente suficiente.
Isabela sentiu o rosto queimar.
Na mesa mais próxima, duas mulheres trocaram olhares. Um homem levou a taça à boca para esconder o sorriso.
Lúcia, mãe das duas, levantou-se parcialmente.
“Valentina…”
“Estou brincando, mãe.”
“Não parece.”
Isabela respondeu antes que Lúcia pudesse fazê-lo.
A irmã arqueou uma sobrancelha.
“Você ficou ofendida?”
“Você pegou um microfone para falar da minha vida no seu casamento.”
“Porque eu amo você.”
“Então abaixa o microfone.”
O sorriso de Valentina vacilou.
Por apenas um segundo.
Depois voltou maior.
“Isabela sempre foi assim. Defende o marido com unhas e dentes.”
Outro grupo riu.
Isabela respirou fundo.
Dante não merecia aquilo.
Quando o conhecera, pouco mais de um ano antes, ele nunca fingira ser rico.
Dissera que tinha uma pequena empresa de segurança.
Usava relógio simples.
Dirigia um sedã preto discreto.
No primeiro encontro, levou Isabela a um restaurante pequeno na Vila Mariana, onde as mesas ficavam tão próximas que eles ouviam a conversa do casal ao lado.
Ela gostara disso.
Gostara principalmente dele.
Dante não tentava impressioná-la.
Não falava sobre dinheiro.
Não perguntava quanto ela ganhava.
Quando Isabela reclamava do trabalho, ele ouvia.
Quando Lúcia ficou doente por alguns dias, Dante apareceu com sopa e ficou sentado na cozinha até quase meia-noite.
Quando se casaram discretamente no civil, quatro meses antes, ele só perguntou uma coisa.
“Tem certeza?”
Ela tinha.
Ainda tinha.
“Ele trabalha.”
Isabela encarou a irmã.
“E eu nunca pedi que fosse rico.”
Valentina soltou uma risadinha.
“Eu sei. Esse é justamente o problema.”
Marcelo tocou o braço da esposa.
“Valentina, chega.”
Ela puxou o braço.
“Por quê? Agora ninguém pode brincar?”
Então seus olhos passaram por cima do ombro de Isabela.
Seu sorriso mudou.
“Olhem.”
Valentina apontou para o início do corredor coberto de flores.
“Falando nele…”
Isabela virou-se.
Um homem acabara de atravessar o arco de entrada.
Dante.
O alívio veio primeiro.
Depois a irritação.
Ele havia prometido chegar antes da cerimônia, mas uma reunião de última hora o atrasara.
Dante Vasconcelos Montenegro caminhava sozinho.
Terno preto.
Camisa branca.
Gravata escura.
Nenhum acessório chamativo.
Nenhuma pressa.
Ainda assim, algo aconteceu com o ambiente.
As conversas próximas diminuíram.
Um garçom parou por um instante.
Um homem mais velho perto do bar estreitou os olhos como se tentasse ter certeza do que estava vendo.
Dante continuou caminhando.
Calmo.
Seus olhos estavam apenas em Isabela.
Ela percebeu quando ele viu seu rosto.
O sorriso discreto que trazia desapareceu.
Valentina não percebeu.
“Esse é o famoso marido.”
Ela ainda estava com o microfone perto da boca.
“Dante, chegamos à conclusão de que minha irmã realmente não se importa com dinheiro.”
Dante diminuiu o passo.
Isabela fechou os olhos por um instante.
“Valentina, chega.”
Foi então que ouviu um barulho atrás dela.
Vidro batendo contra mármore.
Marcelo havia deixado a taça escapar.
Ela se partiu perto do sapato dele.
“Marcelo?”
Valentina olhou para o marido.
O homem estava branco.
Não pálido de vergonha.
Branco.
Os dedos tremiam.
“Amor?”
Marcelo não respondeu.
Seus olhos permaneciam presos em Dante.
Dante estava a poucos metros agora.
Um casal sentado perto do corredor se levantou.
Depois outro homem fez o mesmo.
Valentina finalmente percebeu.
“Que foi?”
Marcelo engoliu em seco.
“Por que ele está aqui?”
“Quem?”
Marcelo olhou para a esposa como se ela tivesse feito a pergunta mais absurda da noite.
“Ele.”
Valentina soltou uma risada nervosa.
“Porque ele é marido da minha irmã.”
Marcelo voltou a encarar Dante.
“Marido?”
A palavra quase não saiu.
“Sim.”
“Da Isabela?”
“Você está passando mal?”
Marcelo deu um passo para trás.
Dante chegou até Isabela.
Não cumprimentou ninguém.
Primeiro olhou para ela.
Depois para seus olhos molhados.
“Você chorou.”
Não foi uma pergunta.
“Estou bem.”
Dante ergueu a mão e passou o polegar delicadamente abaixo do olho dela.
“Não está.”
Isabela segurou seu pulso.
“Depois.”
Ele entendeu.
Então olhou ao redor.
Os convidados que riam poucos segundos antes estavam em silêncio.
“Dante…”
Marcelo finalmente conseguiu falar.
Dante virou o rosto.
Não sorriu.
“Marcelo.”
O noivo ficou imediatamente ereto.
Foi automático.
Quase militar.
Valentina olhou de um para o outro.
“Vocês se conhecem?”
Nenhum dos dois respondeu de imediato.
“Marcelo?”
Ela tocou o braço dele.
“De onde você conhece o marido da Isabela?”
Marcelo respirou fundo.
“Do trabalho.”
Valentina piscou.
“Trabalho?”
Então riu, aliviada.
“Ah! Então é isso.”
Ela olhou para Isabela.
“Viu? O mundo é pequeno. Talvez a empresa de segurança dele preste serviço para vocês.”
Marcelo fechou os olhos.
“Valentina.”
“O quê?”
“Cala a boca.”
O sorriso dela morreu.
“Como é?”
“Só… cala a boca.”
Foi a primeira vez, em toda a noite, que Marcelo falou com ela daquele jeito.
Valentina baixou lentamente o microfone.
“Quem é ele?”
Marcelo não respondeu.
Ela apertou seu braço.
“Marcelo. Quem é ele?”
Dante continuava ao lado de Isabela.
A mão dele agora repousava suavemente nas costas da esposa.
Marcelo olhou para aquele gesto.
Depois para Isabela.
Uma compreensão ainda pior atravessou seu rosto.
Ele sabia quem Dante era.
Mas aparentemente não sabia que Dante era casado.
“Você nunca me disse…”
Marcelo murmurou.
Isabela franziu a testa.
“Disse o quê?”
Marcelo apontou para Dante.
“Que seu marido era ele.”
Valentina perdeu a paciência.
“Ele quem?”
O silêncio que veio em seguida pareceu engolir a música.
Marcelo passou a mão pelo rosto.
“Valentina…”
“Fala.”
“Esse homem…”
Ele olhou novamente para Dante.
“…é o meu chefe.”
Valentina ficou imóvel.
Isabela também.
“Seu chefe?”
A voz dela saiu mais baixa.
Marcelo era diretor de operações de um dos maiores conglomerados privados de São Paulo.
Ele passara meses contando à família que respondia apenas ao conselho executivo.
Valentina sempre repetia isso.
Meu marido manda em milhares de funcionários.
Meu marido entra onde quiser na Faria Lima.
Meu marido trabalha diretamente com gente que aparece na capa de revista.
Isabela olhou para Dante.
“Você disse que tinha uma empresa de segurança.”
“Eu tenho.”
“Então por que Marcelo está dizendo que você é chefe dele?”
Dante não respondeu.
Valentina soltou uma risada curta e incrédula.
“Marcelo deve estar confundindo.”
Ninguém acompanhou.
Um empresário grisalho, três mesas atrás, aproximou-se.
“Senhor Montenegro.”
Ele fez um cumprimento discreto com a cabeça.
Dante respondeu da mesma maneira.
Valentina ouviu o sobrenome.
Montenegro.
Sua expressão mudou.
Isabela sentiu o coração acelerar.
Conhecia aquele nome.
Todo mundo em São Paulo conhecia.
Grupo Montenegro.
Imóveis.
Logística.
Segurança.
Tecnologia.
Hotéis.
Participações em dezenas de empresas.
Mas não fazia sentido.
Seu marido se chamava Dante Montenegro.
Existiam milhares de Montenegros.
Precisava ser coincidência.
Valentina olhou para Marcelo.
“Não.”
Marcelo não conseguiu encará-la.
“Marcelo…”
“Eu tentei mandar você parar.”
“Não.”
Ela começou a respirar mais rápido.
Dante, porém, não parecia interessado na humilhação de Valentina.
Ele olhou para Isabela.
“Quer ir embora?”
Ela encarou o homem com quem dormira todas as noites nos últimos quatro meses.
De repente, não sabia o que estava vendo.
“Eu quero saber o que está acontecendo.”
Dante assentiu uma vez.
“Vai saber.”
Marcelo deu um passo para a frente.
“Senhor Montenegro, eu não sabia que Isabela era…”
Dante virou o rosto.
Marcelo parou.
“Era o quê?”
“Nada.”
“Termina.”
Marcelo engoliu em seco.
“Eu não sabia que ela era sua esposa.”
Dante olhou para o microfone ainda na mão de Valentina.
Depois para os convidados.
Depois novamente para Marcelo.
Sua voz permaneceu baixa.
Foi justamente isso que fez Marcelo tremer ainda mais.
“Você estava aqui?”
“Sim.”
“Ouviu?”
Marcelo não respondeu.
Dante repetiu:
“Você ouviu sua esposa humilhar a minha?”
Valentina finalmente reagiu.
“Ei, eu não humilhei ninguém. Foi uma brincadeira.”
Dante sequer olhou para ela.
Continuou encarando Marcelo.
“Ouviu?”
Marcelo baixou os olhos.
“Ouvi.”
Isabela tocou o braço de Dante.
“Dante.”
Ele olhou imediatamente para ela.
A dureza desapareceu por um segundo.
“Não faça nada.”
“Eu não vou fazer nada.”
“Promete?”
Antes que ele respondesse, um homem alto, negro, de terno escuro atravessou discretamente o jardim.
Isabela nunca o tinha visto.
Mas Marcelo claramente conhecia.
O homem parou a dois passos deles.
“Senhor Montenegro.”
Dante fez um pequeno gesto.
“Bruno.”
“O carro está pronto.”
Isabela ficou olhando para os dois.
Senhor Montenegro.
Marcelo tremendo.
Homens importantes se levantando.
Dante sendo tratado como se sua presença mudasse as regras do lugar.
Tudo o que ela acreditava saber começou a desmontar.
Dante estendeu a mão para ela.
“Vamos para casa.”
Isabela não segurou.
“Qual casa?”
Ele ficou em silêncio.
Ela recuou um passo.
“Quem é você?”
Dante sustentou seu olhar.
Mas antes que pudesse responder, Marcelo falou atrás deles:
“Isabela…”
Ela virou-se.
Marcelo parecia genuinamente assustado.
“Você realmente não sabe?”
O coração dela bateu mais forte.
Dante fechou a mandíbula.
Isabela olhou novamente para o próprio marido.
“Não sei o quê?”
E, pela primeira vez desde que o conhecia, Dante não encontrou uma resposta simples para lhe dar.
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