"A Filha da Empregada Fez o Chefe da Máfia Rir… Então Revelou o Segredo do Irmão Morto" Capítulo 5 — O Homem Que Mandou Matar Gabriel
“Se ele tocar na minha filha, eu mesma o mato.”
Clara tentou correr para a escada, mas Dante segurou seu braço.
“E vai chegar até ela como? A pé?”
“Solte-me.”
“Quando eu tiver um carro blindado e homens suficientes.”
“Foi a sua segurança que deixou Otávio entrar.”
A acusação acertou Dante em cheio. Ele soltou Clara e virou-se para Rafael.
“Quanto tempo para reativar o portão?”
“Três minutos. Mas Otávio não saiu por ele. Há um túnel de serviço sob a garagem antiga.”
Dante o encarou.
“Esse túnel foi fechado pelo meu pai.”
“Foi o que todos pensavam.”
Rafael abriu no tablet uma planta da mansão. Um corredor estreito ligava o depósito a uma propriedade vazia na rua de trás.
“Otávio reformou a casa vizinha no mês passado usando uma empresa terceirizada.”
Clara entendeu. O tio não improvisara o sequestro. Preparara uma saída antes mesmo de Nina revelar o relógio.
Dante enviou duas equipes à rua de trás. Outra seguiria para o quilômetro indicado na Rodovia Anchieta. Rafael insistiu em conduzir o primeiro carro.
“Você não sai da minha vista”, disse Dante.
“Eu não pretendia.”
Clara vestiu um colete por cima da blusa de uniforme. Dante tentou mandá-la permanecer na mansão.
“Nina vai procurar por mim quando sentir medo.”
“É exatamente por isso que Otávio quer você lá.”
“Então ele conseguiu.”
Os carros deixaram Jardim Europa sob chuva forte. Dentro do veículo, Clara segurava o relógio de Gabriel. Os ponteiros continuavam em 17h17.
Dante observou a peça.
“Não é horário. É o número do marco de emergência.”
Na Rodovia Anchieta, cada trecho possuía placas menores usadas por equipes de manutenção. Rafael confirmou que o ponto 17/17 ficava a quatrocentos metros do local do acidente.
“Há uma estrada lateral”, disse. “Leva a um posto de pesagem desativado.”
Quando se aproximaram, Dante ordenou que os faróis fossem apagados. Os carros avançaram pela via de terra até uma construção baixa, cercada por caminhões abandonados.
Clara viu a boneca francesa caída na lama.
“Ela está aqui.”
Dante segurou seu ombro.
“Você fica atrás de mim.”
“Eu fico onde Nina puder me ver.”
Uma lâmpada acendeu no posto. A voz de Otávio saiu por um alto-falante.
“Vieram todos. Até o cachorro arrependido.”
Rafael ergueu os olhos para o telhado.
“Há câmeras.”
“Deixem as armas no chão”, ordenou Otávio. “Clara entra sozinha com o relógio e a chave do armário.”
Dante respondeu olhando diretamente para a câmera.
“Mostre Nina.”
Uma porta lateral abriu. Um homem mascarado apareceu segurando a menina. Nina estava de pijama, com o rosto molhado de lágrimas, mas consciente.
“Mamãe!”
Clara deu um passo. Dante a conteve.
“Eu estou aqui, meu amor.”
“O homem bravo quebrou meu telefone.”
“Você vai ganhar outro.”
Nina apontou para o sequestrador.
“Ele não é bravo. Ele está com medo.”
O homem apertou o braço dela. Dante deixou a arma no chão, mas manteve o corpo entre Clara e o galpão.
“Otávio, você quer as ações de Gabriel. A menina viva vale mais do que morta.”
“Finalmente aprendeu a pensar antes de destruir.”
Clara reconheceu o orgulho na voz. Otávio não se via como criminoso. Via-se como o homem que corrigia os erros da família.
“Por que Gabriel teve de morrer?”, ela gritou.
“Porque confundiu bondade com competência.”
Dante ficou imóvel.
Não era uma confissão completa, mas era suficiente para acabar com a última dúvida.
Otávio continuou:
“Seu irmão queria entregar vinte anos de negócios às autoridades. Ia destruir milhares de empregos e o nome que seu pai construiu. Eu tentei fazê-lo compreender.”
“Você sabotou o carro dele.”
“Eu preservei a família.”
Clara sentiu a raiva vencer o medo.
“Você matou o pai da minha filha.”
“Gabriel escolheu morrer quando roubou os arquivos.”
Rafael moveu discretamente a mão para trás. Dante percebeu e começou a falar mais alto, mantendo Otávio concentrado.
“Solte Nina. Eu transfiro as ações quando o reconhecimento da paternidade terminar.”
“Você não pode transferir o que pertence a ela.”
“Posso garantir que Clara assine.”
“Não posso, não”, Clara respondeu.
Dante lançou-lhe um olhar duro. Ela entendeu que deveria fingir, mas já era tarde.
Otávio riu.
“Foi isso que Gabriel viu nela. Uma coragem inútil.”
O alto-falante se calou. O sequestrador começou a recuar com Nina.
Nesse instante, todas as luzes se apagaram.
Rafael havia acionado o bloqueador preso sob o colete. Dante avançou antes do primeiro grito. Um disparo atingiu a parede, outro quebrou uma janela.
Clara correu em direção à voz da filha.
“Mamãe!”
O sequestrador puxou Nina para dentro, mas a menina mordeu sua mão. Ele gritou e afrouxou os dedos.
Clara alcançou a filha, jogou-se sobre ela e rolou atrás de uma pilha de pneus. Dante derrubou o homem com um golpe e tomou sua arma.
Quando as lanternas se acenderam, Otávio não estava no galpão.
Havia escapado por uma passagem sob a balança de caminhões.
Rafael ajoelhou-se diante do sequestrador capturado. Retirou sua máscara e o reconheceu como Sérgio Leme, ex-motorista de Otávio.
“Diga onde ele foi.”
Sérgio olhou para Dante e percebeu que o chefe não precisava fazer ameaças.
“Ele vai para o hangar em Jundiaí. O avião sai antes do amanhecer.”
“E as provas de Gabriel?”
“Otávio nunca encontrou. Só sabia que a mulher tinha a chave.”
Nina chorava agarrada ao pescoço da mãe. Dante se aproximou devagar.
“Ela está ferida?”
Clara verificou braços, rosto e pernas.
“Não.”
Nina estendeu uma mão para o tio.
“Você demorou.”
Dante caiu de joelhos na lama e a abraçou. Não tentou esconder o tremor.
“Desculpe. Não vou demorar de novo.”
Nina tocou o corte na mão dele.
“Meu papai também prometeu voltar.”
Dante fechou os olhos por um instante.
“Eu sei.”
“Ele não conseguiu.”
“Não.”
“Então você precisa de ajuda.”
A menina pegou a mão de Clara e colocou sobre a do tio. Clara quis se afastar, mas Dante a segurou apenas o suficiente para que Nina se acalmasse.
“Sua mãe foi a pessoa mais corajosa aqui”, disse ele.
“Eu mordi o homem.”
“Você também foi corajosa. Mas da próxima vez, corre primeiro e morde depois.”
Nina concordou com solenidade. Clara percebeu que Dante não tratava a menina como herdeira nem como símbolo do irmão. Tratava-a como alguém que ele já temia perder.
Sérgio, sentado contra a parede, pediu proteção para a esposa. Disse que Otávio guardava uma lista de famílias usadas para chantagear funcionários.
“Ele nunca ameaça o homem”, explicou. “Ameaça a pessoa que o homem não suporta perder.”
Clara olhou para Rafael. Pela primeira vez, compreendeu como alguém leal podia ser transformado em cúmplice sem deixar de ser responsável pelas próprias escolhas.
Dante gravou a declaração de Sérgio e enviou cópias para Camila antes que qualquer policial chegasse.
“Otávio comprou gente demais”, disse. “A partir de agora, nenhuma prova existe em um lugar só.”
De volta à mansão, uma delegada de confiança indicada pela advogada Camila Nogueira interrogou Sérgio. Ele confirmou que Otávio mandara sabotar o carro de Gabriel e localizar Clara, mas disse desconhecer o nome do mecânico pago.
Às quatro da manhã, Camila chegou com uma cópia lacrada do testamento de Gabriel, registrada num cartório de Santos dois dias antes da morte.
Gabriel reconhecia qualquer filho concebido com Clara Azevedo e destinava a ele todas as suas ações.
“Nina controla trinta por cento do Grupo Montenegro”, explicou Camila. “Com os quarenta por cento de Dante, vocês podem impedir qualquer decisão de Otávio.”
Rafael entrou no escritório.
“O avião partiu vazio. Otávio nunca chegou ao hangar.”
Então as portas se abriram.
Otávio apareceu atrás de Rosa, pressionando uma arma contra o corpo da governanta. Ninguém entendera como voltara à casa.
“O túnel tem duas saídas”, disse ele. “Seu pai sempre gostou de alternativas.”
Dante levantou-se lentamente.
“Solte Rosa.”
“Quando Clara entregar a chave.”
Rafael moveu a mão para a cintura.
“Não faça isso”, avisou Otávio. “Você já falhou com um irmão. Não precisa falhar com o outro.”
Clara olhou para Rafael.
Otávio sorriu.
“Ela ainda não sabe? Rafael estava com Gabriel na estrada. Foi ele quem retirou o relógio do carro antes de deixá-lo morrer.”
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