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"A Filha da Empregada Fez o Chefe da Máfia Rir… Então Revelou o Segredo do Irmão Morto" Capítulo 4 — A Voz do Morto

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Clara atravessou a porta da mansão antes de o carro parar por completo.

Rosa esperava no vestíbulo com Nina nos braços e a fotografia dentro de um saco transparente. Dante veio logo atrás, seguido por Rafael e quatro seguranças.

“Onde ela encontrou isso?”, perguntou Clara.

Nina apontou para o corredor.

“O papai mostrou.”

“Seu pai não está aqui, meu amor.”

“A voz dele está.”

Dante agachou-se.

“Mostre para mim.”

A menina escapou dos braços de Rosa e correu até o antigo escritório de Gabriel. O cômodo permanecera fechado desde o funeral, mas a porta estava entreaberta.

Dante parou no limiar.

Livros, discos e uma jaqueta azul ainda estavam nos mesmos lugares. Uma fina camada de poeira cobria a mesa, exceto por uma pequena marca circular perto da luminária.

“Quem abriu esta porta?”, ele perguntou.

Rosa balançou a cabeça.

“A chave fica no seu cofre.”

Rafael examinou a fechadura.

“Não foi forçada.”

Nina caminhou até a estante e puxou um livro sobre carros antigos. Atrás dele havia um pequeno alto-falante ligado a outro transmissor preto.

“Foi daqui”, disse a menina. “O papai falou: ‘Nininha, olha atrás do quadro’.”

Clara perdeu o equilíbrio. Gabriel chamava a filha de Nininha nos vídeos que gravara durante a gravidez, antes de saber se seria menino ou menina.

“Alguém reproduziu uma gravação”, concluiu Rafael. “E sabia que ela estava sozinha.”

Atrás de um quadro de família, encontraram um envelope pardo e a fotografia. Nela, Clara estava com seis meses de gravidez, abraçada a Gabriel diante de uma pousada em Campos do Jordão.

Ela nunca vira aquela imagem. Alguém os fotografara à distância.

No verso, a frase parecia escrita por Gabriel: “Se alguma coisa acontecer comigo, foi meu tio.”

Dante comparou a caligrafia com o bilhete do relógio.

“É dele.”

“Você tem mais de um tio?”, Clara perguntou.

“Tive dois. Um morreu quando éramos adolescentes.”

Otávio era o único restante.

Rafael fechou as cortinas.

“Pode ser uma falsificação preparada para nos colocar contra ele.”

“Ou pode ser a razão de alguém tentar matar Clara há menos de uma hora”, disse Dante.

Dentro do envelope havia um cartão de memória e um comprovante de guarda-volumes da Rodoviária do Tietê. O armário indicado era 17-B.

A chave encontrada no apartamento servia nele.

Clara segurou o cartão.

“Gabriel espalhou as pistas para ninguém conseguir tudo de uma vez.”

“E usou você como último elo”, respondeu Dante.

“Sem me contar o que eu carregava.”

“Talvez quisesse que você pudesse negar.”

Dante pediu um notebook sem conexão com a internet. Rafael inseriu o cartão, verificou os arquivos e encontrou apenas um áudio de onze minutos.

O som começou com respiração acelerada e chuva batendo contra alguma superfície metálica.

Então a voz de Gabriel preencheu o escritório.

“Clara, se você está ouvindo isto, eu falhei em voltar.”

Ela cobriu a boca. Nina olhou ao redor, procurando o pai.

“Não sei quanto tempo tenho. Descobri desvios nas empresas do grupo, rotas usadas para armas e pagamentos a policiais. Não foi Dante quem autorizou. Alguém está usando a assinatura dele e preparando provas para culpá-lo.”

正文1

Dante apoiou as mãos na mesa.

“Eu tentei falar com meu irmão”, continuou Gabriel. “Mas havia gente observando. O homem por trás disso faz parte da família. Eu o chamo de Tio nos arquivos porque nomes completos ativam o sistema que ele monitora.”

Rafael aumentou o volume.

“A prova principal está no armário 17-B. Clara tem a chave. Dante conhece a senha, mesmo que não saiba. É a frase que nosso pai dizia quando apagava as luzes.”

Dante fechou os olhos.

“Nenhum Montenegro teme o escuro”, sussurrou.

O áudio prosseguiu.

“Se Clara estiver grávida, proteja as duas. Minha filha terá direito às minhas ações. É por isso que vão caçá-la. E, Dante, se você ouvir isto, não procure vingança antes da verdade. Foi esse erro que ele planejou para você.”

Um ruído de porta apareceu na gravação.

Gabriel começou a falar mais depressa.

“Há mais uma coisa. Rafael estava na estrada naquela noite. Ele sabe que meu carro foi…”

O áudio se transformou em estática.

Todos olharam para Rafael.

O chefe de segurança não negou.

“Eu posso explicar.”

Dante atravessou o espaço e o empurrou contra a estante.

“Você me disse que chegou depois da polícia.”

“Porque Gabriel me fez prometer.”

“Meu irmão morreu, e você guardou uma promessa por quatro anos?”

“Eu guardei Nina viva!”

A revelação paralisou Clara.

“Você sabia?”

Rafael olhou para ela, culpado.

“Não sabia onde estavam. Eu apagava rastros quando alguém chegava perto. Matrícula, cadastro médico, consultas. Foi por isso que vocês conseguiram desaparecer tantas vezes.”

“E foi você quem colocou o transmissor no brinquedo?”

“Não.”

Rafael retirou o próprio telefone do bolso e mostrou uma sequência de relatórios anônimos. Havia alertas sobre homens procurando uma grávida em Campinas, consultas ao CPF de Clara em Santos e fotografias de carros estacionados perto de antigos endereços.

“Durante quatro anos, toda vez que alguém chegava perto, eu criava uma pista falsa”, disse. “Mandei registros para cidades onde vocês nunca estiveram. Mas há três semanas o sistema parou de aceitar meus comandos.”

“Quando eu comecei a trabalhar aqui”, Clara concluiu.

“Alguém dentro da casa reconheceu você antes de Dante.”

Rosa apertou o molho de chaves.

“Na primeira semana, o senhor Otávio pediu a lista dos novos funcionários. Disse que era para a seguradora.”

Dante e Clara trocaram um olhar. A contratação que parecera acaso talvez tivesse sido a armadilha que finalmente os reunira.

Um alarme cortou a discussão.

As luzes apagaram. Portas de aço desceram sobre as janelas, e uma voz automática anunciou falha no sistema de segurança.

Dante soltou Rafael e puxou Clara para perto da parede.

“Onde está Nina?”

Ela olhou para o lugar onde a filha estivera segundos antes.

Vazio.

“Nina!”

Um estampido ecoou no corredor. Depois outro.

Rafael sacou a arma e falou no rádio, mas só recebeu estática. Dante abriu a porta do escritório e encontrou um segurança desacordado.

No painel de emergência, três setores apareciam verdes apesar da falta de energia. Rafael reconheceu a assinatura do ataque: alguém utilizara um código antigo, criado antes de Dante assumir a chefia da família.

“Só quatro pessoas conheciam essa sequência”, disse.

“Quantas estão vivas?”, perguntou Clara.

“Duas. Eu e Otávio.”

Dante verificou o pulso do homem caído. Ele respirava, mas havia no pescoço uma marca de agulha. Os invasores não tinham entrado para iniciar uma guerra. Tinham vindo preparados para retirar uma criança sem matar quem pudesse denunciar o método.

“Fechem as garagens e bloqueiem a rua”, ordenou. “Ninguém cruza o portão.”

No tapete havia uma boneca francesa.

A mesma que Otávio levara naquela manhã.

Clara correu até o quarto da filha. A cama estava vazia, a janela aberta e a cortina balançava com o vento.

Uma das grades externas fora removida.

Sobre o travesseiro, alguém deixara o relógio de Gabriel, embora Dante o tivesse guardado no cofre.

Os ponteiros, antes parados, agora marcavam 17h17.

O telefone de Dante tocou.

Número oculto.

Ele atendeu no viva-voz.

Primeiro veio a respiração de Nina.

Depois, a voz calma de Otávio.

“Você sempre protegeu o sangue errado, Dante.”

Clara arrancou o aparelho da mão dele.

“Onde está minha filha?”

Otávio riu.

“A caminho do lugar onde Gabriel deveria ter deixado o segredo morrer.”

A ligação terminou.

Dante pegou o relógio sobre a cama e apertou a coroa. A tampa abriu, revelando o bilhete de Gabriel.

No verso do papel, uma tinta antes invisível começava a escurecer com o calor de sua mão.

Era um endereço na Rodovia Anchieta.

O mesmo quilômetro em que Gabriel Montenegro havia morrido.

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