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"A Filha da Empregada Fez o Chefe da Máfia Rir… Então Revelou o Segredo do Irmão Morto" Capítulo 2 — Três Anos e Oito Meses

正文开头

Clara puxou Nina para trás do próprio corpo.

“Ela não viveu escondida na sua casa. Eu comecei a trabalhar aqui há três semanas.”

“Você sabia quem eu era.”

“Todo mundo em São Paulo sabe quem você é.”

“Não foi isso que eu perguntei.”

Dante colocou o relógio sobre a mesa, com cuidado demais para alguém cuja mão tremia. O metal parecia ocupar o centro de toda a sala.

Nina espiou por trás da saia da mãe.

“Você está bravo porque peguei sua gravata?”

Dante respirou fundo. Quando respondeu, sua voz mudou.

“Não, pequena. Estou bravo porque os adultos mentiram.”

“Mamãe diz que mentira deixa a barriga pesada.”

“A sua mãe tem razão.”

Clara sentiu o julgamento antes de ele voltar os olhos para ela.

“Rosa!”, Dante chamou.

A governanta entrou quase imediatamente, como se estivesse ouvindo atrás da porta.

“Leve Nina para comer alguma coisa na cozinha.”

“Minha filha fica comigo.”

“Clara, ela não precisa ouvir o que eu vou perguntar.”

“E eu não preciso responder.”

Dante deu um passo adiante. O rosto dele permaneceu controlado, mas uma veia pulsava em sua têmpora.

“Meu irmão foi enterrado sem que eu soubesse que deixava uma filha. Você entrou na minha casa com essa criança e com o relógio que desapareceu do carro dele. Vai responder.”

Rosa se abaixou perto de Nina.

“Tem bolo de cenoura com cobertura de chocolate.”

Nina hesitou.

“Posso levar a gravata?”

Dante soltou o nó e retirou a peça do pescoço da menina.

“Depois eu empresto outra que não faça você cair.”

Foi a promessa, mais do que a ameaça anterior, que assustou Clara. Nina sorriu e aceitou a mão de Rosa.

Quando as duas saíram, Clara ouviu Dante girar a chave da porta.

“Não faça isso.”

“Por quê? Porque portas trancadas lembram que você não controla a situação?”

“Porque Gabriel disse que, se um Montenegro tentasse me impedir de sair, eu deveria correr.”

Dante ficou imóvel.

“Quando ele disse isso?”

“Na última vez que falou comigo.”

Clara caminhou até a janela. Do lado de fora, seguranças já fechavam os portões, e dois carros pretos mudavam de posição no jardim.

“Gabriel descobriu a gravidez pouco antes de morrer. Ficou feliz por onze minutos. Depois recebeu uma mensagem, saiu da cafeteria e voltou diferente.”

“Diferente como?”

“Assustado.”

Dante soltou uma risada sem humor.

“Meu irmão não tinha medo de nada.”

“Tinha medo pela filha.”

A frase o atingiu. Clara viu a raiva ceder espaço à atenção.

Ela contou que Gabriel a procurara naquela mesma noite num estacionamento da Rua Harmonia. Entregara o relógio e vinte mil reais em dinheiro, pedindo que deixasse São Paulo.

“Ele falou que existia uma doença dentro da família. Disse que não sabia em quem confiar.”

“Ele teria confiado em mim.”

“Eu disse a mesma coisa.”

“E o que ele respondeu?”

Clara encarou o homem que carregava o rosto do morto sem a doçura dele.

正文1

“Que você amava a família demais para perceber quem estava destruindo tudo.”

Dante afastou uma cadeira com tanta força que ela tombou.

“Gabriel morreu num acidente.”

“Então por que você fez três homens desaparecerem?”

O silêncio ficou perigoso.

“Cuidado com o que repete nesta casa.”

“Eu não tenho mais luxo para ter cuidado.”

Clara explicou que recebera uma ligação de número oculto poucas horas depois da morte. Um homem sabia seu nome, seu endereço e que ela estava grávida.

“Ele disse que Gabriel tinha roubado algo. Se eu procurasse a família, minha filha nasceria sem mãe.”

“Por que não contou à polícia?”

“Porque a voz descreveu a cor da blusa que eu usava dentro da delegacia.”

Dante olhou para o relógio.

“O que Gabriel roubou?”

“Eu nunca soube.”

“Você abriu a peça?”

“Mil vezes. Não há nada.”

Ele pegou o relógio, pressionou a coroa e girou-a no sentido contrário. A tampa frontal abriu; a traseira, não.

Então Dante notou três riscos quase invisíveis perto da dobradiça. Curto, longo, curto.

Gabriel batucava aquela sequência quando escondia alguma coisa na infância.

Dante pressionou os riscos na mesma ordem.

Um fundo falso se soltou.

Clara aproximou-se apesar do medo. Dentro da cavidade havia uma tira estreita de papel, dobrada quatro vezes.

Dante abriu.

Nela, Gabriel escrevera apenas: “Se minha filha estiver viva, não confie no sangue. Procure 17-B.”

“Minha filha”, Dante repetiu.

Clara fechou os olhos. Até aquele momento, uma parte dela ainda conseguia fingir que Nina estava separada dos Montenegro.

A porta recebeu duas batidas.

“Chefe”, chamou Rafael. “Seu tio chegou.”

Dante dobrou o papel e o colocou no bolso.

“Otávio não tinha reunião aqui.”

“Ele disse que soube de uma emergência familiar.”

Clara recuou.

“Quem contou?”

Rafael não respondeu do outro lado.

Dante destrancou a porta. O chefe de segurança entrou e fechou-a atrás de si.

“Vinte e sete pessoas viram o relógio. Bastou uma mensagem.”

“Recolha os celulares. Descubra quem enviou.”

“Já estou fazendo.”

Rafael olhou para Clara.

“Há outra coisa. Alguém acessou o cadastro dela há oito minutos. Endereço, documentos, escola da menina.”

“Bloqueie tudo.”

“Tarde demais. O arquivo foi copiado.”

Dante aproximou-se de Clara.

“A partir de agora, vocês ficam na ala leste.”

“Não.”

“Seu endereço foi exposto.”

“Por causa da sua família.”

“Exatamente. E ninguém conhece essa família melhor do que eu.”

Clara apontou para o bolso onde ele escondera a mensagem.

“Gabriel parece discordar.”

A porta tornou a abrir antes que Dante respondesse.

Otávio Montenegro entrou sem esperar permissão. Aos sessenta e dois anos, usava terno cinza, cabelos prateados impecáveis e a expressão afetuosa do tio que ensinara Dante a dirigir e Gabriel a jogar xadrez.

“Que história é essa de uma criança com o relógio do Gabriel?”

Seus olhos passaram por Clara sem reconhecimento aparente. Depois pousaram no relógio.

Por uma fração de segundo, o homem perdeu o sorriso.

Clara viu.

Dante também.

“Ainda estamos descobrindo”, respondeu Dante.

正文2

Otávio recuperou a calma.

“E quem é ela?”

“A mãe da possível filha de Gabriel.”

Otávio levou a mão ao peito, numa surpresa perfeita demais.

“Gabriel teve uma filha?”

“Um exame vai confirmar.”

“Claro. Deve confirmar.” Ele tocou o ombro do sobrinho. “Mas tenha cuidado. Uma mulher aparece dentro da sua casa com uma criança e um objeto valioso. Pode ser uma armadilha.”

“Eu não apareci”, Clara rebateu. “Fui contratada pela governanta.”

“Uma coincidência ainda mais conveniente.”

Dante afastou a mão do tio.

“Rafael vai levar Clara e Nina ao laboratório.”

“Posso indicar uma clínica discreta.”

“Já escolhi uma.”

O sorriso de Otávio endureceu.

Dante solicitou que a coleta fosse feita na mansão por uma equipe do laboratório do Hospital Sírio-Libanês. Amostras de Nina e Dante permitiriam confirmar o vínculo de tio e sobrinha sem exumar Gabriel.

Durante a coleta, Nina perguntou se a haste com algodão doía. Dante abriu a boca para responder, mas Clara foi mais rápida.

“Só faz cócega.”

Nina aceitou e, quando chegou a vez de Dante, segurou a mão dele.

“Não tenha medo.”

O biomédico baixou o rosto para disfarçar a reação. Dante permitiu que a menina segurasse seu dedo durante todo o procedimento.

Otávio assistiu de longe.

Antes de sair, aproximou-se de Clara.

“Se estiver mentindo, Dante descobrirá.”

“E se eu estiver dizendo a verdade?”

“Então alguém cometeu um erro muito grave ao deixar essa criança chegar até aqui.”

O tom era suave. O significado não.

Naquela noite, Clara foi instalada num quarto ao lado do de Nina. Havia dois seguranças no corredor e sensores nas janelas.

Às duas da manhã, ela ouviu a filha conversando.

Entrou no quarto e encontrou Nina sentada na cama, olhando para a escuridão.

“Com quem você está falando?”

“Com o papai.”

Clara sentou-se ao lado dela.

“Foi um sonho?”

Nina balançou a cabeça.

“Ele falou no telefone da bolsa.”

Clara pegou o brinquedo. Era uma carcaça sem bateria, comprada numa feira de bairro.

Ainda assim, uma pequena luz vermelha piscava na lateral.

Quando ela abriu o compartimento, encontrou um chip preto preso onde deveria haver pilhas.

No corredor, passos correram em direção à porta.

Clara escondeu o objeto na mão segundos antes de Dante entrar.

“O resultado chegou”, disse ele.

Seu rosto estava pálido.

“Nina é uma Montenegro.”

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