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"A Empregada Que Pediu R$ 100 Mil ao Chefe da Máfia" Capítulo 5 — A Mulher Que Entrou no Escritório

正文开头

Lorena Vasconcelos sorriu quando Dante entrou na sala de jantar.

Era um sorriso perfeito.

Treinado.

Daqueles que apareciam em fotografias de eventos beneficentes, capas de revistas e jantares onde uma garrafa de vinho custava mais do que Camila ganhava em um mês.

"Finalmente."

Lorena colocou a taça sobre a mesa.

"Eu estava começando a achar que você tinha esquecido que me convidou."

Dante puxou uma cadeira.

"Eu não convidei."

O sorriso dela vacilou.

"Teresa disse que..."

"Minha tia convidou você."

Lorena soltou uma risada.

"Continua sendo sua casa."

Camila observava da porta.

Não deveria estar ali.

Teresa havia pedido que levasse uma bandeja de café e voltasse imediatamente para a cozinha.

Mas Dante tinha outra ordem.

"Fique."

Camila permaneceu ao lado do aparador.

Lorena olhou para ela.

"Ela precisa mesmo ficar aqui?"

"Precisa."

"Por quê?"

Dante serviu café.

"Algum problema?"

Lorena recostou-se.

"Claro que não."

Mas havia.

Camila percebia.

A mulher evitava olhar diretamente para ela.

Dante tomou um gole.

"Como está seu pai?"

Lorena relaxou um pouco.

"Em Brasília. Reuniões."

"E você?"

"Como sempre."

"Foi à Faria Lima ontem?"

A mão de Lorena parou sobre a taça.

Apenas por um instante.

"Passei lá."

"Por quê?"

"Eu precisava falar com Marcelo."

"Sobre?"

Lorena riu.

"Isso é um interrogatório?"

"É uma pergunta."

"Investimentos."

"Quais?"

"Desde quando você se interessa pelo que faço com meu dinheiro?"

"Desde hoje."

O sorriso dela desapareceu.

Camila sentiu a tensão mudar.

Dante colocou a xícara sobre o pires.

"Você entrou no escritório de Marcelo às três e dezessete da tarde."

Lorena ficou imóvel.

"Está me vigiando?"

"Minha empresa tem câmeras."

"Que surpresa."

"Ficou lá por onze minutos."

"Eu já disse. Precisava falar com ele."

"Marcelo não estava."

Silêncio.

Lorena olhou rapidamente para Camila.

Foi suficiente.

Dante percebeu.

"Olhe para mim."

Lorena voltou o rosto.

"Por que entrou no escritório?"

"Eu estava esperando."

"Com a porta fechada?"

"Sim."

"E usando o computador dele?"

Lorena empalideceu.

"Eu não usei."

Dante não respondeu.

"Você não pode me acusar de alguma coisa só porque..."

"Eu não acusei."

A voz dele permaneceu baixa.

"Perguntei."

Lorena respirou fundo.

"Eu procurei uma coisa."

"O quê?"

"Nada importante."

"Então diga."

Ela olhou novamente para Camila.

Desta vez, Camila entendeu.

Era sobre ela.

"Você estava procurando alguma coisa minha?", Camila perguntou.

Lorena franziu a testa.

"Eu não estou falando com você."

Camila deu um passo à frente.

"Mas estava procurando alguma coisa sobre mim."

"Volte para a cozinha."

Dante levantou os olhos.

"Lorena."

A mulher percebeu o erro.

"Desculpa."

Dante se levantou.

"Você entrou no computador de Marcelo?"

Lorena apertou os lábios.

"Sim."

"Por quê?"

"Porque eu queria saber quem ela era!"

Camila ficou imóvel.

Lorena apontou para ela.

"Essa mulher apareceu aqui e, de repente, você começou a mandar segurança para hospital, mudar sua rotina, cancelar reuniões."

"Ela trabalha aqui há oito meses."

"Eu sei."

A resposta saiu rápido demais.

Dante percebeu.

"Como sabe?"

正文1

Lorena não respondeu.

Camila sentiu um frio no estômago.

"Você me investigou."

"Não seja dramática."

"Você me investigou?"

Lorena levantou-se.

"Eu pedi para alguém verificar seus antecedentes."

"Por quê?"

"Porque ninguém chega perto de Dante sem ser verificado."

Dante deu uma risada sem humor.

"Isso é trabalho do Bruno."

"Bruno não estava fazendo."

"Porque ela é funcionária da casa."

Lorena cruzou os braços.

"Exatamente."

Dante se aproximou.

"Para quem você entregou o nome dela?"

"Para ninguém."

"Lorena."

"Eu falei com um investigador."

"Nome."

"Eduardo."

"Sobrenome."

"Não sei."

Dante ficou em silêncio.

Lorena começou a ficar nervosa.

"Foi indicação de uma amiga."

"Telefone."

"Eu não tenho aqui."

"Bruno."

A porta abriu imediatamente.

Bruno entrou.

Lorena virou.

"Você estava ouvindo?"

"Sim."

Ela olhou para Dante.

"Isso é absurdo."

"Entregue seu telefone."

"Não."

"Lorena."

"Você não manda em mim."

Dante não se moveu.

"Então vá embora."

Ela pareceu ofendida.

"Depois de tudo entre nossas famílias?"

"Principalmente por isso."

Lorena pegou a bolsa.

"Você vai acreditar nessa empregada?"

Dante respondeu sem hesitar.

"Neste momento, acredito nas câmeras."

Lorena ficou vermelha.

Passou por Camila.

Antes de sair, parou.

"Você acha que ele está protegendo você?"

Camila não respondeu.

Lorena sorriu amargamente.

"Homens como Dante não protegem."

Olhou para ele.

"Eles possuem."

A porta bateu.

Camila permaneceu imóvel.

Dante olhou para Bruno.

"Telefone dela."

"Já estamos rastreando."

"Encontre o investigador."

Bruno assentiu e saiu.

Camila pegou a bandeja.

Dante falou:

"Deixe."

"Preciso levar."

"Teresa leva."

"Eu consigo."

"Eu sei."

Camila parou.

Dante aproximou-se.

"Você está bem?"

Ela riu, sem humor.

"Uma mulher rica investigou minha vida porque não gostou de eu trabalhar perto de você. O homem para quem devo dinheiro entrou no hospital do meu irmão. Alguém aqui colocou uma ameaça debaixo da minha porta."

Ela respirou.

"Estou ótima."

Dante não respondeu.

Camila virou-se para sair.

"Por que você nunca me contou sobre suas mãos?"

Ela parou.

"Isso de novo?"

"Sim."

"Porque não importa."

"Importa para mim."

Camila virou lentamente.

A frase pareceu surpreender os dois.

Dante desviou o olhar primeiro.

"Os produtos serão trocados."

Camila sentiu algo estranho no peito.

Não queria sentir.

"Obrigada."

Foi embora.

---

Bruno encontrou o número usado por Lorena duas horas depois.

O homem que ela chamava de Eduardo não existia.

O telefone estava registrado em nome de uma empresa aberta havia sete meses.

A empresa tinha endereço em Mooca.

E uma ligação indireta com Rogério Brandão.

Camila ouviu tudo no escritório.

Lorena realmente entregara seus dados.

Mas havia algo pior.

"Ela sabia do Matheus?", Camila perguntou.

Bruno verificou.

"As mensagens indicam que pediu informações sobre sua família."

Camila fechou os olhos.

"Então foi ela."

"Ela abriu a porta", Dante respondeu.

"Qual a diferença?"

"Ela provavelmente não sabia para quem."

"Meu irmão quase morreu."

"Eu sei."

"E ela fez isso por ciúme?"

Dante endureceu.

"Não existe nada entre mim e Lorena."

"Eu não perguntei."

"Mas pensou."

Camila ficou sem resposta.

正文2

Bruno salvou-a.

"Chefe, encontrei outra coisa."

Ele colocou documentos sobre a mesa.

"Rogério tem empresas de cobrança, factoring e empréstimos informais."

"Eu sei."

"Uma delas recebeu dinheiro de uma companhia chamada Prisma Consultoria."

Dante olhou para o documento.

Camila viu sua expressão mudar.

"Você conhece?"

"Sim."

"De onde?"

Dante não respondeu imediatamente.

Bruno respondeu por ele.

"A Prisma já prestou serviço para o Grupo Montenegro."

Camila sentiu o estômago apertar.

"Então o dinheiro de Rogério veio daqui?"

"Parte dele."

"Isso quer dizer que..."

"Alguém ligado ao grupo financiou a operação dele."

Camila ficou em silêncio.

A dívida que destruíra sua vida.

Os telefonemas.

As ameaças.

Talvez tudo tivesse raízes no mesmo lugar onde ela trabalhava.

"Eu quero ver meu contrato."

Bruno olhou para Dante.

"Agora."

Dante assentiu.

"Traga tudo."

---

Os documentos chegaram no início da noite.

Camila reconheceu sua assinatura.

Página após página.

Taxas.

Multas.

Juros.

Cláusulas que ela nunca compreendera.

Dante analisou por quase vinte minutos.

"Isso foi manipulado."

"Como sabe?"

"A taxa muda depois do terceiro mês sem justificativa."

Camila apontou.

"Rogério disse que era uma penalidade."

"Não existe essa cláusula no contrato original."

"Como assim original?"

Dante colocou duas folhas lado a lado.

"Essa assinatura é sua."

"Sim."

"Essa também?"

Camila olhou.

Parecia sua.

Mas alguma coisa estava errada.

"Eu não lembro dessa página."

"Porque provavelmente nunca viu."

Camila ficou gelada.

"Falsificaram minha assinatura?"

"É possível."

Seu telefone vibrou.

O aparelho barato.

Todos olharam.

Mensagem.

**VOCÊ ESTÁ FAZENDO PERGUNTAS DEMAIS.**

Outra chegou.

**A PRÓXIMA NÃO SERÁ SOBRE DINHEIRO.**

Camila ergueu os olhos.

Dante pegou o telefone.

Uma terceira mensagem apareceu.

**AMANHÃ. MEIA-NOITE. O LIVRO PRETO DO ESCRITÓRIO.**

Camila franziu a testa.

"O que é isso?"

Dante não respondeu.

Mas Bruno respondeu com o silêncio.

Camila olhou de um para o outro.

"Que livro?"

Dante bloqueou a tela.

"Nada que diga respeito a você."

Ela sentiu um arrepio.

Rogério finalmente havia parado de pedir dinheiro.

Agora queria alguma coisa de Dante Montenegro.

E queria que Camila roubasse para ele.

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