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"A Empregada Que Pediu R$ 100 Mil ao Chefe da Máfia" Capítulo 4 — O Que Suas Mãos Escondem

正文开头

Dante leu o bilhete duas vezes.

Não demonstrou surpresa.

Isso irritou Camila.

"Alguém entrou no corredor dos funcionários."

"Sim."

"Colocou isso debaixo da minha porta."

"Eu sei."

"E você está calmo?"

Dante ergueu os olhos.

"Você prefere que eu grite?"

"Eu prefiro que pareça preocupado."

"Eu estou."

"Não parece."

"Isso é útil."

Camila cruzou os braços.

Eram sete e vinte da manhã.

Ela não dormira mais depois do bilhete.

Dante aparentemente também não.

Mesmo assim, estava impecavelmente vestido.

Camisa escura.

Calça social.

Relógio.

Nenhum sinal de cansaço.

Bruno entrou.

"As câmeras do corredor ficaram fora por seis minutos."

"Falha?"

"Não."

"Quem desligou?"

"Estamos verificando."

Camila soltou uma risada sem humor.

"Mais uma coisa que ninguém consegue explicar."

Bruno olhou para ela.

Dante respondeu:

"Por enquanto."

Ele entregou o bilhete a Bruno.

"Impressões?"

"Luvas."

"Impressora?"

"Estamos comparando."

Camila passou a mão pelos cabelos.

"Eu quero ir ao hospital."

Dante olhou para ela.

"Bruno leva você."

"Você não vai?"

"Tenho uma reunião."

Camila quase respondeu que não havia perguntado.

Mas ficou quieta.

Dante percebeu.

"Pode falar."

"Nada."

"Você claramente ia falar."

"Não importa."

"Camila."

Ela suspirou.

"Eu ia dizer que não perguntei se você ia."

Bruno tossiu.

Dante olhou para ele.

"Algum problema?"

"Nenhum."

Camila pegou a bolsa.

Quando chegou à porta, Dante chamou:

"Camila."

Ela virou.

"Não saia do hospital sem Bruno."

"Eu tenho vinte e sete anos."

"Eu sei."

"Não preciso de babá."

"Ótimo. Porque Bruno não é babá."

Bruno abriu a porta.

"Definitivamente não."

---

Matheus estava acordado quando Camila entrou.

Um desenho animado passava na televisão.

"Você demorou."

"Bom dia para você também."

"Trouxe pão de queijo?"

Camila ergueu uma sacola.

"Claro."

Matheus sorriu.

Era nesses momentos que ela conseguia esquecer.

O cabelo mais ralo.

A pele pálida.

Os tubos.

As noites em que ele fingia não sentir dor para que ela não chorasse.

Camila sentou ao lado da cama.

Matheus olhou para Bruno, parado perto da porta.

"Esse é o segurança?"

"Bruno."

"Ele anda armado?"

"Matheus."

"O quê?"

Bruno respondeu:

"Às vezes."

Os olhos do garoto brilharam.

"Legal."

"Não incentive", Camila disse.

Bruno escondeu um sorriso.

Matheus pegou um pão de queijo.

Então olhou para as mãos da irmã.

"Você fez curativo."

"Teresa fez."

"Aquela senhora brava?"

"Ela não é brava."

"Ela parece."

"Você viu ela uma vez."

"Foi suficiente."

Camila riu.

A porta se abriu.

Dr. Rafael Siqueira entrou com uma pasta.

"Bom dia."

Camila se levantou.

"Doutor."

Rafael cumprimentou Matheus.

Depois fez um sinal para Camila.

"Podemos conversar?"

O sorriso dela desapareceu.

"Claro."

Foram para o corredor.

Bruno os acompanhou a alguns metros.

"Alguma coisa aconteceu?"

"Não com o tratamento."

Camila respirou.

"Então?"

Rafael baixou a voz.

"A administração encontrou um acesso incomum ao prontuário do Matheus."

"Eu sei."

"Você sabe?"

"O senhor Montenegro descobriu."

Rafael pareceu desconfortável com o nome.

"Camila, quem quer que tenha entrado conseguiu visualizar tudo."

"Que tipo de coisa?"

"Resultados, medicamentos, horários."

正文1

Ela ficou pálida.

"Horários?"

"Sim."

"Então sabiam quando ele estaria sozinho."

"Possivelmente."

Camila sentiu náusea.

Bruno aproximou-se.

"Dr. Rafael, precisamos de uma cópia do relatório de acesso."

"Já enviei para a administração."

"Precisamos diretamente."

Rafael olhou para Camila.

Ela assentiu.

"Pode dar."

O médico saiu.

Camila apoiou-se na parede.

"Eles sabiam tudo."

Bruno não respondeu.

"Não era só o quarto."

"Não."

"Sabiam o horário."

"Sim."

Ela fechou os olhos.

"Se Dante não tivesse pago..."

"Não pense nisso."

"Como não?"

"Porque não aconteceu."

Camila abriu os olhos.

"Você fala igual a ele."

"Trabalho com ele há doze anos."

"Meus pêsames."

Bruno soltou uma risada.

Camila sorriu pela primeira vez naquela manhã.

Então uma voz surgiu atrás deles.

"Não sabia que meus funcionários se divertiam tanto quando eu não estava."

Camila virou.

Dante vinha pelo corredor.

"Você não tinha uma reunião?"

"Tive."

"Foi rápida."

"Foi."

Ele olhou para Bruno.

"O relatório?"

"Rafael vai entregar."

Matheus chamou do quarto:

"Camila!"

Ela entrou.

Dante ficou do lado de fora.

Mas Matheus o viu.

"Montenegro!"

Camila fechou os olhos.

"Não chama ele assim."

"Como eu chamo?"

"Senhor Montenegro."

Dante entrou.

"Montenegro serve."

Matheus apontou para ele.

"Você é o chefe dela?"

"Sou."

O garoto mastigou o último pedaço de pão de queijo.

"Então você é o homem que faz minha irmã chegar em casa com as mãos sangrando."

O quarto ficou em silêncio.

Camila sentiu o rosto queimar.

"Matheus."

"O quê?"

"Não fala assim."

"Mas é verdade."

Dante olhou para as mãos dela.

Camila imediatamente as escondeu atrás do corpo.

Matheus continuou:

"Ela fala que é alergia."

"Matheus, chega."

"Mas antes de trabalhar na sua casa não era assim."

Dante não respondeu.

Camila levantou-se.

"Eu vou buscar água."

Saiu antes que alguém pudesse impedi-la.

Dante a alcançou no corredor.

"Deixe eu ver."

"O quê?"

"Suas mãos."

"Não."

"Camila."

"É produto de limpeza."

"Eu ouvi."

"Então não precisa ver."

Dante segurou delicadamente o pulso dela.

Camila parou.

Não havia força no gesto.

Ela poderia puxar a mão.

Por algum motivo, não puxou.

Dante virou sua palma.

Os curativos escondiam parte das lesões.

Outras rachaduras subiam pelos dedos.

"Há quanto tempo?"

"Meses."

"Por que não disse?"

Camila riu, incrédula.

"Para quem?"

"Teresa."

"Para quê?"

"Trocar o produto."

"É o produto que vocês compram."

"Então compramos outro."

Camila olhou para ele.

A simplicidade da resposta quase a deixou com raiva.

"Para você é sempre assim?"

"Assim como?"

"Alguma coisa custa caro, você paga. Alguma coisa incomoda, você troca."

Dante soltou lentamente o pulso dela.

"Nem tudo."

Camila não respondeu.

Bruno apareceu com o tablet.

"Chefe."

Dante percebeu imediatamente a expressão dele.

"O que foi?"

"Recebi o relatório completo."

Bruno virou a tela.

"Quem acessou o prontuário usou uma autorização empresarial vinculada a uma conta interna."

"De quem?"

"Estamos rastreando."

Camila se aproximou.

Uma sequência de números aparecia na tela.

Bruno deslizou para outra página.

"Tem mais."

"O quê?"

正文2

"O acesso não começou ontem."

Camila sentiu o estômago apertar.

"Quando?"

"Há quatro meses."

Ela ficou imóvel.

"Quatro meses?"

"Alguém acompanha o tratamento do Matheus há quatro meses."

Dante pegou o tablet.

"De onde?"

"Os primeiros acessos vieram da sede do Grupo Montenegro, na Faria Lima."

Camila olhou para Dante.

"Então alguém da sua empresa vem espionando meu irmão há quatro meses?"

"É o que parece."

"Por quê?"

Dante não respondeu.

Bruno recebeu outra mensagem.

Leu.

"Conseguimos identificar uma das máquinas."

"Qual?"

"O computador do escritório de Marcelo Tavares."

Camila sentiu o peito apertar.

Marcelo.

O homem que havia encontrado as contas médicas.

Dante virou-se imediatamente.

"Ele está na empresa?"

"Chegou às oito e vinte."

"Não fale com ele."

Bruno assentiu.

Camila segurou o braço de Dante.

"Espera."

Ele olhou para a mão dela.

Camila soltou.

"Se foi Marcelo, por que não confrontar agora?"

"Porque quero saber com quem ele está falando."

"E enquanto isso?"

"Ele acredita que não sabemos."

Dante caminhou até o elevador.

Camila foi atrás.

"Eu vou com você."

"Não."

"Ele sabe sobre Matheus por minha causa."

"Exatamente por isso você fica aqui."

"Não decide isso."

Dante parou diante do elevador.

"Camila."

"Não."

Ela encarou o homem que quase todos em São Paulo evitavam contrariar.

"Meu irmão foi ameaçado. Minha dívida foi usada. Meus dados foram roubados. Alguém dentro da sua empresa sabe tudo sobre a minha vida."

A porta do elevador abriu.

"Eu não vou ficar sentada esperando vocês decidirem o que posso saber."

Dante a observou por alguns segundos.

Então entrou.

Camila entrou atrás.

Bruno também.

Dante apertou o botão do térreo.

"Você é sempre assim?"

Camila respirou fundo.

"Assim como?"

"Teimosa."

"Quando ameaçam meu irmão, sim."

Dante olhou para frente.

"Então venha."

---

No estacionamento subterrâneo do Grupo Montenegro, Camila permaneceu dentro do carro enquanto Bruno verificava o prédio.

Dante recebeu uma ligação.

"Fala."

Silêncio.

Sua expressão mudou.

"Repita."

Camila olhou para ele.

Dante desligou.

"O que aconteceu?"

Ele não respondeu imediatamente.

"Dante."

Foi a primeira vez que ela usou apenas o nome dele.

Os dois perceberam.

Dante não corrigiu.

"Marcelo não usou o computador nos horários dos acessos."

Camila franziu a testa.

"Então não foi ele?"

"Talvez."

"Não entendi."

"As credenciais são dele."

"Mas?"

"As câmeras mostram que, em pelo menos três dos acessos, Marcelo estava em reuniões em outro andar."

Camila ficou em silêncio.

"Alguém usou o computador dele."

"Sim."

"Quem?"

Dante abriu a porta do carro.

"É isso que vamos descobrir."

---

Naquela noite, a resposta começou a aparecer.

Dante decidiu não confrontar ninguém.

Em vez disso, entregou quatro informações diferentes.

Para Teresa, disse que Matheus seria transferido para Santos.

Para Bruno, Campinas.

Para Marcelo, Sorocaba.

Para Lorena Vasconcelos, que aparecera na mansão para jantar, Ribeirão Preto.

Camila não gostou de Lorena desde o primeiro olhar.

Não porque a mulher fosse bonita.

Era.

Elegante, impecável, segura.

Mas porque olhou para Camila como se o uniforme a tornasse parte da mobília.

正文3

"Você é nova?", Lorena perguntou.

"Oito meses, senhora."

Lorena sorriu.

"Então é nova."

Camila não respondeu.

Às dez e quarenta, o celular barato vibrou.

Dante estava no escritório.

Bruno ao lado dele.

Camila colocou o aparelho sobre a mesa.

Número desconhecido.

Dante fez um sinal.

Ela atendeu no viva-voz.

"Alô?"

Rogério riu.

"Gostou dos cem mil?"

Camila fechou a mão.

"O que você quer?"

"Quero evitar que você faça alguma besteira."

"Que besteira?"

"Tirar seu irmão de São Paulo."

Camila olhou para Dante.

Rogério continuou:

"Não adianta fugir."

"Eu não vou fugir."

"Ótimo."

Uma pausa.

"Porque Sorocaba também não vai esconder Matheus de mim."

Camila parou de respirar.

Bruno olhou para Dante.

Sorocaba.

A informação entregue apenas a Marcelo.

Dante desligou o viva-voz.

Seu rosto ficou frio.

"Marcelo."

Camila deveria ter sentido alívio.

Finalmente tinham um nome.

Mas alguma coisa incomodava.

Ela lembrou das câmeras.

Dos horários.

Do computador usado enquanto Marcelo estava longe.

"Espera."

Dante olhou para ela.

"Tem alguma coisa errada."

"O quê?"

"Se Marcelo fez isso, ele é muito cuidadoso."

"Continue."

"Ele conseguiu meu prontuário. Entrou no hospital. Desligou câmeras da mansão."

Camila apontou para o telefone.

"Por que cairia numa armadilha tão fácil?"

Bruno franziu a testa.

Dante ficou em silêncio.

Camila continuou:

"E você mesmo disse que alguém usou o computador dele quando ele nem estava na sala."

Bruno pegou o telefone.

"Vou verificar as câmeras do escritório."

Minutos depois, uma sequência de imagens apareceu na tela.

Marcelo saía do escritório às 15:08.

Às 15:17, outra pessoa entrava.

A imagem estava parcialmente bloqueada.

Uma mulher.

Vestido claro.

Salto alto.

Cabelos escuros.

Camila aproximou-se da tela.

"Volta."

Bruno voltou.

"Mais devagar."

A mulher virou o rosto por apenas um segundo.

Camila a reconheceu imediatamente.

A mesma mulher que, horas antes, olhara para ela como se fosse invisível.

Lorena Vasconcelos.

Bruno ficou imóvel.

Dante não disse nada.

Na tela, Lorena fechou a porta do escritório de Marcelo atrás de si.

Camila sentiu um arrepio.

Porque, naquele instante, finalmente compreendeu uma coisa.

O homem que ameaçava Matheus não estava observando apenas o hospital.

Alguém muito próximo de Dante Montenegro estava abrindo as portas para ele.

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