"A Empregada Que Pediu R$ 100 Mil ao Chefe da Máfia" Capítulo 2 — Cem Mil Reais
Camila nunca tinha visto cem mil reais.
Nem mesmo em uma tela.
Por isso, quando Dante Montenegro colocou o celular sobre a mesa e ela viu a confirmação bancária, demorou alguns segundos para compreender.
R$ 100.000,00.
Transferência concluída.
Ela olhou para Dante.
Depois para a tela.
Depois novamente para ele.
"O que você fez?"
"Ganhei tempo."
"Você mandou o dinheiro para ele?"
"Sim."
Camila empalideceu.
"Eu não pedi para fazer isso."
"Não?"
"Não!"
Dante estava sentado atrás da enorme mesa do escritório.
A pistola havia desaparecido.
Bruno permanecia perto da porta, mexendo no próprio telefone.
Camila estava do outro lado da mesa, ainda usando o uniforme cinza da casa.
Parecia pequena naquele ambiente.
Mas não estava mais chorando.
Agora estava furiosa.
"Eu não tenho como devolver cem mil reais."
Dante cruzou as mãos.
"Eu pedi?"
"Não precisa pedir. Eu sei como dívidas funcionam."
"Imagino que saiba."
A frase atingiu Camila como uma bofetada.
Ela endureceu.
Dante percebeu.
"Não foi uma crítica."
"Pareceu."
"Se eu quisesse criticar você, não deixaria dúvida."
Camila desviou o olhar.
Bruno aproximou-se.
"Chefe."
Dante estendeu a mão.
Bruno entregou um tablet.
Camila viu seu próprio nome na tela.
"Que isso?"
"Informações."
"Sobre mim?"
Dante deslizou o dedo pela tela.
"Camila Ferreira. Vinte e sete anos. Nascida em São Paulo. Pai falecido quando você tinha dezenove. Mãe falecida quatro anos depois."
Camila ficou rígida.
"Pare."
"Um irmão, Matheus Ferreira. Dezesseis anos."
"Eu disse para parar."
"Diagnosticado com leucemia."
Camila bateu as duas mãos na mesa.
"Chega!"
Bruno imediatamente se moveu.
Dante ergueu a mão.
Ele não parecia incomodado.
Seus olhos desceram para as mãos dela.
Sangue fresco surgira novamente nas rachaduras.
"Você pegou trezentos mil reais com Rogério Brandão há onze meses."
Camila puxou as mãos para trás.
"Isso não diz respeito a você."
"Você trabalha dentro da minha casa."
"Eu limpo sua casa."
"E alguém que conhece seus problemas sabe exatamente onde você trabalha."
Camila não respondeu.
Dante continuou:
"Isso faz com que diga respeito a mim."
Bruno colocou outra página na tela.
"Ela já pagou cento e setenta e oito mil e quatrocentos reais."
Camila olhou para ele.
"Como sabe?"
Bruno não respondeu.
Dante leu os números.
"E ainda deve quatrocentos e doze mil?"
Camila respirou fundo.
"Segundo Rogério."
"Não."
Dante virou o tablet para ela.
"Segundo documentos produzidos por empresas ligadas a Rogério."
"Qual é a diferença?"
"Uma dívida pode existir."
Ele tocou na tela.
"Esses números não."
Camila franziu a testa.
Dante explicou:
"Você pegou trezentos mil. Pagou quase cento e oitenta. Mesmo com juros criminosos, a evolução dessa dívida não corresponde aos pagamentos registrados."
"Rogério sempre dizia que havia multa."
"Multa por quê?"
"Por atraso."
"Você atrasou?"
Camila hesitou.
"Duas vezes."
"Quantos dias?"
"Uma vez três. Outra vez cinco."
Dante recostou-se.
"E isso transformou sua dívida em mais de quatrocentos mil?"
Camila apertou os lábios.
Quando dito daquela maneira, parecia absurdo.
Mas Rogério sempre tinha uma planilha.
Sempre tinha um contrato.
Sempre tinha uma nova taxa.
E Camila nunca tivera dinheiro para contratar alguém que explicasse o que estava assinando.
"Eu precisava do dinheiro."
Dante ficou em silêncio.
"Matheus precisava começar o tratamento."
"Por que não procurou outra alternativa?"
Ela soltou uma risada amarga.
"Qual?"
Dante não respondeu.
Camila continuou:
"Plano de saúde recusando procedimento. Remédio que custava mais do que eu ganhava em três meses. Exames. Internações. Transporte."
Sua voz começou a falhar.
"Eu vendi tudo."
Dante observava.
"Quando Rogério apareceu, eu sabia que era uma péssima ideia."
Ela respirou fundo.
"Mas quando alguém diz que pode salvar a pessoa que você ama, você para de perguntar quanto vai custar."
O escritório ficou silencioso.
Bruno recebeu uma mensagem.
Olhou imediatamente para Dante.
"Localizamos o sobrinho."
Camila se virou.
"O Caio?"
"Caio Brandão. Trinta e um anos. Entrou no Sabará à uma e vinte e sete."
"Meu Deus."
"Usou identificação falsa de visitante."
Camila foi até Bruno.
"Ele ainda está lá?"
"Não sabemos."
"Como assim não sabem?"
"Meus homens estão chegando."
Camila agarrou o braço dele.
"Não deixem ele entrar no quarto do Matheus."
Bruno olhou para a mão dela em seu braço.
Camila soltou imediatamente.
"Desculpa."
Dante levantou-se.
"Vamos ao hospital."
Ela virou.
"Não."
"Não foi uma pergunta."
"Eu não vou chegar com o homem mais temido de São Paulo e um monte de segurança armada numa ala de oncologia."
Dante encarou Camila.
"Então vou sozinho."
"Isso é ainda pior."
Por um segundo, Bruno pareceu esconder um sorriso.
Dante olhou para ele.
O sorriso desapareceu.
Camila passou as mãos pelo rosto.
"Eu preciso falar com Matheus."
Bruno entregou o próprio celular.
"Hospital."
Ela pegou.
Uma enfermeira atendeu.
Camila explicou quem era.
Esperou.
Cada segundo parecia um minuto.
Finalmente:
"Matheus está bem?"
A enfermeira respondeu alguma coisa.
Os ombros de Camila relaxaram.
"Posso falar com ele?"
Mais silêncio.
"O quê?"
Dante se aproximou.
Camila ficou pálida.
"Como assim ele não está no quarto?"
Bruno ergueu a cabeça.
"Quando?"
Camila ouviu.
"Quem levou?"
Ela fechou os olhos.
"Tá. Eu estou indo."
Desligou.
"Ele saiu para fazer um exame."
"Às duas da manhã?", Bruno perguntou.
Camila balançou a cabeça.
"Não estava marcado."
Dante pegou o paletó.
"Agora você vem comigo."
Desta vez, Camila não discutiu.
---
O carro atravessou as ruas de São Paulo quase vazias.
Camila não conseguia parar de olhar para o telefone.
Nenhuma mensagem.
Nenhuma ligação.
Dante estava sentado ao lado dela.
Bruno, na frente.
"Você pagou os cem mil", Camila disse.
"Sim."
"Então por que levariam Matheus?"
"Porque talvez o dinheiro nunca tenha sido o objetivo."
Ela virou lentamente.
"O que quer dizer?"
Dante não respondeu.
O celular de Bruno tocou.
Ele atendeu.
"Fala."
Camila observou o rosto dele.
A expressão mudou.
"Tem certeza?"
Pausa.
"Procurem de novo."
Bruno desligou.
"Chefe."
Dante esperou.
"Caio saiu do hospital às duas e quatro."
Camila soltou o ar.
"E Matheus?"
"Foi encontrado na sala de exames."
Ela levou uma mão ao peito.
"Está bem?"
"Está."
Camila fechou os olhos.
Uma lágrima escapou.
Mas Bruno ainda não tinha terminado.
"Caio deixou alguma coisa no quarto."
Dante ficou atento.
"O quê?"
"Um envelope."
---
Vinte minutos depois, Camila entrou no quarto 614.
Matheus dormia.
Ela correu até a cama.
Tocou seu rosto.
"Matheus."
O garoto abriu os olhos lentamente.
"Camila?"
Ela quase desabou.
"Você está bem?"
"Estou."
"Alguém falou com você?"
"Um cara."
Camila congelou.
"Que cara?"
"Disse que era do laboratório."
"Ele fez alguma coisa?"
Matheus balançou a cabeça.
"Ficou fazendo perguntas."
"Que perguntas?"
"Sobre você."
Camila olhou para Dante.
Ele permanecia perto da porta.
Matheus também o viu.
"Quem é ele?"
"Meu patrão."
Matheus piscou.
"Esse é o Montenegro?"
"Matheus."
"O quê?"
Dante aproximou-se.
"Sou."
O adolescente analisou o homem de cima a baixo.
"Você parece mais novo do que na internet."
Camila fechou os olhos.
"Matheus, por favor."
Dante quase sorriu.
Quase.
Bruno apareceu na porta segurando um envelope plástico.
"Chefe."
Dante saiu para o corredor.
Camila ajeitou o cobertor do irmão.
"Eu volto em um minuto."
"Você está chorando."
"Não estou."
"Tá sim."
"Durma."
Matheus segurou a mão dela.
Fez uma careta ao sentir os cortes.
"Suas mãos pioraram."
Camila puxou a mão.
"Depois a gente conversa."
Ela saiu.
Dante estava olhando para uma fotografia.
"O que é?"
Ele não respondeu.
Camila aproximou-se.
Então viu.
Era uma foto de Dante.
Ele estava dentro da Mansão Montenegro, de costas para uma janela do escritório.
A fotografia tinha sido tirada de dentro da casa.
No verso havia apenas uma frase escrita à mão:
**AGORA VOCÊ ESTÁ OLHANDO PARA O LUGAR CERTO.**
Camila sentiu um frio subir pela coluna.
Dante virou a foto.
"Quem sabia que você trabalhava para mim?"
"Ninguém."
"Alguém sabia."
"Eu nunca contei."
Dante levantou os olhos.
"Então alguém contou por você."
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 10 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4