localização atual: Novela Mágica A Criada Que Fez a Coroa Brilhar Capítulo 4 — A noite do incêndio
标题上

"A Criada Que Fez a Coroa Brilhar" Capítulo 4 — A noite do incêndio

正文开头

Capítulo 4 — A noite do incêndio

“Quem consultou este livro na semana passada?”

Marina manteve a ficha aberta enquanto as botas dos representantes do conselho ecoavam na escada. Teodoro examinou a data. O campo do nome estava vazio, mas havia, ao lado, o número de uma autorização.

“É uma retirada interna”, disse ele. “Posso procurar a ordem correspondente.”

“Antes que levem tudo?”

Augusto tomou a ficha e leu o número em voz alta para Lúcia registrar. Quando os conselheiros chegaram, ela já havia feito duas cópias: uma para o príncipe, outra dobrada dentro do próprio avental.

O primeiro homem a entrar trazia a faixa azul do conselho. Atrás dele vinha Cecília, embora Augusto a tivesse autorizado apenas a esperar no corredor.

“A cerimônia virou um espetáculo”, disse o conselheiro. “Precisamos guardar os documentos até examinarmos a autenticidade da prova.”

Marina ficou diante da caixa onde repousava o registro rasgado.

“Qual prova? O cristal, o livro ou a minha mão?”

“A senhorita será ouvida no momento adequado.”

“Acabou de me ouvir.”

O conselheiro olhou para Augusto. O príncipe ordenou que os livros permanecessem lacrados sob custódia conjunta do arquivo e da guarda. Nem o conselho nem Teodoro poderiam retirá-los sozinhos. Marina exigiu que Lúcia conservasse a cópia do inventário, e Augusto aceitou diante de todos.

Cecília reparou na folha dobrada no avental da criada.

“Servidores levando registros reais para casa. É assim que começam os boatos.”

“Então é bom que ninguém arranque mais páginas”, respondeu Marina.

Uma contração apareceu no rosto do conselheiro. Cecília, porém, sorriu como se a frase tivesse sido uma insolência sem importância.

O volume de saída dos guardas foi entregue a Teodoro para consulta ali mesmo. Marina voltou à anotação da mulher com o embrulho. A mancha cobria o nome do guarda, mas não toda a assinatura: sobravam duas letras no fim. Lúcia reconheceu a forma como os guardas mais antigos abreviavam o sobrenome de seus comandantes.

Teodoro encontrou, em outra caixa, a escala daquela noite. Havia três homens na porta de serviço. Dois tinham morrido no incêndio. O terceiro, Bento Nogueira, fora dispensado alguns meses depois e desaparecera dos registros da capital.

“Encontrá-lo pode demorar”, disse Augusto.

Marina perguntou quem mais tivera acesso à passagem naquela noite. Teodoro encontrou uma lista de distribuição de chaves, mas as rubricas estavam borradas. A cozinha recebera duas; a ala infantil, uma; a administração, a chave mestra. Uma porta trancada poderia ter sido fechada por alguém com autorização oficial. Marina anotou os setores, sem fingir que a lista identificava uma pessoa.

“Não procuro só um homem que viu Helena fugir”, disse ela. “Quero saber quem podia impedi-la de sair.”

“A ordem de dispensa deve dizer para onde enviaram o pagamento”, respondeu Marina.

Teodoro procurou entre os recibos. Nada. O conde Belmonte havia autorizado um pagamento sem nome de destinatário. Marina pediu cópia da folha, mas o conselheiro se recusou.

正文1

“Uma serva não tem direito de vasculhar contas antigas.”

“Uma serva acabou de mostrar que alguém mexeu neste livro antes da prova. Isso não lhe preocupa?”

“Sua posição neste palácio está sendo revista”, ele disse.

Augusto interveio, mas a ameaça já fora pronunciada. Na saída do arquivo, o administrador dos criados esperava com a decisão: Marina estava afastada do serviço até o conselho concluir sua análise. Não poderia entrar nas dependências dos funcionários nem receber salário durante o afastamento.

Lúcia protestou. Marina segurou seu braço.

“Guarde as anotações. Você ainda trabalha aqui.”

Do lado de fora, a noite se espalhava pelos jardins. Marina tinha dinheiro para poucos dias. Helena morrera no inverno anterior, deixando uma caixa de costura, o pingente e uma casa alugada perto do mercado. Perder o emprego podia significar perder também o lugar onde guardava tudo o que era delas.

Augusto a alcançou no pátio.

“Vou contestar o afastamento.”

“Amanhã”, respondeu ela. “Hoje quero encontrar a autorização da semana passada.”

“Teodoro terá acesso ao índice.”

“Ele já teve acesso por vinte e três anos.”

O príncipe não respondeu. Marina percebeu que o ferira, mas não retirou as palavras.

No dia seguinte, ela foi ao cartório onde Helena registrara sua responsabilidade por uma menina sem certidão. O funcionário ainda conservava a cópia do pedido original. Marina lhe mostrou a própria via e obteve permissão para examinar a pasta. Helena havia declarado que a criança fora encontrada sob seus cuidados durante uma viagem. Não indicara o lugar nem os pais. No canto, havia o nome de uma testemunha: Bento Nogueira.

Marina levou a informação a Lúcia, que conseguira uma folga curta. As duas percorreram o bairro dos antigos guardas. Bento já não morava ali, mas uma vizinha se lembrava de cartas enviadas a um sobrinho na região das serras. Marina anotou o endereço, sem saber ainda se o homem vivia.

Ao retornar à casa, encontrou a porta encostada. Não costumava deixá-la assim. Entrou com cuidado. A caixa de costura de Helena estava aberta, as linhas espalhadas sobre a cama. O pequeno envelope onde guardava sua certidão havia sumido.

Nenhum objeto de valor fora levado.

Marina procurou o pingente sob a roupa e respirou ao senti-lo ali. Depois viu, no chão, uma tira de papel arrancada do forro da caixa. Helena costurara alguma coisa naquele compartimento. Alguém a encontrara primeiro.

Mas o invasor deixara um fio preso a um prego. Marina reconheceu a linha grossa de tapeçaria que a mãe usava para marcar pacotes importantes. Seguiu os pontos soltos até o fundo falso de outra gaveta. Ali, enrolado num pedaço de pano, estava um bilhete curto na letra de Helena.

“Se procurarem o que deixei com Teodoro, não entregue sua metade do sol. Peça para ler a condição em voz alta.”

Marina releu a frase. Quem vasculhara sua casa sabia da caixa, mas não conhecia todos os hábitos de Helena.

A fechadura da porta não fora forçada. A proprietária guardava uma chave de reserva, e o administrador do palácio conhecia seu endereço. Marina não concluiu que um deles participara da invasão. Escreveu os nomes para o capitão verificar quem poderia ter feito uma cópia e pediu a Lúcia que não voltasse sozinha para casa naquela noite.

No verso, a mãe escrevera um nome: Bento Nogueira.

下一张上
下一章下

você pode gostar

Compartilhar Link

Copie o link abaixo para compartilhar com seus amigos:

页面底部