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"A Empregada Que Fez o Filho do Chefe da Máfia Falar Depois de Quatro Anos" Capítulo 5 — A Filha Que Ninguém Podia Conhecer

正文开头

Dante não tocou no lenço molhado.

Ficou diante da cama vazia de Nicolas, imóvel demais para um pai cujo filho acabara de desaparecer. Clara percebeu, porém, que a mão dele sangrava. As unhas haviam perfurado a palma.

"Lorena não conseguiria entrar sozinha", disse Rafael. "Conhecia a casa, mas não os códigos novos."

"Você conhecia", respondeu Dante.

Rafael recebeu a acusação sem baixar os olhos.

"Também conheço seu filho desde que nasceu. Se eu o tivesse levado, não deixaria uma janela quebrada."

Clara aproximou o lenço do rosto. Além do perfume suave de Cecília, havia cheiro de cera e madeira antiga. Um pó dourado brilhava na barra.

"Isso não veio do jardim."

Ela mostrou o pó a Rafael. Ele o esfregou entre os dedos.

"Folha de ouro."

Nicolas deixara mais do que a frase na parede. No verso do carrinho partido havia três riscos, depois um círculo atravessado por uma cruz. Clara reconheceu o desenho. Cecília rabiscava aquele símbolo nas cartas: era a rosácea da capela desativada que pertencia à Fundação Ferraz, na Serra da Cantareira.

Dante chamou a equipe.

"Sem sirenes. Lorena quer que eu chegue como criminoso. Hoje vou chegar como pai."

Antes de saírem, Clara entregou a amostra de Helena a um mensageiro do laboratório indicado por Camila. Dante acrescentou a própria coleta diante da câmera, lacrou o material e exigiu cadeia de custódia.

"O resultado urgente leva três horas", informou a advogada pelo telefone.

"Temos menos", disse Clara.

A estrada da serra desaparecia sob a chuva. No banco traseiro, ela segurava o lenço de Cecília e tentava não imaginar Nicolas amarrado ou ferido. Dante, ao lado, desmontou a arma, retirou o carregador e a entregou a Rafael.

"Se houver polícia, não quero uma bala minha perto do meu filho."

Rafael guardou a pistola.

"Vicente ensinou o senhor a desconfiar de todo mundo."

"E você me ensinou que até homens leais mentem."

"Depois que Nicolas voltar, eu conto tudo."

A promessa ficou entre eles.

A capela surgia no alto como uma ruína colonial. Não havia luz nas janelas, mas um carro preto estava escondido atrás do antigo salão de festas. Pertencia à fundação. No banco do motorista, encontraram a bolsa de Lorena e um frasco de sedativo infantil.

Dante fechou os olhos por um segundo.

"Se ela deu isso a ele..."

"Nicolas sabe que não deve beber nada oferecido por estranhos", disse Clara. "Ele deixou pistas. Está consciente."

Entraram pelo cemitério lateral. Dentro da capela, velas acesas formavam um caminho até o altar. Um celular transmitia imagens ao vivo para dezenas de perfis anônimos. Lorena pretendia registrar Dante invadindo uma instituição religiosa.

"Chegou o monstro", anunciou ela, surgindo atrás do altar.

Vestia o mesmo vestido usado no jantar da fundação. Em uma mão segurava um controle remoto; na outra, a fita azul de Helena.

"Onde está Nicolas?", perguntou Dante.

"Seguro. Ao contrário do que acontece quando fica perto daquela empregada."

正文1

Clara viu um pequeno movimento no confessionário. Não correu. Nicolas entenderia o perigo de revelar-se cedo demais.

Lorena apontou para a câmera.

"Diga que Clara Valente sequestrou a menina da clínica e manipulou seu filho. Diga que estava transtornado pela possibilidade de Cecília estar viva. Depois entregue a fundação a Vicente."

"E você ganha o quê?"

"O lugar que Cecília roubou de mim."

Não havia amor em sua voz, apenas fome de posição.

Dante avançou um passo.

"Você levou meu filho para negociar um casamento que nunca existiu."

"Eu o tirei de uma casa dominada por uma intrusa. Nicolas escreveu meu nome porque eu mandei. Precisávamos de uma prova de que ele fala."

Clara compreendeu. A frase na parede não era apenas denúncia; Lorena obrigara o menino a escrevê-la para mostrar a Vicente que o silêncio acabara.

"Onde está Cecília?", perguntou Clara.

O rosto de Lorena vacilou.

"Morta. Como deveria ter permanecido."

Uma voz infantil saiu do confessionário.

"Mentira."

Nicolas abriu a porta. Tinha os pulsos presos por uma fita plástica, mas estava de pé. Atrás dele apareceu uma mulher encapuzada. Por um instante, Dante viu apenas a linha do queixo e uma cicatriz próxima à orelha. A mulher cortou a fita do menino e o empurrou na direção de Clara.

"Nino!", gritou Clara.

Ela o recebeu nos braços. O menino tremia, mas não chorava.

"Mamãe mandou correr", disse.

Dante olhou para a mulher.

"Cecília?"

Lorena apertou o controle. Um alarme explodiu no salão lateral e fumaça cobriu o altar. Rafael derrubou a câmera. Dante atravessou a névoa, mas encontrou apenas uma porta aberta para a mata. A mulher desaparecera.

Lorena tentou fugir. Clara viu quando ela ergueu uma pequena seringa atrás de Nicolas.

"Abaixa!"

Dante se lançou sobre o filho. A agulha atingiu seu ombro. Rafael imobilizou Lorena antes que ela alcançasse a saída.

"Vocês não podem me prender", ela gritou. "Vicente controla a ordem, a polícia e a menina."

"Você acabou de confessar diante da própria transmissão", disse Clara.

Lorena sorriu.

"A transmissão não era para o público. Era para ele saber se eu falhasse."

O telefone sobre o altar tocou. Dante, já sentindo o efeito do sedativo, atendeu no viva-voz.

Vicente apareceu em vídeo dentro de uma sala branca. Helena estava sentada a uma mesa, desenhando. Não parecia ferida, mas a porta atrás dela tinha fechadura externa.

"Solte Lorena", disse Vicente. "Ou sua suposta filha desaparece antes do exame."

Helena ergueu o desenho para a câmera. Havia quatro figuras: ela, Nicolas, Clara e um homem muito alto. Acima delas, desenhara uma mulher atrás de uma janela.

"Vovô Vini, posso ver a mamãe agora?"

O rosto de Vicente endureceu.

"Não me chame assim."

"Mas a mamãe disse que você é irmão do vovô de verdade."

A menina apontou para alguém fora do enquadramento.

"Ela está ali."

A imagem tremeu. Durante menos de um segundo, uma mão feminina apareceu no vidro da porta. Usava a aliança de Dante.

Então a chamada caiu.

Nicolas tocou o ombro do pai.

"Foi mamãe que abriu a janela do meu quarto. Lorena chegou depois."

Dante lutou contra o sedativo.

"Por que Cecília não trouxe você para casa?"

"Porque o homem da bengala pegou a menina. Mamãe disse que precisava trocar um filho pelo outro."

Vicente usara Helena para obrigar Cecília a deixar Nicolas na capela.

O celular de Clara vibrou. Era Camila, falando do laboratório.

"O resultado saiu. Repetiram duas vezes."

Clara ativou o viva-voz.

"A probabilidade de paternidade é superior a noventa e nove vírgula noventa e nove por cento. Helena é, sem qualquer dúvida possível, filha biológica de Dante Montenegro."

O chefe que comandava homens armados precisou apoiar-se no altar para continuar em pé.

Nicolas sorriu pela primeira vez desde que Clara o conhecera.

"Eu tenho uma irmã."

O alívio durou apenas até Rafael recuperar o sinal do telefone de Vicente.

"Localizei a sala", disse. "É no antigo Hospital Santa Augusta."

Clara conhecia o nome. O prédio fora fechado após um incêndio provocado quatro anos antes — na mesma noite em que Cecília dera à luz.

Na tela restaurada, a câmera voltou por alguns segundos. Vicente segurava Helena diante de duas portas.

Atrás da primeira estava Cecília.

Atrás da segunda, uma chama começava a subir.

"Venha buscar sua filha", disse ele. "Mas escolha depressa qual delas merece sair viva."

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