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"A Empregada Que Fez o Filho do Chefe da Máfia Falar Depois de Quatro Anos" Capítulo 2 — A Fotografia Impossível

正文开头

Dante virou a fotografia várias vezes, como se uma data pudesse mudar sob pressão.

"Isto foi tirado dois dias depois do enterro."

Clara apertou Nicolas contra o peito.

"Eu sei."

"Então minha esposa estava viva."

"Quando essa foto foi feita, sim."

O silêncio que se seguiu assustou até Rafael.

Dante levantou-se e trancou as portas do salão. Guardou o envelope de Cecília no bolso interno do paletó.

"Comece do início. Sem omitir nada."

Clara contou que recebera uma mensagem quatro anos antes, três dias depois da notícia do acidente. A remetente dizia ser Cecília e marcou um encontro numa clínica particular em Campinas.

"Achei que fosse uma armadilha. Mesmo assim, fui."

"Sozinha?"

"Minha mãe já tinha morrido. Eu não confiava em mais ninguém."

Na clínica, Cecília estava com queimaduras no braço, um corte na testa e medo de ser reconhecida. Disse que o carro fora perseguido na Rodovia dos Bandeirantes. Ela conseguira sair antes da explosão, mas o motorista morreu.

"Por que não voltou para mim?", perguntou Dante.

"Porque acreditava que o mandante dormia sob este teto."

Rafael fechou a expressão.

"Quem?"

"Ela não disse."

Dante bateu a mão na mesa.

Nicolas se encolheu.

Clara cobriu os ouvidos do menino.

"Se quer que ele continue falando, pare de fazer com que cada pergunta pareça uma ameaça."

Dante respirou fundo e afastou-se.

"Tem razão."

O pedido de desculpas surpreendeu Rafael mais do que o grito.

Clara explicou que Cecília permaneceu na clínica por apenas uma noite. Na manhã seguinte, desapareceu, deixando o medalhão, a carta e a fotografia.

"Por que esperou quatro anos para entrar aqui?"

"Eu tentei falar com o senhor."

Ela mostrou um celular antigo. Havia registros de dezenove ligações para o escritório de Dante, três cartas devolvidas e mensagens enviadas ao número de Vicente.

"Ele respondeu uma vez", disse Clara. "Mandou que eu esquecesse Cecília se quisesse continuar viva."

Rafael tomou o aparelho.

"A mensagem pode ser falsa."

"O número está registrado em nome de uma empresa do grupo Ferraz."

Dante olhou para a porta por onde Vicente saíra.

"Localize-o."

Rafael falou ao rádio. Vicente já havia deixado a mansão por uma passagem de serviço, sem avisar os seguranças.

No sofá, Nicolas pegou papel e lápis. Desenhou um carro preto, uma mulher e um homem alto com uma bengala.

Dante se ajoelhou.

"Quem é este?"

O menino hesitou. Clara voltou a cantar as quatro notas.

"Tio Vini", sussurrou Nicolas.

Vicente usava bengala desde uma cirurgia no quadril.

"Onde você viu tio Vini?", perguntou Dante.

Nicolas apontou para o carro desenhado.

Depois riscou a mulher com o lápis preto.

Dante perdeu a cor.

"Na noite em que sua mãe morreu?"

O menino cobriu a boca e parou de responder.

Clara não insistiu. Pediu que Dante chamasse a terapeuta de Nicolas, mas ele explicou que a profissional fora indicada por Vicente.

"Então procure outra", disse ela.

Dante ordenou a Rafael que encontrasse uma fonoaudióloga e uma psicóloga infantil sem ligação com nenhuma das famílias.

正文1

Enquanto aguardavam, ele conduziu Clara ao escritório. Fechou a porta, mas deixou uma câmera ligada para que Nicolas pudesse vê-la no quarto ao lado.

"Se eu descobrir que está usando meu filho, não haverá lugar no Brasil onde possa se esconder."

Clara não desviou o olhar.

"Se eu quisesse usar Nicolas, teria cantado no primeiro dia em que cheguei. Esperei três meses porque precisava saber quem vigiava esta casa."

"E descobriu?"

"As câmeras da ala infantil desligam por oito minutos toda terça-feira. Vicente visita Nicolas nas manhãs de quarta, mesmo quando o senhor está viajando. Lorena entra sem ser revistada. E alguém abriu meu quarto ontem."

Dante chamou Rafael.

O chefe da segurança confirmou as falhas das câmeras, mas disse que eram atualizações automáticas. Clara colocou sobre a mesa três folhas com horários e fotografias do painel.

"Atualizações não acontecem quando Vicente estaciona no portão dos fundos."

Rafael examinou os registros.

"Quem ensinou você a observar um sistema de segurança?"

"Trabalhei como técnica de enfermagem numa clínica protegida. Aprendi a perceber quando alguém entrava sem autorização."

"A mesma clínica de Cecília?", perguntou Dante.

Clara confirmou.

Durante dois anos, ela se empregara ali para procurar o prontuário da irmã. Os arquivos haviam sido removidos, e a clínica fechou depois de uma fiscalização do Conselho Regional de Medicina.

"O prédio ainda existe", disse Rafael.

Dante pediu os arquivos de contratação de Clara. A assinatura que autorizara sua entrada na mansão não era da governanta, como ela acreditava. Era de Lorena.

"Por que ela contrataria a mulher que agora acusa de querer minha atenção?", perguntou Dante.

Clara lembrou-se da entrevista. Lorena ficara atrás de um vidro, observando sem se apresentar.

"Talvez eu não tenha entrado aqui apesar deles", disse. "Talvez tenha entrado porque alguém queria encontrar a carta."

Rafael verificou os registros eletrônicos. Na semana em que Clara foi contratada, Vicente pedira cópias dos documentos de todos os novos funcionários. Também consultara o endereço da avó que a criara.

"Minha avó morreu quinze dias depois", afirmou Clara.

"Causa?", perguntou Dante.

"Queda na escada. Disseram que foi acidente."

Dante mandou preservar o apartamento e solicitar os registros do atendimento pelo SAMU. Clara tentou esconder o abalo, mas as mãos tremeram.

"Se eles mataram minha avó por causa desta carta..."

"Não conclua antes das provas", disse Rafael.

"Foi isso que fizeram com Cecília. Aceitaram a primeira explicação conveniente."

Dante não a repreendeu. A acusação também era dirigida a ele.

Dante ordenou que preparassem os carros.

Na garagem, Lorena surgiu bloqueando o caminho de Clara.

"Você achou uma maneira inteligente de chamar a atenção dele."

"O filho dele voltou a falar. Essa deveria ser sua preocupação."

Lorena sorriu.

"Dante ama respostas. Quando descobrir que você trouxe apenas perguntas, vai expulsá-la."

"E a senhora está com medo de qual resposta?"

O sorriso desapareceu.

Antes que Lorena reagisse, Nicolas correu até Clara. Trazia o carrinho de madeira e um pedaço de tecido branco preso na roda.

正文2

"Achei no quarto da mamãe."

Dante se abaixou. O tecido tinha pequenas manchas marrons e o mesmo bordado do lenço usado por Cecília na fotografia.

"O quarto dela está trancado desde o funeral", disse.

Nicolas apontou para Lorena.

"Ela abriu."

Lorena ficou imóvel.

Rafael encontrou uma chave antiga dentro da bolsa dela.

"Vicente me deu", disse rapidamente. "Queria que eu escolhesse joias de Cecília para o evento beneficente."

Dante tirou a chave da mão do segurança.

"Você entrou no quarto da minha esposa sem minha autorização?"

"Eu seria sua esposa. Pensei que..."

"Pensou errado."

Lorena deixou escapar que o tecido deveria ter sido retirado havia semanas. Ao perceber o que dissera, tentou corrigir:

"Vicente comentou que faria uma limpeza."

"Por que se preocuparia com um pedaço de tecido?", perguntou Clara.

Dante ordenou que Rafael recolhesse a bolsa e o telefone de Lorena para perícia. Ela ameaçou processar todos, mas o medo por trás da arrogância era evidente.

Antes de sair, aproximou-se de Clara.

"Cecília também pensava que podia vencer esta família. Veja onde terminou."

Nicolas ouviu. Seus dedos fecharam-se no carrinho.

"Ela não terminou", disse ele.

Lorena olhou para o menino como se tivesse visto um fantasma.

Dante guardou aquela reação.

Lorena foi escoltada para fora da propriedade.

No trajeto até Campinas, Rafael recebeu uma mensagem. Um funcionário da antiga clínica aceitara entregar os registros em troca de proteção.

O encontro seria numa igreja próxima ao prédio.

Quando chegaram, encontraram o funcionário caído atrás do altar. Ainda respirava. Ao lado dele havia um pen drive e uma fotografia queimada.

Clara reconheceu Cecília.

Na parte preservada da imagem, ela segurava a mão de uma criança pequena.

Não era Nicolas.

Antes de perder a consciência, o homem agarrou o pulso de Dante.

"Sua esposa saiu viva da clínica", sussurrou. "Mas não saiu sozinha."

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