localização atual: Novela Mágica A Dançarina Que Voltou Para Si Capítulo 2 — A Mentira Que Já Estava Pronta
标题上

"A Dançarina Que Voltou Para Si" Capítulo 2 — A Mentira Que Já Estava Pronta

正文开头

Capítulo 2 — A Mentira Que Já Estava Pronta

Eu não dormi.

Às seis da manhã, sentei na mesa da cozinha com café frio, o celular carregando e um caderno aberto. Na primeira página, escrevi três perguntas: quem tinha o vídeo, quando ele fora gravado e quem ganhava comigo destruída.

A resposta para a última era fácil.

Célia.

Ela nunca suportara que Gabriel fosse respeitado, estável e impossível de comprar. Bruna, então, tinha passado anos disfarçando o desejo de ocupar o lugar que dizia desprezar. Se eu me separasse dele por vergonha, as duas apareciam como família preocupada. Se Bruna se aproximasse, ninguém estranharia.

Mas eu precisava de mais que intuição.

Abri o perfil anônimo e tirei capturas de tela de tudo: nome de usuário, horário da publicação, comentários bloqueados, contagem regressiva. Depois enviei uma solicitação de preservação de dados pela própria plataforma. Não sabia se teria efeito imediato, mas sabia que na outra vida eu tinha apagado mensagens demais, chorado demais e registrado de menos.

Às sete e meia, Célia ligou.

“Minha filha, você está melhor? O Renato perguntou de você.”

Meu corpo inteiro ficou alerta. Liguei o gravador do celular antes de atender.

“Por que ele perguntaria de mim?”

Do outro lado, houve uma pausa curta.

“Porque vocês conversaram bem naquela festa. Ele é atencioso. Talvez seja bom você tomar um café com ele. Longe do Gabriel, sem aquela cara de interrogatório.”

“Que festa, tia?”

“A do estúdio. Você não lembra? Ele até tirou fotos suas.”

“Fotos que você mandou ele tirar?”

O silêncio dela durou tempo demais.

“Não fale bobagem, Lara. Estou tentando te ajudar.”

“Então me ajuda não me mandando encontrar um homem sozinho enquanto eu ainda sou casada.”

Célia riu sem humor.

“Casada só no papel. Você sabe que Gabriel já cansou.”

“Talvez. Mas isso não te dá o direito de decidir minha vida.”

Desliguei antes que ela pudesse recuperar o controle da conversa. Salvei o áudio em dois lugares e enviei uma cópia para meu próprio e-mail.

No caminho para a companhia, o perfil anônimo publicou um story. Era uma foto minha saindo de um café, tirada de longe. Eu estava ao lado de Renato. A data era de uma semana antes do meu desmaio.

Na imagem original, eu tinha ido embora depois de cinco minutos, desconfortável com a insistência dele. Mas o recorte mostrava apenas o momento em que Renato se inclinava perto demais para falar alguma coisa.

Meu celular começou a receber mensagens.

“Lara, é verdade?”

“Que vergonha para o Gabriel.”

“A diretora vai saber disso?”

Respirei fundo. Não responderia a nenhum comentário. Registrei todos.

No corredor da companhia, as conversas diminuíram quando apareci. Mirela Duarte fingiu alongar a panturrilha, mas os olhos brilhavam de curiosidade.

“Você está famosa”, ela disse. “Não sabia que dançar não era suficiente para você.”

Na outra vida, eu teria gritado. Depois todos diriam que eu era desequilibrada.

正文1

“Se viu algo que prova uma acusação, entregue à direção”, respondi. “Se não viu, não repita.”

Mirela estreitou os olhos.

“Você está me ameaçando?”

“Estou te avisando.”

Procurei a diretora artística, Sônia Paes, antes do aquecimento. Entreguei um resumo por escrito, as capturas de tela e pedi que qualquer medida contra mim fosse formalizada. Ela parecia cansada, preocupada e pouco convencida.

“Lara, você entende que a companhia depende de patrocínio. Se isso crescer…”

“Entendo. Por isso eu mesma vim antes que chegasse por fofoca.”

“E o fotógrafo?”

“Não tenho relação com ele.”

“Você consegue provar?”

Ergui o queixo.

“Ainda não. Mas vou conseguir.”

Na saída do ensaio, Renato me esperava do lado de fora, junto a uma motocicleta preta. A camisa branca, o sorriso treinado e a câmera pendurada no ombro me deram náusea.

“Lara. Finalmente.”

“Não encosta em mim.”

Ele abriu as mãos, fingindo inocência.

“Calma. Vim ver se você está bem. Sua tia disse que você anda infeliz.”

“Minha tia fala demais.”

“Ela só se preocupa. Diferente do seu marido.”

“Você não sabe nada sobre meu casamento.”

“Sei o suficiente para saber que ele não vai gostar quando o vídeo sair.”

Meu coração bateu forte, mas mantive o celular gravando dentro da bolsa.

“Que vídeo?”

Renato sorriu de lado. “Não se faz de boba. Você sempre foi boa em parecer frágil, Lara. Dá vontade de salvar.”

“Salvar de quê?”

“De um homem que te trata como um relatório.”

“Você está me seguindo?”

“Eu trabalho com imagem. Às vezes, a imagem encontra a gente.”

Uma voz fria cortou a rua.

“Afaste-se dela.”

Gabriel estava a poucos metros, saindo de um carro oficial sem identificação. Não precisava levantar a voz para fazer Renato recuar. A postura dele bastava.

“Major”, Renato disse, debochado. “Só estava conversando.”

“Ela mandou você parar.”

“Lara nunca sabe o que quer.”

Gabriel deu um passo. Renato ligou a moto e saiu depressa.

Por um instante, fiquei grata. No seguinte, vi Gabriel olhar para a tela acesa do meu celular, onde havia a foto antiga do café.

“Você voltou a falar com ele?”

“Não. Ele me procurou.”

“E por que não me avisou?”

Eu ri, sem alegria.

“Porque você teria acreditado em mim?”

O maxilar dele endureceu.

“Não transforme isso numa discussão.”

“Não estou transformando. Estou perguntando.”

Ele desviou os olhos por um segundo. Foi resposta suficiente.

“Eu estou tentando resolver”, falei. “Mas preciso que você não decida, antes de ouvir, que eu sou culpada.”

Gabriel não prometeu nada. Apenas entrou no carro e foi embora.

No fim da tarde, recebi uma mensagem de um número desconhecido.

“Sou Bianca Torres. Trabalho com o Gabriel. Podemos conversar?”

Meu peito apertou. Bianca era o nome que eu ouviria muitas vezes nos próximos meses. A mulher competente, bonita e sempre por perto quando Gabriel estava em operação. Na outra vida, eu tinha usado isso como mais uma desculpa para odiá-lo.

Aceitei encontrá-la numa cafeteria movimentada.

Bianca chegou com uma pasta fina e uma expressão direta.

“Não vim falar do seu casamento”, disse, sentando-se. “Vim porque existe uma denúncia anônima usando imagens manipuladas. O Gabriel pediu que eu verificasse a origem, mas eu queria que você soubesse uma coisa: eu sou perita, Lara. Não sou amante dele.”

Meu rosto esquentou.

“Eu não disse que…”

“Não precisa. Todo mundo pensa.” Ela abriu a pasta. “Também achei estranho alguém conseguir publicar fotos de momentos tão específicos. Você tem mensagens, convites, áudios?”

Entreguei as cópias que havia feito.

Bianca ouviu parte do áudio de Célia e ficou séria.

“Isso pode ser importante. Preserve tudo. Não edite. Não responda provocação.”

“E o Gabriel?”

Ela me encarou com uma franqueza quase cruel.

“Ele tem defeitos. Consegue se fechar quando está magoado. Mas não pediu para eu vir por ciúme. Pediu porque teme que alguém esteja preparando algo contra você.”

Eu queria acreditar. Ainda não conseguia.

Quando cheguei ao hospital, encontrei minha mãe numa maca, pálida e confusa. A vizinha contou que ela tinha visto o vídeo que enfim fora publicado em vários grupos de família. Na edição, Renato parecia me beijar. A música dramática e a legenda faziam o resto.

Minha mãe segurou meu pulso.

“Lara, diz que isso não é verdade.”

Eu engoli o choro.

“Não é. Eu nunca traí ninguém.”

Do lado de fora da porta, ouvi passos pararem.

Ergui os olhos e vi Gabriel imóvel no corredor.

“Eu posso ter errado muito com você”, continuei, segurando a mão da minha mãe. “Mas não vou mais deixar mentira virar sentença. Eu vou provar.”

Gabriel não entrou.

Mas, pela primeira vez, ele também não foi embora.

下一张上
下一章下

você pode gostar

Compartilhar Link

Copie o link abaixo para compartilhar com seus amigos:

页面底部