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"Meu Marido Fugiu Com a Amante e Levou Tudo… Mas No Aeroporto, Descobriu Que Eu Já Bloqueei Tudo" Capítulo 10 — Você Nunca Foi o Dono

正文开头

Marcelo passou as vinte e quatro horas seguintes tentando recuperar o controle.

Ligou para conselheiros.

Executivos.

Antigos parceiros.

Pessoas que haviam atendido seu telefone durante anos começaram a dizer:

"Meu advogado recomendou que eu não converse sobre isso."

Outras simplesmente não atenderam.

À tarde, Caio Salles procurou as autoridades através de advogado.

Lavínia havia feito o mesmo.

A aliança que Marcelo acreditava controlar começava a desaparecer.

Helena, entretanto, não comemorava.

Estava sentada no escritório de Camila diante de um novo conjunto de documentos.

"Dívidas de Augusto", disse.

Rafael assentiu.

"Existem."

Helena sentiu o estômago apertar.

"Então Marcelo falou a verdade."

"Uma parte."

"Quanto meu pai devia?"

Rafael virou a planilha.

O valor era alto.

Muito alto.

Mas algo estava errado.

Helena apontou.

"Essas datas."

Camila respondeu:

"Também percebemos."

Parte das obrigações aparecia depois do investimento no Grupo Montenegro.

Algumas eram ligadas a garantias cruzadas.

Outras, a empresas que Augusto controlava.

"Meu pai poderia ter perdido tudo?"

"Em determinado cenário, sim", Rafael respondeu.

Helena ficou em silêncio.

A imagem que construíra nas últimas horas começou a rachar.

Augusto não era um homem perfeito.

Talvez o dinheiro investido nos Montenegro não tivesse sido apenas um gesto de proteção.

Talvez ele próprio estivesse pressionado.

"Quero a verdade."

Camila se aproximou.

"Mesmo que não seja bonita?"

"Principalmente."

Passaram o resto do dia reconstruindo operações.

No início da noite, Rafael encontrou a primeira inconsistência.

"Olha isso."

Uma dívida atribuída à Duarte Participações havia sido renegociada.

O documento trazia uma garantia adicional.

"Essa empresa não era do meu pai."

"Exato."

"Então por que aparece aqui?"

"Boa pergunta."

A empresa tinha ligação indireta com pessoas próximas aos Montenegro.

Outra inconsistência surgiu.

Depois outra.

Camila ligou para um especialista.

Eduardo foi chamado.

Quando chegou, Helena não lhe ofereceu café.

"Você sabia das dívidas?"

"Sabia."

"Por que não contou?"

"Porque Augusto realmente tinha dívidas. Eu não sabia quais eram legítimas."

"Você podia ter dito isso ontem."

"Podia."

"Todo mundo nesta história decide o que eu devo ou não saber."

Eduardo abaixou a cabeça.

"Você tem razão."

Helena empurrou os documentos.

"Explique."

Eduardo respirou fundo.

"Quando Augusto colocou dinheiro no grupo, ele assumiu riscos. Depois, houve uma disputa sobre compensações e garantias."

"Com Beatriz?"

"Com o marido dela principalmente."

"Marcelo sabia?"

"Era jovem, mas participava de algumas reuniões."

Helena apertou os olhos.

"Então ele aprendeu cedo."

"Aprendeu o quê?"

"Que documento pode ser usado para transformar uma história."

Eduardo não respondeu.

Naquela noite, Marcelo pediu para encontrar Helena.

Camila foi contra.

"Não vejo benefício."

Helena respondeu:

"Eu vejo."

"Qual?"

"Quero saber por que ele mencionou as dívidas."

O encontro aconteceu em uma sala reservada de um hotel nos Jardins.

Camila ficou do lado de fora.

Marcelo chegou primeiro.

Sem gravata.

Sem motorista.

Sem o ar de presidente.

Mas ainda carregava arrogância.

Helena sentou do outro lado da mesa.

"Você queria falar."

Marcelo riu.

"Você finalmente resolveu ouvir."

"Fale."

"Podemos acabar com isso."

正文1

"Como?"

"Divórcio."

"Isso já vai acontecer."

"Eu assino."

"Ótimo."

"Abro mão da casa."

Helena quase riu.

"Você não é dono."

Marcelo apertou os lábios.

"Abro mão de reivindicações sobre seus bens pessoais."

"E?"

"Você retira as acusações."

"Não."

"Nem ouviu tudo."

"Não preciso."

"Helena, pense."

"Eu pensei por seis meses."

"Você pode sair disso rica."

Ela o encarou.

"É fascinante."

"O quê?"

"Você ainda acha que estou fazendo isso por dinheiro."

"Todo mundo faz por dinheiro."

"Talvez seja por isso que você nunca entendeu meu pai."

Marcelo riu.

"Seu pai não era santo."

"Eu sei."

A resposta o surpreendeu.

"Se ele fez alguma coisa errada, eu quero saber."

"Tem certeza?"

"Tenho."

"Porque essa fantasia de Augusto Duarte salvando todo mundo pode acabar."

Helena se inclinou.

"Ótimo."

Marcelo perdeu o sorriso.

"Você não entende."

"Então explique."

"Seu pai devia dinheiro."

"Estamos investigando."

Marcelo ficou imóvel por uma fração de segundo.

Helena percebeu.

"Você esperava que eu não soubesse."

"Você descobriu rápido."

"Estou aprendendo."

Marcelo respirou fundo.

"Existe um documento."

"Claro que existe."

"Uma cessão."

"De quê?"

"Dos direitos que você acha que herdou."

Helena sentiu o coração acelerar.

"Para quem?"

"Para estruturas ligadas ao grupo."

"Assinada pelo meu pai?"

"Sim."

"Original?"

"Sim."

"Então mostre."

Marcelo ficou em silêncio.

Helena sorriu.

"Você não tem."

"Eu sei onde está."

"Onde?"

"Assine o acordo."

Helena se levantou.

"Boa noite."

"Se você sair, perde a chance."

Ela pegou a bolsa.

"Marcelo, você ainda não entendeu."

"O quê?"

"Se existe um documento verdadeiro que prova que meu pai transferiu tudo legalmente, eu vou aceitar."

Ele franziu a testa.

"Você está blefando."

"Não."

"Então por que está fazendo isso?"

Helena parou.

"Porque eu não preciso ser dona do Grupo Montenegro para provar que você falsificou minha assinatura."

Marcelo ficou em silêncio.

"E não preciso ficar com um centavo seu para provar que você tentou colocar dívidas no meu nome."

Ela caminhou até a porta.

"Você está confundindo duas coisas."

Virou.

"Patrimônio e crime."

Marcelo empalideceu.

Helena abriu a porta.

Ele falou:

"Você vai destruir tudo."

Ela respondeu:

"Não."

"Vai."

"Eu vou deixar que cada documento diga o que aconteceu."

Saiu.

Camila a esperava.

"Conseguiu alguma coisa?"

"Sim."

"O quê?"

"Existe uma cessão."

Camila franziu a testa.

"Ele mostrou?"

"Não."

"Então pode estar mentindo."

"Pode."

Helena olhou para trás.

"Mas ele ficou com medo quando eu disse que aceitaria se fosse verdadeira."

---

Na manhã seguinte, a notícia chegou.

Caio Salles havia entregue registros adicionais.

Entre eles, havia cópias de arquivos que Marcelo mandara armazenar fora dos sistemas do Grupo Montenegro.

Rafael abriu um deles.

"Helena."

Ela se aproximou.

Era uma digitalização antiga.

Título:

**Instrumento Particular de Cessão de Direitos.**

Helena sentiu o peito apertar.

Augusto Duarte aparecia como cedente.

Leu a primeira página.

Segunda.

Terceira.

Na última, uma assinatura.

Parecia a do pai.

"É verdadeira?"

Camila respondeu:

"Não sabemos."

Helena continuou lendo.

Então percebeu uma data.

"Espera."

Rafael olhou.

"O quê?"

"Meu pai estava internado."

Camila verificou.

Augusto passara por uma cirurgia naquela semana.

Mas isso não impossibilitava uma assinatura.

Rafael ampliou o documento.

"Tem outra coisa."

"O quê?"

"O reconhecimento."

O cartório indicado no documento ficava em Santos.

Helena franziu a testa.

"Meu pai estava internado em São Paulo."

Camila já estava pegando o telefone.

Horas depois, veio a resposta preliminar.

A numeração do selo não correspondia ao ato indicado.

Rafael ficou em silêncio.

Helena perguntou:

"Falso?"

Camila respondeu:

"Precisamos de perícia e confirmação oficial."

"Mas?"

"Há sinais sérios de irregularidade."

Helena sentou.

Marcelo tentara assustá-la com uma dívida.

Depois, com uma cessão.

E a cada camada aparecia outra mentira.

O celular tocou.

Era Beatriz.

Helena quase não atendeu.

"Fale."

A voz da sogra parecia diferente.

"Marcelo foi longe demais."

Helena fechou os olhos.

"Quando?"

"Helena..."

"Quando foi longe demais? Quando falsificaram minha assinatura? Quando ele tentou fugir? Quando tentou me culpar?"

Beatriz ficou em silêncio.

"Por que está ligando?"

"Porque eu encontrei o original."

Helena se levantou.

"Original de quê?"

"Da última carta de Augusto."

"Que carta?"

"Uma que ele enviou ao meu marido antes de morrer."

Helena sentiu as pernas enfraquecerem.

"O que diz?"

"Que ele sabia que alguém estava tentando alterar os documentos."

Silêncio.

Beatriz continuou:

"Também diz onde ele guardou a prova."

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