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"Meu Marido Fugiu Com a Amante e Levou Tudo… Mas No Aeroporto, Descobriu Que Eu Já Bloqueei Tudo" Capítulo 8 — A Sogra Sabia de Tudo

正文开头

Na manhã seguinte, Helena ligou para Beatriz.

A sogra atendeu no terceiro toque.

"Precisamos conversar."

"Já conversamos."

"Não sobre Augusto."

Silêncio.

Helena continuou:

"Nem sobre Eduardo."

Outro silêncio.

"Venha até minha casa."

Beatriz respondeu:

"Não recebo ordens suas."

"Então eu envio a gravação para sua advogada e deixo que ela explique."

Beatriz respirou fundo.

"Que gravação?"

"Venha."

Helena desligou.

Quarenta minutos depois, Beatriz estava na sala.

Dessa vez, veio sozinha.

Helena havia retirado a pulseira de diamantes da mesa.

Não queria Lavínia naquela conversa.

Queria apenas Augusto.

Camila estava presente.

Rafael também.

Beatriz olhou para os dois.

"Isso é uma emboscada?"

Helena respondeu:

"Não. Emboscada é quando uma pessoa não sabe o que está acontecendo."

Apontou para a cadeira.

"Eu já vivi assim tempo demais."

Beatriz sentou.

Helena colocou o celular sobre a mesa.

Reproduziu a gravação.

"Ela nunca pode descobrir de onde veio o dinheiro."

A voz de Marcelo.

Depois Beatriz.

"Você deveria ter resolvido isso anos atrás."

O rosto da sogra endureceu.

Quando o áudio terminou, Helena não perguntou se era verdadeiro.

Perguntou:

"Há quanto tempo?"

Beatriz ficou em silêncio.

"Há quanto tempo a senhora sabia que meu pai tinha direitos sobre o grupo?"

"Seu pai fez um acordo."

"Há quanto tempo?"

"Desde o começo."

Helena sentiu a resposta atravessá-la.

Mesmo esperando, doeu.

"Onze anos."

"Mais."

"Mais?"

"Augusto negociava com meu marido antes de você e Marcelo marcarem o casamento."

Helena olhou para Rafael.

Ele anotou.

"Então a senhora sabia quando me chamou de oportunista."

Beatriz desviou o olhar.

"Eu nunca usei essa palavra."

"Não precisava."

Helena se inclinou.

"No primeiro Natal, a senhora disse que eu finalmente aprenderia como vivia uma família de verdade."

Beatriz apertou a bolsa.

"Você vai transformar comentários antigos em julgamento?"

"Não."

Helena abriu uma pasta.

"Vou usar documentos."

Colocou o Anexo IV sobre a mesa.

Beatriz olhou.

A expressão mudou.

"De onde tirou isso?"

"Então é verdadeiro."

"Eu não disse isso."

"Não precisava."

Camila interveio:

"Uma cópia está sendo analisada."

Beatriz virou para Helena.

"Eduardo."

Helena não respondeu.

"Foi ele."

"Isso importa?"

"Ele não tinha direito."

"Meu pai deu a ele."

Beatriz riu.

"Augusto nunca confiou em ninguém."

"Talvez tivesse motivos."

A sogra fechou os olhos.

"Você não entende."

"Então explique."

"Naquela época, o grupo estava à beira do colapso."

"Eu sei."

"Não, não sabe. Seu sogro estava doente. Bancos pressionavam. Contratos poderiam ser rompidos. Havia centenas de empregos."

"E meu pai colocou dinheiro."

"Sim."

"Quanto?"

Beatriz não respondeu.

Rafael colocou uma folha sobre a mesa.

"Nós sabemos quanto."

Beatriz olhou.

"Então por que pergunta?"

Helena respondeu:

"Porque quero ouvir da senhora."

Beatriz respirou fundo.

"Seu pai salvou a empresa."

A frase ficou no ar.

Helena sentiu algo estranho.

Não satisfação.

Não vitória.

Tristeza.

Onze anos esperando ouvir a verdade.

"Obrigada."

Beatriz franziu a testa.

"Por quê?"

"Por finalmente dizer."

Beatriz continuou:

"Mas Augusto não fez caridade."

"Eu nunca disse que fez."

正文1

"Ele recebeu direitos."

"Que foram escondidos de mim."

"Não foram escondidos."

Helena riu.

"Eu só descobri ontem."

"Seu pai morreu antes de organizar tudo."

"E depois?"

Beatriz não respondeu.

"E depois, Beatriz?"

"Algumas estruturas foram reorganizadas."

"Por quem?"

"Advogados."

"Quais?"

"Não lembro."

Camila perguntou:

"Existem instrumentos de alteração?"

"Devem existir."

"Então forneça."

"Eu não tenho obrigação de entregar nada."

Helena cruzou as mãos.

"Está bem."

Beatriz pareceu surpresa.

"Está bem?"

"Sim. Procuramos por outros meios."

"Você está tratando isso como se fosse uma caça ao tesouro."

"Não."

Helena olhou para ela.

"Estou tratando como se meu marido tivesse tentado transferir dinheiro, falsificado minha assinatura e fugido com a amante enquanto a mãe dele escondia informações sobre o patrimônio do meu pai."

Beatriz perdeu a paciência.

"Eu protegi minha família!"

"E eu não era sua família?"

A pergunta silenciou a sala.

Beatriz abriu a boca.

Nenhuma resposta veio.

Helena assentiu lentamente.

"Entendi."

"Helena..."

"Não."

Ela se levantou.

"Essa resposta eu finalmente entendi."

Beatriz também se levantou.

"Se você derrubar Marcelo, pode derrubar o grupo junto."

"Não quero derrubar o grupo."

"Então o que quer?"

"Separar a empresa do homem que acredita ser dono dela."

Beatriz empalideceu.

"Você não sabe administrar aquilo."

"Talvez eu não precise administrar."

"O que isso significa?"

"Significa que existem executivos, conselho, governança."

Beatriz soltou uma risada.

"Agora você virou empresária?"

Helena olhou para ela.

"Não. Eu virei uma mulher que lê antes de assinar."

Rafael tentou esconder um sorriso.

Beatriz pegou a bolsa.

Antes de sair, Helena fez uma última pergunta.

"Existe outro documento?"

Beatriz parou.

"O quê?"

"Alguma alteração posterior ao Anexo IV."

"Já disse que não lembro."

"Não perguntei se lembra."

Helena se aproximou.

"Perguntei se existe."

Beatriz ficou imóvel.

Por dois segundos.

Três.

Então abriu a porta.

"Pergunte ao Eduardo."

Saiu.

Helena olhou para Camila.

"Ela sabe."

"Sim."

Rafael fechou o notebook.

"E se existir uma alteração válida, pode mudar bastante coisa."

"Então encontramos."

O telefone de Helena tocou.

Eduardo.

Ela atendeu imediatamente.

"Você falou com Beatriz?", ele perguntou.

"Sim."

"E?"

"Ela mandou perguntar a você sobre outro documento."

Silêncio.

Helena sentiu o coração acelerar.

"Eduardo?"

"Eu estava esperando você chegar nessa parte."

"Que parte?"

"A parte em que Beatriz admite que existe mais."

Helena apertou o aparelho.

"Você tem?"

"Tenho uma cópia."

Helena fechou os olhos.

"Por que não me deu ontem?"

"Porque eu precisava confirmar se Beatriz ainda tentaria negar."

"Pare de jogar comigo."

"Não estou jogando."

"Então me diga o que tem."

Eduardo respirou fundo.

"Uma ata extraordinária assinada depois da morte do seu pai."

"Por quem?"

"Beatriz, membros do conselho e representantes jurídicos."

"E o que fizeram?"

"Tentaram reorganizar os direitos da Duarte."

"Tentaram?"

"Existe um problema."

"Qual?"

"Para algumas mudanças, precisavam da assinatura da sucessora dos direitos de Augusto."

Helena sentiu um arrepio.

"Minha."

"Sim."

"Eu nunca assinei."

"Eu sei."

A sala ficou completamente silenciosa.

Helena perguntou:

"Existe uma assinatura com meu nome?"

正文2

"Existe."

Camila levantou imediatamente.

Helena sentiu o sangue pulsar nas têmporas.

"Eduardo."

"Sim?"

"Me mande agora."

"Já mandei."

O computador de Camila avisou a chegada de um e-mail.

Ela abriu.

Baixou o documento.

Helena se aproximou.

Na última página havia uma assinatura.

**Helena Duarte Montenegro.**

Ela olhou por poucos segundos.

"Não é minha."

Camila ampliou.

"Tem certeza?"

"Absoluta."

Rafael se aproximou.

"Se isso for confirmado..."

Helena não respondeu.

Seu celular tocou novamente.

Dessa vez, Marcelo.

Ela atendeu.

"Você encontrou, não encontrou?"

Helena ficou imóvel.

Marcelo continuou:

"Escuta antes de fazer alguma besteira."

"Você sabia."

"Não é tão simples."

"Minha assinatura está num documento que eu nunca vi."

"Helena..."

"Foi você?"

Silêncio.

"Marcelo."

"Eu posso explicar."

Ela fechou os olhos.

Aquelas três palavras diziam tudo.

"Então explique na reunião do conselho."

Marcelo parou.

"Que reunião?"

Helena olhou para Camila.

A advogada entendeu imediatamente.

"Vou convocar."

Helena voltou ao telefone.

"A reunião em que você vai me dizer, olhando para todos os conselheiros, por que meu nome aparece num documento que eu nunca assinei."

"Você não pode convocar nada."

Helena olhou para o Anexo IV.

Depois para a falsa assinatura.

Então respondeu:

"É isso que nós vamos descobrir."

Desligou.

Rafael abriu rapidamente os registros societários.

"Se conseguirmos sustentar os direitos de representação..."

Camila completou:

"Ela pode exigir formalmente esclarecimentos e medidas no conselho."

Helena caminhou até a janela.

Faria Lima surgia ao longe entre os prédios de São Paulo.

Durante anos, Marcelo entrara na sede do Grupo Montenegro como rei.

Todos levantavam quando ele chegava.

Todos esperavam que ele falasse primeiro.

Helena nunca tivera uma cadeira naquela mesa.

Agora, virou para Camila.

"Marque a reunião."

"Para quando?"

Helena não hesitou.

"Amanhã."

Camila pegou o telefone.

Rafael fechou as pastas.

Helena olhou novamente para a assinatura falsa.

Marcelo ainda acreditava que o maior perigo era perder dinheiro.

Ele estava errado.

No dia seguinte, Helena pisaria pela primeira vez na sala do conselho não como esposa de Marcelo Montenegro.

Mas como a mulher cujo nome alguém havia usado para tentar apagar os direitos deixados por Augusto Duarte.

E, dessa vez, ela falaria primeiro.

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