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"Meu Marido Fugiu Com a Amante e Levou Tudo… Mas No Aeroporto, Descobriu Que Eu Já Bloqueei Tudo" Capítulo 7 — A Amante Bateu à Porta

正文开头

Lavínia chegou à mansão às 00h43.

Helena quase não abriu.

Camila ainda estava lá e insistiu para que qualquer conversa fosse registrada de forma adequada e conduzida com cautela.

"Ela participou de parte disso", disse a advogada.

"Eu sei."

"Pode estar tentando se proteger."

"Eu sei."

"Pode mentir."

"Eu sei."

Camila cruzou os braços.

"Ótimo. Só queria ter certeza de que a raiva não apagou seu cérebro."

Helena olhou para ela.

"Minha raiva está funcionando muito bem."

A campainha tocou.

Quando Helena abriu a porta, a mulher da fotografia do aeroporto parecia outra pessoa.

Lavínia não usava óculos escuros.

O cabelo estava preso de qualquer jeito.

A maquiagem havia borrado ao redor dos olhos.

E a pulseira de diamantes continuava no pulso.

Helena olhou diretamente para ela.

Lavínia percebeu.

Tirou a joia.

"É sua."

Estendeu.

Helena não pegou.

"Coloque na mesa."

Lavínia entrou.

Olhou ao redor.

"Marcelo disse que essa casa era dele."

Helena fechou a porta.

"Marcelo diz muitas coisas."

Lavínia colocou a pulseira sobre a mesa.

Camila se apresentou.

"Essa conversa pode ter consequências jurídicas."

Lavínia soltou uma risada nervosa.

"Minha vida inteira pode ter consequências jurídicas."

"Então escolha bem as palavras."

Lavínia sentou.

Helena permaneceu de pé.

"Por que veio?"

"Porque ele mentiu."

"Isso eu descobri seis meses atrás."

"Não estou falando da gente."

Helena sentiu o estômago se contrair.

"Da gente?"

Lavínia abaixou os olhos.

"Eu sei como soa."

"Você dormia com meu marido. Não existe uma forma boa de soar."

"Eu não vim pedir perdão."

"Ótimo."

"Eu sabia que ele era casado."

Camila observou Helena.

Helena não se moveu.

Lavínia continuou:

"Marcelo dizia que o casamento tinha acabado há anos."

"Mas morava comigo."

"Eu sei."

"Dormia comigo."

Lavínia fechou os olhos.

"Eu sei."

"Passou nosso aniversário de casamento comigo."

"Eu sei!"

A voz dela quebrou.

Silêncio.

Helena sentiu vontade de expulsá-la.

Mas não expulsou.

"Continue."

Lavínia respirou fundo.

"Ele dizia que precisava esperar por causa da empresa. Que um divórcio naquele momento poderia afetar investidores."

"Conveniente."

"Eu acreditei no que quis acreditar."

"Isso não torna você inocente."

"Eu sei."

Pela primeira vez, Helena acreditou naquela frase.

Lavínia abriu a bolsa.

Retirou um celular antigo.

"Esse aparelho nunca ficou conectado ao sistema da empresa."

Colocou sobre a mesa.

"Marcelo usava para falar comigo sobre coisas que não queria misturar com o resto."

Camila não tocou.

"O que tem aí?"

"Mensagens. Áudios. Fotos de documentos."

Helena se aproximou.

"Por que ele deixaria isso com você?"

"Porque achava que eu era leal."

"E não é?"

Lavínia riu amargamente.

"Hoje, no aeroporto, eu descobri que o dinheiro que ele dizia estar guardando para nós não existe."

Helena sentou.

"Que dinheiro?"

"Marcelo dizia que estava transferindo recursos para empresas do Caio."

"Estava."

"Uma parte."

Lavínia abriu uma planilha no aparelho.

"Ele dizia que, quando chegássemos a Portugal, teríamos acesso ao resto."

"Quanto?"

Lavínia falou.

Helena não reagiu.

"Você pretendia fugir com dinheiro que sabia que poderia pertencer ao grupo?"

正文1

"Ele disse que era dele."

"E você acreditou."

"Sim."

"Você acredita muito no que lhe convém."

Lavínia aceitou o golpe.

"Provavelmente."

Camila interrompeu:

"O que exatamente você trouxe?"

Lavínia abriu uma pasta de áudios.

"Isso."

A primeira gravação tinha três meses.

Marcelo falava:

"Quando tudo estiver pronto, Helena vai parecer responsável pelas movimentações."

Lavínia perguntava:

"E se ela negar?"

"Ela pode negar o quanto quiser."

"Mas as assinaturas?"

"Estão lá."

"E se fizerem perícia?"

Marcelo riu.

"Até chegar nisso, ela já vai estar enterrada em dívida e escândalo."

Helena ficou imóvel.

Já ouvira algo semelhante.

Mas escutar Marcelo explicar o plano à amante era diferente.

Lavínia abriu outro áudio.

"Você tem certeza que ela não entende as empresas?"

A voz de Marcelo respondeu:

"Helena entende o que eu deixo ela entender."

Camila olhou para Helena.

Helena continuou em silêncio.

Outro áudio.

"Depois do divórcio, a casa fica com você?"

"Claro."

"Ela não tem direito?"

"Helena não tem nada que eu não tenha dado."

Helena fechou os olhos.

Lavínia parou a gravação.

"Tem mais."

"Continue."

O próximo áudio era pior.

Marcelo parecia bêbado.

"Se der problema, a gente diz que Helena estava desesperada porque descobriu você. Mulher traída faz loucura. Todo mundo acredita."

Lavínia respondeu:

"Isso é cruel."

"Você quer ser rica ou quer ser santa?"

A gravação terminou.

Helena olhou para Lavínia.

"E qual foi sua resposta?"

Lavínia demorou.

"Eu fiquei."

"Então escolheu."

"Sim."

Nenhuma desculpa.

Aquilo surpreendeu Helena.

"Por que está me entregando isso agora?"

"Porque hoje eu entendi que, quando chegasse a hora, ele faria comigo exatamente o que estava fazendo com você."

"Isso não é arrependimento."

"Não."

Lavínia ergueu os olhos.

"É medo."

Helena assentiu.

Pelo menos era verdade.

Lavínia pegou o celular.

"Tem uma última gravação."

"Sobre o quê?"

"Eu nunca entendi direito."

Ela procurou.

"Marcelo estava discutindo com alguém. Ele me ligou sem querer e deixou a chamada aberta."

"Quem?"

"Escuta."

O áudio começou com ruídos.

Passos.

Depois a voz de Marcelo.

"Ela nunca pode descobrir de onde veio o dinheiro."

Uma mulher respondeu.

Helena reconheceu antes mesmo da segunda frase.

Beatriz.

"Você deveria ter resolvido isso anos atrás."

Marcelo:

"Eu resolvi."

Beatriz:

"Não resolveu. Enquanto existirem cópias, existe risco."

"Eduardo não vai falar."

"Você não conhece Eduardo como eu."

Marcelo pareceu irritado.

"E Helena não sabe de nada."

Beatriz respondeu:

"Então garanta que continue assim."

Silêncio na sala.

Lavínia pausou.

Helena sentiu as mãos frias.

"Tem mais?"

"Tem."

Reproduziu.

Marcelo perguntou:

"E se ela descobrir a participação do pai?"

Beatriz respondeu:

"Então você perde muito mais do que uma esposa."

O áudio terminou.

Helena não se mexeu.

Camila foi a primeira a falar.

"Precisamos preservar esse aparelho."

Lavínia assentiu.

"Pode ficar."

Helena olhou para a amante.

"Beatriz sabia."

"Sim."

"Marcelo também."

"Sim."

Helena pensou no encontro na sala horas antes.

Marcelo fingindo não saber.

A surpresa.

As perguntas.

Talvez parte tivesse sido real.

Mas não toda.

Ele sabia o suficiente.

Lavínia levantou.

"Eu vou embora."

Helena não tentou impedir.

Na porta, Lavínia parou.

"Helena."

"O quê?"

"Eu sinto muito."

Helena ficou alguns segundos em silêncio.

"Não use isso para se sentir melhor."

Lavínia assentiu.

"Está bem."

Saiu.

Helena fechou a porta.

Camila já estava fazendo anotações.

"Isso muda muita coisa."

Helena olhou para o celular antigo sobre a mesa.

"Não."

"Como não?"

"Confirma."

"Confirma o quê?"

Helena respondeu:

"Que eu fui a única pessoa daquela família que não sabia quem eu era."

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