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"Meu Marido Fugiu Com a Amante e Levou Tudo… Mas No Aeroporto, Descobriu Que Eu Já Bloqueei Tudo" Capítulo 6 — A Casa Era Dela

正文开头

Beatriz Montenegro não se sentou.

Aos sessenta e sete anos, ainda carregava a postura de uma mulher acostumada a entrar em qualquer ambiente e ser tratada como autoridade.

Naquela noite, porém, a sala não lhe pertencia.

"Marcelo, vá para o carro."

Helena quase sorriu.

Marcelo também percebeu o absurdo.

"Mãe, eu tenho quarenta e dois anos."

"Então comece a agir como se tivesse."

Beatriz virou para Helena.

"Quero falar com você."

"Pode falar."

"Sozinhas."

"Não."

Beatriz apertou os lábios.

"Isso é assunto de família."

Helena olhou para Marcelo.

"Qual família?"

"Não seja vulgar."

"Vulgar foi seu filho colocar minha pulseira no braço da amante antes de fugir do país."

Marcelo deu um passo.

"Helena..."

Ela ergueu a mão.

"Você já falou bastante."

Beatriz olhou para o documento.

"Onde conseguiu isso?"

"Qual deles?"

A pergunta fez a sogra hesitar.

Helena percebeu imediatamente.

"Interessante."

"O quê?"

"Eu não disse que tinha mais de um."

Beatriz ficou calada.

Helena abriu outra pasta.

Colocou sobre a mesa a ata antiga com o nome de Augusto.

A reação foi pequena.

Mas suficiente.

"Reconhece?"

"Documentos antigos não mudam a realidade."

"Qual realidade?"

"O Grupo Montenegro pertence à família Montenegro."

"Tem certeza?"

"Meu marido construiu aquela empresa."

"Meu pai impediu que ela quebrasse."

Marcelo virou para a mãe.

"Do que ela está falando?"

Beatriz não respondeu.

"Mãe."

"Seu pai passou por uma crise."

"Que crise?"

"Isso foi antes de você assumir."

"Eu assumi porque resolvi a crise."

Beatriz fechou os olhos.

Helena observou o rosto do marido.

Pela primeira vez, percebeu algo inesperado.

Marcelo talvez realmente não soubesse tudo.

Sabia do dinheiro de Augusto.

Talvez soubesse que existira um investimento.

Mas parecia não saber a dimensão.

"Você sabia que Augusto colocou dinheiro?", Helena perguntou.

Marcelo virou para ela.

"Todo mundo sabia que houve investidores."

"Não perguntei isso."

Ele ficou em silêncio.

"Você sabia?"

"Sabia que seu pai participou de uma rodada."

"Uma rodada?"

Helena empurrou o documento.

"Leia o valor."

Marcelo leu.

Olhou para a mãe.

"Isso está certo?"

Beatriz tentou pegar o papel.

Helena colocou a mão sobre ele.

"Não."

"Me dê."

"É cópia."

"Então não faça teatro."

"Teatro?"

Helena se levantou.

"Teatro foi passar onze anos me tratando como se eu tivesse entrado nesta família sem nada, sabendo que meu pai ajudou a salvar o sobrenome que a senhora usa como coroa."

Beatriz empalideceu.

"Seu pai fez um investimento."

"E recebeu direitos em troca."

"Direitos que foram reorganizados."

"Mostre os documentos."

Silêncio.

Helena inclinou a cabeça.

"Não tem?"

Beatriz olhou para Marcelo.

"Vamos embora."

Ele não se mexeu.

"Mãe, o que você não está me contando?"

"Isso não é lugar..."

"Esta é minha casa."

Helena respondeu:

"Não é."

Marcelo virou.

"Chega!"

Sua voz ecoou.

Por um segundo, o velho Marcelo reapareceu.

O homem que encerrava discussões aumentando o tom.

Helena não piscou.

Ele percebeu.

Aquela técnica não funcionava mais.

Marcelo passou as mãos pelos cabelos.

正文1

"Quero entender uma coisa."

Apontou para Helena.

"Você passou seis meses investigando minha vida?"

"Sim."

"Entrou nas minhas contas?"

"Não."

"Nos meus e-mails?"

"Obtive legalmente documentos relacionados aos meus interesses e entreguei indícios aos profissionais responsáveis."

"Você está falando como sua advogada."

"Aprendi."

"Você não sabe administrar uma empresa."

Helena respirou fundo.

"Talvez."

Marcelo riu.

"Finalmente."

"Mas sei reconhecer uma assinatura que não fiz."

O sorriso dele sumiu.

Beatriz olhou para o filho.

"Que assinatura?"

Helena abriu outra pasta.

"Essa."

Marcelo não tocou.

Beatriz pegou.

Leu.

"Marcelo?"

"Nada disso prova..."

"É a assinatura dela?"

"Ela assinava documentos."

Helena respondeu:

"Esse não."

"Como vai provar?"

Camila apareceu na porta do escritório.

"Com perícia."

Marcelo virou.

"Quem deixou você entrar?"

Helena respondeu:

"Eu."

Camila se aproximou.

"Boa noite, dona Beatriz."

Beatriz não respondeu.

Camila colocou outra folha sobre a mesa.

"Existem mais."

Beatriz começou a folhear.

Garantias.

Autorizações.

Operações.

Em alguns documentos, a assinatura atribuída a Helena era questionada.

Em outros, havia suspeitas sobre a forma como sua autorização fora utilizada.

Marcelo tentou manter a calma.

"Isso é uma guerra de divórcio."

Camila respondeu:

"Não recomendo que o senhor faça declarações sem seu advogado."

"Não estou falando com você."

"Então não fale."

Helena quase sorriu.

Beatriz largou os documentos.

"Helena, o que você quer?"

A pergunta finalmente veio.

"Quero saber o que fizeram."

"Dinheiro?"

"Não."

"Todo mundo quer dinheiro."

"Seu filho achava isso também."

Helena pegou o celular.

Abriu a fotografia do aeroporto.

Colocou sobre a mesa.

Lavínia.

Marcelo.

A pulseira.

"Aqui está seu filho comemorando porque acreditava ter roubado tudo de mim."

Beatriz fechou os olhos por um instante.

"Ele cometeu um erro."

"Um erro?"

"Marcelo."

Beatriz virou para ele.

"Você perdeu a cabeça?"

Ele riu.

"Agora?"

"Você ia sair do país com essa mulher?"

"Não finja moralidade."

"Eu estou tentando salvar..."

Ela parou.

Helena percebeu.

"Salvar o quê?"

"Nada."

"Salvar o quê, Beatriz?"

A sogra pegou a bolsa.

"Não vou continuar."

Helena não tentou impedir.

Beatriz caminhou até a porta.

Antes de sair, olhou para Helena.

"Você não entende o que acontece quando um grupo desse tamanho perde estabilidade."

"Então me explique."

"Centenas de pessoas dependem daquela empresa."

"Concordo."

"E você está colocando tudo em risco por causa de uma traição."

Helena caminhou até ela.

"Não."

Parou a poucos passos.

"Seu filho colocou tudo em risco quando começou a falsificar documentos e mover dinheiro como se ninguém fosse descobrir."

Beatriz não respondeu.

Saiu.

Marcelo permaneceu.

"Você vai se arrepender."

Helena olhou para ele.

"Seu carro está esperando."

Ele pegou a mala.

Dessa vez, foi embora.

---

Às onze e meia, a casa ficou silenciosa.

Camila permaneceu com Helena.

"Você viu a reação de Beatriz quando mencionou os documentos?"

"Vi."

"Ela sabe mais."

"Muito mais."

O celular de Helena vibrou.

Rafael.

"Encontramos outra coisa", disse ele.

"Boa ou ruim?"

"Depende."

"Fala."

"Revisei os empréstimos associados às assinaturas questionadas."

"E?"

"Alguns recursos saíram do grupo e passaram por empresas ligadas ao Caio."

"Isso nós sabemos."

"Mas não ficaram lá."

Helena franziu a testa.

"Para onde foram?"

"Essa é a parte estranha."

"Rafael."

"Uma parcela desapareceu em outras estruturas. Nem tudo chegou onde Marcelo dizia que chegaria."

"Quanto?"

Ele disse o valor.

Helena ficou em silêncio.

"Marcelo roubou até Lavínia?"

"Não sei."

"Mas?"

"Se ela acreditava que o dinheiro estava nas empresas do irmão, pode ter uma surpresa."

Helena desligou.

Poucos minutos depois, o telefone vibrou novamente.

Número desconhecido.

Uma mensagem.

"Precisamos conversar."

Helena não respondeu.

Outra.

"Marcelo mentiu para mim."

Helena sabia quem era antes da terceira mensagem.

"Eu tenho provas."

Então apareceu o nome, porque o número finalmente foi identificado pelo aplicativo.

**Lavínia Salles.**

Helena leu a última mensagem.

"Eu tenho uma coisa que pode destruir o Marcelo."

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