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"Meu Marido Fugiu Com a Amante e Levou Tudo… Mas No Aeroporto, Descobriu Que Eu Já Bloqueei Tudo" Capítulo 5 — Volte Para Casa, Marcelo

正文开头

Helena não foi sozinha.

Também não avisou Eduardo Ferraz.

Às seis e vinte da tarde, entrou no carro de Camila e colocou o celular sobre o painel.

"Ele pediu que eu fosse sozinha."

Camila ligou o motor.

"E você pretende obedecer?"

"Não."

"Ótimo."

Rafael permaneceu no escritório, revisando os documentos encontrados na casa de Augusto.

Helena ainda não conseguia parar de pensar na frase de Eduardo.

"Quem realmente é dono do Grupo Montenegro."

Durante onze anos, ela nunca fizera aquela pergunta.

Marcelo era um Montenegro.

A empresa carregava o sobrenome dele.

Beatriz tratava os corredores da sede como se fossem extensão da própria casa.

Para Helena, sempre parecera óbvio.

Agora, nada parecia.

Eduardo marcara o encontro em um escritório discreto na Avenida Paulista.

Quando Helena e Camila chegaram, ele já esperava.

Tinha cinquenta e dois anos, cabelos grisalhos nas têmporas e a expressão cansada de quem carregava um segredo havia tempo demais.

Ele olhou para Camila.

"Eu disse sozinha."

Helena respondeu:

"Ela é minha advogada."

"Então você não confia em mim."

"Depois do que descobri esta semana, não confio nem em documentos sem conferir a assinatura."

Eduardo quase sorriu.

"Você ficou parecida com seu pai."

A frase atingiu Helena.

"Não use meu pai para ganhar minha confiança."

Eduardo assentiu.

"Justo."

Ele abriu uma gaveta.

Retirou um envelope pardo.

Não entregou imediatamente.

"Augusto me deu isso meses antes de morrer."

"Por quê?"

"Porque estava preocupado."

"Com Marcelo?"

"Com os Montenegro."

Helena sentiu Camila se mover ao seu lado.

Eduardo continuou.

"Seu pai salvou o grupo quando a família estava afundando."

"Eu já descobri."

"Descobriu parte."

"Então me conte o resto."

Eduardo apoiou as mãos sobre a mesa.

"Os Montenegro precisavam de dinheiro. Muito dinheiro. Beatriz procurou Augusto porque os bancos não queriam ampliar a exposição."

Helena franziu a testa.

"Beatriz?"

"Foi ela."

"Marcelo sempre disse que conseguiu os investidores."

"Marcelo estava nas reuniões."

"Então ele sabia."

"Sabia que Augusto colocou dinheiro. Não sei quanto ele sabia sobre a estrutura final."

Helena olhou para o envelope.

"Abra."

Eduardo empurrou para ela.

Camila colocou luvas finas antes de tocar nos documentos.

Fez fotografias.

Comparou datas.

Assinaturas.

Carimbos.

"Isso parece ser uma cópia do Anexo IV."

Helena se inclinou.

Eduardo assentiu.

"É."

"Por que você guardou?"

"Augusto pediu."

"Por nove anos?"

"Sim."

"E nunca pensou em me entregar?"

Eduardo abaixou os olhos.

"Essa é a parte da qual não me orgulho."

Helena esperou.

"Depois que Augusto morreu, eu deveria ter procurado você."

"Mas não procurou."

"Beatriz me convenceu de que tudo havia sido reorganizado no inventário."

"Você acreditou?"

"Eu quis acreditar."

"É diferente."

"Eu sei."

Helena se levantou.

A raiva que sentia não era explosiva.

Era pior.

Fria.

"Todo mundo sabia alguma coisa."

"Helena..."

"Meu marido sabia que meu pai colocou dinheiro. Minha sogra sabia. Você sabia. E eu fui a única pessoa sentada à mesa sem saber que a história que me contavam era mentira."

正文1

Eduardo não tentou se defender.

Camila continuou lendo.

"Helena."

Ela virou.

"O que foi?"

"Temos que levar isso para análise."

"Mas?"

Camila apontou para uma cláusula.

"Se estiver válido, fortalece muito o que encontramos."

Eduardo completou:

"Augusto tinha direito de conversão."

Helena fechou os olhos.

Já conhecia aquela expressão.

"Quanto?"

"Ninguém deve lhe dar um percentual agora sem reconstruir todas as alterações posteriores", Camila respondeu. "Mas é relevante."

"Relevante quanto?"

Eduardo olhou diretamente para ela.

"O suficiente para Marcelo nunca ter podido tratar o Grupo Montenegro como propriedade pessoal."

O celular de Helena vibrou.

Marcelo.

Ela recusou.

Ele ligou novamente.

Depois uma mensagem.

"Estou voltando."

Helena leu.

Outra chegou.

"Quero você em casa."

Ela mostrou para Camila.

Camila ergueu uma sobrancelha.

Helena digitou:

"Eu já estou."

Apagou.

Pensou.

Escreveu outra coisa.

"Volte para casa, Marcelo."

Enviou.

Eduardo a observou.

"Tem certeza?"

Helena guardou o telefone.

"Ele passou onze anos acreditando que eu deveria esperá-lo em casa."

Pegou o envelope.

"Hoje eu vou."

---

Marcelo chegou à mansão pouco depois das nove da noite.

Não havia viajado.

Não havia champanhe.

Não havia Lisboa.

Não havia vitória.

Lavínia não estava com ele.

Depois de horas de esclarecimentos, telefonemas e discussões, os dois haviam saído do aeroporto separadamente.

Marcelo entrou pela porta principal com a mesma mala que levara de madrugada.

Helena estava na sala.

Sozinha.

Pelo menos era o que ele pensava.

Camila permanecia no escritório do andar térreo.

Dois profissionais de segurança estavam discretamente próximos à área externa.

Helena usava uma camisa branca simples e calça escura.

Sem joias.

Sem maquiagem pesada.

Sem a expressão desesperada que Marcelo parecia esperar.

Ele largou a mala.

"O que você fez?"

Helena continuou sentada.

"Boa noite."

"Não brinca comigo."

"Você já disse isso de madrugada."

"Você bloqueou minhas contas."

"Não."

"Não minta."

"Eu entreguei documentos aos meus advogados e cooperei com as providências legais recomendadas. Quem decidiu o que seria bloqueado não fui eu."

Marcelo se aproximou.

"Você está tentando me destruir."

Helena soltou uma pequena risada.

"Às duas e trinta e sete da manhã, você me mandou uma foto com sua amante usando minha pulseira e escreveu que tinha tirado tudo de mim."

Marcelo não respondeu.

"E agora eu estou tentando destruir você?"

"Isso é sobre a Lavínia?"

"Não."

"Então o que você quer?"

Helena apontou para a poltrona.

"Sente."

"Não vou sentar."

"Então fique de pé."

Marcelo respirou fundo.

"A casa é minha. A empresa é minha. O dinheiro que você está bloqueando é meu. Você está fazendo uma birra porque descobriu uma traição."

Helena o observou.

Ali estava.

O homem que ela amara.

Ou talvez o homem que acreditara amar.

"Você realmente pensa isso?"

"Penso o quê?"

"Que tudo é seu."

"Helena, não começa."

Ela abriu a pasta sobre a mesa.

"Jardim Europa. Matrícula do imóvel."

Marcelo riu.

"Você perdeu a cabeça?"

"Leia."

"Eu sei onde moro."

"Mas não sabe de quem é."

正文2

Ele puxou o documento.

Leu as primeiras linhas.

Seu sorriso desapareceu.

Voltou ao início.

"Que porcaria é essa?"

"Documentação do imóvel."

"Isso está em nome de uma holding."

"Sim."

"Da família."

"Da minha família."

Marcelo ergueu os olhos.

Helena continuou:

"A holding foi criada por Augusto Duarte."

"Isso não significa nada."

"Continue lendo."

Marcelo virou a página.

A mansão havia sido adquirida através de uma estrutura patrimonial vinculada aos ativos de Helena.

Marcelo nunca fora proprietário direto.

Tinha vivido ali.

Recebido empresários ali.

Dado ordens aos funcionários.

Chamado o lugar de "minha casa".

Mas o nome dele não lhe dava o poder que imaginava.

"Você sabia?"

"Não."

Marcelo riu.

"Então não venha posar de gênio. Você nem sabia."

Helena assentiu.

"Tem razão."

A resposta o surpreendeu.

"Eu não sabia."

Ela se levantou.

"Essa é a diferença entre nós, Marcelo. Quando eu descobri que não sabia, fui procurar a verdade."

Deu um passo em direção a ele.

"Você descobriu que não sabia e decidiu que a verdade estava errada."

O rosto dele endureceu.

"Eu quero você fora daqui."

Helena olhou ao redor.

Depois voltou os olhos para o marido.

"Você não pode me expulsar da minha casa."

"É a casa dos Montenegro."

"Não."

Ela puxou o documento das mãos dele.

"É a casa onde um Montenegro morou porque uma Duarte permitiu."

Marcelo ficou vermelho.

"Não sabe com quem está mexendo."

Helena respondeu sem elevar a voz:

"Passei onze anos dormindo ao lado dele."

Nesse momento, o celular de Marcelo tocou.

Beatriz.

Ele atendeu.

"Mãe."

A voz dela estava tão alta que Helena ouviu.

"Marcelo, não fale nada para Helena sobre os documentos antigos."

Marcelo ficou imóvel.

Helena também.

"Mãe..."

"Você me ouviu? Nada sobre Augusto. Eu estou indo para aí."

Helena olhou diretamente para o marido.

Marcelo desligou.

Durante alguns segundos, nenhum dos dois falou.

Então Helena perguntou:

"Que documentos sua mãe não quer que você mencione?"

Marcelo pegou a mala.

"Isso acabou."

Tentou subir.

Helena bloqueou o caminho.

"Não."

Ele parou.

"Você vai sair da frente."

"Seu quarto foi preparado no hotel."

Marcelo a encarou como se ela tivesse falado outra língua.

"Meu quê?"

"Você não dorme aqui hoje."

"Você não pode..."

Helena abriu a porta principal.

"Posso."

Marcelo olhou para ela.

Depois para a própria mala.

A mesma mala com que fugira às duas da manhã.

Só que agora não estava indo para Lisboa com a amante.

Estava sendo mandado embora da casa que acreditava ser sua.

E, antes que dissesse qualquer coisa, um carro preto parou diante da mansão.

Beatriz Montenegro saiu.

Entrou sem pedir licença.

Olhou para o filho.

Depois para Helena.

E, quando viu o documento sobre a mesa, perdeu a cor.

Helena percebeu.

"Então a senhora sabia."

Beatriz ficou em silêncio.

Helena fechou a porta.

"Ótimo."

Apontou para a sala.

"Agora nós três vamos conversar."

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