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"A Empregada Que Desafiou o Chefe da Máfia" Capítulo 10 — A Queda dos Montenegro

正文开头

Otávio esmagou o transmissor sob o sapato.

"A gravação já foi enviada", disse Helena.

"Uma confissão obtida numa negociação armada será contestada por anos. Vocês estarão mortos antes da primeira audiência."

Dante olhou para o cronômetro: quatro minutos e quarenta segundos.

"Você não pretende sair?"

Otávio ergueu um controle remoto.

"Tenho uma passagem subterrânea. A família Montenegro construiu túneis para fugir da polícia. Hoje, a herança de vocês salvará apenas a mim."

Helena observou os trabalhadores presos junto às caixas. Eram onze pessoas, algumas feridas. Antônio estava entre elas, com o rosto ensanguentado.

"Ele descobriu que você nos contou o plano?", perguntou Helena.

Antônio assentiu.

"Desculpe."

"Peça desculpas depois que sairmos."

Rafael e a equipe federal aguardavam fora do perímetro, mas as portas eram de aço e os explosivos impediam uma invasão.

Dante entregou o caderno vermelho.

"Cumpra sua parte."

Otávio pegou-o e atirou o controle no chão. O visor continuou correndo.

"Nunca prometi parar a contagem."

Um disparo veio da passarela superior. Beatriz apareceu usando o uniforme de uma enfermeira sob um sobretudo. A bala atingiu a mão de Otávio, que deixou a arma cair.

"Eu disse que Sofia não seria ferida", gritou ela.

Otávio se protegeu atrás de uma coluna.

"Você já não decide nada."

Beatriz apontou para os explosivos.

"Eu dei acesso aos terminais. Falsifiquei assinaturas. Protegi você quando Caio descobriu tudo. Mas não permitirei que destrua o nome que sacrifiquei minha vida para preservar."

Dante soltou uma risada amarga.

"Você sacrificou outras vidas, tia. Nunca a sua."

O cronômetro marcava três minutos.

Helena correu até Antônio e cortou as cordas com um pedaço de metal. Dante libertou os trabalhadores. Um deles conhecia o sistema de refrigeração e indicou uma saída de emergência atrás das câmaras frias.

Otávio percebeu e disparou. Beatriz respondeu. A troca de tiros atingiu uma tubulação, enchendo o terminal com vapor.

Helena guiou os funcionários pela fumaça.

Dante permaneceu para trás.

"Venha!", ela gritou.

"Otávio tem o caderno."

"As cópias estão seguras. Você não precisa morrer por papel."

Ele hesitou. Durante toda a vida, Dante fora treinado para proteger o império antes das pessoas.

Então correu até Helena.

Beatriz surgiu da fumaça segurando o ombro ferido.

"Dante, espere."

"A senhora fez sua escolha dezoito anos atrás."

"Eu posso desarmar as bombas. Otávio usou o código do seu pai."

O cronômetro mostrava dois minutos.

Beatriz correu ao painel. Digitou uma data, mas o sistema recusou.

"Ele mudou a sequência."

Sofia apareceu numa chamada no relógio de Dante. Rafael havia ligado acidentalmente ao tentar acessar a planta digital.

"Papai, a mamãe dizia que a primeira palavra abre todas as portas."

Dante olhou para Helena.

"Luz."

Beatriz digitou 589, números correspondentes às letras no teclado. O cronômetro parou em cinquenta e oito segundos.

As portas destravaram.

A equipe federal invadiu o terminal. Otávio fugiu pelo túnel, levando Beatriz como escudo. Dante, Helena e Rafael seguiram até a saída do cais.

正文1

Do lado de fora, jornalistas e acionistas acompanhavam a transmissão projetada nos telões da reunião. Antes de ser destruído, o botão enviara a confissão completa. Marina Azevedo aparecia ao lado da delegada Camila Nogueira, apresentando as provas originais.

O império de silêncio ruía diante de todos.

No túnel, Otávio arrastou Beatriz até uma lancha. Ela tropeçou e caiu de joelhos.

"Diga a verdade", ordenou Dante. "Quem matou Caio?"

Beatriz olhou para o sobrinho.

"Otávio armou a explosão, mas fui eu quem entregou a rota. Depois que Caio sobreviveu, seu pai mandou que eu terminasse o trabalho."

"A senhora matou meu irmão?"

"Eu injetei o remédio no hospital. Achei que ele já estava morrendo."

Helena lembrou-se da frase de Lúcia: Caio sobrevivera por três meses. Não fora Otávio quem dera o golpe final. Fora Beatriz.

"E Camila?", perguntou Dante.

"Otávio cortou o freio. Eu soube depois e escondi o laudo. Sofia precisava do pai, não de outra guerra."

Dante baixou a arma por um segundo, devastado.

Otávio aproveitou. Empurrou Beatriz na água e apontou para Helena.

Antônio lançou-se contra ele. O disparo atingiu Antônio no peito. Dante derrubou Otávio antes do segundo tiro.

Helena correu até o pai. Sangue se espalhava por sua camisa.

"Não morra outra vez", implorou.

Antônio tentou sorrir.

"Desta vez você sabe que eu tentei voltar."

A equipe federal algemou Otávio. Rafael retirou Beatriz da água e entregou-a à polícia.

Uma ambulância levou Antônio ao hospital. A bala se alojara perto do coração, e a cirurgia poderia durar horas.

Antes de partir, Helena viu o inspetor Paulo Neri tentando se misturar aos agentes. A delegada Camila bloqueou seu caminho.

"O endereço falso ficava do outro lado do porto", disse ela. "Como chegou aqui?"

Paulo procurou Otávio com os olhos e percebeu que o advogado estava algemado.

Tentou sacar a arma. Rafael o desarmou e encontrou em seu bolso o detonador secundário do terminal.

"O cronômetro era distração", afirmou. "Se Beatriz desarmasse o painel, este homem acionaria as cargas manualmente."

Camila algemou o inspetor. No telefone dele havia mensagens com informações sobre a promotora Marina e ordens para eliminar Lúcia depois da explosão.

O resgate encontrou ainda uma câmara fria trancada. Dentro estavam caixas de documentos, armas desmontadas e pertences de pessoas desaparecidas nos últimos vinte anos.

Dante reconheceu o relógio de Caio.

Ele o segurou com as duas mãos, incapaz de falar.

Helena chamou Lúcia por vídeo. Ao ver o objeto, a mãe explicou que Caio o perdera quando fora capturado no sítio. No verso havia uma inscrição feita por Dante quando os dois eram adolescentes: NENHUM MONTENEGRO FICA PARA TRÁS.

"Eu o deixei para trás", murmurou Dante.

"Você acreditou numa mentira criada pelas pessoas que deveriam protegê-lo", disse Helena. "Agora escolha o que fará com a verdade."

Dante entregou o relógio à perícia, embora quisesse guardá-lo. Cada prova precisava seguir o caminho legal.

Na área externa, acionistas tentaram fugir antes de prestar depoimento. A transmissão revelara quais deles conheciam as cargas. Marina apresentou mandados preparados com base nos documentos de Camila, e sete empresários foram presos.

Beatriz assistiu sentada no cais, coberta por uma manta térmica.

"Era para proteger a empresa", repetia.

Helena se ajoelhou diante dela.

"A senhora não protegeu uma família. Protegeu um sobrenome até não sobrar ninguém digno de carregá-lo."

Beatriz olhou para Dante, esperando que o sobrinho a defendesse. Ele se afastou.

Pela primeira vez, ela não tinha a família como escudo.

No hospital, Lúcia chegou pouco antes de Antônio entrar na cirurgia. Apesar da fraqueza, ficou ao lado da maca.

"Você demorou", disse a ele.

"Eu sei."

"Se sobreviver, não vai desaparecer quando ficar difícil."

"Se sobreviver, passo o resto da vida aprendendo a ficar."

Helena segurou as mãos dos dois. Não os perdoava por completo, mas também não queria perder a possibilidade de ouvi-los contar a verdade.

Ao amanhecer, Dante compareceu diante das câmeras no porto. Não negou que os Montenegro haviam controlado negócios ilegais. Entregou registros de suas próprias operações e anunciou que cooperaria com a investigação.

"Você pode ser preso", disse Helena.

"Passei anos dizendo que a família era minha responsabilidade. Não posso mudar o significado dessa frase agora."

Delegados o conduziram para prestar depoimento.

Sofia chegou com Lúcia, ainda usando uma tipoia. A menina abraçou o pai antes que ele entrasse no carro oficial.

"Você vai voltar?"

Dante olhou para Helena.

"Desta vez, não vou fazer uma promessa que não controlo. Mas vou dizer toda a verdade para poder voltar sem segredos."

O carro partiu.

Helena ficou no cais entre a mãe recuperada, o pai em cirurgia e a menina que agora segurava sua mão.

O império Montenegro caíra. Ela ainda não sabia se Dante cairia junto com ele.

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