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"A Empregada Que Desafiou o Chefe da Máfia" Capítulo 3 — O Preço do Silêncio

正文开头

Helena correu para a porta e bateu com as duas mãos.

"Abra!"

Do outro lado, passos se afastaram sem pressa.

Ela procurou o celular, mas lembrava que Rafael o havia recolhido. O quarto não tinha janelas. A única saída era a passagem agora trancada.

O gravador continuava sobre a mesa.

Helena apertou novamente o botão. A mensagem recomeçou, mas havia um ruído depois da última frase. Ela aumentou o volume.

"Se eu desaparecer, procure o caderno vermelho. Caio descobriu o que eles faziam no terminal de Santos. Ele queria contar a Dante, mas..."

Uma porta bateu na gravação. Lúcia respirou depressa.

"Alguém chegou. Sofia não pode beber nada preparado por..."

O áudio terminava ali.

Havia também arquivos de áudio numerados, quase todos corrompidos. No único trecho compreensível, um homem jovem discutia com Beatriz sobre cargas sem registro. Helena não reconheceu a voz, mas ouviu a mulher dizer o nome de Caio.

"Você não vai transformar Dante no que o pai dele foi", dizia o homem.

"Dante fará o que for necessário para proteger o sobrenome", respondia Beatriz.

A gravação acabava com um golpe e o som de vidro quebrado.

Helena transferiu o arquivo para o pequeno cartão de memória preso ao gravador. Se o fogo destruísse o aparelho, ao menos aquela parte poderia sobreviver escondida em seu sapato.

Helena vasculhou as gavetas. Encontrou recibos de farmácias, mapas do porto e uma pulseira hospitalar com o nome falso Rosa Almeida. A data era de quatro meses antes.

Sua mãe estivera internada em Campinas.

Um cheiro de fumaça invadiu o cômodo.

Helena virou-se. Uma linha cinzenta entrava por uma fresta junto ao chão. Alguém não pretendia apenas mantê-la presa. Pretendia queimar o quarto com todas as provas.

Ela enrolou uma manta no braço e golpeou a parede. Nada cedeu. A fumaça engrossou. Seus olhos arderam.

"Socorro!"

Do outro lado, ouviu um estrondo. Depois outro.

A porta se abriu com violência. Dante surgiu entre fumaça e madeira quebrada. Tirou o paletó, cobriu o rosto de Helena e a puxou para o corredor.

Chamas subiam pela cortina da lavanderia. Rafael e os seguranças usavam extintores enquanto os alarmes disparavam.

Dante levou Helena até o jardim. Ela tossiu, curvada, e ainda segurava o gravador contra o peito.

"Quem trancou você?", perguntou ele.

"Não vi. A pessoa tinha a chave."

Rafael apareceu carregando um galão de solvente.

"O fogo foi provocado. A câmera deste corredor também foi desligada."

Dante olhou para os funcionários reunidos. Beatriz vestia um robe de seda. Otávio, que alegara ter ido embora, estava junto à porta principal.

"Por que você ainda está aqui?", perguntou Dante.

"Meu carro foi retido por seus homens. Eu estava no quarto de hóspedes."

Helena mostrou o gravador.

"Minha mãe deixou uma mensagem. Ela mencionou você."

Otávio tentou esconder a reação, mas seus dedos apertaram o copo que segurava.

"Uma voz pode ser falsificada."

"Você não perguntou o que ela disse."

正文1

Dante se colocou entre os dois.

"A partir de agora, Otávio, você não chega perto dela nem de Sofia."

"Está protegendo uma suspeita por causa de uma gravação?"

"Estou protegendo a mulher que salvou minha filha duas vezes e quase morreu dentro de um cômodo que você afirma desconhecer."

A frase surpreendeu Helena. Também pareceu surpreender Dante.

Beatriz exigiu falar com o sobrinho a sós. Ele recusou. Mandou que todos permanecessem na ala principal e levou Helena ao antigo quarto de Camila, o único com fechadura independente e saída para uma varanda vigiada.

"Você vai dormir aqui", disse.

"Não consigo dormir sabendo que minha mãe pode estar viva."

"Então vamos descobrir onde ela está."

Rafael trouxe um computador. A pulseira hospitalar permitiu localizar uma internação por pneumonia numa clínica particular de Campinas. Rosa Almeida fora levada por uma mulher chamada Marta Nunes e desaparecera antes da alta.

Helena reconheceu Marta como uma antiga vizinha da avó.

Ligou para ela usando o telefone de Dante. Marta atendeu, ouviu a voz de Helena e desligou.

Na segunda tentativa, o número estava fora de serviço.

"Ela sabe", disse Helena. "Todo mundo sabia menos eu."

Dante se sentou diante dela.

"Há segredos que as famílias chamam de proteção porque têm vergonha de dizer medo."

"Isso foi o que fizeram com você?"

Ele demorou a responder.

Na noite em que Lúcia desapareceu, Caio Montenegro havia ligado para o irmão. Dante estava numa reunião no Rio de Janeiro e não atendeu. Horas depois, o carro de Caio explodiu perto de um armazém no porto de Santos.

"Disseram que um grupo rival o matou", contou Dante. "Eu encontrei os responsáveis e cobrei a dívida. Agora não sei se cobrei dos homens certos."

Helena percebeu o peso escondido sob sua frieza. Ele construíra um império sobre uma vingança talvez manipulada.

"Minha mãe disse que Caio descobriu algo no terminal."

Dante ergueu os olhos.

"O quê?"

Ela reproduziu o trecho adicional. Ao ouvir o nome do irmão, ele fechou a mão até os nós dos dedos perderem a cor.

Rafael se afastou, mas Dante o chamou.

"Você era segurança do meu pai naquela época. Conhecia esse quarto?"

"Não."

"Olhe para mim e repita."

Rafael obedeceu, mas sua voz falhou.

Dante sacou a arma e a colocou sobre a mesa, apontada para ele.

"Última oportunidade."

O chefe da segurança respirou fundo.

"Eu sabia da passagem. Seu pai mantinha Lúcia aqui depois que Caio morreu. Dizia que era para protegê-la. Uma noite, mandou que eu a levasse até Campinas."

Helena se levantou.

"Você levou minha mãe?"

"Ela estava ferida. Pediu que eu dissesse à família que tinha morrido. Seu pai ameaçou matar você se ela aparecesse."

"E você aceitou?"

"Eu tinha vinte anos e obedecia homens que pareciam deuses. Passei o resto da vida tentando descobrir para quem eu realmente trabalhava naquela noite."

Dante pegou Rafael pelo colarinho.

"Você me viu procurar respostas durante dezoito anos."

正文2

"Se eu contasse, seu pai mataria a menina. Depois que ele morreu, Beatriz assumiu os arquivos e as ameaças continuaram."

Helena pensou na tia de Dante diante da xícara quebrada.

"Beatriz sabia que minha mãe estava viva?"

"Sabia que Lúcia sobreviveu. Não sabia onde."

Um disparo estilhaçou a porta da varanda.

Dante derrubou Helena atrás da cama. Rafael apagou a luz e respondeu ao fogo. Do jardim, uma motocicleta acelerou.

Quando o silêncio voltou, havia um furo de bala na parede.

Preso à bala, um pedaço de papel trazia um endereço em Santos e uma frase escrita à mão.

TRAGA O GRAVADOR E A FILHA DE LÚCIA.

Dante rasgou o bilhete ao meio.

"Você não vai."

"Minha mãe pode estar lá."

"Ou um homem esperando para terminar o serviço."

Helena segurou o rosto dele entre as mãos antes que pudesse pensar no perigo do gesto.

"Passei dezoito anos diante de um túmulo vazio. Não me peça para continuar enterrando uma mulher viva."

Dante ficou imóvel, os olhos presos aos dela.

"Se você for, vai comigo. E seguirá cada ordem minha."

"Não sou sua empregada agora?"

"Agora você é a única testemunha que eles ainda não conseguiram matar."

Do corredor, Sofia gritou.

Helena e Dante correram para o quarto da menina. Encontraram a cama vazia, a janela aberta e uma fita azul amarrada à grade.

No chão, Sofia havia desenhado com giz o rosto do homem que mexera em sua xícara.

Era Otávio Ferraz.

Dante fotografou o desenho antes que alguém pudesse tocá-lo. Helena percebeu uma mancha escura perto da mão desenhada do advogado.

"O que é isso, Sofia?"

A menina respondeu entre soluços:

"A estrela que ele usa no dedo."

Otávio não usava anel durante o jantar. Porém, numa fotografia da inauguração de um terminal, exposta no escritório, aparecia com um sinete negro em forma de estrela. A mesma figura estava gravada no fundo da caixa de Lúcia.

Rafael compreendeu antes dos outros.

"Não foi uma compra de antiquário. Aquilo era um sinal entre eles."

Dante guardou o desenho dentro do paletó.

"E agora Otávio sabe que a única testemunha tem seis anos."

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