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"Amamentei a Filha Faminta do Chefe da Máfia no Avião… E Ele Disse Que Eu Nunca Mais Voltaria Para Casa" Capítulo 1 — A Mulher no Avião

正文开头

O choro atravessou a cabine como uma lâmina.

Isabela Oliveira Martins abriu os olhos e apertou os dedos contra o apoio de braço. Havia quase vinte minutos que tentava ignorar aquele som.

Não conseguia mais.

Não era o choro irritado de um bebê cansado.

Era fraco, rouco, desesperado.

O tipo de choro que o corpo de uma mãe reconhecia antes mesmo que a cabeça entendesse.

Isabela baixou os olhos para as próprias mãos.

"Não é seu filho."

Repetiu tão baixo que ninguém poderia ouvir.

"Não é problema seu."

Três meses.

Fazia apenas três meses desde que sua vida havia acabado dentro de um hospital em São Paulo.

Rafael estava morto.

Tomás estava morto.

Miguel estava morto.

Era isso que todos repetiam.

Era isso que os documentos diziam.

E era nisso que Isabela tentava acreditar todas as manhãs quando acordava no apartamento silencioso da Vila Mariana.

Seu corpo, porém, recusava-se a acompanhar a realidade.

Ainda produzia leite.

Às vezes ela acordava no meio da madrugada com a camisola molhada e precisava entrar no banheiro para chorar sem olhar para a porta fechada do quarto que deveria ter pertencido aos gêmeos.

Agora, a dez mil metros de altitude, seu corpo reagia novamente.

O bebê chorou.

Isabela fechou os olhos.

"Meu Deus..."

Quatro fileiras à frente estava Dante Montenegro.

Mesmo quem nunca havia encontrado aquele homem pessoalmente conhecia o sobrenome.

Grupo Montenegro.

Imóveis.

Transportes.

Segurança privada.

Restaurantes.

Empresas espalhadas por São Paulo, Santos e Rio de Janeiro.

Mas os jornais nunca escreviam tudo.

Havia histórias que só eram contadas em voz baixa.

Homens que deviam dinheiro aos Montenegro desapareciam.

Concorrentes desistiam de negócios de um dia para o outro.

Delegados mudavam de cidade.

Testemunhas esqueciam o que tinham visto.

Dante Montenegro era o homem no centro de todas essas histórias.

Naquele momento, porém, ele não parecia um rei.

Parecia apenas um pai apavorado.

Dante estava sentado na poltrona larga da primeira fileira, usando camisa preta e calça social escura. O paletó permanecia abandonado no assento ao lado.

Nos braços dele, uma menina de aproximadamente quatro meses se contorcia.

"Vamos, Lívia."

A voz grave estava diferente.

"Por favor."

Ele aproximou a mamadeira.

Lívia virou o rosto.

Dante tentou novamente.

A menina soltou um gemido quase sem força.

O maxilar dele se contraiu.

"Ela precisa comer."

A comissária à sua frente parecia prestes a desmaiar.

"Senhor Montenegro, nós podemos tentar outra fórmula quando pousarmos."

"Quando pousarmos?"

Dante olhou para ela.

"Falta quanto?"

"Quarenta e dois minutos."

Ele olhou para a filha.

"Ela não vai ficar quarenta e dois minutos assim."

Ninguém respondeu.

Bruno Azevedo, o segurança sentado perto do corredor, observava tudo com os braços cruzados.

Outros dois homens permaneciam algumas fileiras atrás.

Nenhum sabia o que fazer.

Isabela sentiu uma pressão dolorosa no peito.

Lívia chorou novamente.

Dessa vez, o som terminou em um pequeno soluço.

Isabela levantou.

Bruno reagiu imediatamente.

Em menos de dois segundos, estava na frente dela.

正文1

"Sente-se, senhora."

Isabela parou.

"Essa criança está com fome."

"Volte para o seu lugar."

"Ela está ficando fraca."

"Senhora."

"Eu sei o que estou ouvindo."

Bruno endureceu a expressão.

"Isso não é da sua conta."

"Deixe ela falar."

A voz veio da frente.

Bruno olhou para Dante.

Depois saiu do caminho.

Isabela sentiu todas as pessoas da cabine olhando para ela.

Quase voltou para a poltrona.

Então Lívia gemeu.

Ela continuou andando.

Dante levantou os olhos quando Isabela se aproximou.

De perto, ele parecia ainda maior.

Mas foram os olhos que chamaram sua atenção.

Não havia ameaça neles naquele instante.

Havia medo.

"O que você sabe sobre bebês?"

Isabela respirou fundo.

"Eu trabalhava com cuidados infantis."

"Trabalhava?"

Ela ignorou a pergunta.

"Há quanto tempo ela não mama?"

"Quase seis horas."

Isabela empalideceu.

"Seis?"

"Ela rejeitou tudo."

"Desde quando?"

"Hoje."

Isabela olhou para a mamadeira.

"Posso?"

Dante hesitou antes de entregá-la.

Isabela cheirou o conteúdo.

Não parecia estragado.

Encostou uma gota no pulso.

Temperatura normal.

Olhou para Lívia.

A menina virou a cabeça em sua direção.

Por um instante, Isabela parou de respirar.

Tomás teria quase aquela idade.

Miguel também.

A lembrança atingiu seu peito com tanta violência que ela precisou desviar o rosto.

Dante percebeu.

"O que foi?"

"Nada."

Lívia começou a chorar novamente.

Isabela fechou os olhos por um segundo.

Quando os abriu, já sabia o que precisava fazer.

Mas dizer aquilo na frente de Dante Montenegro parecia impossível.

"Ela precisa de outra forma de alimentação."

"Qual?"

Isabela olhou para Bruno.

Depois para a comissária.

Então voltou para Dante.

"Leite materno."

O silêncio foi absoluto.

Dante franziu a testa.

"Não temos."

Isabela engoliu em seco.

"Tem."

Ele demorou dois segundos para entender.

Seus olhos encontraram os dela.

"Você?"

Isabela sentiu o rosto queimar.

"Sim."

Dante ficou imóvel.

"Você está amamentando?"

A pergunta doeu mais do que deveria.

"Meu corpo ainda acha que eu deveria estar."

Algo na resposta fez Dante parar.

Lívia gemeu.

Ele não perguntou mais nada.

"Você consegue alimentá-la?"

Isabela olhou para a criança.

Seu coração gritava para fugir.

Seu corpo dizia outra coisa.

"Consigo."

Dante se levantou imediatamente.

"Bruno."

"Sim."

"Esvazie o compartimento."

Isabela levantou a mão.

"Eu preciso de privacidade."

"Você terá."

"Sem câmeras."

Dante olhou para Bruno.

"Desligue."

"Senhor..."

"Todas."

Bruno assentiu.

Minutos depois, Isabela estava em uma pequena cabine privativa na parte traseira da aeronave.

Dante entregou Lívia a ela.

Foi a primeira vez que Isabela segurou um bebê desde o hospital.

Suas mãos começaram a tremer.

Lívia se mexeu contra seu peito.

Isabela sentiu o cheiro de bebê.

E quase desabou.

"Eu não consigo."

Dante permaneceu perto da porta.

"Não precisa fazer isso."

Aquela resposta a surpreendeu.

Isabela olhou para ele.

O homem que, segundo as histórias, nunca aceitava um não acabara de lhe dar uma escolha.

Então Lívia abriu a boca procurando alimento.

O instinto venceu.

"Saia."

Dante saiu.

Poucos segundos depois, o choro parou.

Do lado de fora, Dante ficou completamente imóvel.

Bruno se aproximou.

"Ela parou."

Dante não respondeu.

Dentro da cabine, lágrimas escorriam silenciosamente pelo rosto de Isabela.

Lívia mamava com força.

"Devagar, pequena."

Isabela passou um dedo pela bochecha dela.

"Você estava com muita fome, não estava?"

A menina segurou seu dedo.

Isabela perdeu o controle.

"Meus meninos também seguravam meu dedo."

Sua voz quebrou.

"Por tão pouco tempo..."

Quase vinte minutos depois, ela abriu a porta.

Lívia dormia em seus braços.

Dante olhou para a filha.

Depois para o rosto molhado de Isabela.

"Ela comeu?"

"Sim."

Ele soltou o ar lentamente.

Isabela entregou a menina.

Dante segurou Lívia contra o peito.

Por alguns segundos, parecia incapaz de falar.

"Você salvou minha filha."

"Eu só dei o que ela precisava."

"Não."

Ele ergueu os olhos.

"Você salvou minha filha."

Isabela pegou a bolsa.

"Então estamos quites."

Voltou para sua poltrona.

Quarenta minutos depois, as luzes de São Paulo apareceram sob as nuvens.

Isabela sentiu alívio.

Em breve estaria em casa.

Sozinha.

Mas em casa.

Quando o avião tocou a pista, ela pegou o celular.

Nenhum sinal ainda.

Esperou a porta abrir.

Nada aconteceu.

Os seguranças se levantaram.

Bruno fechou a divisória traseira.

Isabela franziu a testa.

"Por que a porta não abriu?"

Dante estava em pé com Lívia nos braços.

"Porque você vem conosco."

Isabela soltou uma risada nervosa.

"Desculpe?"

"Você não vai voltar para seu apartamento."

Ela ficou de pé.

"Eu salvei sua filha. Não fui contratada."

"Eu sei."

"Então abra a porta."

Dante não se moveu.

"Não posso."

O sangue de Isabela esfriou.

"Isso é um agradecimento ou uma ameaça?"

Dante caminhou até ela.

Parou a menos de um metro.

"É proteção."

"Proteção de quem?"

Os olhos dele ficaram duros.

"Da pessoa que tentou fazer minha filha passar fome."

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