localização atual: Novela Mágica A Rádio Que Me Devolveu Minha Mãe Capítulo 1 — A Voz no Rádio
标题上

"A Rádio Que Me Devolveu Minha Mãe" Capítulo 1 — A Voz no Rádio

正文开头

Capítulo 1 — A Voz no Rádio

Vinte anos depois de minha mãe desaparecer, eu dirigia sozinha pela Rodovia Anhanguera quando o rádio do carro começou a falhar.

Primeiro veio um chiado fino.

Depois, uma sequência de estalos, como se alguém girasse um botão antigo do outro lado do mundo.

Tentei mudar de estação. Não consegui.

Então uma voz feminina atravessou o ruído.

"Boa noite. Meu nome é Marina Almeida."

Minhas mãos se fecharam no volante.

Marina Almeida era o nome da minha mãe.

Pisei no freio tão forte que o carro derrapou um pouco no acostamento. Do lado de fora, a chuva riscava o vidro como fios de eletricidade.

"Há vinte anos, entrei em uma loja de vestidos em Vila das Flores", continuou a voz. "Disseram que havia um provador mais reservado no fundo. Quando acordei, estava em uma caminhonete."

Meu peito parou de subir.

"Fui levada para longe. Vendida como se fosse uma coisa. Tive filhos que não pude proteger. Fiquei presa até meu corpo não aguentar mais."

Eu conhecia o final da história que minha família contava em voz baixa: minha mãe desapareceu durante uma viagem de fim de semana; meu pai abandonou o trabalho para procurá-la; meus avós envelheceram em silêncio.

Mas ninguém sabia onde ela tinha ido.

Ninguém, exceto aquela voz no rádio.

"Meu marido me encontrou uma vez", ela disse, chorando. "Ele veio com meus pais. Os homens da fazenda os cercaram antes de ele conseguir me tirar de lá."

"Mãe..." Minha voz saiu sem som.

"Se alguém estiver ouvindo, por favor, não deixem outra mulher entrar naquele provador."

Uma luz branca explodiu diante dos meus olhos.

Gritei e puxei o volante para a direita.

Quando abri os olhos, não havia rodovia, chuva nem o painel do meu carro.

Havia sol.

O cheiro de bolo de fubá.

E uma mão grande segurando a minha.

"Clara, espera aqui um minuto", disse meu pai.

Olhei para cima.

Rafael Almeida tinha trinta e poucos anos outra vez. Sem fios brancos. Sem aquela expressão vazia que ele passou a usar depois do desaparecimento de minha mãe.

Ele sorria para mim como se o mundo ainda fosse seguro.

"Vou comprar uma cocada para você. Sua mãe só vai experimentar um vestido e já sai."

Meu coração se despedaçou de um jeito novo.

À nossa frente, a Rua do Mercado de Vila das Flores fervilhava de turistas. Havia bandeirinhas coloridas presas entre os casarões, crianças correndo com máscaras de papel e um grupo ensaiando passos para o carnaval fora de época.

No outro lado da rua, uma placa dizia:

Casa Aurora — Vestidos e Costuras

.

Minha mãe estava na porta.

Marina usava um vestido claro, simples, e prendia os cabelos atrás da orelha enquanto admirava uma peça azul pendurada na vitrine. No pulso dela brilhava a pulseira de pequenas flores brancas que meu pai fizera para ela em uma oficina de cerâmica.

正文1

Jasmim.

Minha mãe dizia que o cheiro de jasmim sempre a fazia lembrar de casa.

"Não!" Eu me atirei contra as pernas do meu pai. "Você não pode sair. A mamãe não pode entrar!"

Ele se assustou e se abaixou depressa.

"Ei, filha. O que foi?"

"A mamãe vai sumir." As lágrimas vieram antes que eu pudesse escondê-las. "A gente tem que ir embora agora."

Meu pai olhou para minha mãe, ainda sorrindo para uma vendedora na entrada da loja.

"Foi algum pesadelo?"

"Foi de verdade." Apertei a camisa dele com meus dedos pequenos. "Eu ouvi ela pedindo ajuda."

Seu sorriso desapareceu devagar.

Eu tinha cinco anos. Minha voz era fina. Minha memória não deveria existir.

Então fiz a única coisa que uma criança poderia fazer.

Chorei como se meu coração estivesse sendo arrancado.

"Por favor, papai. Não compra cocada. Fica comigo. Vamos buscar a mamãe."

Ele me pegou no colo e beijou minha testa.

"Está bem. Vamos buscar a mamãe juntos."

Corremos até a loja.

Mas já era tarde demais.

Uma excursão entrou na Casa Aurora, enchendo o corredor de vozes e celulares erguidos. Vi minha mãe passar entre os vestidos, seguindo uma moça de uniforme bege.

"Mamãe!"

Ela não ouviu.

"MAMÃE, NÃO VAI PARA O FUNDO!"

A música da loja abafou meu grito. Minha mãe ergueu a cortina do último provador.

Antes que meu pai conseguisse atravessar a multidão, uma mão apertou meu ombro.

"Cuidado, pequena. Você pode se machucar no meio desse povo todo."

Uma mulher me puxou do colo do meu pai com uma facilidade assustadora.

Seu crachá dizia

Bianca Duarte

.

Ela sorriu.

Eu reconheci aquele sorriso antes mesmo de reconhecer o rosto.

Era a mulher que, na minha outra vida, dissera à polícia que nunca tinha visto minha mãe entrar na loja.

"Me solta!" Eu me debati. "Meu pai! A minha mãe está em perigo!"

"Shh, querida. Sua mãe está só trocando de roupa."

O braço dela se fechou mais forte em volta de mim.

Vi a cortina do provador cair.

Foi como assistir a uma porta se fechando sobre vinte anos de escuridão.

Meu pai chegou até nós, ofegante.

Bianca me entregou a ele com uma delicadeza ensaiada.

"Professor Rafael? Eu sou Bianca. Fiz uma disciplina sua na faculdade no ano passado. Sua filha se assustou com o movimento."

Meu pai franziu a testa, tentando se lembrar.

"Bianca... claro. Estruturas Urbanas."

"Isso mesmo." Ela inclinou a cabeça, doce demais. "Sua esposa entrou no provador do fundo. Quer que eu avise que vocês estão esperando?"

Meu corpo inteiro gelou.

"Não deixa ela ir!" Agarrei o pescoço do meu pai. "Ela vai fazer a mamãe desaparecer."

Bianca piscou, como se eu tivesse dito algo engraçado.

"Criança tem uma imaginação linda."

Meu pai me encarou. Havia preocupação no rosto dele, mas também constrangimento.

"Clara, não fale assim com a moça."

Eu queria gritar que ele estava errado. Queria contar sobre a fazenda, sobre o rádio, sobre a foto da minha mãe que eu encontraria anos depois no celular dele.

Mas vi Bianca observar cada reação dele.

Então olhei para meu pai e comecei a apertar os botões do reloginho infantil no meu pulso.

Liguei para minha mãe uma vez.

Duas.

Três.

Ninguém atendeu.

"Ela não atende", sussurrei.

Meu pai tentou manter a calma.

"Talvez esteja se trocando."

"Meu toque é de patinho. Ela sempre atende quando é o patinho." Minha voz tremeu. "Sempre."

Ele sabia que eu dizia a verdade.

Minha mãe interrompia reuniões para atender minhas chamadas. Dizia que criança nunca ligava sem motivo.

Meu pai ergueu os olhos para o fundo da loja.

No mesmo instante, uma pequena flor branca rolou por baixo da cortina do corredor de provadores e parou perto de seu sapato.

Ele a pegou.

Era uma das flores de cerâmica da pulseira de minha mãe.

O rosto dele perdeu a cor.

"Marina!"

Bianca deu um passo rápido para a frente.

"Professor, não pode entrar ali. Há outras clientes."

Meu pai fechou a mão em torno da flor.

Pela primeira vez, ele não pareceu constrangido.

Pareceu assustado.

"Minha esposa está lá dentro", ele disse. "E alguma coisa aconteceu com ela."

下一张上
下一章下

você pode gostar

Compartilhar Link

Copie o link abaixo para compartilhar com seus amigos:

页面底部