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"A Empregada Que Destruiu a Cama do Chefe da Máfia" Capítulo 9 — Você Assinou

正文开头

Henrique Sampaio não chegou ao portão de embarque.

Às onze e quarenta e dois da manhã, dois homens de Bruno o encontraram próximo à área internacional do Aeroporto de Guarulhos.

Henrique não resistiu.

Talvez porque soubesse que correr só pioraria tudo.

Duas horas depois, estava sentado no escritório de Dante Montenegro.

Sem gravata.

Sem telefone.

Sem a segurança de quem acreditava controlar a situação.

Dante permaneceu de pé diante da janela.

Marina estava ao lado da mesa.

Ricardo também fora chamado.

Quando viu Henrique, fechou a mão.

"Você alterou os exames dele?"

Henrique não respondeu.

Ricardo avançou.

"Eu fiz uma pergunta."

Bruno entrou entre os dois.

Dante finalmente virou.

"Deixa ele responder."

Henrique olhou para Dante.

"Eu não comecei isso."

"Não perguntei quem começou."

Silêncio.

"Você alterou meus exames?"

Henrique respirou fundo.

"Sim."

A resposta caiu no escritório como vidro quebrando.

Marina olhou para Dante.

Nenhuma reação.

Era pior quando ele ficava assim.

"Quantos?"

"Não sei."

"Henrique."

"Três. Talvez quatro."

"Você é meu médico há oito anos."

"Eu sei."

"Entrou na minha casa. Sentou na minha mesa. Bebeu comigo."

"Dante..."

"E me convenceu de que o problema estava na minha cabeça."

"Não foi assim."

"Então explica como foi."

Henrique baixou os olhos.

"Os primeiros sintomas eram reais."

Marina interrompeu.

"Causados pelos dispositivos?"

"Eu não sabia dos dispositivos no começo."

"Mas descobriu", Dante disse.

Henrique assentiu lentamente.

"Quando?"

"Em abril."

Marina lembrou imediatamente.

Dezessete de abril.

Três e quarenta da manhã.

"Rosa viu você", ela disse.

Henrique ergueu os olhos.

"Eu sei."

"O que estava fazendo no quarto?"

"Procurando."

"Os aparelhos?"

"Sim."

Dante se aproximou.

"E por que não retirou?"

Henrique não respondeu.

Dante bateu as duas mãos sobre a mesa.

"Por quê?"

"Porque me ameaçaram!"

A voz do médico quebrou.

Todos ficaram em silêncio.

Henrique respirava rápido.

"Eu recebi fotografias da minha filha. Da faculdade. Do apartamento dela. Sabiam onde ela morava."

Dante não demonstrou compaixão.

"E isso fez você me deixar adoecer?"

"Eu achei que conseguiria controlar."

"Controlar?"

"Alterei os relatórios para impedir que outros médicos percebessem um padrão."

Marina sentiu repulsa.

"Você ajudou."

"Sim."

Henrique olhou para ela.

"Eu ajudei."

Dante puxou uma cadeira.

Sentou diante dele.

"Quem mandou?"

Henrique fechou a boca.

"Você tentou fugir do país."

"Porque acabou."

"Para você, talvez."

Dante empurrou o documento de transferência de poder sobre a mesa.

Henrique olhou.

"Conhece?"

"Sim."

Ricardo se aproximou.

"Ele assinou isso enquanto estava sob sua responsabilidade."

Henrique assentiu.

Ricardo apontou para o próprio nome.

"E eu apareço como beneficiário."

"Eu não preparei o documento."

"Mas sabia."

"Soube depois."

Ricardo soltou uma risada amarga.

"Perfeito. Todo mundo sabia depois."

Marina pegou a folha.

Leu novamente.

A assinatura de Dante parecia autêntica.

Mas havia algo estranho.

Ela colocou ao lado de outro documento.

"Bruno."

Ele se aproximou.

"Olha as páginas."

"Qual parte?"

"Numeração."

O contrato tinha vinte e três páginas.

A assinatura de Dante estava na última.

正文1

Marina folheou.

"Página vinte e um."

Depois:

"Vinte e dois."

Então a última.

"Vinte e três."

Ela pegou a luz do celular.

Observou os furos do grampeador.

"Isso foi desmontado."

Bruno aproximou o rosto.

Havia marcas duplas.

"Você tem a cópia original?", Marina perguntou.

Ricardo respondeu:

"Deve estar no jurídico."

Dante chamou Marcelo.

Vinte minutos depois, receberam a digitalização arquivada.

Marina colocou os documentos lado a lado.

A página de assinatura era igual.

As páginas anteriores não.

"Você assinou", Marina disse.

Dante olhou para ela.

"Mas não assinou isso."

Bruno entendeu.

"Trocaram o conteúdo."

Marcelo ampliou os arquivos.

"O documento original autorizava Ricardo a representar Dante numa negociação específica por trinta dias."

Ricardo ficou pálido.

"E substituíram pelo quê?"

"Uma procuração muito mais ampla."

Dante olhou para o primo.

Ricardo soltou o ar lentamente.

"Então queriam que você suspeitasse de mim."

"Sim."

Marina voltou para Henrique.

"Quem tinha acesso aos documentos?"

"Jurídico. Diretoria. Ricardo."

Henrique hesitou.

"E pessoas autorizadas por ele."

Ricardo endureceu.

"Minha esposa."

Ninguém falou.

Lívia.

Bruno colocou sobre a mesa a transferência descoberta naquela manhã.

Uma empresa ligada a ela.

Henrique fechou os olhos.

Dante percebeu.

"Você conhece Lívia."

"Conheço."

"Quanto?"

"Ela me procurou meses atrás."

Ricardo deu um passo.

"Minha mulher?"

Henrique assentiu.

"Ela sabia sobre a Vértice."

"Como?"

"Eu não sei."

"Mentira."

"Eu juro."

Dante levantou.

"Foi Lívia quem ameaçou sua filha?"

Henrique ficou em silêncio.

Ricardo perdeu a paciência.

"Responde!"

Henrique olhou para ele.

"Eu nunca vi quem enviava as mensagens."

"Mas?"

"Uma vez ouvi a voz."

Dante se aproximou.

"De quem?"

Henrique abriu a boca.

As luzes se apagaram.

O escritório mergulhou na escuridão.

Marina ouviu um impacto.

Depois um grito.

"Henrique!"

Bruno acendeu a lanterna.

A cadeira estava vazia.

A porta lateral estava aberta.

Dante correu.

"Tranque tudo!"

Alarmes começaram a tocar.

Marina ficou junto de Ricardo enquanto Bruno e Dante entravam no corredor.

Quando a energia voltou, Henrique havia desaparecido.

Não existia registro da saída.

Outra passagem.

Outro ponto cego.

Bruno voltou furioso.

"Alguém abriu a porta de serviço pelo sistema interno."

"Quem?", Dante perguntou.

"Credencial administrativa."

"Nome."

Bruno olhou para Ricardo.

"Lívia Montenegro."

Ricardo ficou branco.

"Não."

Marina ouviu um ruído atrás.

Virou.

Na parede do escritório, a tela principal havia ligado sozinha.

Fundo preto.

Letras brancas.

A EMPREGADA É A PRÓXIMA.

Dante leu.

Depois olhou para Marina.

"Bruno."

"Sim."

"Ninguém chega perto dela."

Marina abriu a boca.

Dante não deixou.

"Ninguém."

O telefone de Ricardo tocou.

Ele olhou.

Era Lívia.

Dante fez sinal para atender.

Ricardo colocou no viva-voz.

"Lívia?"

Silêncio.

"Lívia, onde você está?"

Uma respiração.

Então uma voz feminina.

Calma.

"Pergunte à empregada o que Rosa deixou em Cotia."

A ligação caiu.

Todos olharam para Marina.

Ela sentiu o coração acelerar.

"Eu não sei do que ela está falando."

Dante encarou a tela.

Cotia.

Rosa.

Finalmente tinham um lugar.

E, desta vez, a pessoa por trás de tudo sabia que eles estavam chegando.

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