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"A Empregada Que Destruiu a Cama do Chefe da Máfia" Capítulo 8 — O Segredo de Teresa

正文开头

Teresa Almeida trabalhou para a família Montenegro por vinte e três anos.

Dante nunca a vira chorar.

Naquela manhã, ela chorou antes mesmo de começar.

"Eu era assistente administrativa do seu pai."

Dante permaneceu de pé.

"Na Vértice?"

"Não. Na Montenegro Participações."

Teresa olhou para a fotografia.

"Mas ele me levou para lá."

"Por quê?"

"Porque começou a desconfiar dos relatórios."

Marina se aproximou.

Teresa continuou.

"A Vértice dizia desenvolver tecnologias para tratamento de dor, distúrbios do sono e reabilitação neurológica."

Marcelo, que havia entrado minutos antes, ouviu em silêncio.

"Seu pai investiu porque acreditava no projeto."

Dante perguntou:

"E depois?"

"Descobriu que alguns pesquisadores estavam testando aplicações que nunca haviam sido autorizadas."

"Que aplicações?"

Teresa hesitou.

Marcelo respondeu:

"Estimulação ambiental."

Ela assentiu.

"Frequências usadas fora de ambiente clínico."

Dante olhou para Marcelo.

"Como no meu quarto."

"Parecido."

Teresa continuou:

"Seu pai ficou horrorizado. Mandou suspender tudo."

"E Henrique?"

"Era jovem. Trabalhava como consultor médico."

Dante fechou os olhos.

Outra pessoa de confiança.

Outra mentira.

"Meu pai sabia?"

"Sabia que Henrique tinha participado do projeto. Não sabia até onde."

"E você?"

"Eu organizei documentos para o encerramento."

"Então por que nunca me contou?"

"Porque seu pai pediu."

"Ele morreu há nove anos."

"Promessas não morrem junto."

Dante bateu a mão na mesa.

"Eu passei quatro meses sem dormir!"

Teresa recuou.

Marina deu um passo, mas não interferiu.

Dante apontou para a fotografia.

"Alguém pegou aquela tecnologia e colocou dentro da minha casa."

"Eu sei."

"Não. Você sabia que isso era possível."

Teresa chorou.

"Sim."

"Quando percebeu?"

"Quando Rosa me procurou."

O ambiente ficou imóvel.

"Quando?"

"Quinze semanas atrás."

Marina fez as contas.

Antes do desaparecimento.

"Ela disse que ouvia um ruído na cabeceira", Teresa continuou. "Eu achei que não podia ser."

"Mas podia."

"Sim."

"Você contou a ela sobre a Vértice?"

"Parte."

Dante respirou fundo.

"E depois?"

"Rosa começou a investigar."

"Você deixou uma empregada investigar algo que envolvia minha segurança?"

"Ela não confiava em ninguém."

"Nem em você?"

Teresa baixou os olhos.

"Talvez estivesse certa."

A frase atingiu todos.

Marina perguntou:

"Rosa falou sobre Henrique?"

Teresa assentiu.

"Ela viu Henrique entrando no quarto de Dante às três e quarenta da manhã."

Dezessete de abril.

03:40.

A anotação.

Tudo se encaixou.

"Ele estava sozinho?", Bruno perguntou.

"Rosa não sabia."

"Ela viu ele sair?"

"Sim."

"E contou para você?"

"Na manhã seguinte."

"Depois?"

"Ela tentou conseguir provas."

Teresa respirou fundo.

"Três dias antes de desaparecer, Rosa me disse que Henrique não era a pessoa que mais a assustava."

Dante ficou atento.

"Quem era?"

"Ela não disse."

"Por quê?"

"Disse que precisava ter certeza."

Marina lembrou da frase.

Confiar em alguém daquela casa havia sido o erro de Rosa.

"Tem mais alguma coisa?", Marina perguntou.

Teresa demorou.

Dante percebeu.

"Teresa."

Ela foi até um armário antigo.

Abriu.

Retirou uma caixa de madeira.

Colocou sobre a mesa.

Dentro havia documentos antigos da Vértice.

正文1

Marcelo começou a examinar.

Dante encontrou uma pasta com o nome de seu pai.

Vasconcelos Montenegro.

Abriu.

Havia relatórios.

Fotografias.

Contratos.

E uma carta.

Dante reconheceu a letra.

Ficou alguns segundos sem tocar.

Depois abriu.

Meu filho,

se algum dia você estiver lendo isto, significa que eu falhei em manter esse assunto enterrado.

Dante parou.

Marina observou.

Ele continuou.

A tecnologia da Vértice nunca deveria ter saído do laboratório.

Eu encerrei o projeto porque percebi que aquilo que poderia aliviar sofrimento também poderia ser usado para provocar sofrimento sem deixar marcas evidentes.

Destruí o que pude.

Mas alguns arquivos desapareceram.

Não confie em quem disser que tudo foi destruído.

Dante abaixou a carta.

Havia mais.

Se o projeto reaparecer, procure os registros financeiros.

Tecnologia precisa de dinheiro.

E dinheiro sempre deixa rastro.

Marcelo olhou para Dante.

"Seu pai sabia que alguém havia levado os arquivos."

"Sim."

Bruno recebeu uma mensagem.

Olhou.

"Temos o rastro."

Todos viraram.

"Qual?"

"Os quatro milhões transferidos por Ricardo."

Dante endureceu.

Bruno continuou:

"Não foram os únicos."

Ele colocou o tablet sobre a mesa.

"Nos últimos quatro meses, sete decisões importantes do Grupo Montenegro foram assinadas enquanto o senhor estava sob acompanhamento médico."

Dante pegou.

Aquisições.

Procurações.

Mudanças societárias.

Autorizações.

Marina observou.

"Você lembra de assinar tudo isso?"

Dante passou pelas páginas.

"Algumas."

"E as outras?"

Silêncio.

"Não."

Bruno abriu um documento.

"Este é o mais importante."

Dante leu.

Sua expressão mudou.

Marina aproximou-se.

Era uma autorização de transferência temporária de poderes administrativos caso Dante estivesse clinicamente incapaz de administrar o grupo.

"Quem assume?", Marina perguntou.

Bruno não respondeu.

Não precisava.

O nome estava na última página.

RICARDO MONTENEGRO.

Dante deixou o papel sobre a mesa.

Teresa levou a mão à boca.

"Meu Deus."

Marina continuou lendo.

"Isso foi assinado há três meses."

Dante olhou para a própria assinatura.

"É minha."

Bruno assentiu.

"Autenticada."

"Eu não lembro."

Marina sentiu o peso da descoberta.

Talvez nunca tivessem tentado matar Dante.

Talvez o plano fosse muito mais inteligente.

Privá-lo de sono.

Fazer seu corpo falhar.

Fazer sua memória falhar.

Fazer todos acreditarem que ele não estava em condições de comandar.

E depois colocar outra pessoa em seu lugar.

Marina olhou para Dante.

"Não queriam você morto."

Ele ergueu os olhos.

"Queriam que todos acreditassem que você não conseguia mais comandar."

Bruno permaneceu imóvel.

Teresa começou a chorar novamente.

Dante olhou para a assinatura.

Depois para o nome abaixo dela.

Ricardo Montenegro.

Seu próprio sangue.

Seu primo.

O homem que crescera ao seu lado.

O homem que assumiria tudo se Dante fosse declarado incapaz.

O telefone de Bruno tocou.

Ele atendeu.

Ouviu.

Seu rosto mudou.

"Repete."

Todos esperaram.

Bruno desligou.

"O que foi?", Dante perguntou.

"A equipe acabou de localizar Henrique."

"Onde?"

"Aeroporto de Guarulhos."

Dante levantou.

"Está tentando fugir?"

"Sim."

"Para onde?"

"Lisboa."

Dante pegou o casaco.

Bruno, porém, não se moveu.

"Tem mais."

Dante parou.

"Henrique fez uma transferência antes de comprar a passagem."

"Para quem?"

Bruno virou o telefone.

"Uma conta ligada a uma empresa de Lívia Montenegro."

Ricardo não era o único Montenegro na história.

Agora sua esposa também estava dentro dela.

E, pela primeira vez, Dante percebeu que talvez tivesse passado quatro meses olhando para o traidor errado.

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