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"A Empregada Que Destruiu a Cama do Chefe da Máfia" Capítulo 6 — O Médico

正文开头

Dr. Henrique Sampaio chegou à mansão Montenegro às oito e vinte daquela noite.

Ele acreditava que fora chamado por causa de Dante.

Era exatamente isso que Dante queria.

Marina observava através de uma pequena abertura no antigo corredor de serviço.

Oficialmente, ela não estava mais na mansão.

Naquela tarde, diante de todos os funcionários, Dante havia encenado uma discussão.

"Você está demitida."

Marina quase acreditara pelo tom.

"Ótimo."

Ela jogara o avental sobre a mesa.

"Não volto nunca mais."

Teresa parecera horrorizada.

Ricardo, que havia chegado pouco antes, assistira a tudo.

Henrique recebera a informação menos de quarenta minutos depois.

Isso era o mais importante.

A notícia circulava rápido demais.

Agora Marina estava escondida.

Só Dante, Bruno e Marcelo sabiam.

Henrique entrou no escritório.

"Você parece pior."

Dante estava sentado atrás da mesa.

"Obrigado."

"Não é brincadeira."

Henrique abriu a maleta.

"Quero medir sua pressão."

"Depois."

"Dante."

"Depois."

Henrique sentou.

"Bruno disse que você queria conversar."

"Quero."

Dante colocou um relatório médico sobre a mesa.

"Reconhece?"

Henrique olhou.

"Seu exame de abril."

"Tem certeza?"

"Eu assinei."

"Esse é o problema."

Henrique levantou os olhos.

Dante colocou outro documento ao lado.

Mesmo exame.

Mesma data.

Números diferentes.

Henrique perdeu a cor.

Marina percebeu mesmo de longe.

"De onde tirou isso?"

"Responde."

Henrique pegou as duas folhas.

"Isso pode ser erro de sistema."

"Pode?"

"Claro."

"Então qual é o verdadeiro?"

Henrique demorou demais.

Dante sorriu sem humor.

"Você deveria saber."

"Eu vejo centenas de exames."

"Mas sou seu paciente há oito anos."

Henrique largou os papéis.

"Você está me acusando de alguma coisa?"

"Estou fazendo perguntas."

"Com base em documentos que nem sabemos de onde vieram."

Dante se inclinou.

"Rosa Ferreira."

O nome acertou Henrique como um soco.

Marina viu.

Dante também.

"Quem?"

A tentativa foi péssima.

Dante levantou.

"Não faça isso."

"Eu não sei do que está falando."

"Você conhece Rosa."

"Uma funcionária?"

"Você conhece."

Henrique fechou a maleta.

"Seu estado está pior do que imaginei."

Dante riu.

"Agora vem a parte em que diz que estou paranoico?"

"Estou dizendo que quatro meses sem dormir corretamente alteram julgamento."

"Interessante."

"Você precisa de tratamento."

"Você quer me dar alguma coisa?"

"Para dormir."

"Não."

Henrique levantou.

"Dante, escuta..."

"Sem remédio."

"Isso está ficando perigoso."

Dante caminhou lentamente até ele.

"Concordo."

Henrique parou.

"Por isso vou descobrir quem decidiu que eu precisava parecer doente."

Silêncio.

Henrique tentou manter a expressão.

Falhou.

"Não sei do que está falando."

"Então não tem motivo para estar com medo."

Dante abriu a porta.

"Pode ir."

Henrique saiu.

Bruno esperava no corredor.

Seguiu o médico discretamente.

Marina permaneceu escondida.

Dante entrou na passagem alguns minutos depois.

"Ele sabe."

Marina assentiu.

"Mas não sabemos quanto."

"Bruno vai descobrir."

"Você acha que Ricardo está envolvido?"

A expressão de Dante fechou.

"Não."

"Você respondeu rápido."

"Porque conheço Ricardo."

"Rosa conhecia alguém também."

Dante olhou para ela.

Marina não recuou.

"Ela escreveu que cometeu o erro de confiar."

正文1

"Ricardo é meu primo."

"Isso não é prova de inocência."

"Também não é prova de culpa."

"Eu sei."

Dante passou a mão pelo rosto.

O cansaço voltava.

Marina percebeu.

"Você dormiu duas horas."

"Três."

"Isso é uma vitória."

"Minha empregada quase foi queimada em um hotel."

"Ex-empregada."

Ele olhou para ela.

"Não se acostume."

Marina sorriu.

Dante tentou não responder.

Falhou por um instante.

O telefone vibrou.

Bruno.

Dante colocou no viva-voz.

"Fala."

"Henrique parou num posto da Marginal Pinheiros."

"E?"

"Fez uma ligação."

"Para quem?"

"Não sabemos ainda."

Bruno fez uma pausa.

"Mas ouvi parte."

Dante ficou atento.

"O que ele disse?"

"Uma frase."

Marina se aproximou.

Bruno repetiu:

"Ele ainda confia no primo."

Dante não se mexeu.

Marina sentiu o ar mudar.

"Mais alguma coisa?"

"Sim."

Bruno respirou fundo.

"Henrique disse que isso precisava terminar antes que Marina encontrasse Rosa."

A ligação terminou.

Dante olhou para ela.

"Você não sai daqui."

"Eu não pretendia."

"Nem sozinha, nem com Teresa, nem com ninguém."

"Entendi."

"Estou falando sério."

"Eu também."

Dante aproximou-se.

"Marina."

Ela ergueu os olhos.

"Se alguma coisa acontecer com você por causa disso..."

Ele parou.

"Você vai fazer o quê?"

Dante não respondeu.

Marina percebeu que ele não sabia.

Isso era mais revelador que qualquer resposta.

Naquela madrugada, ela permaneceu no antigo apartamento de hóspedes ligado ao corredor de serviço.

Dante estava na suíte ao lado.

À uma e meia, Marina ouviu passos.

Abriu a porta.

Dante estava no corredor.

"Não consegue dormir?"

"Não."

"Quer que eu fique?"

Ele a olhou.

Desta vez não fingiu que não queria.

"Quero."

Marina sentou na cadeira ao lado da cama.

Dante deitou.

"Isso é ridículo."

"O quê?"

"Eu precisar de uma empregada para dormir."

"Ex-empregada."

Ele fechou os olhos.

"Você fala demais."

"Durma."

Vinte minutos depois, ele dormia.

Marina permaneceu ali.

Observou o homem que todos temiam.

Dormindo, Dante não parecia um chefe da máfia.

Parecia apenas cansado.

Muito cansado.

Ela levantou para sair.

Uma mão segurou seu pulso.

Dante não abriu os olhos.

"Fica."

Marina congelou.

"Estou aqui."

A mão dele relaxou.

Mas não soltou completamente.

Marina sentou novamente.

Na manhã seguinte, Bruno entrou no escritório com uma pasta.

Dante estava acordado.

Marina estava ao lado.

"Encontramos a ligação entre Ricardo e Vértice."

Dante ficou imóvel.

Bruno colocou documentos sobre a mesa.

Uma transferência.

Uma empresa de fachada.

Uma assinatura.

RICARDO MONTENEGRO.

Marina olhou para Dante.

Ele não demonstrou emoção.

Bruno falou:

"Quatro milhões e oitocentos mil reais."

"Quando?"

"Três meses antes de sua insônia começar."

Dante fechou a pasta.

"Traga meu primo."

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