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"A Empregada Que Destruiu a Cama do Chefe da Máfia" Capítulo 3 — Atrás do Guarda-Roupa

正文开头

Marina não gritou.

Correu.

Abriu a porta do apartamento e quase bateu em Bruno, que vinha pelo corredor com dois homens.

"Tem alguém na parede."

Bruno passou por ela.

"Fique fora."

"Recebi uma foto."

Ele parou.

"Mostra."

Marina entregou o celular.

Bruno viu a imagem.

"Quando?"

"Agora."

Dante apareceu no fim do corredor.

Estava de camisa preta e calça social, como se duas e meia da madrugada fosse um horário perfeitamente razoável para estar vestido.

"O que aconteceu?"

Bruno mostrou o telefone.

Dante olhou a fotografia.

Seu rosto mudou.

"Revistem tudo."

"Já estamos fazendo."

Dante virou para Marina.

"Você está bem?"

A pergunta a surpreendeu.

"Estou."

Ele olhou para as mãos dela.

Estavam tremendo.

"Não parece."

"Estou com raiva."

"Isso é medo."

"Posso sentir os dois."

Dante não discutiu.

Bruno retirou um painel da parede.

Atrás dele havia cabos antigos.

Nada mais.

A busca continuou até quase quatro da manhã.

Nenhuma câmera.

Nenhuma pessoa.

Nenhum transmissor.

O invasor parecia sempre estar um passo à frente.

Marina voltou ao corredor de serviço com Bruno quando amanheceu.

Queria entender de onde alguém poderia observá-la.

As pegadas da noite anterior ainda estavam preservadas.

Bruno havia proibido a limpeza.

Marina se agachou.

"Olha."

"O quê?"

"Essa marca."

Uma das pegadas menores tinha um desenho diferente no calcanhar.

Bruno fotografou.

"Pode ser de Rosa?"

"Depois de quatorze semanas?"

"Não."

Seguiram a trilha.

Em determinado ponto, as marcas desapareciam perto de uma bifurcação.

Uma direção levava à lavanderia.

A outra subia para uma ala fechada da mansão.

Marina apontou.

"Por que isso está fechado?"

"Reforma interrompida."

"Quando?"

Bruno pensou.

"Quatro meses atrás."

Marina o encarou.

Ele percebeu ao mesmo tempo.

Abriram a porta.

O corredor cheirava a madeira e poeira.

Lençóis brancos cobriam móveis.

Marina caminhou devagar.

No terceiro quarto, encontrou uma caixa.

Dentro havia uniformes antigos.

Recibos.

Documentos de funcionários.

E um caderno.

Na primeira página estava escrito:

Rosa Ferreira.

Marina chamou Bruno.

Eles começaram a ler.

A maioria das anotações era banal.

Horários.

Compras.

Tarefas.

Até chegar às últimas páginas.

"Escuta isso."

Bruno se aproximou.

Marina leu:

"Senhor Dante voltou a dormir no sofá."

Outra linha.

"Dr. Henrique disse que é ansiedade."

Outra.

"Ele não parece ansioso. Parece doente."

Dante apareceu na porta.

"Continue."

Marina levantou os olhos.

Ele estava ouvindo.

Ela virou a página.

"Ouvi a cabeceira novamente às três e quarenta."

Dante entrou.

"Data?"

Marina verificou.

"Dezessete de abril."

Ela parou.

A fita da chave dizia:

17 / 04 / 03:40.

Não era um endereço.

Era uma data e um horário.

Marina continuou lendo.

"Vi alguém saindo do quarto. Não deveria estar lá."

Bruno ficou tenso.

"Nome?"

A página seguinte havia sido arrancada.

Dante pegou o caderno.

"Conveniente."

Marina examinou a lombada.

"Havia mais."

"Como sabe?"

"Marcas de pressão."

Ela inclinou a folha seguinte contra a luz.

Alguém havia escrito na página arrancada com força suficiente para deixar sulcos.

Bruno trouxe um lápis.

正文1

Marina passou grafite de lado sobre o papel.

Letras começaram a aparecer.

Uma palavra.

Depois outra.

DOUTOR.

Dante ficou imóvel.

Bruno olhou para ele.

"Henrique."

Dr. Henrique Sampaio atendia Dante havia oito anos.

Tinha acesso livre à mansão.

Conhecia seus exames.

Seus medicamentos prescritos.

Sua rotina.

Seu quarto.

"Não fazemos nada ainda", Dante disse.

Bruno pareceu surpreso.

"Senhor?"

"Se Henrique está envolvido, quero saber com quem."

Marina fechou o caderno.

"E se ele souber que encontramos isso?"

Dante olhou para ela.

"Não vai saber."

"Alguém sabe tudo o que fazemos."

"Então vamos dar alguma coisa errada para essa pessoa saber."

Naquela tarde, Dante ordenou que a ala inteira fosse aberta.

A justificativa oficial foi simples:

reforma.

Nenhum funcionário recebeu detalhes.

Marina voltou ao trabalho.

Mas agora nada parecia comum.

Cada empregado poderia estar observando.

Cada porta poderia esconder alguém.

Cada ruído fazia sentido demais.

No fim do dia, ela levou café ao escritório de Dante.

Ele estava diante de uma janela.

"Eu não pedi."

"Eu sei."

"Então por que trouxe?"

"Você não comeu."

"Isso é café."

"Eu trouxe um sanduíche também."

Dante olhou para a bandeja.

"Você faz isso com todos os patrões?"

"Os outros não tinham seis máquinas escondidas na cama."

Ele sentou.

Marina colocou o prato diante dele.

"Você cuida de todo mundo?"

A pergunta saiu inesperadamente.

Marina demorou.

"Cuidei da minha mãe durante seis anos."

Dante ficou em silêncio.

"Ela morreu?"

"Há dois."

"Sinto muito."

Marina assentiu.

"Ela tinha uma doença degenerativa. No fim, não conseguia fazer quase nada sozinha."

"Foi por isso que deixou o hotel?"

"Foi."

"Você sabe muito de manutenção para uma empregada."

"E você pergunta muito para um chefe da máfia."

Dante levantou uma sobrancelha.

Marina ficou imóvel.

"Teresa falou."

"Claro."

"Eu deveria fingir que não sei?"

"Seria inútil."

Marina deu de ombros.

"Então pronto."

Ele mordeu o sanduíche.

Ela sorriu.

"Viu? Não morreu."

"Não comemore cedo."

Marina pegou a bandeja vazia do café anterior.

Quando chegou à porta, Dante falou:

"Marina."

Ela virou.

"Obrigado."

Foi a primeira vez que ele disse aquilo.

Ela não fez piada.

"De nada."

Às três e quarenta da madrugada, Marina acordou.

Exatamente.

Sem despertador.

Um som atravessava a parede.

Bip.

Bip.

Bip.

Ela se levantou imediatamente.

Desta vez não chamou Bruno.

Seguiu o ruído.

Saiu do apartamento.

Entrou no corredor.

O som vinha do andar inferior.

Marina desceu.

Passou pela lavanderia.

Chegou à antiga passagem.

A porta estava aberta.

Ela entrou.

"Rosa?"

Não sabia por que disse o nome.

Talvez porque uma parte dela começasse a acreditar que a mulher ainda estava por perto.

O bip parou.

Marina continuou.

Então ouviu uma voz.

Baixa.

Mas humana.

"Marina."

Ela congelou.

A voz vinha da escuridão.

"Quem está aí?"

Silêncio.

"Rosa?"

Uma sombra se moveu.

Marina recuou.

Então todas as luzes do corredor se apagaram.

Ela ouviu passos correndo em sua direção.

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