"A Empregada Que Destruiu a Cama do Chefe da Máfia" Capítulo 2 — Ela Desapareceu
"Fica atrás de mim."
Dante falou sem olhar para Marina.
Ela não obedeceu imediatamente.
Bruno apontava a arma para a abertura estreita atrás do guarda-roupa.
A passagem estava escura.
"Marina."
Desta vez Dante usou um tom diferente.
Ela recuou.
A porta terminou de abrir.
Ninguém apareceu.
Bruno acendeu a lanterna do celular.
Um corredor estreito seguia pela escuridão.
"Eu não sabia disso", ele disse.
Dante olhou para ele.
"Você é responsável pela segurança desta casa."
"Eu conheço a planta inteira."
"Claramente não."
Bruno não respondeu.
Dante pegou o celular.
"Tranque a mansão."
Bruno imediatamente transmitiu a ordem.
"Ninguém entra. Ninguém sai."
Marina olhou para o corredor.
Havia poeira nas paredes.
Mas o chão não estava completamente sujo.
Alguém passara por ali.
Recentemente.
"Tem pegadas."
Bruno apontou a lanterna para baixo.
Dante se aproximou.
Marcas leves cruzavam a poeira.
"Uma pessoa", Bruno disse.
Marina agachou.
"Talvez duas."
Ele olhou para ela.
"Como sabe?"
"Essas são maiores."
Ela apontou.
"E essas aqui são menores."
Dante acompanhou as marcas.
"Para onde vai?"
Bruno entrou alguns metros.
"Desce."
"Vamos."
"Senhor, eu prefiro verificar primeiro."
"Você prefere muitas coisas hoje."
Bruno apertou o maxilar.
Dante entrou.
Marina foi atrás.
"Você fica aqui", Bruno disse.
"Não."
"Isso não é uma discussão."
"Eu sei o que vi no quarto."
"E eu tenho uma arma."
"Parabéns."
Dante parou.
Olhou para Marina.
"Fica perto de mim."
Bruno claramente odiou a decisão.
Seguiram pelo corredor.
A passagem fazia parte da construção original da mansão.
Dante explicou que o imóvel tinha quase oitenta anos e fora reformado diversas vezes antes de sua família comprá-lo.
Antigas casas de famílias ricas possuíam corredores de serviço para empregados circularem sem atravessar os ambientes sociais.
Mas aquela passagem não constava nas plantas modernas.
Depois de alguns minutos, chegaram a uma escada.
As pegadas continuavam.
No fim, encontraram outra porta.
Bruno abriu.
Saíram atrás de uma estante no setor antigo da lavanderia.
Teresa estava do outro lado.
Ela soltou um grito.
"Meu Deus!"
Bruno baixou a arma.
"Teresa, afaste-se."
A governanta olhou para Dante.
"O que aconteceu?"
Dante apontou para a passagem.
"Você sabia disso?"
Teresa empalideceu.
"Sabia que existiam corredores antigos."
"Esse leva diretamente ao meu quarto."
Ela ficou em silêncio.
Dante percebeu.
"Você sabia."
"Há muitos anos."
"E nunca achou importante mencionar?"
"Depois da reforma, disseram que todas as entradas tinham sido fechadas."
"Quem disse?"
Teresa tentou lembrar.
"Seu pai."
A resposta mudou o ambiente.
Dante não perguntou mais.
Marina começou a observar a lavanderia.
Prateleiras.
Armários.
Cestos.
Uma mesa antiga.
Então viu um pedaço de tecido branco atrás de uma caixa.
Puxou.
Era um avental.
O uniforme tinha o mesmo padrão do que Marina usava.
No bolso havia uma etiqueta bordada.
ROSA.
"Bruno."
Todos olharam.
Teresa levou a mão à boca.
"Esse avental estava aqui?"
Marina perguntou.
Teresa balançou a cabeça.
"Não sei."
"Quando Rosa desapareceu?"
"Há três meses."
"Ela trabalhava aqui havia quanto tempo?"
"Sete anos."
Marina examinou o avental.
No bolso havia alguma coisa dura.
Uma chave.
Pequena.
Antiga.
Uma fita adesiva envolvia a parte superior.
Nela estavam escritas duas palavras.
QUARTO 17.
Dante pegou a chave.
"Reconhece?"
Teresa negou.
Marina olhou para ela.
"Rosa estava com medo antes de desaparecer?"
Teresa demorou.
Dante percebeu.
"Responde."
"Estava."
"De quê?"
"Ela não disse."
Teresa parecia genuinamente abalada.
"Nas últimas semanas, Rosa começou a perguntar coisas sobre a casa. Queria saber quem tinha acesso aos quartos, quem acompanhava as reformas, quem cuidava dos móveis."
"Por que você nunca me contou?"
"Porque ela me pediu para não contar."
Dante riu sem humor.
"E você achou uma boa ideia?"
"Ela disse que precisava ter certeza."
"De quê?"
"Não sei."
Dante se aproximou.
Teresa baixou a cabeça.
"Uma semana antes de desaparecer, encontrei Rosa chorando na cozinha."
Marina ficou atenta.
"Ela falou alguma coisa?"
"Uma frase."
"Qual?"
Teresa olhou para Dante.
"Ela disse que tinha cometido um erro."
"Que erro?"
"Confiar em alguém desta casa."
O silêncio se instalou.
Dante fechou a mão sobre a chave.
Naquela tarde, a mansão virou uma fortaleza.
Funcionários foram interrogados individualmente.
Celulares foram recolhidos.
Bruno ordenou uma nova varredura completa.
Encontraram duas microcâmeras.
Uma no quarto de Dante.
Outra no corredor.
Ambas transmitiam para um receptor desconhecido.
Marina permaneceu na cozinha durante parte da investigação.
Ela deveria estar assustada.
Estava.
Mas havia outra sensação crescendo.
Curiosidade.
Às cinco da tarde, Dante entrou.
Sozinho.
"Você ainda está aqui."
Marina levantou os olhos.
"Você mandou trancar a mansão."
"Alguns teriam tentado fugir."
"Isso pareceria suspeito."
"Você está preocupada em parecer suspeita?"
"Agora que sei que alguém fotografou minhas costas dentro do seu quarto, estou preocupada com coisas mais importantes."
Dante puxou uma cadeira.
Sentou.
Marina percebeu o cansaço imediatamente.
"Você precisa dormir."
"Todo mundo gosta de me dizer isso."
"Talvez porque você pareça um cadáver caro."
Dante olhou para ela.
Marina fechou os olhos por um instante.
"Eu falei isso em voz alta?"
"Falou."
"Desculpa."
"Você pede desculpas demais."
"Desde que cheguei, destruí sua cama, critiquei sua segurança e chamei você de cadáver."
"Em menos de quinze horas."
"Meu desempenho está acima da média."
Dante soltou um som curto.
Marina demorou um segundo para perceber.
Ele tinha rido.
Muito pouco.
Mas rira.
O momento desapareceu quando Bruno entrou.
"Encontramos a câmera."
Dante levantou.
"Origem?"
"Sem fio. Transmissão criptografada."
"Marcelo?"
"Está vindo."
Bruno olhou para Marina.
"E tem outra coisa."
Ele colocou um envelope sobre a mesa.
"Encontramos no antigo armário de Rosa."
Marina viu o nome escrito à mão.
DANTE.
Ele abriu.
Dentro havia apenas uma folha.
Três linhas.
Se alguma coisa acontecer comigo, não confie nos relatórios.
Não confie nos horários.
E não deixe ninguém mexer na cama.
Dante releu.
Marina sentiu um arrepio.
Rosa sabia.
Ela sabia antes de desaparecer.
Naquela noite, Marina foi levada para um pequeno apartamento no setor leste da propriedade.
Dante havia ordenado que ela permanecesse dentro da mansão até descobrirem quem enviara a fotografia.
O quarto era simples, confortável e muito melhor do que seu apartamento anterior.
Marina tomou banho.
Vestiu uma camiseta larga.
Sentou na cama.
Pensou na chave.
QUARTO 17.
Pensou em Rosa.
Pensou nos aparelhos.
E pensou em Dante rindo por menos de um segundo na cozinha.
À meia-noite, tentou dormir.
Não conseguiu.
Às duas e dez, ouviu alguma coisa.
Um ruído baixo.
Marina abriu os olhos.
Silêncio.
Depois:
Bip.
Ela sentou.
Bip.
O som vinha da parede.
Marina se aproximou.
Encostou o ouvido.
Bip.
Seu sangue gelou.
Era regular.
Parecido demais com o ritmo que sentira na cabeceira de Dante.
Marina pegou o celular para ligar para Bruno.
Antes que conseguisse desbloquear a tela, recebeu uma mensagem.
Número desconhecido.
Havia apenas uma frase.
VOCÊ DEVIA TER IDO EMBORA.
Marina recuou.
Então outra mensagem chegou.
Uma fotografia.
Ela dormindo naquela mesma cama.
Tirada poucos minutos antes.
Marina ergueu os olhos para o teto.
E ouviu um clique dentro da parede.
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