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"A Empregada Que Destruiu a Cama do Chefe da Máfia" Capítulo 1 — Trinta Segundos

正文开头

Às sete e treze de uma quinta-feira, Marina Duarte estava descalça sobre a cama do homem mais temido de São Paulo, segurando um abridor de cartas de prata contra uma cabeceira que provavelmente custava mais do que tudo o que ela possuía.

Quatro seguranças observavam cada movimento.

Dante Montenegro estava ao lado da cama.

E ninguém respirava direito.

"Não encosta em mim."

Marina enfiou a ponta do abridor sob o couro escuro.

Bruno Tavares deu um passo à frente.

"Senhor Montenegro..."

"Deixa."

A voz de Dante saiu baixa.

Cansada.

Mas ainda tinha aquele tom que fazia homens armados obedecerem sem discutir.

Marina puxou o couro.

O material rasgou com um som seco.

Um dos seguranças levou a mão para dentro do paletó.

Marina olhou para ele.

"Se eu quisesse matar alguém, não começaria brigando com uma cabeceira."

Bruno não achou graça.

Dante quase achou.

Quase.

Marina arrancou outra faixa de couro e encontrou uma camada grossa de espuma preta.

Aquilo não deveria estar ali.

Ela tocou a espuma.

Sentiu novamente.

Um pulso.

Fraco.

Regular.

"Está vendo?"

Dante se aproximou.

Ele parecia muito diferente das fotografias que Marina havia visto antes de aceitar o emprego.

Nas fotos, Dante Montenegro parecia feito de pedra.

Trinta e nove anos.

Alto.

Ombros largos.

Cabelos negros penteados para trás.

Barba curta perfeitamente aparada.

Um homem que controlava empresas, propriedades e uma família cujo sobrenome fazia muita gente em São Paulo baixar a voz.

O Dante diante dela parecia ter envelhecido dez anos em quatro meses.

Olheiras profundas marcavam seu rosto.

A pele estava pálida.

A camisa preta escondia parte do corpo forte, mas não escondia o cansaço.

Marina o tinha visto cambalear alguns minutos antes.

Aquilo fora o que realmente a assustara.

Não as armas.

Não os seguranças.

Dante.

Um homem poderoso demais para admitir que mal conseguia permanecer em pé.

Marina puxou a espuma.

Um pequeno módulo eletrônico preto apareceu.

Depois outro.

E outro.

Bruno se aproximou imediatamente.

"Não toca."

Marina falou antes que ele estendesse a mão.

Bruno virou o rosto.

"Você está me dando ordem?"

"Estou evitando que você faça uma coisa idiota."

Os dois se encararam.

Dante interrompeu.

"Ela tem razão."

Marina retirou mais espuma.

Seis pequenas caixas estavam presas à estrutura interna da cabeceira.

Fios finos conectavam uma à outra.

Pequenas luzes vermelhas piscavam em intervalos diferentes.

Bruno perdeu a expressão de segurança absoluta que mantinha desde que Marina chegara à mansão.

"Isso não estava na última varredura."

"Então fizeram uma varredura ruim", Marina respondeu.

Bruno olhou para ela.

Dante também.

Marina fechou a boca.

Era seu primeiro dia.

Na verdade, ainda nem completara cinco horas de trabalho.

Talvez acusar a equipe de segurança do chefe da máfia de incompetência não fosse a melhor estratégia para manter o emprego.

Dante apontou para o dispositivo.

"Como percebeu?"

Marina desceu da cama.

"Primeiro, a manta atrás da cortina."

Silêncio.

"O travesseiro perto da lareira."

正文1

Ela apontou para o sofá.

"As almofadas estão afundadas. Alguém dorme ali quase todas as noites."

Dante não respondeu.

"Mas a cama está praticamente intacta."

Bruno cruzou os braços.

"E?"

"Uma pessoa com insônia tenta dormir na cama. Depois levanta. Depois volta. O colchão mostraria uso."

Marina encarou Dante.

"Você não tenta dormir aqui."

O olhar dele endureceu.

"Você evita esta cama."

Dante se aproximou.

"Continue."

"Quando entramos, você olhou para ela."

"É minha cama."

"Não daquele jeito."

Bruno observava Marina como se tentasse decidir se ela era muito inteligente ou simplesmente não tinha instinto de sobrevivência.

Talvez fossem as duas coisas.

"Você olhou como alguém que espera que alguma coisa aconteça", Marina disse.

Dante ficou imóvel.

Foi então que ela percebeu que acertara.

"Depois encostei na cabeceira para tirar o pó."

Marina pressionou a palma contra uma parte ainda intacta.

"Ela vibrou."

Bruno tocou o mesmo lugar.

Esperou.

Seu rosto mudou.

"Tem alguma coisa."

"Um pulso", Marina disse.

"Como você percebeu isso?"

"Já trabalhei em hotel barato."

Bruno franziu a testa.

"Isso deveria explicar alguma coisa?"

"Máquina de lavar quebrada. Ar-condicionado velho. Compressor de geladeira. Depois de alguns anos, você aprende a reconhecer vibração através de parede."

Dante olhou novamente para os aparelhos.

"Há quanto tempo estão aí?"

Bruno examinou a madeira.

Passou o dedo por uma linha fina de poeira.

Seu maxilar se contraiu.

"Meses."

Dante ficou imóvel.

"Quantos?"

"Não sei."

Marina olhou para ele.

Quatro meses.

Teresa Almeida, a governanta, havia mencionado naquela madrugada que Dante não dormia direito havia quatro meses.

Médicos tinham sido chamados.

Especialistas.

Exames.

Nada.

O coração estava normal.

O cérebro estava normal.

O sangue estava normal.

A explicação sempre era a mesma.

Estresse.

Marina olhou para os seis módulos.

"Talvez o problema nunca tenha estado dentro dele."

Dante virou lentamente para ela.

Marina apontou para a cama.

"Talvez estivesse aqui."

O silêncio ficou pesado.

Bruno puxou mais espuma.

Um dos módulos caiu alguns centímetros, preso apenas pelo fio.

Uma pequena placa metálica apareceu na lateral.

Havia três letras gravadas nela.

V.N.T.

Dante parou de respirar por um instante.

Marina percebeu.

"Você conhece?"

"Bruno."

Dante ignorou a pergunta.

"Limpe o andar."

Bruno entendeu imediatamente.

"Todos?"

"Todos."

"Até os funcionários?"

"Principalmente os funcionários."

Bruno fez um sinal aos homens.

Dois saíram.

O terceiro permaneceu junto à porta.

Dante olhou para ele.

"Você também."

Quando ficaram apenas os três, Dante tocou a placa.

V.N.T.

Marina esperou.

"Vértice Neurotecnologia", ele disse.

Bruno ergueu os olhos.

"Isso não existe mais."

"Eu sei."

Marina olhou de um para o outro.

"O que era?"

Dante demorou a responder.

"Uma empresa de tecnologia médica."

"E por que alguma coisa de uma empresa médica está escondida na sua cama?"

Dante fitou as letras.

"Essa é uma excelente pergunta."

Ele deu dois passos.

No terceiro, seu corpo vacilou.

Marina segurou seu antebraço.

Dante congelou.

Ela também.

Bruno imediatamente avançou.

Dante ergueu a mão.

正文2

"Não."

Marina soltou o braço dele.

"Desculpa."

Dante olhou para o ponto onde ela o tocara.

"Você pede desculpas depois de destruir minha cama?"

"Eu não destruí a cama."

Ele olhou para a cabeceira aberta.

Marina corrigiu:

"Ainda."

Por um segundo, alguma coisa mudou no rosto dele.

Quase um sorriso.

Desapareceu rapidamente.

"Há quanto tempo a empresa fechou?", Marina perguntou.

"Doze anos."

Ela olhou para os módulos.

"Esses aparelhos não parecem ter doze anos."

"Não têm."

Bruno pegou o celular.

"Vou chamar Marcelo."

"Quem é Marcelo?"

"Alguém que pode descobrir o que isso faz."

Dante caminhou até a janela.

São Paulo se espalhava além dos jardins da propriedade.

Marina observou suas costas.

"Por que você comprou aquela empresa?"

Ele virou o rosto.

"Como sabe que eu comprei?"

Marina percebeu o erro.

Dante não tinha dito isso.

"Não sei."

"Então?"

"Você olhou para as letras como dono. Não como cliente."

Bruno levantou os olhos do telefone.

Dante permaneceu em silêncio.

"Você observa demais", ele disse.

"É meu trabalho."

"Seu trabalho é limpar."

"Para limpar direito, precisa perceber o que está fora do lugar."

Dante sustentou o olhar dela.

"Então continue percebendo."

Bruno recebeu uma notificação.

"Tenho o relatório de acesso."

Dante virou imediatamente.

"Fala."

Bruno passou os olhos pela tela.

Depois tornou a ler.

A expressão dele mudou.

"Tem um problema."

"Qual?"

"Não houve invasão registrada neste quarto nos últimos seis meses."

Marina sentiu um frio subir pela nuca.

Dante ficou completamente imóvel.

Bruno continuou.

"Todas as entradas foram feitas por pessoas autorizadas."

"Quantas?"

"Onze."

"Quero os nomes."

Bruno começou.

"Eu. Dois comandantes de turno. Doutor Henrique Sampaio. O eletricista. O decorador. Duas funcionárias da limpeza."

Ele hesitou.

"Ricardo Montenegro."

O olhar de Dante ficou mais duro.

"Continue."

"Teresa Almeida."

Marina esperou.

Bruno baixou um pouco o tablet.

"E a funcionária que ocupava o cargo da Marina."

"Nome?"

"Rosa Ferreira."

Marina reconheceu.

O nome ainda aparecia em uma folha antiga no setor de funcionários.

"Ela pediu demissão?"

Bruno não respondeu.

Dante olhou para ele.

"Bruno."

"Não."

Marina franziu a testa.

"Então onde ela está?"

Bruno respirou fundo.

"Rosa Ferreira desapareceu há quatorze semanas."

Ninguém falou.

Quatorze semanas.

Pouco mais de três meses.

Quase exatamente quando Dante começara a parar de dormir.

O celular de Bruno vibrou.

Ele olhou.

Seu rosto perdeu a cor.

Dante percebeu.

"O que foi?"

Bruno virou a tela.

Havia uma fotografia.

Marina estava sobre a cama de Dante.

Descalça.

Abridor de cartas na mão.

A cabeceira já aberta.

Ela sentiu o estômago apertar.

"Quando tiraram isso?"

Bruno olhou os dados.

"Onze minutos atrás."

Marina ergueu os olhos.

A fotografia havia sido feita dentro do quarto.

Bruno começou a procurar uma câmera.

Outra mensagem chegou.

Desta vez havia quatro palavras.

ELA ENCONTROU CEDO DEMAIS.

Dante olhou para Marina.

Então um som baixo veio do outro lado do quarto.

Clique.

Os três se viraram.

O ruído vinha do enorme guarda-roupa embutido.

Clique.

Bruno sacou a arma.

A madeira se moveu alguns milímetros.

Marina prendeu a respiração.

Não era uma porta de armário.

Era alguma coisa atrás dele.

Dante deu um passo à frente.

Bruno levantou a arma.

A parede interna começou a abrir.

E alguém estava do outro lado.

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